A rejeição de Messias no Senado e a Alemanha em busca de minerais do Brasil
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🔸O Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), com 42 votos contrários e 34 favoráveis – abaixo dos 41 necessários para aprovação. Com isso, ele se torna o primeiro indicado por um presidente ao STF a ser rejeitado na Nova República. O Congresso em Foco destaca que a indicação de Lula (PT) enfrentou atritos desde o início, com resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga aberta na Corte com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. A análise do nome de Messias foi a mais morosa na história da Casa: a espera até a sabatina durou 160 dias. Mais cedo, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ele havia sido aprovado com recorde de votos contrários – 16 pela aceitação e 11 pela rejeição. Apesar de articulações do governo e apoios pontuais, o cenário de divisão se manteve até a votação final. Agora, Lula terá que indicar um novo nome para a vaga.
🔸 A sabatina de Messias foi marcada por forte pressão da oposição, momentos de emoção e receio de rejeição. O Canal MyNews conta que, nas primeiras horas, o então advogado-geral da União chorou e embargou a voz diversas vezes ao falar da própria trajetória, da família e de sua origem, o que causou surpresa até entre aliados. Messias reiterou ser “totalmente contra o aborto” e afirmou ter atuado pela prisão dos envolvidos nos atos de Ataques de 8 de janeiro de 2023 por dever institucional. Diante de questionamentos de senadores da oposição, como Magno Malta (PL-ES) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), evitou respostas diretas em temas sensíveis, como anistia e decisões judiciais recentes. O Jota apresenta um ponto a ponto com as respostas de Messias aos senadores na sabatina.
🔸 Nome por trás da derrota histórica do governo Lula, Davi Alcolumbre construiu sua vida política a partir de uma família de comerciantes no Amapá e chegou ao Congresso como deputado do baixo clero, ligado inicialmente ao grupo de José Sarney. A revista piauí traça um retrato detalhado da trajetória do senador, mostra sua habilidade de articulação e a capacidade de negociação com diferentes governos. Alcolumbre também protagonizou uma série de episódios controversos ao longo da carreira: suspeitas em investigações antigas, uso político de emendas parlamentares, relações com aliados investigados e denúncias de práticas como rachadinha e favorecimento em contratos públicos.
🔸 A menos de seis meses das eleições, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não detalhou como vai fiscalizar o uso de inteligência artificial, apesar de já ter publicado regras para o tema. Persistem dúvidas sobre monitoramento de conteúdos gerados por IA – especialmente em plataformas criptografadas –, critérios de avaliação das big techs e a estrutura que será usada pelo tribunal. A Lupa ouviu especialistas que demonstram ceticismo quanto à capacidade de fiscalização e alertam para o avanço da desinformação. Pesquisa da própria Lupa já mostrou que conteúdos fabricados com IA cresceram 308% de 2024 a 2025. Embora o TSE tenha proibido deepfakes, recomendações de voto por IA e a circulação de conteúdos sintéticos nos dias mais críticos da eleição, há lacunas sobre como essas regras serão aplicadas. Sem uma lei geral sobre IA – como o PL 2.338/2023, parado na Câmara –, as resoluções do tribunal seguem como principal referência.
📮 Outras histórias
A Universidade Federal de Roraima (UFRR) criou o primeiro programa de formação de comunicadores indígenas da Amazônia, em parceria com a Hutukara Associação Yanomami. Com duração de três anos, a iniciativa atende a uma demanda dos próprios povos por maior protagonismo na produção de narrativas e busca formar seis participantes da Terra Indígena Yanomami. A Carta Amazônia explica que a proposta aposta na troca entre saberes científicos e conhecimentos tradicionais. “A metodologia foi pensada para respeitar os modos de vida e os tempos dos povos indígenas. Não é um curso tradicional, mas uma formação construída de forma coletiva, baseada na escuta, na prática e na troca de saberes”, afirma a professora Lisiane Aguiar, professora do curso de Jornalismo. Para Dario Kopenawa, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami, o programa fortalece o protagonismo dos povos indígenas: “Ao mesmo tempo que eles aprenderão a fazer filmes, podcasts e documentários da nossa cultura, eles também usarão esses conhecimentos como instrumentos de luta e resistência”.
📌 Investigação
Três mineradoras de ouro com histórico recente de infrações ambientais tiveram R$ 90,1 milhões em isenções de impostos federais entre 2024 e 2025. A Mineração Aricá, no Mato Grosso, foi beneficiada mesmo após um embargo do Ibama por uso ilegal de mercúrio. Já a Mineração Aurizona S.A embargada pelo órgão ambiental por deixar 4 mil pessoas sem acesso à água potável devido ao rompimento de uma lagoa usada como barragem no município maranhense de Godofredo Viana. No Tocantins, a Aura Almas Mineração S.A. ignorou a existência de comunidades quilombolas em seu projeto de licenciamento ambiental. A Repórter Brasil revela que, juntas, elas obtiveram isenção fiscal de R$ 51 milhões em 2024 e de R$ 39,1 milhões em 2025. As leis sobre benefícios fiscais não incluem critérios socioambientais em suas análises, privilegiando empresas que promovem conflitos fundiários e danos ao meio ambiente.
🍂 Meio ambiente
Diante da corrida global por minerais críticos, necessários para a transição energética, a Alemanha mapeou 21 projetos dessas matérias-primas no Brasil para recuperar seu protagonismo na produção de baterias de veículos elétricos, painéis solares e eletrolisadores. A Eixos informa que, na última semana, o presidente Lula assinou um acordo bilateral para minerais críticos durante sua visita oficial ao país. O governo alemão busca reduzir a dependência da China, que domina a cadeia global – da extração ao beneficiamento e industrialização – desses minerais. A maior parte dos projetos mapeados está em Minas Gerais, estado que concentra ativos de lítio e de silício. Bahia e Goiás também estão na mira da estratégia alemã.
📙 Cultura
“A capoeira tem uma ligação mítica com a natureza”, afirma o Mestre Ferradura, do Instituto Brasileiro de Capoeira-Educação. “Está nos nomes de golpes, por exemplo: rabo de arraia, morcego, macaco, pose da zebra. Existe um berço comum das religiões afro-brasileiras e da capoeira, em que há uma ligação com deuses, orixás, animais, entidades.” O Nonada narra como a capoeira pode ser uma ferramenta de consciência socioambiental por meio da filosofia que integra ser humano e natureza. A partir da tradição oral, as canções e rituais preservam conhecimentos sobre a fauna e a flora. “A capoeira é uma biblioteca viva. Hoje temos músicas gravadas na internet, vídeos. Mas a todo momento ainda se produz conhecimento oral, uma música ‘viraliza’ no mundo da capoeira e ninguém sabe quem é o autor, de onde veio. É uma cultura viva, fora do museu”, diz o mestre.
🎧 Podcast
Trabalhadores das big tech passaram do deslumbramento com benefícios luxuosos e compromisso com a diversidade da década passada para a desilusão em um ambiente com cada vez mais pressão por resultados e alinhamento conservador. A “Rádio Escafandro”, produção da Rádio Guarda-Chuva, mergulha nas mudanças de posicionamento da Meta, que abandonou as políticas de moderação e inclusão para se alinhar ao discurso agressivo de “energia masculina”, sobretudo após a volta de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos. Além do impacto psicológico sobre os trabalhadores, o episódio aborda os danos sociais causados pelos algoritmos e pelo poder oligárquico do Vale do Silício.
📲 Tecnologia
Para antecipar riscos e fortalecer o controle sobre a própria identidade em meio ao avanço da inteligência artificial, artistas e personalidades têm entrado com pedidos de registro de marca nos Estados Unidos. O objetivo é proteger elementos ligados à voz e imagem, e o caso mais recente é o da cantora Taylor Swift. Segundo a Fast Company Brasil, alguns estados do país já aprovaram normas para restringir o uso não autorizado de voz e imagem por sistemas de IA. Em muitos casos, as regras se concentram em usos comerciais ou em práticas consideradas maliciosas. Um dos episódios de maior repercussão envolveu a atriz Scarlett Johansson, que acionou judicialmente um aplicativo de IA após o uso de um avatar inspirado em sua aparência em uma campanha publicitária.




