O recorde de queimadas na Amazônia e um 'orçamentômetro' de SP
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🔸 O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu afastar o ministro Marco Buzzi, acusado de importunação sexual. Aprovado de forma unânime, o afastamento é cautelar e deve durar até o encerramento da apuração interna sobre as condutas dele. O Notícia Preta lembra que, na semana passada, horas depois de o STJ abrir a sindicância para investigar Buzzi, o ministro apresentou atestado médico e solicitou licença de suas funções. A investigação parte de uma denúncia feita em janeiro por uma jovem de 18 anos. Segundo ela, durante férias em Balneário Camboriú (SC) com a família e Buzzi, o ministro teria tentado agarrá-la ao menos em três ocasiões.
🔸 “Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência”, escreveu Marco Buzzi em carta enviada a colegas do STJ. Além da denúncia feita pela jovem, na segunda-feira, o Conselho Nacional de Justiça recebeu uma nova denúncia, desta vez feita por uma ex-funcionária de seu gabinete, que prestou depoimento à Corregedoria Nacional. O Metrópoles mostra a carta do ministro, que se diz “muito impactado” com a repercussão do caso e afirma estar internado, sob acompanhamento cardíaco e emocional.
🔸 A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia, apresentou regras de conduta para presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais com foco nas eleições de 2026. O Jota destaca que as diretrizes apontam para os valores que a ministra deve trazer para o Código de Ética que vai relatar no Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin. Entre as orientações, estão a divulgação prévia de agendas com partes e advogados, a manutenção de postura comedida em manifestações públicas e privadas, a abstenção de opiniões políticas – inclusive em redes sociais – e a recusa de presentes ou favores que possam comprometer a independência. A ministra também recomendou evitar confraternizações com candidatos ou pessoas ligadas à campanha “em razão do potencial conflito de interesses”.
🔸 A Amazônia registrou, em janeiro, o maior número de queimadas da última década, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Eco detalha os números: foram 2.058 focos de incêndio no bioma, número cerca de 34% acima da média histórica para o mês e inferior apenas a janeiro de 2016, quando houve 4.657 registros. As áreas mais afetadas ficam nos estados do Pará e de Mato Grosso. Outros biomas também tiveram queimadas acima da média. Na Caatinga, foram registrados 980 focos, o maior número desde 2009 e quase 89% acima da média mensal. No Cerrado, houve 904 focos, alta de 50% em relação à média, especialmente no norte do Maranhão. Na Mata Atlântica, janeiro teve 538 focos de incêndio, o maior patamar desde 2019.
🔸 Em tempo: o STF determinou prazos para órgãos federais corrigirem falhas na proteção da Amazônia Legal. A decisão amplia o acompanhamento judicial das políticas ambientais, com metas de redução expressiva do desmatamento até 2027 e eliminação do desmatamento ilegal até 2030. A Carta Amazônia destrincha as novas medidas definidas pelo STF, como a definição de critérios objetivos para processos administrativos ambientais e o fortalecimento da política indigenista. A decisão também obriga a União a se manifestar em até dez dias sobre proposta que integra dados do Cadastro Ambiental Rural e da Guia de Trânsito Animal, para evitar a entrada de gado oriundo de áreas desmatadas ilegalmente no mercado formal.
📮 Outras histórias
No ano em que completa 30 anos, o Bosque Guarani, em Foz do Iguaçu (PR), segue fechado. Em 2023, a área foi elevada à condição de Parque Natural Municipal e teve o uso suspenso. O novo título, porém, não salvou o bosque do abandono, como mostra a H2FOZ. Logo na entrada do espaço, no centro da cidade, há lixo acumulado e mato alto. Segundo a prefeitura, a manutenção ocorre de forma periódica e paliativa, mas não há previsão de reabertura. Criado em 1996, o Bosque Guarani reúne 4,5 hectares de Mata Atlântica e, enquanto esteve aberto, foi um espaço de lazer gratuito para moradores e turistas. O decreto que o transformou em parque prevê preservação ambiental, educação, pesquisa e turismo ecológico.
📌 Investigação
Embora a Prefeitura de São Paulo tenha arrecadado mais do que o previsto em 2025, as subprefeituras executaram menos do que o previsto no orçamento. As unidades regionais têm responsabilidade de aplicar os recursos para impactar os bairros e garantir ações de zeladoria. O Orçamentômetro, ferramenta da Agência Mural, revela que a cada R$10 que poderiam ser usados, Sapopemba gastou R$6,90, São Mateus R$6,60 e Perus R$4,30 – e os moradores relatam que serviços emergenciais não foram priorizados. Em Perus, zona noroeste, uma vala na rua Elisa Fragoso foi reformada três vezes em um ano, em contraste com a falta de ações concretas para as enchentes que afetam a comunidade do Bronx. “Esse problema é muito recorrente, porque tem riachos que passam nas margens da comunidade. Uma chuvinha qualquer já enche por lá”, diz a técnica em farmácia Eliette Brasilino da Silva, moradora da região.
🍂 Meio ambiente
Cercados pelas plantações de dendê, os Turiwara vivem em uma batalha jurídica que pode despejar 30 famílias que atualmente vivem na aldeia Tukano Sawa, dentro do Território Indígena Ita Pew, em Tailândia (PA). No dia 21 de janeiro, a mando da Agropalma, produtora de óleo de palma, foi entregue aos indígenas uma reintegração de posse que determinava a desocupação imediata da área, autorizava o uso da força policial, a retirada compulsória de pessoas e bens e a aplicação de multas em caso de resistência. A Sumaúma conta que o povo luta há décadas pela demarcação do território, enquanto a empresa trava disputas por terras com indígenas, quilombolas e ribeirinhos. As matrículas das fazendas em nome da Agropalma, porém, continuam canceladas judicialmente por fraudes fundiárias. A reintegração de posse, ao fim, foi suspensa pela falta de competência da Justiça estadual, responsável pelo documento apresentado, para julgar o caso.
📙 Cultura
Cartão-postal do Carnaval pernambucano, o caboclo de lança guarda segredos e responsabilidades espirituais que muitas pessoas não conhecem e que são passados de geração a geração. “No domingo de Carnaval logo cedo, o caboclo de lança vai para um riacho tomar seu banho de limpeza. Quando não tem o riacho – porque estão acabando com a natureza –, aí se toma um banho de ervas de limpeza [dado por uma rezadeira] e então se pode brincar os três dias de Carnaval tranquilo”, afirma Manoelzinho Salustiano, diretor da Associação de Maracatus de Baque Solto. A Revista Afirmativa mergulha no mistério, resistência e ancestralidade que marcam a história do caboclo de lança, uma das figuras mais enigmáticas e icônicas do maracatu de baque solto, manifestação reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
🎧 Podcast
A maior parte da poluição costeira no Brasil provém do continente, e as desigualdades sociais e urbanas são alguns dos obstáculos para a preservação oceânica. Em Santos (SP), por exemplo, a coleta de resíduos não chega à maior favela de palafitas do país. O “Lendárias & Portuárias”, produção do Juicy Santos, conversa com Gabriela Otero, gerente de Água, Oceano e Resíduos do Pacto Global da ONU no Brasil, sobre como os desafios sociais impactam a saúde do meio ambiente. “Andando pela comunidade eu já ouvi de molecada: ‘Tia, eu não levo o lixo até a caçamba porque minha mãe manda eu levar à noite, e eu tenho medo de tomar um tiro’”, conta. Ela destaca também a relação entre preservação ambiental, o desenvolvimento econômico a partir dos portos e o protagonismo feminino na luta por conservação, geração de renda e moradia digna.
👩🏾⚕️ Saúde
Alterações em neurotransmissores como serotonina e dopamina não justificam todos os casos de depressão. “Evidências acumuladas nos últimos anos indicam que, em uma parcela significativa dos casos, processos inflamatórios e metabólicos exercem papel central no desenvolvimento e na persistência dos sintomas”, explicam as pesquisadoras Laís Murta e Eliane Contreras. No Conversation Brasil, elas lembram uma estimativa publicada na revista “Nature Mental Health”, segundo a qual até 30% das pessoas com depressão apresentam um perfil específico, marcado por inflamação de baixo grau e alterações metabólicas. Isso ajuda a explicar por que parte dos pacientes não responde bem aos antidepressivos tradicionais e continua convivendo com sintomas persistentes, mesmo em tratamento. “Em vez de um transtorno homogêneo, o que se observa é a existência de quadros distintos, com bases biológicas diferentes e, consequentemente, necessidades terapêuticas também distintas.”




