O reajuste de salário dos parlamentares e os enredos biográficos na Sapucaí
Uma curadoria do melhor do jornalismo digital, produzido pelas associadas à Ajor. Novos ângulos para assuntos do dia
Oi, gente! Bom dia!
Nossa curadoria é construída diariamente a partir da curadoria do jornalismo digital produzido pelas associadas à Ajor. Para seguir aprimorando esse trabalho, convidamos você a participar da nossa pesquisa anual – rápida e fundamental para orientar as escolhas editoriais da Brasis ao longo do ano. É só clicar aqui para responder.
Obrigada e boa leitura!
🔸 “O magistrado só pode dar aulas e fazer palestras. Mas agora passaram a demonizar palestras dadas por magistrados.” A afirmação de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), foi uma resposta às críticas que têm recebido – sobretudo por causa do contrato milionário entre o escritório de sua companheira, Viviane Barci, e o Banco Master. Em meio ao julgamento da validade das regras direcionadas ao uso de redes sociais por magistrados, o ministro deu vários recados, como mostra o Jota. Ele afirmou que é “mentira” dizer que o STF autoriza juízes a julgar casos envolvendo parentes como partes ou advogados e defendeu que a magistratura é uma das carreiras mais restritas do serviço público. Por fim, classificou como “desconhecimento”, “má interpretação” ou “má-fé” as críticas ao Judiciário, segundo ele, “indignas” em um país polarizado.
🔸Na noite de terça, deputados aprovaram dois projetos em causa própria para reajustar salários no Legislativo. Um deles é da própria Câmara e outro do Senado, ambos com potencial de elevar a remuneração total no Legislativo a até R$ 77 mil, somando vencimentos, gratificações e indenizações. Segundo o Congresso em Foco, a votação teve amplo apoio no Plenário, mas não houve registro nominal dos votos. Os projetos reestruturam a política remuneratória, criam gratificações e instituem licenças indenizáveis para servidores em funções comissionadas. Antes, na segunda-feira, a Câmara aprovou a medida provisória que cria o programa Gás do Povo, substituindo o Auxílio Gás e prevendo a entrega gratuita de botijões de 13 kg a famílias de baixa renda. Neste caso, 29 deputados votaram contra. Esses votos se concentraram nas bancadas de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e, do ponto de vista partidário, sobretudo no PL e no Partido Novo.
🔸 Jeffrey Epstein buscou o Brasil como parte de sua rede de exploração sexual, com o objetivo explícito de “ter acesso a garotas”, segundo novos arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA. Trocas de e-mails de 2016, obtidas pelo jornal “O Globo”, mostram que Epstein discute a compra de uma agência de modelos brasileira e recebe de um associado a sugestão de concursos para atrair “garotas caipiras sem experiência”. A descoberta reforça o interesse de Epstein no Brasil, como revelou a Agência Pública. A reportagem mostrou as viagens ao Brasil do agente Jean-Luc Brunel, cúmplice de Epstein, para recrutar adolescentes com promessas de carreira internacional. Segundo a “BBC News Brasil”, ao menos 4 mil menções ao Brasil aparecem nos Epstein Files, incluindo e-mails, fotos e referências a brasileiras.
🔸 Falando em violência contra a mulher… Chegou ao STF o caso do ministro do STJ acusado de assédio sexual contra uma jovem de 18 anos. O Metrópoles explica o processo que tem no centro o magistrado Marco Buzzi. Filha de amigos do ministro, a jovem afirmou que, durante um encontro na praia em 9 de janeiro, entrou em desespero ao ser abordada dentro do mar e disse que Buzzi teria tentado agarrá-la três vezes. O inquérito criminal ficará no STF, sob relatoria do ministro Nunes Marques. Já o procedimento administrativo tramita no Conselho Nacional de Justiça, em sigilo.
📮 Outras histórias
Em Aracaju, a 11ª Caminhada para Oxalá reuniu povos de terreiro em um ato de celebração da fé e denúncia do racismo religioso. Reconhecido em 2024 como patrimônio cultural imaterial da cidade, o evento ocorre em um contexto de aumento da violência: Sergipe registrou 44 denúncias e 67 violações à liberdade religiosa no último ano, segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, ante 14 denúncias e 22 violações no ano anterior. A Mangue Jornalismo reúne imagens da caminhada que, nesta edição, homenageou Mãe Miralda, símbolo de resistência ao racismo religioso. “Mãe Miralda é o aço temperado na doçura. É a voz que ecoa onde o silêncio tentou morar. Filha do ferreiro, ela traz no peito o escudo e a espada, transformando a luta contra o preconceito em solo sagrado para caminhar”, diz a ialorixá Lígia Borges, líder do Obé Fará.
📌 Investigação
Jovens adultos são os que mais precisam de internações hospitalares por transtornos mentais e comportamentais no Brasil. Entre janeiro de 2023 e novembro de 2025, foram contabilizados 91.697 mil casos de pessoas entre 25 e 29 anos. A Agência Tatu analisou os dados do DataSUS e revela que o perfil das internações por saúde mental tem predominância masculina, com 57% dos registros. A análise considerou internações que vão desde diagnósticos de esquizofrenia e transtornos de humor, como depressão e ansiedade, até condições decorrentes do uso de substâncias psicoativas, neuroses e síndromes associadas a disfunções físicas. Em proporção populacional, o Rio Grande do Sul lidera o índice de hospitalizações, com 355 registros para cada 100 mil habitantes, seguido de Santa Catarina (284) e Acre (170).
🍂 Meio ambiente
“O roteiro para o fim dos combustíveis fósseis deve ser um processo real, transparente e participativo, que reflita as realidades vividas por aqueles mais afetados e ajude a traduzir compromissos globais em ações críveis e em implementação acelerada”, escrevem mais de uma centena de organizações da sociedade civil ao redor do mundo em carta aberta endereçada ao embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30. A presidência da última edição da Conferência do Clima é responsável pela elaboração do roteiro, que deve ser entregue até a próxima edição do evento, no final de 2026. O “Diálogos da Transição”, newsletter da Eixos, detalha o pedido das entidades, que temem que o documento siga os mesmos moldes do roteiro entregue no ano passado para destravar US$ 1,3 trilhão para países de renda média e baixa fazerem sua transição – “um documento destinado à prateleira”.
📙 Cultura
Depois de um ano dominado por enredos sobre raízes africanas, os desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro deste ano vão dar protagonismo a enredos biográficos. Das 12 escolas, oito vão se dedicar a narrar histórias pessoais. A Unidos do Viradouro, Acadêmicos do Salgueiro e Unidos de Vila Isabel desenvolveram enredos sobre grandes figuras do samba, como Mestre Ciça, Rosa Magalhães e Heitor dos Prazeres. As estrelas da música popular brasileira Ney Matogrosso e Rita Lee e a escritora Carolina Maria de Jesus também serão celebrados na Marquês de Sapucaí. O #Colabora informa que os desfiles do Grupo Especial estão marcados para os dias 15, 16 e 17 deste mês, mas é possível acompanhar os ensaios técnicos – gratuitos e abertos ao público – que se iniciaram na última sexta e vão até este domingo.
🎧 Podcast
No Museu Marítimo de Roterdã, na Holanda, a exposição “Mulheres Marítimas” ilustra como as mulheres têm sido essenciais na história do setor portuário, ainda que sejam pouco lembradas – e até mesmo excluídas dos diários de bordo e arquivos oficiais. O “Lendárias & Portuárias”, produção do Juicy Santos, conversa com Irene Jacobs, curadora do museu, que analisa como a integração entre porto e cidade depende da preservação da memória e de uma visão cultural estratégica. Para a executiva, o olhar feminino tem sido um pilar para humanizar a tecnologia e fortalecer o elo entre a comunidade e a zona portuária.
👩🏾⚕️ Saúde
Mulheres não brancas e indígenas tiveram barreiras maiores para realizar o exame de rastreamento do câncer do colo do útero no Sistema Único de Saúde (SUS). Pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em parceria com o Instituto Nacional de Câncer, revelam que, entre 2021 e 2023, foi observada maior cobertura do exame entre mulheres brancas (43,71%). A proporção de mulheres rastreadas caiu para 36,2% entre não brancas e 37,58% entre indígenas. A Agência Bori destaca que o estudo mapeou também desigualdades regionais: enquanto quase metade das mulheres do Sul e do Sudeste já foi examinada, os números do Norte e do Centro-Oeste equivalem a cerca de um terço. A pesquisa ainda indicou que o país está aquém do recomendado pela Organização Mundial da Saúde, que estabelece como meta que, até 2030, 70% das mulheres tenham realizado ao menos um teste de rastreamento até os 35 anos. A cobertura média nacional foi de apenas 39%.




