🔸 Lula (PT) foi reeleito para um quarto mandato após a primeira virada entre turnos de uma eleição presidencial desde a redemocratização. Flávio Bolsonaro (PL) havia terminado a primeira votação com vantagem de 2,2 milhões de votos; com 99,8% das urnas apuradas no segundo turno, o petista estava 4,4 milhões à frente. O Nexo detalha como a mobilização nas redes, as manifestações de rua e as iniciativas para convencer eleitores e reduzir a abstenção marcaram a reação da campanha e ouve cientistas políticos sobre os desafios do próximo governo. A ausência nas urnas caiu de 21,1% para 19,2%.
🔸 Eleitores de Salvador enfrentaram atrasos e falta de ônibus para votar no segundo turno, oito dias depois de a Câmara Municipal entregar o título de cidadão da cidade a Flávio Bolsonaro em um comício. A Agência Pública explica que o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, que estava em Paris, e o retorno de 100% da frota às ruas, com tarifa zero, sob multa de R$ 1 milhão por hora. A secretaria confirmou que ao menos 75 ônibus foram impedidos de sair das garagens, sob a justificativa de que tinham adesivos com o número de Lula. O Procon encontrou 252 veículos parados em três garagens e autuou uma concessionária por manter no pátio 55 ônibus aptos a circular. A gratuidade e a frequência equivalente à dos dias úteis são obrigatórias nas eleições. O prefeito Bruno Reis (União Brasil) é aliado de Flávio. No primeiro turno, Lula recebeu 65,26% dos votos válidos em Salvador, sua maior proporção entre as capitais, contra 27,03% do adversário.
🔸 A campanha de Flávio Bolsonaro apresentou 30 ações ao TSE para retirar conteúdos que classificou como notícias sabidamente falsas, mais que o dobro das 14 apresentadas pela campanha de Lula. O levantamento da Agência Lupa abrange 48 representações envolvendo candidaturas à Presidência até 20 de outubro. Flávio assinou pessoalmente 29 dos pedidos, embora classifique a remoção de publicações como “censura” e prometa um “tesouraço na censura”. Oito ações de sua campanha foram atendidas parcial ou integralmente e oito foram rejeitadas. A campanha petista teve três pedidos acolhidos. Entre as ações de Flávio estavam três tentativas de remover propagandas segundo as quais ele teria sido “flagrado pedindo R$ 134 milhões” a Daniel Vorcaro. A defesa argumentou que não houve flagrante delito, mas os pedidos foram rejeitados pela ministra Estela Aranha, já que as peças se apoiavam em áudios revelados pelo Intercept Brasil e investigados pelo STF.
🔸 Um homem branco conduziu pelas correntes um homem negro durante uma manifestação de apoio a Flávio Bolsonaro, no Rio de Janeiro, no sábado. O homem branco vestia verde e amarelo e uma camiseta com o rosto do candidato; o homem negro estava acorrentado, usava roupa vermelha com o nome de Lula, chifres e um tridente vermelho. As imagens motivaram um pedido de investigação do Ministério da Igualdade Racial, informa a Alma Preta. Em ofício enviado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, a ministra Rachel Barros cobrou providências para a apuração criminal. “As imagens publicadas pelo referido meio de comunicação não deixam espaços para dúvidas quanto à prática do fato tipificado como crime”, diz o documento.

📮 Outras histórias
A ativista Jacqueline Brasil, referência na luta pela inclusão de travestis e transexuais no mercado de trabalho, dá nome a um programa de empregabilidade para jovens LGBTQIAPN+ no Rio Grande do Norte. Instituída por lei, a iniciativa prioriza pessoas em situação de vulnerabilidade social, sobretudo aquelas que vivem ou viveram nas ruas ou em instituições de acolhimento. A Saiba Mais detalha a proposta, que prevê parcerias com instituições de ensino, empresas e organizações sociais para incentivar a qualificação profissional e combater a discriminação no trabalho. “A promoção dos direitos da população LGBTQIAPN+ exige atuação contínua, integrada e transversal, não se limitando a ações pontuais, mas envolvendo diferentes áreas da Administração Pública e a participação da sociedade civil”, afirma a coordenadora da Diversidade Sexual e de Gênero do estado, Rebecka de França.
📌 Investigação
À frente das investigações sobre o Banco Master e os desvios no INSS, o ministro André Mendonça adotou ritmos e critérios de publicidade distintos conforme os alvos, com efeitos na disputa presidencial. Na revista piauí, o repórter Breno Pires revela os vínculos políticos e empresariais do ministro e detalha decisões que favoreceram aliados. Mendonça deu 72 horas à Polícia Federal para atualizar informações que resultaram em um relatório concentrado em Alexandre de Moraes e tornou o documento público às vésperas do 7 de Setembro, sem prova conclusiva de que o colega tivesse agido em favor do Master. As informações alimentaram a campanha de Flávio Bolsonaro, que declarou no ato: “Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes.” Já o conteúdo da investigação sobre o financiamento de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse, solicitado por Flávio, permaneceu sob sigilo por mais tempo. No caso do ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ), Mendonça levou 75 dias para autorizar parcialmente buscas, vetou a diligência no Palácio das Laranjeiras e depois negou buscas adicionais. Contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), foram 29 dias; contra Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, nove.

🍂 Meio ambiente
A área ocupada pela agropecuária no entorno de territórios protegidos da Amazônia cresceu 561% entre 1985 e 2025 e passou a ocupar 31% dessa faixa territorial, segundo o MapBiomas. O Tapajós de Fato detalha os dados, que também mostram a concentração da atividade nas proximidades de estradas: a até cinco quilômetros dessas vias, pastagens e lavouras ocupam 63 milhões de hectares, ou 40,2% da área. A abertura de estradas e acessos secundários facilita a chegada de atividades econômicas a regiões antes isoladas e amplia o risco de desmatamento, exploração madeireira e ocupação irregular, aponta o levantamento. Em quatro décadas, o bioma perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa, com a pastagem como principal uso após o desmatamento. Terras Indígenas, unidades de conservação e terras quilombolas, porém, mantêm 98% de sua cobertura com vegetação nativa. Nas Terras Indígenas, a proporção chega a 98,9%.
📙 Cultura
“Não esperamos que alguém criasse esse espaço para nós. Nós mesmos construímos”, afirma Lara Gomes, integrante da produção do Slam de Surdes. Criado em 2018 diante das barreiras de comunicação que dificultavam a participação de pessoas surdas nas batalhas de poesia de São Paulo, o coletivo coloca a Língua Brasileira de Sinais (Libras) no centro da criação artística. A Periferia em Movimento conta que o projeto, que reúne pessoas surdas negras, LGBTQIAPN+, mulheres, mães e periféricas, diversidade que o nome “Surdes” procura expressar. Sem sede própria, o grupo depende de parcerias e circula por espaços como a praça Roosevelt e diferentes periferias da cidade. “Essa circulação acabou se tornando uma característica importante do Slam, porque permite que a gente encontre públicos diferentes e leve a poesia em Libras para lugares onde muitas pessoas talvez nunca tenham tido contato com uma produção artística protagonizada por pessoas surdas”, diz Lara. Nas batalhas, sem objetos ou adereços, o corpo, as mãos, o rosto e o olhar compõem a linguagem poética.
🎧 Podcast
“Toda vez que alguém disser que a democracia está estabilizada, é bom a gente ficar esperto, porque ela não termina, ela está sempre se movimentando. E o que imputa movimento à democracia são os direitos, é a luta por direitos.” A afirmação é da historiadora e cientista política Heloisa Starling, convidada do “451 MHz”, produção da Quatro Cinco Um. Professora da UFMG, ela apresenta seu novo livro, “A Máquina do Golpe: 1964 – Como Foi Desmontada a Democracia no Brasil” (Companhia das Letras), e relaciona as articulações que derrubaram João Goulart às práticas atuais de erosão das instituições democráticas. Sem tratar o golpismo atual como uma repetição exata de 1964, Starling identifica a permanência de ideias e práticas que visam à ruptura democrática. Compara o bolsonarismo a um “cupim”, que corrói as instituições por dentro, e afirma que a defesa da democracia exige participação pública, cultura e vínculos entre as pessoas, para além do voto. “O que nós estamos vendo é uma sociedade fechada na solidão individual.”

🧑🏽🏫 Educação
“Por que a minha rua alaga toda vez que chove e a rua da escola não?” Perguntas como essa são oportunidades para conversar com as crianças sobre política e democracia, sem restringir o assunto aos anos eleitorais. Ao Lunetas a promotora de Justiça Lívia Sant’Anna Vaz, do Ministério Público da Bahia, explica que respostas como “é assim mesmo” naturalizam desigualdades. “Trata-se de ajudá-la a entender que essas diferenças têm história, foram produzidas por decisões humanas e, por isso mesmo, podem ser transformadas por outras decisões humanas”, afirma. A reportagem destaca o projeto “Eleições na Floresta”, que simula o processo eleitoral em escolas públicas municipais para crianças de 6 a 11 anos, com campanhas, propostas, mesários e votação em uma urna no tablet. “A criança aprende que o voto deve ser uma escolha baseada em propostas, que é preciso respeitar quem pensa diferente e saber ganhar e perder”, diz Damila Bonato, criadora da iniciativa.
