A violência política contra mulheres e a mobilização no Julho das Pretas
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🔸 A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) comparou o vídeo feito com inteligência artificial de Jair Bolsonaro (PL) a caricaturas e fantoches. O material com IA foi exibido na oficialização da candidatura de Flávio, no último fim de semana. O Jota detalha a manifestação enviada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na qual os advogados pedem que seja rejeitada a ação do PT, que acusa a campanha de usar deepfake, fazer propaganda antecipada e promover transferência ilícita de capital político. A defesa argumenta que o vídeo deixava claro, desde o início, que se tratava de uma representação digital do ex-presidente e, por isso, não tinha potencial para enganar o eleitor. Segundo o PL, a IA generativa apenas amplia recursos já utilizados na comunicação política e deve ser equiparada a animações, charges e personagens digitais. Os advogados afirmam que um deepfake pressupõe a intenção de induzir o público ao erro, o que não teria ocorrido nesse caso.
🔸 A embaixada dos Estados Unidos procurou o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), para intermediar uma reunião com dois funcionários do Departamento de Estado americano que planejavam visitar o Brasil. A Agência Pública informa que a delegação pretendia se reunir com lideranças políticas em Brasília para lançar dúvidas sobre a integridade das urnas eletrônicas, mas teve os vistos negados pelo governo brasileiro. Sóstenes confirmou que foi procurado pela embaixada, mas afirmou que não foi informado sobre o tema do encontro. Segundo o Itamaraty, os americanos justificaram a viagem como uma missão para fazer contatos eleitorais e promover discussões sobre liberdade de expressão.
🔸 Falando nos EUA… O governo de Donald Trump prorrogou por mais um ano o estado de emergência nacional contra o Brasil, decretado em julho de 2025. Segundo o comunicado, a medida mantém a ordem executiva já em vigor, sem impor novas sanções ou tarifas, mas volta a acusar o Supremo Tribunal Federal (STF) de promover censura e cita o ex-presidente Jair Bolsonaro como alvo de perseguição política. O Metrópoles explica que, na prática, a decisão apenas estende até julho de 2027 a ordem que classificou ações do governo brasileiro como uma ameaça à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos. O texto repete as justificativas apresentadas no ano passado, quando Trump criticou o STF, saiu em defesa de Bolsonaro e impôs tarifas extras sobre produtos brasileiros.
🔸 A violência política contra mulheres cresce no Brasil e, às vésperas das eleições de 2026, projetos considerados estratégicos para combatê-la continuam parados. Em artigo na Gênero e Número, a pesquisadora Carolina de Lima Gallina defende que esse cenário ameaça não apenas a participação feminina na política, mas também a própria democracia. Segundo ela, propostas como o PL das Fake News, o PL da Misoginia e projetos para fortalecer a legislação atual foram travados por campanhas de desinformação e pela falta de prioridade na pauta do Congresso. “Essa paralisia não pode ser compreendida apenas como lentidão legislativa. Ela expressa uma escolha política de setores do Congresso que têm se mostrado descompromissados com os direitos das mulheres e com o enfrentamento da violência de gênero”, afirma.
📮 Outras histórias
Da busca por editoras à necessidade de bancar a própria publicação, escritoras de Maceió e Arapiraca enfrentam desafios para conquistar espaço no mercado editorial. À Revista Alagoana autoras contam que recorrem à autopublicação e a iniciativas independentes. Laura Letícia tem 22 anos e é autora de romances que assina sob o pseudônimo Artcjoon. Embora não tenha percebido discriminação de gênero no mercado nacional, em Alagoas, segundo ela, a realidade é diferente: “O que a gente tem a dizer é muito menos levado em consideração do que o que os homens têm a falar”. Já a escritora de literatura infantil Rochelli Messias de Assis afirma que precisou financiar todas as etapas da publicação de seu livro. “Eu não fiz o livro para dizer que fiz um livro. Eu fiz porque sempre quis publicar uma obra que eu tinha”, diz. A reportagem destaca iniciativas que buscam ampliar o espaço para escritoras, como editais públicos, a criação da Editora Performance, em Arapiraca, e a editora artesanal Lua Negra Cartonera.
📌 Investigação
A Magic Drone, empresa que tem como principal sócia Vanessa Ramuth, companheira do vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth (Republicanos), recebeu R$ 2,3 milhões de empresas de apostas esportivas e da Will Financeira, do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O Intercept Brasil teve acesso a notas fiscais segundo as quais R$ 1,9 milhão veio de empresas ligadas às marcas BPX, H2Bet e BetPix, e outros R$ 375 mil foram pagos pela financeira então controlada por Vorcaro. O maior contrato identificado foi de R$ 1 milhão com a BPX Bets Sports Group, operadora das marcas Vaidebet e BetPix365, para apresentações de shows de drones entre junho e setembro de 2025. A reportagem também mostra que o crescimento da Magic Drone coincidiu com a entrada de Vanessa Ramuth na sociedade, em agosto de 2022, durante a campanha que elegeu o marido vice-governador de São Paulo.
🍂 Meio ambiente
O avanço dos grandes data centers no Brasil deve ter mais transparência, diálogo com a sociedade e avaliação rigorosa dos impactos ambientais. Este foi o principal recado de pesquisadores reunidos na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói (RJ), diante do crescimento da infraestrutura voltada à inteligência artificial. A Agência Nossa detalha os debates sobre o tema e destaca o caso do mega data center que a ByteDance, controladora do TikTok, constrói no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará. O projeto deverá consumir 300 MW de energia, o equivalente ao consumo de cerca de 2,2 milhões de pessoas, cinco vezes a população da região. Dan Levy, pesquisador da Unifesp, afirmou que teve dificuldades para obter informações sobre o licenciamento do empreendimento e disse que os órgãos de controle não exigiram estudos de impacto ambiental compatíveis com sua dimensão.
📙 Cultura
Dez anos depois de cobrar mais espaço para escritores negros na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Conceição Evaristo voltou a ser um dos nomes mais disputados da programação. Autoras negras, porém, afirmam que ainda enfrentam o desafio de serem lidas para além dos marcadores de raça e gênero. O Nonada conta que escritoras e pesquisadoras apontam avanços na presença de autores negros no principal festival literário do país, mas defendem que suas obras deixem de ser reduzidas ao rótulo de “literatura negra”. Djaimilia Pereira de Almeida, por exemplo, afirmou que se reconhece como escritora interessada em preservar a liberdade de sua criação. Já Cidinha da Silva defendeu que o reconhecimento da identidade negra ainda é necessário para enfrentar desigualdades históricas, mas ressaltou que escritoras negras devem ser reconhecidas, antes de tudo, pela qualidade e pela diversidade de suas obras.
🎧 Podcast
“Ela era uma mulher muito à frente do seu tempo.” A atriz Taís Araújo se refere à avó materna, que considera a maior referência de sua família, embora nunca a tenha conhecido. Em conversa com Vera Iaconelli, em “Isso Não É uma Sessão de Análise”, produção da Trovão Mídia, ela reconstitui a própria história familiar e conta que a avó morreu quando sua mãe tinha apenas 17 anos. Parteira e auxiliar de enfermagem, a mulher criou cinco filhos praticamente sozinha e, segundo Taís, “é matriarca até hoje mesmo, não estando aqui”. A atriz reflete ainda sobre maternidade, envelhecimento, o casamento de duas décadas com Lázaro Ramos e os valores que moldaram sua maneira de amar.
🙋🏾♀️ Raça e gênero
“Precisamos seguir em uma ação radical para pensar e construir o hoje e o futuro, disputando qual é esse pacto do Bem Viver e qual é o projeto político para a sociedade brasileira que as mulheres negras vêm construindo.” A afirmação é de Naiara Leite, coordenadora executiva do Odara, Instituto da Mulher Negra, em Salvador (BA), que criou, em 2013, o Julho das Pretas. O Catarinas destaca que, em 2026, a mobilização transformou as reivindicações da 2ª Marcha das Mulheres Negras, realizada em Brasília em 2025, em uma agenda nacional de debates e ações pela reparação histórica e pelo Bem Viver. Maria das Dores, conhecida como Durica, cofundadora da Rede Fulanas – Negras da Amazônia Brasileira, reforça que a construção do Bem Viver passa pela defesa do território e pelo respeito à natureza: “Nós, as mulheres negras, já praticamos a geopolítica do Bem Viver, do cuidado com o direito humano, ao olharmos para a natureza como sujeito de direitos e de cidadania”.
Correção: na edição do dia 23/07, em nota sobre o evento “Debating Brazil”, a série de debates foi apresentada de forma imprecisa. A iniciativa é do The Brazilian Report e realizada em parceria com a Novo Selo Comunicação.



