🔸 Um vídeo divulgado ontem mostra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembarcando de um jatinho atribuído a Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O Metrópoles lembra que as imagens contradizem uma declaração feita pelo gabinete do magistrado em abril: “O ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”, dizia a nota. O voo ocorreu em agosto de 2025, quando o Banco Central já havia apontado fortes indícios de gestão fraudulenta nas operações entre o Master e o Banco de Brasília. O escritório de Viviane, que mantinha contratos milionários com empresas de Vorcaro, afirmou anteriormente que contratava serviços de táxi aéreo da Prime Aviation, empresa da qual o ex-banqueiro era sócio, e que os valores eram compensados nos honorários advocatícios.
🔸 Falando em imagens… Uma foto mostra o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em clima de descontração na África do Sul, ao lado do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e do advogado Willer Tomaz – ambos envolvidos em investigações sobre as fraudes no INSS, sob suspeita de terem se beneficiado do esquema que roubou bilhões de reais de aposentadorias. A revista piauí apurou que a fotografia circulou em um grupo de WhatsApp chamado “África do Sul”, formado pelos três, suas esposas e pelo empresário Carlos Alberto de Sá, conhecido como Carlinhos. Assim como os colegas, ele também esteve na mira da lei. Sócio da empresa de logística VTCLog, Carlinhos teve o indiciamento por corrupção ativa e improbidade administrativa recomendado pela CPI da Covid, que apontou possível superfaturamento de R$ 17 milhões em um contrato com o Ministério da Saúde e saques de R$ 4,7 milhões em espécie. Willer também esteve na mira da CPI por uma possível atuação na negociação da vacina Covaxin, mas Flávio e seus aliados impediram o avanço da apuração.
🔸 Ainda sobre fotos comprometedoras: vazou imagem de Paulo Gonet, procurador-geral da República, fumando um charuto ao lado de Daniel Vorcaro. A foto foi enviada ao ex-banqueiro pelo advogado Ciro Soares em junho de 2025 e teria sido registrada durante um encontro em Londres no ano anterior. A PGR confirmou a autenticidade do registro. O Congresso em Foco informa que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, o afastamento cautelar de Gonet por suposta falta de isenção no caso Banco Master. Nikolas afirma que o material contradiz a declaração feita pelo PGR ao STF na sessão da última terça-feira, quando Gonet disse não ter mantido relação de proximidade com o ex-banqueiro.
🔸 Irmã de Vorcaro e mulher de Fabiano Zettel, a pastora Natália Vorcaro Zettel permanece à frente de 54 empresas que somam mais de R$ 796 milhões, revela a Agência Pública. Ela aparece como representante legal ou administradora de 33 companhias, diretora de 13 e presidente de oito. Do total de empresas, 37 não têm restrições judiciais e podem movimentar recursos; 35 funcionam oficialmente na mesma sala comercial em Nova Lima, na Grande Belo Horizonte, e outras sete estão registradas no mesmo andar de um prédio da capital mineira. Natália é alvo de uma representação criminal no Ministério Público Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, com base em operações financeiras e imobiliárias realizadas pela rede de empresas.
🔸 O Ministério Público do Trabalho recebeu 463 denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho em 2026, com maior concentração em São Paulo (59), Rio de Janeiro (50) e Minas Gerais (47). Somente em setembro, ainda em curso, foram registrados 199 casos, quase três vezes o total de 68 reclamações recebidas no mesmo mês de 2022. A Repórter Brasil explica que o assédio eleitoral ocorre quando empregadores tentam constranger ou influenciar a orientação política e o voto de trabalhadores por meio de ameaças, promessas de benefícios, propaganda, discriminação ou pressão por apoio a candidatos. Entre as práticas investigadas estão reuniões para apresentar políticos, convocação para campanhas, exigência do uso de símbolos eleitorais e escalas de trabalho que dificultem o voto de determinados funcionários.
📮 Outras histórias
Há 50 anos, o agricultor e “profeta da chuva” Chico Elpídio observa plantas, pedras e mudanças no terreno para interpretar os sinais da Caatinga. Em vídeo, o Meus Sertões acompanha Elpídio no Sítio Palma, distrito de Caicó, no Rio Grande do Norte. Lá, ele mostra como pedras indicam pequenas reservas subterrâneas de água e protegem sementes do calor, enquanto plantas de raízes profundas conseguem encontrar e armazenar umidade. Outras espécies anunciam a chegada da chuva. A capacidade de adaptação que presencia no cotidiano sustenta sua convicção de que a Caatinga nunca se transformará em deserto. Entre os saberes preservados por moradores do bioma está o uso medicinal da goma do angico, resina empregada popularmente como expectorante contra tosse, gripe, bronquite e catarro, além de servir para aliviar inflamações, contusões e reumatismo e ajudar na cicatrização de pequenas feridas.
📌 Investigação
Perfis no Instagram que promovem políticos bolsonaristas atuam de forma articulada para simular e ampliar um apoio religioso ao ministro André Mendonça, do STF, durante a crise provocada pelo caso Banco Master. Levantamento do Aos Fatos identificou 24 contas dedicadas ao magistrado, que reuniam 5,6 milhões de seguidores em 16 de setembro. Metade já existia antes da crise e apenas mudou de nome. Uma delas, hoje com 1,9 milhão de seguidores, foi criada em 2024, teve oito nomes diferentes e antes publicava conteúdos religiosos, anti-LGBTQIA+ e sobre futebol. A prática, chamada de astroturfing, busca apresentar como espontânea uma mobilização coordenada. As páginas compartilham publicações quase idênticas, fazem postagens colaborativas com perfis dedicados a políticos como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Nikolas Ferreira (PL-MG) e direcionam seguidores umas para as outras.
🍂 Meio ambiente
“O salgado vai empurrando”, afirma o pescador Osiel Barbosa Balieiro, o Bicudinho, 49 anos, ao descrever o avanço do Oceano Atlântico sobre a praia do Goiabal, no Amapá. Morador do local há 32 anos, ele viu as marés altas se tornarem mais frequentes a partir de 2013, destruírem casas e pousadas e afastarem boa parte da população. Hoje, restam apenas sete famílias, com 18 pessoas. Em reportagem que integra o projeto “Águas Partidas”, colaboração entre jornalistas e cientistas latino-americanos promovida pelo Instituto Serrapilheira e pelo Centro Latino-Americano de Investigação Jornalística, a InfoAmazonia mostra que o nível do mar na foz do Amazonas subiu, em média, 12,4 centímetros entre 1995 e 2025. Além de mais altas, as inundações costeiras duram mais: o período crítico aumenta 3,8 meses a cada década. A elevação do mar e a intensificação das chuvas e secas na Amazônia aumentam a erosão, salinizam terrenos e igarapés e alteram a disponibilidade de peixes e crustáceos.
📙 Cultura
“No guerreiro eu não levanto bandeira. Eu sou a própria bandeira. Eu quero é viver!”, diz Melyssa Giselly, 34 anos, primeira mulher trans a se tornar mestra de um grupo de guerreiro no Ceará. À frente do Guerreiro Beija-Flor, em Juazeiro do Norte, ela integra uma linhagem de mulheres que desafiaram a exclusão no Reisado do Cariri, tradição que durante muito tempo foi organizada “por homens e para homens”, conta o Nonada. A pioneira foi Maria Margarida da Conceição, a Mestra Margarida Guerreira (1935-2025), criadora do primeiro grupo de guerreiro composto somente por mulheres na cidade. Alagoana, ela chegou ao Ceará aos 7 anos e levou consigo as peças e a memória do guerreiro, manifestação que relembra o nascimento de Jesus e a jornada dos Três Reis Magos. As mulheres não apenas conquistaram espaço nessa estrutura como passaram a transformá-la. Mestra Mazé, 67 anos, recebeu do pai, em 1994, a patente do Reisado Decolores, contrariando a tradição de transmiti-la somente a um filho homem. Depois, abriu o grupo para pessoas LGBTQIAPN+.
🎧 Podcast
“Não existe identidade separada da sociedade. A identidade é criada na interação social, e essa interação pode ser de opressão, mas também pode ser de emancipação”, afirma o escritor Bernardo Carvalho. No “451 MHz”, produção da Quatro Cinco Um, ele parte de “Xilocosmos”, seu novo romance, para refletir sobre identidade, pertencimento, memória e racismo. Autor de títulos como “Nove Noites” e “Mongólia”, ele diz que a identidade é uma obsessão recorrente em sua obra e propõe pensar o racismo como uma das ficções sociais usadas para criar identidades apresentadas como naturais. O pertencimento também pode ser uma armadilha: “Lutar por pertencer, para mim, sempre foi o avesso da verdade, como se ali tivesse uma espécie de falsidade”.
🔬 Ciência
Uma mega-análise internacional mostrou que substâncias psicodélicas alteram a comunicação entre redes cerebrais ligadas à cognição e à percepção. Publicado na revista “Nature Medicine”, o estudo concluiu que psilocibina, LSD, mescalina e DMT aumentaram a conexão entre regiões que habitualmente funcionam de maneira mais separada, deixando a atividade cerebral mais integrada e menos rígida. Segundo o Nossa Ciência, dois pesquisadores brasileiros – Dráulio Barros de Araújo e Fernanda Palhano-Fontes, do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – são coautores da mega-análise e forneceram dados de uma pesquisa com ayahuasca, que apresentou um padrão diferente. Em vez de ampliar predominantemente a comunicação entre redes cerebrais, como ocorreu com as demais substâncias, ela reduziu a sincronização entre algumas regiões. O estudo ainda não permite explicar como essa diferença se manifesta na experiência dos usuários ou em possíveis aplicações terapêuticas.



