A PEC da Segurança Pública e Abrolhos como patrimônio mundial
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🔸 Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve na manifestação convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), na avenida Paulista, em São Paulo, ontem. Batizado de “Acorda Brasil”, o ato reuniu apoiadores da direita em tom de campanha eleitoral: “Quero compartilhar com vocês o que eu disse para o meu pai agora na quarta-feira, olhando no olho dele. Eu falei: ‘Pai, em janeiro de 2027 você vai pessoalmente subir aquela rampa do Planalto junto com o povo brasileiro”, afirmou Flávio. A CartaCapital destaca que foram tecidos ataques ao presidente Lula (PT) e a ministros do Supremo Tribunal Federal, além da defesa à anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro e à liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o Metrópoles, estima-se que 20,4 mil pessoas tenham comparecido à manifestação. A estimativa é do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da ONG More in Common e é feita por meio de fotos aéreas, com uso de software de inteligência artificial.
🔸 A PEC da Segurança Pública deve ser uma das principais pautas no Congresso nesta semana. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pretende levar a Proposta de Emenda à Constituição ao Plenário na quarta, mas busca equilibrar divergências, sobretudo em relação à redução da maioridade penal. No mesmo dia, pela manhã, o projeto deve ser analisado por uma comissão especial. O Congresso em Foco explica que a PEC, enviada pelo Executivo, altera a Constituição para redefinir competências da União, Estados e municípios na segurança pública, com objetivo central de constitucionalizar o Sistema Único de Segurança Pública. O relator, Mendonça Filho (União-PE), preservou parte do pilar central da proposta, mas promoveu mudanças relevantes: ampliou a autonomia dos estados nas operações e incluiu a previsão de um referendo, em 2028, sobre a redução da maioridade penal para 16 anos em crimes violentos.
🔸 O último desaparecido entre as vítimas das chuvas em Juiz de Fora (MG) foi encontrado na noite de sábado. O corpo do menino de 9 anos estava soterrado no bairro Paineiras, um dos mais atingidos pelos temporais na Zona da Mata mineira. A Tribuna de Minas informa que o Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, as polícias Militar e Civil direcionam agora esforços para o retorno às atividades na cidade e na prevenção de novas vítimas. Quase metade das ruas evacuadas foram citadas em 61 pedidos protocolados por segurança na Câmara Municipal desde 2005. Os documentos mostram a recorrência de problemas relacionados às chuvas e a deslizamentos nos bairros impactados na última semana.
🔸 Ainda as chuvas em Minas Gerais… A Prefeitura de Porteirinha emitiu um “alerta extremo” depois de os temporais registrados ontem elevarem o nível de preocupação com o risco iminente de rompimento da Barragem das Lajes. O Por Dentro de Minas detalha que foi disparado um aviso sonoro nos celulares da população local para que os moradores evacuassem a área de forma preventiva. Além da Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, a Polícia Militar e a Polícia Militar Ambiental foram acionados para atuar nas medidas preventivas.
📮 Outras histórias
O município de Canudos (BA) moveu uma ação civil pública para que a Guerra de Canudos de 1897 seja oficialmente reconhecida como massacre, além de pedir uma reparação pelos danos causados à população. “Há a necessidade de se fazer justiça pela cidade, vai ter uma resposta, e vai ser uma resposta muito bonita, que vai ser uma resolução de conflito, uma conciliação com base em psicólogos, com pessoas que vão trabalhar em prol de unir Canudos ao resto do mundo, para que não se sintam tão excluídos, recebam os benefícios que precisam”, afirma desembargadora Joanice Maria Guimarães de Jesus, do Tribunal de Justiça da Bahia. Ao Bahia Notícias ela conta que o caso será conduzido sob a perspectiva da Justiça Restaurativa por se tratar de um processo que transcende o campo jurídico, com dimensões históricas, sociais e psicológicas profundas para os moradores – por mais de um século isolados e tratados como “jagunços” e “malucos”.
📌 Investigação
No fim de 2025, Vitória da Conquista (BA) requisitou R$ 400 milhões por meio do Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa), da Caixa Econômica Federal. O valor é muito superior aos três contratos anteriores, firmados nos últimos sete anos, que, juntos, totalizaram R$ 265 milhões. O último empréstimo solicitado chama a atenção diante do cenário nacional, uma vez que os documentos assinados pela Caixa com municípios como Natal (RN), Petrolina (PE) e Feira de Santana (BA) chegam a no máximo R$ 200 milhões. O Conquista Repórter analisa os financiamentos pedidos pela Prefeitura de Vitória da Conquista e lembra que o objetivo do Finisa é oferecer uma linha de crédito direcionada a obras de infraestrutura e saneamento básico. No entanto, o município segue sem a aprovação do Plano de Saneamento Básico, e os dados do último Censo Demográfico mostram que as localidades rurais possuem menos de 2% de cobertura de esgoto.
🍂 Meio ambiente
Região de maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul, o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos foi indicado pelo governo brasileiro para se tornar Patrimônio Mundial Natural da Unesco. O Banco dos Abrolhos abrange o extremo sul da Bahia e o norte do Espírito Santo, mas apenas 1,8% está dentro da área de proteção integral. A Eco Nordeste destaca que o principal desafio da candidatura está na exigência de demonstrar capacidade contínua de gestão e proteção frente aos interesses econômicos. Para Marina Corrêa, analista de Conservação do WWF-Brasil, organização que apoiou o dossiê entregue à Unesco, o reconhecimento de Abrolhos como Patrimônio Mundial é um passo estratégico para fortalecer toda a região. “A maior visibilidade nacional e internacional amplia a responsabilidade dos órgãos gestores e dos governos em garantir processos decisórios mais transparentes, baseados em ciência e com diálogo qualificado.”
📙 Cultura
“Não fazemos só comida. Estamos levando cultura, memória e ancestralidade para toda cidade brasileira”, afirma o chef Rikler Makabu Sekelembe. Produtor cultural e palestrante natural da República Democrática do Congo, ele vive no Rio de Janeiro, onde idealizou o projeto Chez Kimberly FoodChez Kimberly Food para difundir a gastronomia africana e as tradições de seu país no Brasil. Em entrevista à Alma Preta, Sekelembe conta que a iniciativa nasceu como meio de reencontrar suas raízes e inicialmente era uma reunião de amigos para cozinhar pratos típicos. “Começamos a nos encontrar todo fim de semana, eu levava a comida, preparava os pratos e assim nasceu o projeto.” Atualmente, o chef participa de eventos gastronômicos, além de promover projetos voltados ao fortalecimento da cultura africana, como o “Jantar Africano”, que reúne chefs de diferentes países do continente para preparar pratos típicos acompanhados de música, dança e exposições culturais.
🎧 Podcast
A dualidade na forma como a maconha é tratada serve a interesses de forma paradoxal: por um lado, a ilegalidade e a guerra às drogas privilegiam diversos grupos a partir do controle social de corpos negros e periféricos; por outro, o hype sobre suas propriedades terapêuticas movimenta um mercado bilionário. O “Ciência Suja”, produção da NAV Reportagens, recebe o pesquisador Paulo Pereira Reis, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) e autor do livro “Cannabis Global Co: Consenso Fissurado”, e explora o conceito de “capitalismo canábico”. O termo descreve o processo, intensificado nos últimos 20 anos, de transformação da cannabis em uma mercadoria legal global capaz de gerar lucro para grandes corporações e empresários.
✊🏾 Saúde
Em 2025, o governo de Donald Trump cortou os recursos de um programa que salvou a vida de mais 26 milhões de pessoas em 55 países. Lançado em 2003, o plano de emergência do presidente dos EUA para o alívio da AIDS, conhecido em inglês como PEPFAR, financiava a maior parte do tratamento contra o HIV em países em desenvolvimento. Seu cancelamento pode ter causado mais de 173 mil mortes de adultos e 18 mil mortes de crianças, segundo o PEPFAR Impact Tracker, modelo matemático que estima o impacto dos cortes. O Núcleo conta que a iniciativa foi desenvolvida por Brooke Nichols, professora da Universidade de Boston, epidemiologista e economista especializada em modelagem matemática de doenças infecciosas. “Essas drogas não eram acessíveis. E esse programa foi um sucesso em prevenir mortes por AIDS. E se a pessoa toma o remédio todos os dias, ela para de transmitir o vírus, o que é um benefício enorme para toda uma população”, explica. “Se parar de tomar, o vírus volta a se reproduzir e a pessoa pode voltar a transmitir.”




