Os repasses do Master a políticos e um toque brasileiro na missão à Lua
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🔸O Banco Master fez repasses milionários a escritórios e empresas ligadas a Michel Temer (MDB), Antonio Rueda (União Brasil), à família de Ratinho Jr. (PSD) e a ACM Neto (União Brasil), bem como aos ex-ministros Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski. O Metrópoles teve acesso a relatórios da Receita Federal, enviados para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. As cifras são infladas: o escritório de Temer recebeu cerca de R$ 10 milhões em 2025, Antonio Rueda teve repasse de R$ 6,4 milhões em 2023, e a família do governador Ratinho Jr. levou R$ 24 milhões de 2022 a 2025. Os repasses ainda incluem R$ 5,4 milhões a ACM Neto, R$ 5,9 milhões ao ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski, R$ 14 milhões a Mantega e R$ 8,6 milhões a Henrique Meirelles. Em resposta à reportagem, eles afirmam ter prestado serviços legais e negam irregularidades nos contratos.
🔸 A seis meses da eleição, o eleitorado está aberto à possibilidade de mudar de voto: 51,4% dizem que podem mudar de candidato até outubro. É o que mostra a pesquisa Meio/Ideia de abril, divulgada ontem. O Canal Meio apresenta o levantamento e destaca que a incerteza é maior entre os eleitores da direita, que tem mais nomes na disputa – 60,4% dos apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) e 69,4% dos que apoiam Ronaldo Caiado (PSD) admitem uma possível mudança. Entre os eleitores de Lula (PT), o percentual é de 26,6%. “De janeiro para cá, o brasileiro começou a ficar mais inseguro com o voto. E é na direita que os eleitores estão particularmente voláteis”, diz Pedro Doria, diretor de jornalismo do Meio. Nas respostas espontâneas, Lula lidera com 32,6% e Flávio Bolsonaro aparece em segundo, com 19,4%. No segundo turno, o cenário mais competitivo é também entre Lula e Flávio Bolsonaro, em empate técnico.
🔸 Um personagem comum do bolsonarismo na pandemia está de volta: a médica Nise Yamaguchi se filiou ao PL e teve sua pré-candidatura celebrada em vídeo por Flávio Bolsonaro. Defensora do “tratamento precoce” contra a Covid e de medicamentos sem eficácia comprovada, ela depôs na CPI em 2021 e afirmou que a estratégia de imunidade de rebanho por exposição ao vírus poderia ser “pertinente”. O Intercept Brasil lembra que Nise apareceu em documentos e depoimentos ligados ao chamado “gabinete paralelo”, grupo informal que aconselhava o governo Bolsonaro durante a pandemia fora das estruturas oficiais do Ministério da Saúde.
🔸 Mínimo de R$ 8,50 por entrega ou R$ 14,74 por hora para entregadores de aplicativos. Os valores estão no projeto que regulamenta o trabalho por apps, de autoria do deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE). Segundo o Notícia Preta, a proposta cria direitos básicos para a categoria, mas mantém o modelo sem vínculo empregatício. Os trabalhadores poderão escolher entre receber R$ 8,50 por entrega em trajetos de até 3 km de carro ou 4 km por outros meios, ou optar pelo pagamento por hora. Considerado prioridade no Congresso, o texto deve seguir para votação nas próximas semanas.
🔸 Também avança na Câmara o projeto que permitirá a mulheres consultarem o histórico de violência de parceiros. O texto, de autoria de Rodrigo Gambale (Pode-SP) e Delegada Adriana Accorsi (PT-GO), também cria o Programa Nacional de Prevenção à Violência contra a Mulher e visa reduzir os casos de feminicídio no país. O Congresso em Foco explica que o projeto autoriza a consulta não apenas a condenações definitivas, mas também a inquéritos com indiciamento, medidas protetivas e processos em andamento. O sistema funcionará com dois eixos: o “direito de saber”, permitindo consultas digitais ou presenciais, e o “dever de informar”, que obriga agentes públicos a alertarem mulheres sobre riscos.
📮 Outras histórias
Nos 307 anos de Cuiabá (MT), a história oficial da cidade invisibiliza a herança do povo Boe, considerado originário do território. O escritor Libério Uiagumeareu conta que a própria origem do nome da cidade é uma herança dos Boe – o termo deriva de “Ikuiepá”: a flecha-arpão. “É uma ferramenta exclusiva para a pesca, com uma corda que permite puxar o peixe ao atingi-lo. Esse conhecimento é transmitido por nossos anciões de geração em geração”, conta. O Amazônia Vox detalha as conexões da capital mato-grossense com o povo Boe e mostra o apagamento dessa história em monumentos e narrativas públicas, que priorizam bandeirantes e relegam indígenas e negros a papéis secundários. “Se você me perguntar quem é o cuiabano, eu respondo: é o indígena. Somos o resultado desse caldeirão, mas a alma é indígena. O hábito do banho diário, o modo de falar pausado e a cultura festiva são heranças diretas”, afirma o professor Fernando Tadeu de Miranda Borges, da Universidade Federal de Mato Grosso.
📌 Investigação
Sem evidências científicas, influenciadores sem formação na área da saúde têm lucrado com informações enganosas ao vender cursos e protocolos para “estimular o hormônio sexual masculino”. Uma das teses é a de que expor os testículos ao sol aumenta a testosterona. A Agência Lupa identificou que os três perfis que mais propagam a prática somam 1,4 milhão de seguidores no Instagram e no TikTok. Ao promover a suposta necessidade de aumento da testosterona, esses perfis vinculam o hormônio à manutenção da masculinidade e reforçam a narrativa de que é preciso evitar que homens sejam “afeminados”. Os ebooks e cursos oferecidos por esses influenciadores custam em média R$ 290 e colocam a saúde dos seguidores em risco.
🍂 Meio ambiente
“Belo Sun pagava a maioria para não ir para a roça, para assinar as atas das reuniões. Belo Sun fazia isso dentro do território. O tempo todo”, afirma Sol Juruna, integrante do Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu. Ela denuncia que a mineradora tem subornado indígenas para avançar com o projeto de instalação da maior mina de ouro a céu aberto do Brasil, em Senador José Porfírio (PA). “Eles [Belo Sun] foram cooptando as pessoas, e não ouviram todos que são impactados. Nós queremos que a Belo Sun saia do nosso território e a anulação dessa licença”, afirmou à InfoAmazonia durante o Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília. As comunidades afirmam que não houve consulta livre, prévia e informada a todos os afetados, como exige a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
📙 Cultura
Mulheres negras são as principais consumidoras de livros no país, mostra a nova edição da pesquisa “Panorama do Consumo de Livros”. Elas representam 30% do total de consumidores de livros e 50% das mulheres que compram esses produtos. A compra de livros impressos acontece online: Amazon (59,1%), Shopee (15,3%) e Mercado Livre (13,2%), somadas, representam 87,6% das compras mais recentes – o que sugere um desafio para a manutenção das livrarias físicas. Em artigo no Farofafá, o jornalista Haroldo Ceravolo Sereza, coordenador do programa de pós-graduação em Bibliodiversidade e Políticas Editoriais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp), analisa os principais dados da pesquisa. “De algum modo, eu diria que o comprador de livros hoje, no país, é alguém que não apenas gosta de ler, mas que sente que precisa ler.”
🎧 Podcast
Durante a graduação em História, Leandro Tavares descobriu seu interesse pela cultura afrobrasileira em Óbidos, no Pará. Seus anos de pesquisa acadêmica sobre a presença e a resistência negra no município resultaram no livro “A Africanidade Brasileira em Óbidos/PA”, lançado no ano passado, em que mergulha em registros cartoriais, inventários, memórias coletivas e tradição oral para resgatar essas histórias. No “PodJá Podcast”, produção do Portal Obidense, Tavares narra sua trajetória de pesquisador para explicar os processos de apagamento da herança afro-amazônica de Óbidos e refletir sobre a importância do incentivo à produção científica local para documentar as memórias das comunidades tradicionais.
📲 Tecnologia
Na primeira missão tripulada à Lua desde 1972, os quatro astronautas da Artemis II se comunicam diariamente com o centro de controle da Nasa usando sistemas que foram testados com o curta-metragem “Eu Sou Um Teste”, dos cineastas brasileiros Fernando Grostein Andrade e Fernando Siqueira. A obra foi usada para validar o sistema de comunicação a laser O2O, em que é possível enviar dados de volta à Terra a velocidades de até 260 megabits por segundo. A Fast Company Brasil explica como funciona a tecnologia de comunicação óptica adotada pela Nasa na missão, com cenas transmitidas ao vivo da Lua para o centro de controle. A nova fase de exploração lunar marca o retorno humano ao astro e faz parte de um programa mais amplo que pretende transformar a Lua em um campo permanente de pesquisa científica. Entre os principais objetivos está investigar regiões ainda pouco compreendidas pela ciência, como o lado oculto do satélite natural, cujas imagens foram reveladas nesta semana.




