A falta de um vice para Flávio e os riscos de um agrotóxico em alta no país
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🔸 O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), apresenta hoje ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) uma proposta de Código de Ética para o Poder Judiciário. Segundo o Metrópoles, a minuta estabelece diretrizes para prevenir e administrar conflitos de interesse, sem criar novas punições ou alterar as regras de impedimento e suspeição. Entre as situações previstas estão a participação em eventos custeados por terceiros, o recebimento de presentes, vínculos familiares e relações com fornecedores e grandes litigantes. Pela proposta, magistrados poderão comunicar conflitos de interesse, deixar de participar de decisões ou adotar outras medidas para preservar a imparcialidade. O texto também prevê que tribunais definam critérios objetivos para aceitar, recusar ou devolver presentes e cortesias. As regras não se aplicam aos ministros do STF, que terão um código de ética próprio, em elaboração pela ministra Cármen Lúcia.
🔸 Depois do vídeo de Jair Bolsonaro feito com inteligência artificial, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Advocacia-Geral da União (AGU) vão elaborar uma cartilha com diretrizes para o uso da IA nas eleições deste ano. O Congresso em Foco explica que o material deve orientar órgãos públicos, partidos, candidatos e plataformas digitais sobre boas práticas, recomendar a identificação de conteúdos gerados por IA e alertar para os riscos da desinformação e da atuação de grupos organizados que se valem da tecnologia para influenciar o debate público, conhecidos como “milícias digitais”. A iniciativa ganhou força após a exibição de um vídeo com imagem e voz simuladas do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
🔸 A desistência do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) de disputar o governo de Minas Gerais encerra uma das mais longas indefinições das eleições de 2026 e deixa a centro-direita mineira desmobilizada. Em análise no Jota, Beto Bombig afirma que a “novela Cleitinho” atrasou a consolidação do cenário político no segundo maior colégio eleitoral do país e dificultou a construção de um palanque para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, “enquanto o PT já trabalha em Minas pelas candidaturas de Patrus Ananias ao governo e do presidente Lula à reeleição”. Bombig lembra que, com a saída definitiva de Cleitinho da disputa, Republicanos e PL retomam as negociações para apoiar Marcelo Aro (União-PP), mas a composição precisa ser acelerada porque o prazo para homologação das candidaturas termina amanhã.
🔸 Falando em indefinição… Flávio Bolsonaro segue sem um vice e intensificou a busca por uma mulher para compor sua chapa. A CartaCapital informa que, depois de meses de negociações frustradas com partidos do Centrão, a campanha passou a avaliar figuras como a presidente nacional do Podemos, Renata Abreu (SP), a tucana Marina Candia e as deputadas do PL Júlia Zanatta (SC) e Priscila Costa (CE). Antes, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques chegaram a ser cogitadas, mas as duas opções perderam força por resistências partidárias. A estratégia atual de escolher uma vice de outro partido busca ampliar o arco de alianças, além de aumentar o tempo de propaganda eleitoral e fortalecer a estrutura da campanha.
📮 Outras histórias
Em Manaus, um projeto incentiva o hábito da leitura entre estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A iniciativa é da professora Leonice Paolla Amador, da Escola Estadual Professora Ruth Prestes Gonçalves, e reúne 18 alunos. O ritmo das leituras é adaptado ao desenvolvimento de cada um. O Amazonas Atual conta que a professora, quando organizava uma sala, encontrou 20 caixas com livros enviados para a escola. Descobriu que todas as obras eram de escritores amazonenses e decidiu criar um projeto que unisse incentivo à leitura, inclusão e valorização da literatura produzida no estado. “O projeto era mostrar para a nossa escola que os alunos PCDs são capazes. No tempo deles, no momento deles, na hora deles, mas eles são capazes”, diz Leonice. Segundo ela, a iniciativa também fortaleceu a autoestima e a participação dos alunos: “Digo que eles estavam lá atrás. Hoje eu já estou trazendo eles para o meio da sala. Até o término do ano letivo, eles já estarão nas primeiras filas”.
📌 Investigação
As intoxicações por diquate, herbicida proibido na União Europeia, cresceram 1.100% no Brasil entre 2018 e 2025. No período, foram registrados 250 casos, com ao menos 40 mortes – seis acidentais e 34 por suicídio. É o que revela a Repórter Brasil, a partir de dados oficiais do SUS (Sistema Único de Saúde), numa investigação conjunta com a organização suíça Public Eye. “Primo” do paraquate, proibido no Brasil em 2017 por riscos à saúde, o diquate teve seu uso multiplicado por dez até 2024, segundo o Ibama. Ele chega ao Brasil principalmente na forma do Reglone, da Syngenta, proibido na União Europeia desde 2018. Em 2023, a empresa enviou ao Brasil mais da metade da produção inglesa do herbicida. O Rio Grande do Sul liderou as vendas do produto em 2024 e os registros de intoxicação em 2025, com duas mortes. Ivan André Castoldi viu o pai morrer após ingerir acidentalmente o herbicida, comumente armazenado em garrafas pet, ao confundi-lo com refrigerante. “O Reglone devia ser proibido, não pelo que aconteceu com a gente, mas devido à sua toxicidade. Sendo proibido em outros países, acho que devia ser proibido aqui também”, diz.
🍂 Meio ambiente
O cafeicultor José Sebastião de Oliveira teve parte da lavoura destruída depois que um drone despejou agrotóxico sobre sua plantação em Xapuri (AC). “Não tenho nenhum suspeito e não quero acusar ninguém. Só espero que a polícia descubra quem fez isso para que não volte a acontecer”, diz o agricultor. Segundo o Varadouro, o caso, investigado pela Polícia Civil, soma-se a outras denúncias de pulverização irregular no estado e mostra o avanço do uso de drones tanto para atingir propriedades vizinhas quanto para promover o “desmatamento químico”, usado para provocar a morte da vegetação sem recorrer imediatamente à derrubada convencional. Cerca de 447 hectares de floresta podem ter sido atingidos e, segundo o Ministério Público, a degradação avançava de leste para oeste, em um padrão compatível com a pulverização aérea, e teria alcançado inclusive Áreas de Preservação Permanente (APP).
📙 Cultura
Apesar da intensa produção cultural de Recife, poucas emissoras de rádio mantêm programas dedicados às artes. Nas emissoras comerciais, a cultura costuma aparecer em quadros ou entrevistas. O principal espaço está nas rádios públicas Universitária FM e Frei Caneca FM. A Revista O Grito! detalha o trabalho das duas emissoras. A primeira, ligada à Universidade Federal de Pernambuco, prioriza artistas locais e música independente. “Damos espaço para as diversas formas culturais, olhando para as manifestações tradicionais do estado e as novas movimentações, priorizando especialmente a cena independente”, destaca Nathália D’Emery, coordenadora de programação da Universitária FM. A Frei Caneca FM, emissora pública da Prefeitura do Recife, também aposta na valorização da produção cultural local e na participação da sociedade civil na definição da programação. “Recife tem uma cultura muito grande que exige pesquisa; exige receber, conversar e, principalmente, ouvir o que os artistas pedem e precisam”, diz a gerente de programação Priscila Xavier.
🎧 Podcast
Para o historiador e cientista social Rui Tavares, “nós vivemos numa época de novos monstros”. O escritor completa: “A gente tem que designar esses novos monstros com novas palavras”. No recém-lançado “Hipocritões e Olhigarcas”, ele percorre a história das guerras culturais, da virada do século 20 até os dias de hoje. O “451 MHz”, produção da Quatro Cinco Um, recebe o autor, que apresenta os conceitos de “hipocritões”, associado a figuras como Donald Trump, e de “olhigarcas”, usado para definir bilionários das big techs, como Elon Musk. Em conversa com o jornalista Marcos Augusto Gonçalves, Tavares defende que uma guerra cultural precisa reunir três características: ser polarizadora, envolver identidades, valores e narrativas – e não apenas disputas materiais – e gerar forte carga emocional.
🧑🏽🏫 Educação
“Se numa sala faltam dez alunos, só posso lançar falta para no máximo três. Ninguém pede isso por escrito, mas todo supervisor solicita o ajuste do dia”, diz Bruno (nome fictício), vice-diretor de uma escola na zona leste de São Paulo. Ele se refere ao painel “Aluno Presente”, da plataforma Escola Total (BI), usada pela rede estadual para monitorar a frequência dos estudantes. A Agência Mural apurou que professores e diretores da Grande São Paulo sofrem pressão para alterar os registros de presença a fim de melhorar indicadores das escolas estaduais que influenciam bônus e a permanência de gestores nos cargos. Os educadores também criticam a “plataformização” do ensino, com o uso obrigatório de ambientes digitais para avaliações e acompanhamento de desempenho. Segundo eles, a cobrança pelo cumprimento de metas reduz a autonomia e transforma o trabalho em uma corrida por indicadores. “O conteúdo fica engessado. O aluno aprender é o que menos importa para o Estado hoje. Eles querem que a plataforma esteja verde. Você não dá aula, fica sendo babá de plataforma”, diz um professor que leciona em Guaianases.



