As visitas de Flávio a Bolsonaro suspensas e as falsas pesquisas eleitorais
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🔸 O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu por 90 dias a autorização para que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visite o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar. O Jota explica que a decisão foi motivada pela divulgação, nas redes sociais de Flávio, de uma carta atribuída a Bolsonaro, o que, segundo Moraes, desrespeitou a proibição de o ex-presidente usar as redes sociais direta ou indiretamente. O ministro afirma que Flávio usou o direito de visita para contornar uma medida cautelar imposta ao ex-presidente e determina que o Ministério Público Eleitoral apure se a divulgação da carta configura propaganda eleitoral antecipada em favor da pré-candidatura do senador à Presidência. Caso fique comprovado que Jair Bolsonaro participou da estratégia para burlar a restrição, Moraes poderá revogar a prisão domiciliar e determinar seu retorno ao sistema prisional.
🔸 A pré-campanha de Flávio Bolsonaro reagiu à decisão. Em nota, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, classificou a medida como “autoritária, desproporcional” e uma “clara interferência no jogo político”. O Metrópoles destaca que o comunicado compara a situação de Bolsonaro à do presidente Lula (PT) durante o período em que esteve preso, argumentando que o petista recebeu visitas, divulgou cartas e participou do debate público. O advogado da pré-campanha, Tracy Reinaldet, também criticou a decisão, classificando-a como “ilegal e inconstitucional” e sustentando que a suspensão das visitas viola a Lei de Execução Penal, a Constituição e o direito de comunicação entre advogado e cliente, já que Flávio também integra a defesa do pai.
🔸 No TikTok, deepfakes de jornalistas e políticos têm sido usados para divulgar falsas pesquisas eleitorais sobre a disputa presidencial de 2026. A Agência Lupa identificou 86 vídeos publicados entre março e julho que simulavam reportagens de telejornais e, juntos, somavam 1,47 milhão de visualizações. Os conteúdos atribuíam percentuais de intenção de voto sem qualquer registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou divulgação por institutos de pesquisa. Entre eles, 75,6% usavam inteligência artificial para manipular imagens e vozes, mas apenas nove exibiam o selo de identificação exigido pela plataforma. A maioria dos vídeos recorria a deepfakes de jornalistas e figuras públicas para conferir credibilidade às falsas pesquisas. Flávio Bolsonaro (PL) foi o personagem mais utilizado, seguido por Nikolas Ferreira (PL-MG) e pelo jornalista César Tralli.
🔸 Para contornar os limites previstos na legislação, as empresas de bets têm recorrido a licenças estaduais. Isso porque, embora a lei atribua ao governo federal a fiscalização do setor, os estados também podem conceder licenças para que casas de apostas esportivas operem apenas em seus territórios. A Agência Pública revela que, na prática, esses limites nem sempre são respeitados, e as regras estaduais costumam ser mais flexíveis do que as federais, o que preocupa a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), responsável pela fiscalização nacional. Testes realizados pela reportagem comprovaram que duas plataformas licenciadas pela Loteria da Paraíba aceitaram apostas feitas de São Paulo.
📮 Outras histórias
“Hoje vivemos numa rotina muito corrida, muita gente sai para trabalhar, cansada e quase não conhece o próprio vizinho.” Para a gestora Shirlene Pereira, os grupos de corrida têm ajudado moradores de Águas Claras, em Salvador, a criar amizades, ocupar os espaços do bairro e fortalecer o sentimento de pertencimento. A Entre Becos mostra como a prática esportiva vem se consolidando nas periferias da capital baiana como uma ferramenta de convivência e bem-estar. Um exemplo é o grupo Correndo com Elas, do qual Shirlene faz parte. Criado há apenas sete meses no bairro de Águas Claras, a iniciativa já reúne cerca de cem moradores. “Através dos treinos, passamos a conversar mais, a nos apoiar, a criar amizades e ocupar os espaços do bairro de forma positiva, enxergando com mais carinho, pertencimento e união”, completa a gestora.
📌 Investigação
Lideranças Ashaninka da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, no Acre, são agora alvos diretos das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), que disputam o controle das rotas do narcotráfico na fronteira entre Brasil e Peru. Homens armados invadiram a aldeia Apiwtxa no início do mês para procurar líderes que impedem a circulação de embarcações ligadas ao tráfico. Segundo o Varadouro, a operação das forças estaduais de segurança revela uma mudança no perfil da violência na região: organizações criminosas transnacionais passaram a ameaçar diretamente povos indígenas que atuam na proteção do território. Francisco Piyãko conta que a comunidade já enfrentava ameaças na região de fronteira, mas que esta foi a primeira vez que criminosos entraram no território Ashaninka. Reconhecida pela gestão territorial e pela recuperação ambiental da região do Rio Amônia, a comunidade Apiwtxa é referência na vigilância da floresta e na cooperação com povos indígenas do Peru. Seu protagonismo passou a representar um obstáculo para as facções.
🍂 Meio ambiente
“As abelhas têm muito a nos ensinar. Um bicho que está aqui há 100 milhões de anos, que passou por várias intempéries e já viu o planeta entrar em colapso antes. E hoje, as abelhas estão dando sinais que o planeta vai mal.” As frases do ambientalista e meliponicultor João Luiz Aleixo, conhecido como Lula do Mel, resumem a proposta do Solar das Abelhas, espaço criado por ele em Caruaru (PE) para conciliar conservação da Caatinga, criação de abelhas nativas e educação ambiental. O #Colabora conta como o trabalho de Lula também busca chamar atenção para a importância ecológica das abelhas diante da crise climática. Biólogo de formação, ele criou o projeto “Sem abelhas, sem alimentos”, que promove oficinas de educação ambiental para escolas de Caruaru e municípios vizinhos. A Caatinga abriga ao menos 187 espécies desses insetos.
📙 Cultura
Responsável pelo lançamento no Brasil de “Dark Horse”, longa sobre Jair Bolsonaro, a Europa Filmes foi notificada pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo-Sul (BRDE). Segundo o Farofafá, a empresa teria descumprido o contrato de distribuição relacionado ao longa “Nina” (2004), de Heitor Dhalia. O BRDE é o agente financeiro do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), responsável por avaliar e liberar recursos públicos para produções do setor. A Europa Filmes já enfrentou outros problemas na gestão de recursos públicos. Há três anos, a Ancine rejeitou a prestação de contas do documentário “Marcha da Vida” e determinou a devolução dos valores recebidos. A estreia comercial de “Dark Horse” ainda pode encontrar outros obstáculos. Em maio, o advogado José Fernandes da Silva Júnior protocolou uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo o bloqueio cautelar de uma eventual bilheteria do filme no Brasil. A ação sustenta que os recursos do Banco Master que teriam financiado o filme são provenientes de operações irregulares que causaram prejuízos ao país.
🎧 Podcast
“A utopia é uma esperança das descobertas.” O documentarista Aurélio Michiles define assim o conceito que guia sua trajetória no cinema. Ele é o entrevistado do sétimo episódio do “LatitudeCast”, produção da Amazônia Latitude. Diretor de filmes como “Segredos do Putumayo” e “Honestino”, ele revisita a infância em Manaus, a convivência com o povo Sateré-Mawé e sua produção cinematográfica para discutir memória, colonialismo e a construção de um olhar decolonial sobre a Amazônia. Michiles afirma que a floresta foi transformada em um território imaginado pelo olhar ocidental e defende que “o que faz dos lugares não lugar são as pessoas que aí vivem”. O fato de ter vivido por dois anos com os Sateré-Mawé lhe revelou que “a utopia é frágil” e que “a distopia pode destruir, em questão de dias, todo um processo civilizatório”.
✊🏾 Direitos humanos
“Quando é uma pessoa branca, tende-se a recorrer ao manejo clínico, com psicólogos, assistentes sociais e médicos. Em todos os hospitais psiquiátricos que visitei, as pessoas que encontrei contidas fisicamente eram pessoas negras. Nunca vi uma pessoa branca contida em uma cama”, conta Lúcio Costa, diretor do Desinstitute, organização que atua pelo cuidado em liberdade no campo da saúde mental. A revista Afirmativa conversa com especialistas sobre como o racismo estruturou a psiquiatria no Brasil. A reportagem lembra a história do escritor Lima Barreto que, em 1914, foi internado no Hospital Nacional de Alienados, no Rio de Janeiro. O caso revela como “raça, sofrimento psíquico e controle social caminharam juntos na formação da psiquiatria brasileira”, destaca o psicanalista Emiliano de Camargo. “O principal legado contemporâneo do racismo se manifesta nas comunidades terapêuticas. Esses espaços ainda operam a partir do afastamento da vida em sociedade, da lógica da laborterapia, da abstinência e da desconsideração da diversidade humana”, completa Camargo.



