A rejeição feminina a Flávio Bolsonaro e o racismo na letalidade policial
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🔸Os Estados Unidos anunciaram sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas em São Paulo e uma empresa portuguesa por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em maio, o Departamento de Estado dos EUA classificou a facção criminosa como uma organização terrorista global. Os principais alvos das sanções são Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como elo entre integrantes do PCC na Flórida e em São Paulo, e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, descrita pelas autoridades americanas como sua secretária e parente próxima. O Jota explica que as medidas bloqueiam bens e interesses financeiros dos alvos em território americano e atingem também empresas sob seu controle. O Departamento do Tesouro afirma que Shimada e suas empresas teriam lavado mais de US$ 30 milhões provenientes do tráfico de drogas por meio de criptomoedas.
🔸 Pessoas negras representam 86,3% das vítimas da letalidade policial em nove estados monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança em 2025. É o que revela a sétima edição anual do relatório “Pele Alvo: entre Racismo e Letalidade, o Amanhã”. O documento mostra o aumento de 6,4% nas mortes provocadas por policiais em relação ao ano anterior. A Alma Preta destaca que o perfil das vítimas também evidencia um recorte geracional, territorial e de gênero bastante definido: jovens de até 29 anos representam 64,8% do total de mortos (2.804 vítimas), vivem majoritariamente em periferias e favelas e, em sua imensa maioria, são homens. “Os dados mostram que não estamos diante de uma fatalidade ou de casos isolados. Ano após ano, a principal vítima da letalidade policial continua sendo a juventude negra das periferias”, afirmou, em nota, Silvia Ramos, cientista social e diretora da Rede de Observatórios da Segurança. Maranhão e Ceará, ao lado de Pará e São Paulo, registraram o maior número de mortes por intervenção policial desde o início da série histórica, em 2019.
🔸 Em meio à crise provocada pelas declarações do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo de que “mulheres votam muito mal” e pelo rompimento com Michelle Bolsonaro, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reuniu mulheres conservadoras em Brasília. Pensado para reforçar o diálogo da pré-campanha com o eleitorado feminino, o evento, segundo a CartaCapital, acabou marcado pelas ausências de algumas das principais lideranças bolsonaristas entre as mulheres, como Damares Alves (Republicanos-DF) e Tereza Cristina (PP-MS). Durante o encontro, Flávio repudiou publicamente as declarações de Figueiredo, afirmou que o aliado não integra sua campanha e atribuiu a dificuldade de conquistar o voto feminino à comunicação da direita, e não às eleitoras.
🔸 A propósito: levantamento recente do Datafolha mostra que Flávio Bolsonaro é o pré-candidato mais rejeitado entre as mulheres: 53% dizem não votar nele. Já o presidente Lula (PT) lidera a intenção de voto nesse segmento por 52% a 31%. O Nexo mostra os movimentos do filho de Jair Bolsonaro (PL) para atenuar a rejeição feminina. Depois da briga com Michelle, a campanha do senador acelerou um programa que visa a reduzir a resistência entre as mulheres. O documento é focado em empreendedorismo feminino, violência doméstica e economia do cuidado. A campanha aumentou ainda a presença da companheira de Flávio, a dentista Fernanda Bolsonaro, em agendas e em posts nas redes sociais. Outra tática é ter uma mulher para compor a chapa. O PL tem testado nomes internamente, como o da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), uma das parlamentares de extrema direita mais radicais em Brasília, e ainda a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, que era considerada o “braço direito” do ex-ministro da economia de Bolsonaro, Paulo Guedes.
🔸Falando em eleições… O PSD lançou a chapa presidencial formada por Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab – já com divisões internas. O Canal MyNews conta que o próprio Kassab reconheceu que governadores do partido, como Eduardo Paes e Raquel Lyra, não devem apoiar a candidatura, e o ato teve público abaixo do esperado, um reflexo da dificuldade de unificar o PSD em torno do governador de Goiás. Ainda assim, Caiado tentou se apresentar como o nome mais competitivo da direita contra Lula e afirmou que venceria o presidente em um eventual segundo turno.
📮 Outras histórias
Em vídeo: “Seguir fazendo aquilo que os nossos pais, os nossos avós fizeram, além de muito emocionante, é muito gratificante, porque isso faz parte da nossa identidade, faz parte da identidade da cultura ribeirinha, do pescador artesanal daqui de Pedreiras, Trizidela do Vale.” Celivane Carvalho é presidente da Colônia de Pescadores Z-28, cuja sede está localizada às margens do rio Mearim, no Maranhão. Ela se refere ao Festejo de São Pedro, celebrado anualmente no município de Pedreiras. O Pedreirense acompanhou a procissão fluvial que marcou o início da festa, que se estende de 20 a 29 de junho. Nesse período, pescadores e a comunidade católica local participam de atividades que vão da religiosidade à diversão, com quadrilhas, bumba-meu-boi, grupos vocais e orações.
📌 Investigação
Sem peixe e com raras aparições de feijão, a merenda escolar de Curitiba contraria frequentemente a Lei 11.947/2009 – marco legal do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). O Plural obteve 40 cardápios das escolas e CMEIs da rede municipal de capital paranaense, dos meses de outubro de 2025 e junho de 2026, e analisou a refeição diária de cerca de 120 mil crianças. Apesar das restrições legais, em junho de 2026, o leite com achocolatado, que só poderia ser servido uma vez ao mês, apareceu em 15 dos 20 dias úteis do mês – quase uma vez por dia. A legislação exige leguminosas, como feijão, lentilha, grão-de-bico, pelo menos três vezes por semana em todas as modalidades de atendimento. No cardápio do turno parcial, o feijão não apareceu uma única vez em dois meses de análise.
🍂 Meio ambiente
A expansão da inteligência artificial elevou em 18% as emissões de gases de efeito estufa do Google em 2025. A demanda de eletricidade cresceu 37% no último ano, o maior salto da história da empresa. Desde 2019, ano-base das metas climáticas, as emissões aumentaram cerca de 80% e a demanda por energia cresceu 250%. O Reset detalha os principais dados do relatório de sustentabilidade da big tech. A construção e operação de data centers, que exigem mais energia, servidores, chips, aço e concreto, é a principal causa do aumento. O crescimento contrasta com a meta da empresa de atingir emissões líquidas zero em todas as operações e cadeia de valor e reduzir pela metade as emissões absolutas até 2030. Além disso, o Google não divulgou as informações sobre a eficiência hídrica das estruturas.
📙 Cultura
Errância, insurgência, desobediência e dissidência marcam o projeto “Desviação”, do fotógrafo potiguar Zé Lucas. O trabalho reúne três ensaios fotoperformáticos criados em diferentes regiões do Rio Grande do Norte a partir de experiências ligadas à identidade e ao pertencimento de corpos LGBTQIA+. A Saiba Mais conta que o projeto nasceu da pesquisa que o artista desenvolve sobre fotografia, performance e autoinscrição do corpo. “Desviar, aqui, é um verbo em estado de urgência performativa. É produzir deslocamentos. É expandir as possibilidades de ser e de estar no mundo. É compreender o corpo como um manifesto vivo e como um espaço de resistência”, afirma o fotógrafo. “Cada fotoperformance foi pensada a partir da relação com a cidade onde as fotografias foram realizadas e das vivências pessoais de cada participante. Seja a relação com a cultura Ballroom, as pesquisas acadêmicas, os atravessamentos pessoais ou as preferências estéticas, tudo foi incorporado ao processo de criação.”
🎧 Podcast
A superproteção das famílias em relação às crianças com deficiência é uma camada do capacitismo que afeta seu desenvolvimento, segundo a neuropsicopedagoga Micéia de Fátima. “A criança cresce acreditando que ela não tem capacidade de nada e que os outros são ‘normais’ e ela não.” A pesquisadora destaca a importância da educação adaptada nas escolas públicas e sua contribuição para o desenvolvimento de crianças e adolescentes neurodivergentes e com deficiência. O “Cena Rápida”, produção do Desenrola e Não Me Enrola, recebe Micéia e também Adriana Dias, da Casa do Ney, espaço que promove o desenvolvimento e a inclusão de crianças e adolescentes com deficiência. Elas detalham como o acesso à saúde, educação adaptada, atividades esportivas, acessibilidade nos locais de convivência e outros direitos fundamentais ainda é um desafio para a população infanto-juvenil com deficiência e neurodivergente das periferias.
👩🏾⚕️ Saúde
Com o culto à magreza extrema ganhando força e a popularização das canetas emagrecedoras, que custam de R$ 1 mil a R$ 3,9 mil, mulheres que não têm dinheiro para comprá-las recorrem à compra clandestina de Mounjaro e Ozempic. Especialistas ouvidos pela Periferia em Movimento explicam que o acesso aos medicamentos na rede pública e ao acompanhamento médico poderiam promover o emagrecimento saudável, sobretudo nos casos de obesidade. “Em muitos casos, o paciente consegue realizar atividade física. Algumas UBSs oferecem programas voltados à prática de exercícios, além de contar com acompanhamento nutricional e psicológico. Porém, a medicação continua sendo um ponto frágil no tratamento da obesidade dentro do sistema público de saúde”, afirma a nutricionista Sheila Domingues.




