🔸 Após decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, o canal de WhatsApp “Exército do Lula” saiu do ar no final da noite de ontem. Mais cedo, o ministro reconheceu o registro do canal pela campanha do presidente Lula (PT) e afirmou que a ferramenta poderia voltar a funcionar após um prazo de 48 horas. Criado pelo deputado André Janones (Rede-MG) para mobilizar apoiadores no segundo turno, o canal reúne mais de 4,2 milhões de usuários e foi alvo de ações da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que o acusa de disseminar notícias falsas. O Jota lembra que Nunes Marques havia determinado a suspensão do canal até o fim das eleições, mas o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu seu funcionamento. Nunes Marques então derrubou a decisão do corregedor e autorizou a retomada do canal, desde que registrado como propaganda eleitoral de Lula. A decisão ocorreu apesar de um relatório da equipe de enfrentamento à desinformação do TSE não ter identificado as publicações falsas apontadas pela campanha de Flávio.
🔸 Criado em resposta ao “Exército do Lula”, o canal “Tropa do Flávio”, vinculado à campanha de Flávio Bolsonaro no WhatsApp, compartilhou imagens falsas, vídeos com falas de Lula tiradas de contexto e acusações sem provas contra o presidente. A Agência Lupa analisou 247 mensagens enviadas entre 6 e 13 de outubro e identificou ao menos oito conteúdos enganosos. Com cerca de 1,5 milhão de seguidores, o canal conta com a participação dos parlamentares Gustavo Gayer (PL-GO) e Nikolas Ferreira (PL-MG). Entre os conteúdos divulgados está um vídeo que usa uma fala de Lula sobre exames médicos, acompanhada de uma imagem gerada por inteligência artificial, para insinuar abuso infantil. Outra publicação foi editada para sugerir que o presidente não acredita em Deus. O canal também disseminou acusações sem comprovação sobre supostos pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro a Lula.
🔸 A PEC que prevê o fim da escala 6x1 poderá ser votada em dois turnos no Senado hoje. Segundo a Carta Capital, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou que já há assinaturas suficientes para a apresentação de um requerimento de calendário especial, que permitirá acelerar a tramitação e realizar também o segundo turno hoje, caso seja aprovado. “Estamos cumprindo o compromisso que assumi com os senadores e senadoras, respeitando o rito regimental e garantindo o tempo necessário para o debate. Vamos concluir as cinco sessões de discussão e a proposta estará pronta para ser votada em primeiro turno”, afirmou Alcolumbre. O texto, principal bandeira de Lula, reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e estabelece dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial.
🔸 A propósito: empresários da indústria veem como um sinal de “desespero” eleitoral a decisão de Flávio Bolsonaro de apoiar o fim da escala 6x1, apurou a colunista do Metrópoles, Milena Teixeira. O candidato até então repetia ser contra a proposta, defendida pelo governo Lula, e propunha um modelo de remuneração por hora. Para empresários, a mudança pode representar um “tiro no pé” para Flávio. Integrantes do setor consideram que a virada compromete a coerência de seu discurso, especialmente diante dos possíveis impactos da redução da jornada sobre os custos de produção, a produtividade e a competitividade das empresas. Flávio anunciou ontem que votará a favor da proposta no Senado, após visitar o pai, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, em Brasília.

📮 Outras histórias
“Isso não é uma festa profana. A gente não quer acabar com a religiosidade de ninguém”, afirma Elói Iglesias, que coordena a Festa da Chiquita desde 1990. A manifestação, que completou 50 anos em 2026, reúne pessoas LGBTQIAPN+, artistas e devotos na Praça da República, em Belém, após a passagem da Trasladação de Nossa Senhora de Nazaré. Para Elói, a festa representa “resistência, luta, visibilidade” e reivindica o direito das pessoas LGBTQIAPN+ de expressar sua fé, apesar da histórica exclusão desses grupos das instituições religiosas. O Tapajós de Fato mostra como a Chiquita e o Arrastão do Círio, manifestações frequentemente classificadas como “profanas”, também integram a história e o patrimônio cultural da maior celebração religiosa do Pará. O Arrastão chegou à 24ª edição no centro da capital. Após a chegada da Romaria Fluvial, os brincantes homenageiam a santa com carimbó, samba de cacete, banguê, pernas de pau, instrumentos de percussão e uma grande barca carregada pelas ruas.
📌 Investigação
Entre janeiro e junho deste ano, mais de 3 mil vídeos no YouTube fizeram ataques aos direitos de mulheres e pessoas LGBTQIA+. “Mulher” foi a palavra mais frequente, com 2.152 ocorrências, quase três vezes mais que “família”, a segunda colocada. O levantamento é do Radar Antigênero, ferramenta da Gênero e Número, desenvolvida em parceria com a Novelo Data. Entre as estratégias discursivas identificadas, 51% correspondem a ofensas pessoais, piadas e deboches; já 68% dos temas abordam papéis de gênero, moralidade e antifeminismo. Gabriela Agustini, codiretora do Olabi, alerta para a naturalização desses discursos em conteúdos de entretenimento. “Centenas de vídeos repetindo que mulheres são interesseiras, manipuladoras, intelectualmente inferiores ou que precisam ser controladas começam a construir um repertório cultural”, afirma. Ela também chama atenção para o efeito da misoginia sobre a participação política das mulheres: “A misoginia online em período eleitoral não é apenas um problema de violência contra indivíduos. Ela pode afetar quem se sente seguro para falar, se candidatar e ocupar o espaço público – e, portanto, a própria qualidade da democracia”.

🍂 Meio ambiente
O governo federal mobilizou mais de R$ 329,6 milhões em recursos, créditos e contratos para a prevenção e o combate às queimadas no Amazonas em 2026, segundo levantamento do Vocativo. Os dados contrariam a alegação do comandante-geral do Corpo de Bombeiros do estado, coronel Orleilso Muniz, de que a União havia negado apoio aéreo solicitado em setembro. Em resposta, o Ibama no Amazonas anunciou o envio de dois aviões, um helicóptero e 40 brigadistas, que se somariam aos 250 profissionais federais já mobilizados. Entre os recursos identificados pela reportagem estão R$ 45 milhões aprovados pelo Fundo Amazônia para fortalecer o Corpo de Bombeiros estadual e R$ 292,3 milhões em créditos extraordinários de abrangência nacional. Nem todos os valores são exclusivos do Amazonas ou representam recursos já executados. A mobilização ocorre em meio à escalada das queimadas: até 8 de outubro, o estado registrou 6.901 focos de incêndio, alta de 95,1% em relação ao mesmo período de 2025.
📙 Cultura
“Desenhava casas com chaminé, sendo que eu nunca vi uma chaminé. Cheguei à conclusão de que tínhamos que fazer uma animação que falasse de nós”, conta Wanderlei Cardoso de Oliveira Junior, o Deley, 27 anos, um dos artistas que desenvolvem uma linguagem própria para retratar as periferias de São Paulo no cinema de animação. A Agência Mural mostra o trabalho dele e de Roger Bravo, 23 anos, da Vila Silvia, na zona leste da capital. Diretor do curta “Eu Volto para te Buscar”, que acompanha um jovem que encontra no grafite uma forma de expressão, Roger criou um sistema no software Blender capaz de gerar imagens de casas periféricas, com diferentes portas, janelas e cores, para suprir a falta de referências nos programas convencionais. A produção venceu a categoria de animação da 10ª Mostra de Cinema de Fama, em Minas Gerais. Já Deley dirigiu “Debutantes – E Os Momentos Antes, Tiw?”, história de duas crianças que trabalham em um ponto de venda de drogas e enfrentam a violência e a falta de perspectivas. Inspirado no Jardim Fontalis, na zona norte, o filme incorpora grafites, características físicas da população negra brasileira e sons da periferia.
🎧 Podcast
“Se ele [o eleitor] odeia com força um dos candidatos, o outro parece razoável.” É assim que o pesquisador de neurociência política Davi Carvalho explica por que parte do eleitorado de Flávio Bolsonaro continua apoiando o candidato apesar dos escândalos de corrupção. Segundo ele, é preciso distinguir dois grupos: os bolsonaristas mais identificados com o movimento, que tendem a rejeitar qualquer informação negativa sobre seu líder, e os antipetistas convictos, que reconhecem os problemas envolvendo Flávio, mas consideram a alternativa de votar no PT ainda pior. A “Rádio Escafandro”, produção da Rádio Guarda-Chuva, mergulha nos mecanismos psicológicos que influenciam as escolhas políticas e as possibilidades de uma virada de Lula no segundo turno.

🧑🏽🏫 Educação
“Tenho amigos que perderam anos de trabalho, de pesquisa, de dedicação. Olho pra isso e lembro das noites sem dormir, de tudo que fizemos e, agora, está perdido”, lamenta Eduardo Camelo, mestrando em Ciências da Computação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), diante dos destroços do prédio de laboratórios multidisciplinares destruído por um incêndio. A causa ainda é investigada pela Polícia Federal, em meio a ameaças de bomba enviadas a estudantes de Jornalismo por apoiadores de Jair Bolsonaro, intensificadas após um ato pró-Lula realizado no campus em 6 de outubro. A Marco Zero acompanhou a tentativa de retomada da rotina no campus, em Recife, e os esforços para dimensionar os prejuízos às pesquisas. Entre os equipamentos destruídos estão um computador avaliado em R$ 300 mil e um aparelho de ressonância magnética nuclear estimado em R$ 8 milhões. Para Ricardo Oliveira, presidente da Associação dos Docentes da UFPE, parte das perdas é irreversível: “Há coisas, resultados de pesquisas ou dados de teses de doutorado, por exemplo, que não será possível recuperar”.
