🔸 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) vão disputar o segundo turno das eleições presidenciais no próximo dia 25. A confirmação foi feita pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ontem. Quando 96,6% das urnas já tinham sido apuradas, Flávio Bolsonaro tinha cerca de 47,72% dos votos, e Lula, tinha 44,7%. Aos 80 anos, Lula busca um quarto mandato, e Flávio, 45 anos, disputa o Planalto pela primeira vez e busca representar o grupo político do pai, Jair Bolsonaro (PL). O Metrópoles destaca que as campanhas terão três semanas para conquistar os eleitores dos outros 11 candidatos e ampliar o apoio entre partidos do Centrão. O primeiro turno teve 49 dias de campanha, marcados pela polarização e pelas tentativas de transferir os desgastes ao adversário. “Confesso que esperava ganhar a eleição no primeiro turno. Mas confesso que eu já pensei isso outras vezes, e não ganhei”, afirmou Lula após o resultado das urnas. “A gente começa uma nova campanha. Com apenas dois candidatos, a gente vai conseguir mostrar a diferença entre as propostas que existem para o Brasil.” Já Flávio Bolsonaro discursou por menos de cinco minutos. “Essa é a leitura do que aconteceu hoje: o Brasil quer mudança. E eu fiquei muito feliz com o resultado em todas as regiões”, disse o candidato do PL.
🔸 A eleição para governador foi definida no primeiro turno em 20 estados. Segundo o Jota, Mato Grosso do Sul foi o primeiro a confirmar o resultado, com a reeleição de Eduardo Riedel (PP). Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) venceu com 62% dos votos. Cleitinho (Republicanos) foi eleito em Minas Gerais, com 55%. No Sul, venceram Sergio Moro no Paraná (50,1%), Zucco no Rio Grande do Sul (58,01%) e Jorginho Mello (PL) em Santa Catarina (68,67%). No Nordeste, oito dos nove estados definiram seus governadores. No Rio de Janeiro, vão disputar o segundo turno Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD). Paes liderou as pesquisas e apareceu, durante boa parte da campanha, com possibilidade de vitória no primeiro turno, mas o candidato bolsonarista cresceu na reta final e reduziu a distância, informa o Terra. A disputa também foi marcada pela candidatura de Anthony Garotinho, indeferida pelo TRE-RJ por uma condenação por improbidade administrativa que levou à suspensão de seus direitos políticos.
🔸 Lucas Pavanato (PL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG) foram os deputados federais mais votados do país, com mais de 2,8 milhões de votos cada um. Segundo a CartaCapital, Pavanato liderou a votação nacional, seguido por Nikolas. Erika Hilton (PSOL-SP) ficou em terceiro lugar, com mais de 1,5 milhão de votos, e se tornou a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados. Na disputa pelo Senado, a apuração apontou um desempenho expressivo da extrema-direita. Com duas vagas por estado, foram eleitas Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, no Distrito Federal; Carlos Portinho e Carlos Jordy, no Rio de Janeiro, e Carol de Toni e Carlos Bolsonaro em Santa Catarina, todos do PL. A lista inclui ainda Gustavo Gayer (PL-GO), Sanderson (PL-RS), Marcel van Hattem (Novo-RS), além de André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), por São Paulo.
🔸 Jornadas longas e a necessidade de fazer horas extras deixam trabalhadores sem votar, apesar do direito à liberação para comparecer às urnas. A Agência Pública mostra que a Rudder Segurança e a Top Service Serviços e Sistemas, do grupo GPS, foram obrigadas pelo Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul a garantir tempo para seus empregados votarem neste domingo. As empresas impuseram jornadas das 7h às 19h nas eleições de 2022 e 2024, sem oportunidade de deslocamento aos locais de votação. A medida prevê multa de R$ 5 mil por trabalhador prejudicado. Em São Paulo, o motorista Paulo, de 42 anos, e a cobradora Eliane, de 36, passaram o dia transportando eleitores, mas não votaram. A empresa ofereceu um intervalo de duas horas; ambos preferiram cumprir o plantão completo para receber horas extras.
📮 Outras histórias
“Quando a gente vê, já está na porta, vai entrando nos quartos”, diz Maria Aparecida, moradora do Jardim Pantanal há mais de 30 anos, sobre a água que sobe rapidamente e invade sua casa. A Emerge Mag conta que esse é um problema antigo do bairro, localizado em uma área de várzea do Rio Tietê, na divisa com a cidade de Guarulhos e com o distrito do Itaim Paulista. Há pelo menos três gerações, moradores enfrentam enchentes que interrompem a circulação e destroem móveis, roupas e alimentos nas casas. O bairro acumula os efeitos de décadas de negligência urbana. “Eles começam a fazer [obras], deixam tudo quebrado e depois vão embora. Se chover forte, tenho certeza que a água invade tudo de novo”, afirma Maria Aparecida. A comerciante Kelly Santos conta que a última enchente durou quase um mês e que a própria população limpa as ruas e ajuda quem perdeu tudo. A prefeitura anunciou em 2025 o plano Recupera Pantanal, que prevê remover mais de 4 mil famílias, mas os moradores temem perder suas casas sem garantia de moradia digna.
📌 Investigação
A direção-geral da Polícia Rodoviária Federal comemorou, em um comunicado interno intitulado “Justiça feita”, a absolvição de seis policiais envolvidos na chacina de Varginha (MG), que deixou 26 mortos em outubro de 2021. A mensagem, obtida pela Ponte, foi enviada em 11 de setembro, um dia após a Justiça Federal absolver quatro agentes da PRF e dois da Polícia Militar mineira, que respondiam por cinco das mortes. A corporação classificou a sentença como um “desfecho favorável e definitivo” e afirmou que ela atestava a excelência e a conduta profissional dos agentes. “Transformar isso em algo a ser celebrado, em uma marca da identidade profissional, mostra que se está recorrendo ao que há de mais problemático na história das instituições de segurança pública: a banalização da morte e a utilização da letalidade como marca de atuação”, afirma Vânia Perla Diógenes Aquino, pesquisadora da Universidade Federal do Ceará. A absolvição dos policiais ocorreu apesar de a perícia da Polícia Federal ter apontado indícios de execuções e adulteração das cenas para simular confronto. Segundo os laudos, apenas uma das 26 vítimas disparou contra as equipes, os policiais efetuaram cerca de 500 tiros e 17 mortos foram atingidos pelas costas.
🍂 Meio ambiente
Diante de incêndios que se prolongam por dias e da falta de uma resposta articulada do poder público, cientistas e estudantes elaboraram um plano de combate à fumaça no Amazonas. A iniciativa reúne mais de 27 docentes e 80 estudantes do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, informa o Varadouro. O programa, segundo a coordenadora Marília Gabriela Gondim Rezende, nunca foi chamado para participar dessas discussões. “Temos um quantitativo expressivo de cientistas que desenvolvem vários trabalhos na Amazônia engajados na formulação desse plano”, explica. A iniciativa dos pesquisadores ocorre em meio ao pior cenário de contaminação atmosférica registrado no ano. Em setembro, o Amazonas registrou 3.240 focos de queimadas, alta de 244% em relação ao mesmo mês de 2025. Manaus teve picos de concentração de material particulado superiores a 20 vezes o limite diário recomendado pela Organização Mundial da Saúde.
📙 Cultura
Da construção de Belo Monte aos rompimentos de barragens em Minas Gerais, a literatura brasileira retrata desastres socioambientais e seus efeitos sobre pessoas e territórios. O Nonada reúne oito livros de diferentes gêneros que abordam devastação, racismo ambiental, deslocamentos e direito à memória e ao luto. A escritora e pesquisadora Natália Borges Polesso explica que as mudanças climáticas são também sintomas de processos mais amplos, como o neoliberalismo e a colonização. Na PUC-RS, ela participa da pesquisa Atlas do Antropoceno, que já mapeou 140 livros, a maioria publicada entre 2010 e 2026. Muito antes do conceito de ficção climática, a literatura indígena já expressava uma relação indissociável com a natureza. “Minha poesia é decolonial, ambiental e ecopoesia”, afirma Márcia Wayna Kambeba, escritora e geógrafa indígena do povo Omágua, do Alto Solimões, na Amazônia. Ela é autora de “O Lugar do Saber Ancestral”, que reúne 44 poemas e dá voz ao rio diante da poluição e da seca.
🎧 Podcast
Beatriz Andrade tinha perdido o emprego em 2018. Sem dinheiro, pediu a um amigo que costumava sair com profissionais do sexo indicações dos sites em que ele encontrava essas mulheres. Foi assim que conheceu o Fatal Model, que se tornou um dos sites mais acessados do Brasil e chegou a patrocinar o Corinthians. A “Rádio Escafandro”, produção da Rádio Guarda-Chuva, mergulha na história da plataforma e o que mudou na vida de trabalhadoras e trabalhadores sexuais com a prostituição mediada por plataformas digitais. À época, Beatriz criou um anúncio com fotos de biquíni, adotou um nome para preservar sua identidade e, após comparar os preços de outras anunciantes, decidiu cobrar R$ 150 por hora. Uma semana depois, recebeu o contato do primeiro cliente e combinou atendê-lo no apartamento onde morava. A espera trouxe um medo que ela não havia dimensionado: “Porque uma coisa é você imaginar o cenário, outra coisa é quando a coisa tá realmente acontecendo. A primeira coisa que pensei é: vou morrer”.
🙋🏾♀️ Raça e gênero
As 25 deputadas federais negras eleitas em 2022 apresentaram 1.076 projetos de lei entre janeiro de 2023 e julho de 2026. Quase um quarto das propostas trata de justiça, segurança pública e sistema penal, seguido por saúde (13%) e trabalho (8%), revela levantamento da Gênero e Número. A violência contra as mulheres aparece em projetos de 80% dessas parlamentares, distribuídas por nove partidos. Já os termos raça e igualdade racial estão presentes em apenas 29 proposições. A reportagem mostra ainda que existe uma rede de assessoras parlamentares negras que conecta gabinetes e territórios, transforma demandas dos movimentos sociais em propostas e articula a criação de leis. Paulett Furacão começou sua trajetória há 20 anos no Coletivo LGBTQIAPN+ Laleska D’Capri, em Salvador, e desde 2018 assessora a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB-BA). “Ser a primeira assessora parlamentar trans da Assembleia Legislativa da Bahia significa também colocar um corpo novo dentro da Casa e construir, ao longo desses anos, um espaço de respeito. É uma conquista esse processo de ocupação”, afirma.



