🔸 Na primeira pesquisa Datafolha depois do primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) tem 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula (PT), informa o Metrópoles. Nos votos totais, os candidatos registram 49% e 45%, respectivamente; 5% pretendem votar em branco ou anular, e 1% está indeciso. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. No primeiro turno, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula. Para a segunda etapa, o senador recebeu apoio de União Brasil, PP, Republicanos e Novo. O presidente Lula aposta em mudanças na comunicação e maior presença nas redes sociais, com foco também nos eleitores que não votaram.
🔸 Falando em redes… “Os partidos de esquerda começaram a se apropriar muito mais recentemente das redes. Mas os influenciadores que se destacam priorizam mais a dinâmica do confronto, de maneira semelhante ao que a direita faz”, afirma Felipe Milanezi, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O Nexo conversou com ele e Letícia Capone, diretora de pesquisa do Instituto Democracia em Xeque, sobre as estratégias e o peso das redes sociais nas eleições. Candidatos com forte presença online tiveram votações expressivas à direita e à esquerda. Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) receberam 3,1 milhões e 3,03 milhões de votos, respectivamente; Érika Hilton (PSOL-SP), 1,5 milhão. “Atores de extrema direita mobilizam conteúdos nas redes sociais de maneira mais efetiva, assertiva e coordenada”, avalia Capone. Para ela, “o campo progressista vem aprendendo a se unir em torno de agendas e pautas” e “conseguiu se organizar usando uma linguagem mais rápida”.
🔸 Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena de Eduardo Bolsonaro, condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, por coação no curso do processo. Segundo o Jota, o ministro ordenou a expedição do mandado de prisão, o cancelamento de todos os passaportes e a perda imediata do cargo de escrivão da Polícia Federal. O ex-deputado está nos Estados Unidos. De acordo com a Procuradoria Geral da República, Eduardo usou contatos no governo americano para constranger a atuação do STF nos processos sobre a tentativa de golpe e contra seu pai, Jair Bolsonaro. A acusação aponta como resultado dessa pressão o tarifaço contra o Brasil, a suspensão de vistos de ministros e a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes, entre julho e dezembro de 2025.
🔸 Mulheres Yanomami lançaram um manifesto contra a eleição de Flávio Bolsonaro, por temor de que seu governo provoque o retorno da crise sanitária e a expansão do garimpo ilegal no território. “Eu não quero o filho do Bolsonaro. Não quero nossos filhos cheios de malária de novo”, afirma Noemia, moradora da região da maloca Papiu. A Repórter Brasil conta que, reunidas na comunidade de Rokoari, as lideranças declararam apoio à reeleição de Lula. Entre 2019 e 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, 420 crianças Yanomami menores de cinco anos morreram por causas evitáveis, quase o dobro dos quatro anos anteriores. No auge da invasão garimpeira, ao menos seis postos de saúde foram fechados ou destruídos, o que interrompeu a assistência a mais de 4 mil indígenas de 72 comunidades,
🔸 Ao menos 64 publicações político-eleitorais produzidas ou alteradas com inteligência artificial circularam no Instagram e no Facebook entre 1º e 5 de outubro, durante o período de restrição eleitoral a novos conteúdos sintéticos. A Agência Lupa identificou 37 deepfakes, que simulam de forma realista a imagem ou a voz de pessoas, e 27 montagens, desenhos ou sátiras de situações visivelmente irreais. A maioria tratava da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, com conteúdos de promoção e ataque aos dois candidatos. Entre os exemplos estavam uma falsa jornalista anunciando que Flávio ultrapassara Lula nas pesquisas e imagens do presidente sendo preso. A regra do TSE proíbe a publicação ou republicação de novos conteúdos sintéticos que modifiquem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas nas 72 horas anteriores à votação e nas 24 horas posteriores ao pleito.

📮 Outras histórias
Nas trilhas do Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, a primavera amplia as chances de observar aves e outros animais. As temperaturas mais altas e a maior oferta de flores e frutos favorecem a atividade dos polinizadores e a reprodução da fauna, conta o 100fronteiras. Os surucuás-variados, os surucuás-de-barriga-amarela e os surucuás-dourados podem ser vistos e ouvidos principalmente no Circuito São João. Tucanos aproveitam a abundância de frutos, beija-flores acompanham a floração e os guaxes cuidam dos filhotes perto dos ninhos. Já os machos do macuco, ave típica da Mata Atlântica, vocalizam com mais frequência no período reprodutivo. Na flora, o destaque é a floração dos ipês. O parque reúne mais de 700 espécies de plantas terrestres e pelo menos 800 de invertebrados.
📌 Investigação
Recursos de títulos do agronegócio e fundos públicos financiam lavouras de soja em território da comunidade tradicional Buriti dos Bois, em Chapadinha, no Leste Maranhense. A partir de levantamento do Instituto Dados, O Joio e O Trigo identificou ao menos R$ 3,3 milhões em crédito rural concedidos pelo Banco do Brasil e pelo Banco do Nordeste ao produtor Mirton Traesel. Da área de 542 hectares vinculada aos financiamentos, 92% se sobrepõem ao território delimitado pelo Instituto de Colonização e Terras do Maranhão em 2021. Moradores relatam ameaças e a presença de homens armados desde aquele ano. “É a disputa por terra, né? Na verdade, por direito, porque nós somos nascidos e criados dentro desta área”, afirma a liderança Gilmar da Silva Ferreira. A comunidade pede desde 2022 a criação de uma reserva extrativista, mas o processo permanece parado no ICMBio, que afirma não ter priorizado a proposta e não dispor de capacidade operacional para atender todas as demandas.

🍂 Meio ambiente
A água doce despejada pelo rio Amazonas reduz em cerca de 9% a salinidade média do Atlântico Tropical Oeste e favorece a absorção de gás carbônico pelo oceano. A chamada “pluma do Amazonas”, transportada pelas correntes marítimas a centenas de quilômetros da foz, também leva nutrientes que estimulam o fitoplâncton, microrganismos que capturam o gás durante a fotossíntese. A Agência Bori informa que pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) analisaram dados coletados entre 1991 e 2019 para quantificar essa influência sobre a química do oceano. No período chuvoso, a redução da salinidade chega a 11%. “Esse trabalho mostra que o que acontece na foz do Amazonas e na margem equatorial gera impacto em uma área muito grande no oceano Atlântico”, afirma Thiago Monteiro, professor da Universidade Federal da Bahia e coautor do estudo.
📙 Cultura
Dez escritores retomam personagens de Conceição Evaristo no livro “A Gente Combinamos de Escrever”, coletânea de contos inéditos que celebra os 80 anos da autora. Organizado por Eliana Alves Cruz e Estevão Ribeiro e publicado pela Malê, o livro recria histórias de diferentes obras do chamado “Evaristoverso”. “É bonito ver, ler e (re)conhecer histórias e narrativas que, imaginadas por Evaristo, agora ganham continuidade na fabulação desses autores”, escreve a professora, escritora e curadora Maria Carolina Casati, em resenha na Quatro Cinco Um. Entre essas novas possibilidades, Elisa Lucinda promove uma “(quase) reparação histórica” para Fio Jasmim, de “Canção para Ninar Menino Grande”, por meio de seu encontro com um Deus preto. Para Casati, a homenagem vai além da comemoração: os autores tratam personagens e elementos da obra de Evaristo como documentos que podem ser atualizados e reinventados para legitimar histórias de descendentes da diáspora atlântica. “A travessia é refeita pela e na palavra.”
🎧 Podcast
“Minha vida acabou quando eu fui preso, em 21 de outubro de 1973. E aí, minha vida recomeça quando eu saio da prisão”, diz Eduardo Soares Neves Silva, professor de Filosofia da UFMG. Aos 4 anos, ele foi levado com a mãe, Maria Madalena Prata Soares, militante da Ação Popular, para o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de Minas Gerais. No “Rádio Novelo Apresenta”, produção da Rádio Novelo, o repórter Vitor Hugo Brandalise acompanha sua busca por registros da prisão e pelas memórias do menino que todos chamavam de Dudu, nome que ele deixou para trás. Eduardo lembra de ver a mãe voltar machucada à cela e de agentes jogarem seu caminhãozinho de madeira pela janela, antes de ameaçarem fazer o mesmo com ele. Retirado da prisão pela família do padrasto, José Carlos da Mata Machado, assassinado sob tortura, passou a viver com o pai biológico e a mulher dele. Em 2013, a Comissão da Verdade paulista reuniu 44 testemunhos de pessoas atingidas pela repressão na infância, uma pequena amostra das vítimas.

💆🏽♀️ Para ler no fim de semana
“Gostaria que o próximo presidente ajustasse a economia e abrisse mais oportunidades. Vejo muitas pessoas desempregadas. Mesmo sendo ambulante, não é fácil”, diz Samuel Ferreira, 26 anos. A Agência Mural acompanhou vendedores das zonas norte e sul de São Paulo que aproveitaram o movimento nos locais de votação para ganhar renda com água, balas, pipoca e panos de prato. Samuel pretendia faturar R$ 70. Já o pipoqueiro Francisco Bruno dos Santos, que trabalha nas eleições há 20 anos, tinha como meta R$ 700. Além da renda incerta, eles narram dificuldades para obter autorização da prefeitura e medo de apreensão das mercadorias. No Rio de Janeiro, mulheres periféricas trabalharam na campanha como “bandeirinhas”, cabos eleitorais que seguram bandeiras e distribuem panfletos de candidatos nas ruas, conta o Fala Roça. Na Rocinha, uma mãe solo que não quis ser identificada recebeu quase um salário mínimo em um mês de distribuição de panfletos, das 10h às 18h: “Quando vem a eleição, a gente aproveita a oportunidade para comprar as coisas que ficaram pendentes naquele mês”.
