A relação da indústria com a escala 6x1 e a polêmica da produção de tilápia
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🔸 Com o fim do Carnaval, o debate sobre o fim da escala 6x1 deve ganhar força na Câmara dos Deputados – com a tentativa de um acordo em torno de um texto mais brando, mostra a Agência Pública. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tramita na Casa reúne outras duas PECs: da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que propõe jornada 4x3 e 36 horas semanais, e do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que passou a negociar uma versão mais moderada, num modelo 5x2 com 40 horas semanais. Contra a mudança, mas sem alternativas, representantes da indústria e do comércio preferem se alinhar ao texto do petista. Segundo pesquisa, 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1. Já a Confederação Nacional da Indústria calcula aumento de 20,7% nos custos trabalhistas e alerta para risco de desemprego e perda de competitividade. A Câmara pretende votar a proposta até maio, e a oposição articula a “PEC da Liberdade da Jornada”, baseada em negociação direta entre empregado e empregador.
🔸 O ministro Flávio Dino vetou a criação de novos “penduricalhos” que excedam o teto constitucional. Assim, o magistrado esvaziou a tentativa do Congresso de derrubar o veto do presidente Lula (PT) a verbas indenizatórias que poderiam elevar salários de servidores. Segundo o Metrópoles, na prática, mesmo que parlamentares revertam o veto presidencial ao reajuste de servidores do Legislativo, a medida não poderá produzir efeito. A decisão elevou a tensão com deputados e senadores, que acusam interferência no poder de legislar, e aumentou a pressão pela regulamentação do tema. Dino determinou ainda que Executivo, Legislativo e Judiciário expliquem o uso dessas verbas em 60 dias e alertou que, se houver omissão, o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) poderá fixar regras transitórias.
🔸 Sobre o STF: a Polícia Federal investiga o vazamento de dados fiscais sigilosos de ministros da Corte e seus familiares. Quatro servidores da Receita Federal são suspeitos de acessos ilegais em SP, RJ e BA; eles foram afastados, monitorados por tornozeleira e proibidos de deixar o país. O Nexo explica o que se sabe até agora sobre o acesso irregular aos dados. O Supremo afirma que houve “múltiplos acessos ilegais” e que a divulgação fragmentada dessas informações pode gerar suspeitas artificiais contra autoridades. Os dados exatos acessados não foram divulgados, mas reportagens apontam consultas envolvendo familiares de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.
🔸 O jurista Ives Gandra Martins e sua filha Angela criaram um instituto para defender causas conservadoras no Judiciário e no Legislativo em pautas como aborto, gênero, família e sexualidade. O Intercept Brasil revela como os dois estruturaram um ecossistema de organizações católicas conservadoras para atuar em ações na Justiça e no lobby pelas “pautas morais”. A base da atuação é o Instituto Ives Gandra, criado em 2018, à frente de uma rede com entidades jurídicas e religiosas que apresentam ações, participam de audiências públicas e fazem lobby institucional no STF e no Congresso. A família também mantém ligação com o Opus Dei, e Angela – ex-secretária da Família no governo Bolsonaro – atua em campanhas antiaborto.
📮 Outras histórias
Em Foz do Iguaçu (PR), o Ramadan começou com mais de 600 pessoas reunidas numa cerimônia pública na Mesquita Omar Ibn Al-Khattab. O evento abre um mês de jejum, oração e ações na segunda maior comunidade árabe do Brasil, atrás apenas de São Paulo. Segundo o Plural, Foz abriga cerca de 20 mil árabes, o equivalente a quase 10% da população local. O templo, inaugurado em 1983, também é ponto turístico: recebeu 71 mil visitantes em 2025. Para o líder religioso da mesquita, o xeique Oussama El Zahed, o Ramadan é um período de disciplina espiritual e convivência comunitária: “É um mês de família, de confraternização, de amor, de estender o braço para as pessoas carentes”.
📌 Investigação
O deputado federal Gustinho Ribeiro (PP-SE) destinou mais de R$ 177 mil de cota parlamentar para a empresa de Rayllan Robson para “para divulgação parlamentar nas redes sociais”. Rayllan é ex-auxiliar do gabinete da deputada estadual Áurea Ribeiro (Republicanos-SE), mãe de Gustinho. Os pagamentos começaram assim que ele deixou de trabalhar para Áurea, em maio do ano passado. A Mangue mostra que, depois de sair da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), Rayllan passou a dedicar mais tempo ao portal “Hoje em Sergipe”, cuja conta no Instagram faz elogios a Gustinho, a sua mãe e a sua esposa, Hilda Ribeiro, ex-prefeita de Lagarto. Já as publicações sobre um dos principais oponentes políticos dos Ribeiro, o atual prefeito de Lagarto, Sérgio Reis (PSD), são sempre em tons de crítica. O caso destaca mais uma camada da falta de transparência do uso de cotas parlamentares e como isso reverbera nas disputas políticas locais.
🍂 Meio ambiente
Peixe exótico no Brasil, a tilápia está envolta em um conflito entre produtores comerciais com interesses econômicos e órgãos que atuam pela conservação da biodiversidade. Veículos e influenciadores ligados ao agro passaram a especular sobre a proibição da tilapicultura – ramo que produz 662 mil toneladas, movimenta R$ 4,9 bilhões por ano –, depois de o governo federal incluir a espécie na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras. O Joio e O Trigo ouviu especialistas sobre o tema, que afirmam que a polêmica gerada é artificial. “O que essa classificação vai fazer é instrumentalizar os órgãos de controle ambiental para pedir que os produtores tomem cuidado”, diz Angelo Antonio Agostinho, professor de ictiologia (estudo dos peixes) da Universidade Estadual de Maringá (UEM). O pesquisador defende que a inclusão na listagem rompe com uma omissão histórica de organismos com importância comercial – que precisam de controle maior para diminuir os impactos sobre as espécies nativas.
📙 Cultura
Com trajetória iniciada na Camisa Verde e Branco, em 1969, o compositor Ideval Anselmo é o maior vencedor de concursos e títulos de sambas-enredo do estado de São Paulo, com 22 concursos vencidos e cinco títulos conquistados. Na agremiação, obteve quatro vitórias no Carnaval paulistano. A Alma Preta resgata a trajetória do sambista, que foi um dos criadores de “Narainã, a Alvorada dos Pássaros”, música de 1977 da Camisa Verde e Branco e considerada pelo jornal “Folha de S. Paulo” como “o samba do século”. Nascido em 18 de setembro de 1940, no interior de São Paulo, o artista também passou por outras escolas, como a Rosas de Ouro e a Tom Maior, e participa do álbum “Samba no Terreiro”, que será lançado neste ano para homenagear as velhas guardas do samba de São Paulo. Ideval Anselmo morreu na quarta-feira, aos 85 anos. A causa da morte não foi divulgada.
🎧 Podcast
Durante a colonização no Amazonas, os Mura usavam armadilhas formadas por troncos pontiagudos fincados no leito do rio Madeira. As “trincheiras”, como os indígenas chamam, são reveladas nos tempos de secas extremas na região e inspiraram um instrumento jurídico de proteção a esse povo, o “Protocolo de Consulta Trincheiras Yande Peara Mura”. O documento busca enfrentar a nova batalha dos Mura pelo direito de usufruto do território: a instalação de uma mina de potássio. O “Afluente”, produção da Rádio Guarda-Chuva, mergulha na resistência histórica do povo Mura e como ela inspira a luta por suas terras no presente frente à cobiça de empresas de mineração, além de detalhar a elaboração do protocolo, que pede a consulta prévia, livre e informada aos indígenas.
💆🏽♀️ Para ler no fim de semana
“Acredito muito que meu território influencia meu trabalho e minha relação com o Carnaval. Foi onde encontrei minha paixão. Mesmo não exercendo atualmente a profissão de Design de Moda, sinto que ser aderecista também é muito gratificante”, afirma Victoria Tamazi, aderecista que coordena o ateliê da escola de samba Grêmio Recreativo Cultural Social Unidos de Santa Bárbara, do Itaim Paulista, distrito da zona leste de São Paulo, onde ela foi nascida e criada. A agremiação faz parte da União das Escolas de Samba Paulistanas, figurando no Grupo Especial de Bairros, que desfilam no Butantã, zona oeste. O Desenrola e Não Me Enrola narra a trajetória de Victoria e ressalta o protagonismo dos trabalhadores do Carnaval de base – quem faz a folia acontecer fora do sambódromo, fortalecendo os blocos de rua e agremiações de bairro.




