A suspensão da vacina contra a dengue e os estados mais violentos do país
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🔸O Ministério da Saúde anunciou ontem a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, depois da identificação de 42 episódios de reações adversas consideradas severas entre as cerca de 500 mil pessoas vacinadas. Segundo o Metrópoles, entre as ocorrências registradas, constam três casos mais graves, dos quais duas são mortes em investigação. “Ainda não há comprovação de causalidade entre a vacina e os óbitos”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O governo afirma que não há evidências de que a eficácia da vacina tenha sido comprometida e orienta que pessoas imunizadas nos últimos 21 dias procurem atendimento médico caso apresentem sintomas como febre, vômitos persistentes, sangramentos ou piora do estado geral.
🔸 A Butantan-DV é a primeira vacina contra a dengue produzida integralmente no Brasil e a primeira do mundo em dose única. O imunizante foi aprovado pela Anvisa em 2025 após 16 estudos clínicos de fase 1 realizados nos Estados Unidos e pesquisas de fases 2 e 3 que envolveram cerca de 11 mil aplicações, com acompanhamento de voluntários por cinco anos. O Terra explica que, desde janeiro, a vacina vinha sendo aplicada em cidades-piloto e, posteriormente, em profissionais da atenção primária à saúde. Agora, a Anvisa criará um painel de especialistas para analisar os eventos adversos, e o Instituto Butantan apresentará novos dados.
🔸 O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, suspendeu uma pesquisa do Instituto AtlasIntel que apontava queda de cinco pontos nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do PL à Presidência, no primeiro turno das eleições de 2026. A pesquisa trazia um bloco de perguntas relacionando o senador ao escândalo do Banco Master e a Daniel Vorcaro. O levantamento foi realizado dias após o Intercept Brasil divulgar um áudio em que Flávio conversa com o banqueiro e cobra uma verba de R$ 134 milhões para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O PL acionou a Justiça alegando que oito das 48 perguntas do questionário associavam o senador ao escândalo de forma a induzir respostas negativas dos entrevistados. O Jota destaca que, para justificar a decisão, Nunes Marques afirmou haver indícios de “possível comprometimento da neutralidade metodológica”. Em nota, o instituto negou qualquer indução, afirmou que o áudio não foi reproduzido durante o questionário principal e sustentou que o estudo seguiu critérios de imparcialidade.
🔸 Falando em Flávio Bolsonaro… a viagem do senador aos EUA foi uma tentativa de desviar as atenções de suas conexões com o dono do Banco Master. O efeito do encontro com Donald Trump, no entanto, foi um tiro pela culatra, avalia o Intercept Brasil. Poucos dias após a visita à Casa Branca, o governo do Republicano anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros e fez críticas ao Pix, o que alimentou reações negativas nas redes sociais. Um levantamento da AtivaWeb Datalab identificou 15 milhões de interações sobre o tema, das quais 78% foram de “sentimento negativo” em relação a Trump e à família Bolsonaro.
📮 Outras histórias
Numa reunião em 2018 sobre a urbanização da Ilha de Deus, comunidade pesqueira de Recife, Elivânia Rocha e Maria de Fátima da Silva conheceram o projeto de uma poupança coletiva. Pescadoras e donas de casa, elas decidiram replicar a iniciativa na ilha. A Marco Zero conta como a iniciativa delas ajudou a transformar o território ao longo dos últimos 18 anos. Antes mesmo de reunir dinheiro, as moradoras realizaram um censo que identificou famílias deixadas de fora do cadastro da Prefeitura de Recife, o que ajudou moradores a serem incluídos no programa habitacional da comunidade. Desde então, qualquer morador pode abrir uma caderneta e depositar pequenas quantias para atingir objetivos como reformar a casa, comprar um eletrodoméstico ou adquirir um barco. As líderes da poupança comunitária já fizeram intercâmbios em vários países, como Bolívia, África do Sul, Filipinas e Índia, para conhecer como funciona a poupança nesses países e trazer novas experiências para a Ilha de Deus.
📌 Investigação
Impulsionado pelo capital global e por incentivos do Estado, a financeirização da terra transforma o direito à moradia em uma mercadoria negociada em bolsas de valores. No processo, imóveis urbanos e rurais deixam de ser espaços de vida e se tornam ativos especulativos. Como resultado, camponeses, trabalhadores urbanos, beneficiários de políticas da reforma agrária e comunidades tradicionais são expulsos de suas casas e empurrados para as periferias rurais e urbanas. O Joio e O Trigo mergulha em como as grandes corporações e os fundos de investimento, que priorizam o lucro imobiliário, geram desigualdade social no campo e nas cidades e como a circulação do capital financeiro se sobrepõe às necessidades básicas da população.
🍂 Meio ambiente
Sem reconhecimento oficial de suas terras pelo Incra, as comunidades quilombolas de Matinha dos Pretos, em Feira de Santana, e Paus Altos, em Antônio Cardoso, ambas no interior da Bahia, usam os quintais das casas como espaços de resistência em que o cultivo de plantas preserva a identidade do grupo. Segundo a Agência Bori, uma pesquisa feita por pesquisadores da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e da Universidade Estadual da Califórnia catalogou 148 espécies vegetais em quintais dos dois municípios, das quais 115 têm fins medicinais e 66 são voltadas à alimentação. O estudo encontrou 30 Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), como o bredo e a língua-de-vaca. As mulheres sustentam quase inteiramente as plantações. Enquanto os homens costumam buscar trabalho externo, elas assumem o comando da terra e da produção, atuando da escolha das sementes até a venda do que sobra da colheita em feiras livres.
📙 Cultura
“O problema da literatura hoje é que ela acha que tem que ensinar coisas o tempo todo. Mas a literatura é arte, é linguagem, não é um projeto pedagógico.” A afirmação da escritora Ana Maria Machado, vencedora do prêmio Hans Christian Andersen – o “Nobel” da literatura infantojuvenil –, foi aplaudida de pé pelo público durante A Feira do Livro. O evento ocupou a Praça Charles Miller, em São Paulo, por nove dias e terminou no último domingo. Organizadora do festival literário, a Quatro Cinco Um reúne os destaques da feira, que reuniu mais de cem autores, 160 expositores e mais de 200 atividades. Durante o evento, milhares de leitores participaram de podcasts ao vivo, encenações teatrais, espetáculos de música, sessões de autógrafos e debates sobre política, literatura e mercado editorial.
🎧 Podcast
Além do papel de acesso à cultura, o teatro periférico é uma ferramenta de transformação social capaz de humanizar vivências e promover o desenvolvimento humano nas comunidades a partir da identidade e da identificação entre atores e espectadores. O “Cena Rápida”, produção do Desenrola E Não Me Enrola, recebe Thabata Wbalojá, do Coletivo Teatral Filhas da Dita, e Miguel Rocha, da Companhia de Teatro Heliópolis, para mostrar como essas iniciativas constroem caminhos para aproximar as artes cênicas das periferias, criando espaços de formação cidadã e conexão com os moradores. Eles analisam a importância de políticas públicas de fomento e os obstáculos que organizações periféricas têm para acessá-las atualmente.
✊🏾 Direitos humanos
Dos cinco estados com as maiores taxas de homicídios do Brasil, quatro estão no Nordeste. É o que mostra o Atlas da Violência 2026, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que reúne os dados de segurança pública do país, tendo como base o ano de 2024. No topo do ranking está o Amapá, com 47,1 homicídios por 100 mil habitantes. Em sequência, vêm quatro estados nordestinos: Ceará (43,7 homicídios por 100 mil habitantes), Bahia (42,6), Alagoas (39,8) e Pernambuco (38,6). A Agência Tatu esmiúça os dados da região e destaca que o Ceará apresentou um aumento de 44,2% na sua taxa de homicídios entre 2019 e 2024, movimento contrário à média do país, que reduziu o índice em 8,2% no período. Para Roberto Moura, advogado criminalista, professor de Direito e diretor do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, as informações mostram uma reconfiguração nas rotas de armas e drogas: “Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, e Itapipoca estão em rotas estratégicas. É exatamente nessas fronteiras de expansão que a violência se intensifica.”




