A tensão diplomática com os EUA e como as IAs alimentam bolhas políticas
Uma curadoria do melhor do jornalismo digital, produzido pelas associadas à Ajor. Novos ângulos para assuntos do dia
🔸 O governo dos Estados Unidos anunciou a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em mais um capítulo da crise diplomática entre os dois países. Segundo o Departamento de Estado, a medida é uma resposta à demora do governo brasileiro em conceder o agrément, autorização diplomática necessária para a nomeação de Daniel Perez como novo embaixador dos EUA no Brasil. O Congresso em Foco lembra que a indicação de Perez foi feita em junho e já passou por uma comissão do Senado estadunidense, mas ainda depende de votação em plenário. O governo de Donald Trump afirma ter recebido a informação de que o Brasil só pretende conceder o aval após as eleições presidenciais e diz que a revogação do visto de Viotti poderá ser revertida caso a autorização seja concedida.
🔸 Candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro afirmou que anunciará o nome de seu vice até 15 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas no TSE. O Portal Terra conta que ele minimizou a decisão do Republicanos de permanecer neutro na disputa nacional e disse que continuará buscando uma aliança formal com a legenda para ampliar o tempo de propaganda eleitoral. Segundo o senador, “os principais quadros” do partido já apoiam sua candidatura, entre eles a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, apontada como sua opção preferida para vice. As declarações foram feitas em sabatina promovida pelo G4 e por O Antagonista, que traz a íntegra do debate em vídeo. Flávio voltou a defender o impeachment de ministros do STF e acrescentou que, se eleito, garantirá o fornecimento de vacinas em futuras emergências sanitárias.
🔸 Trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) entraram em greve contra a privatização das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade e pedem ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) garantia de emprego após o fim do período de 90 dias em que a operação voltou temporariamente para a companhia pública. A Alma Preta destaca que a paralisação ocorre poucos dias depois de um incêndio em um trem operado pela concessionária Trivia Trens, que levou o governo paulista a suspender temporariamente a concessão para apurar as falhas.
🔸 A propósito: funcionários da CPTM afirmam que alertaram a Trivia Trens sobre problemas no sistema elétrico e a falta de preparo de novos funcionários antes do incêndio que destruiu um vagão da Linha 12-Safira, em 23 de julho. A Agência Pública ouviu maquinistas e técnicos envolvidos na transição para a gestão privada. Segundo eles, um manobrador comunicou por rádio falhas na rede elétrica no dia do acidente, mas a resposta da empresa foi lenta. Segundo esses relatos, foram funcionários da CPTM e da fabricante CAF, prestadora de serviços para o sistema de trens da capital, que retiraram os passageiros do trem em chamas. A reportagem também reúne denúncias de aumento da circulação de trens sem reforço na infraestrutura elétrica, redução das equipes de apoio, treinamento insuficiente, jornadas mais longas e falhas recorrentes, como portas abrindo do lado errado, trens ultrapassando plataformas e avanço de sinais vermelhos.
📮 Outras histórias
A devoção a Santa Rosa de Lima atravessou mais de 6 mil km entre o Peru e o Nordeste brasileiro. No primeiro capítulo da série “Fibra Sergipana”, o Meus Sertões narra a trajetória da primeira santa latino-americana canonizada pela Igreja Católica e que se tornou padroeira de Santa Rosa de Lima, cidade no Sergipe com pouco mais de 4 mil habitantes, localizada no vale do rio Cotinguiba. Nascida em 1586 como Isabel Flores y Oliva, ela dedicou a vida à oração, ao cuidado de doentes e pobres e a práticas severas de penitência. Depois da canonização, passou a ser padroeira do Peru, das Américas e das Filipinas, além de patrona de diversas profissões e instituições. A reportagem mostra como a devoção se expandiu pelas colônias espanholas e apresenta o município sergipano que dá início à série sobre o artesanato local.
📌 Investigação
“Queriam nos matar. Já tinham mandado vários recados [de que essa era a intenção]”, afirma Francisco Piyãko, uma das principais lideranças do povo Ashaninka. Ele e seus irmãos Moisés, Benki e Wewito Piyãko foram a Brasília depois que homens armados invadiram a Aldeia Apiwtxa, na Terra Indígena Kampa do Rio Amônea, no Acre. Segundo os indígenas, os criminosos atravessaram a fronteira a pé desde o Peru e fugiram de volta ao país vizinho. A Sumaúma detalha as ameaças às lideranças, consequência do avanço do narcotráfico e de outras atividades ilegais na fronteira entre Brasil e Peru, e destaca que houve uma explosão do cultivo de coca em Ucayali, no Peru: em 2015, a região respondia por 0,4% da área plantada no país vizinho; em 2024, o percentual chegou a 12,5%. A reportagem acompanha os irmãos Piyãko na ida à capital federal e conta que, diante de uma situação considerada emergencial pelos Ashaninka, a resposta do governo foi marcada por discussões sobre memorandos, grupos de trabalho e entraves burocráticos.
🍂 Meio ambiente
A influência do oceano sobre áreas de transição entre rios e mar na Foz do Amazonas é maior do que se imaginava. É o que mostram os primeiros resultados da Expedição Gurupi, um trabalho articulado em rede por pesquisadores, cientistas e velejadores para coletar amostras sobre a composição do solo, água e microrganismos ao longo da costa amazônica. O Correio Sabiá explica que os pesquisadores coletaram material em três pontos pouco estudados da costa amazônica (Gurupi, Piriá e Tucundeua) e encontraram forte presença de areia, característica de ambientes marinhos. Coordenada pelo oceanógrafo Nils Asp, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), a pesquisa busca preencher uma lacuna sobre a transição entre rios, estuários e oceano em uma das regiões menos estudadas da costa brasileira. “Coletamos amostras dos principais sedimentos e também de água do rio, a fim de buscar compreender quais são as contribuições do rio Amazonas para a nossa zona costeira”, afirma Asp.
📙 Cultura
“E se a gente fizesse um filme só de celular, de tudo o que a gente vive aqui?” Foi assim que o cineasta Filipe Barbosa começou a produzir “Fluxo”, curta-metragem gravado com amigos em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo. Sem orçamento, a equipe reuniu moradores do bairro, arrecadou R$ 6 mil em uma vaquinha virtual e deu início à carreira do diretor, que hoje já circula por festivais no Brasil e no exterior. O Nonada mostra como o cinema das periferias paulistanas se profissionalizou e passou a movimentar trabalho, renda e memória. A comunidade toda é mobilizada, já que as produções envolvem alimentação, transporte, locações e comércios locais. Mas parte dessa cadeia segue sustentada por mutirões e trabalho não remunerado. Embora os editais tenham ampliado o acesso a recursos nas últimas décadas, o dinheiro ainda fica concentrado nas mesmas produtoras. Entre 2014 e 2023, os distritos paulistanos mais vulneráveis, onde vivem 50,7% da população, receberam apenas 1,38% dos recursos captados pela Lei Rouanet na cidade.
🎧 Podcast
O primeiro escritório da Friboi, empresa que daria origem à JBS, ainda existe na cidade de Formosa, em Goiás. Ao lado dele, fica a antiga casa da família Batista, hoje transformada em uma clínica odontológica. Para contar a origem do império dos irmãos Wesley e Joesley Batista, o segundo episódio de “O Berro do Boi”, produção da revista piauí com a Trovão Mídia, acompanha a viagem da jornalista Consuelo Dieguez à cidade onde os empresários passaram os primeiros anos de vida. Ela reconstitui a trajetória do patriarca José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, até a abertura de um açougue em Anápolis, em 1953, considerado o ano de fundação da empresa. A construção de Brasília foi decisiva para a expansão do negócio. Com a transferência da capital para o Centro-Oeste, Zé Mineiro passou a vender carne para os operários que erguiam a cidade e aproveitou incentivos oferecidos pelo governo de Juscelino Kubitschek aos comerciantes que se instalavam na região.
👩🏽💻 Tecnologia
Com uma “tendência bajuladora”, a inteligência artificial costuma ajustar as respostas para concordar com a posição política do usuário. Em artigo no The Conversation Brasil, o pesquisador Ruben Interian e a doutora em Comunicação Rosana Berjaga Mendez, ambos da Unicamp, apresentam um estudo no qual analisaram 21 grandes modelos de linguagem, como sistemas da OpenAI, Google, Meta e Microsoft, além da brasileira Sabiá-3.1, para verificar se eles alteravam seus posicionamentos de acordo com a orientação política atribuída ao usuário. Ao comparar as respostas das IAs a usuários neutros, de esquerda e de direita, os pesquisadores concluíram que os modelos tendem a adaptar seus posicionamentos aos do interlocutor, sobretudo em temas como economia e segurança pública, e fazem um esforço retórico maior para agradar usuários que se identificam como de direita. O estudo atribui esse comportamento, chamado de “efeito camaleão”, às técnicas usadas para treinar os modelos a produzir respostas consideradas úteis pelos usuários.



