O rastro do dinheiro de 'Dark Horse' e as doulas reconhecidas por lei
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🔸O deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuou como produtor-executivo do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, com participação em decisões estratégicas e financeiras do projeto. O Intercept Brasil revela um contrato assinado por Eduardo em 2024 que o colocava, ao lado de Mario Frias (PL-SP) e da produtora GoUp Entertainment, na gestão da captação de recursos, orçamento e articulação com investidores. O material contradiz declarações feitas por Eduardo nas redes sociais de que teria apenas cedido direitos de imagem para o filme. Há mensagens em que o deputado cassado discute formas de transferir recursos aos Estados Unidos e sugere acelerar remessas para evitar dificuldades bancárias. A Polícia Federal apura se parte dos US$ 24 milhões prometidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar “Dark Horse” teria sido usada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA
🔸 O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o fim da escala 6x1 é pauta prioritária da Casa em maio. Segundo o Metrópoles, ele disse esperar entregar até o fim do mês uma proposta de consenso sobre o tema, com o objetivo de construir “um texto de convergência” sobre a pauta. A Agência Pública mostra que duas emendas apresentadas na comissão especial da Câmara que discute o fim da escala 6x1 propõem adiar em até dez anos a redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas e a garantia de dois dias seguidos de descanso. As propostas já reúnem apoio de mais de 170 deputados, entre eles Nikolas Ferreira (PL-MG), Bia Kicis (PL-DF), Ricardo Salles (NOVO-SP) e Zé Trovão (PL-SC). Parte das flexibilizações defendidas por empresários já passou a ser considerada nas negociações conduzidas pelo relator, deputado Léo Prates (Republicanos-BA).
🔸 “Junto com a discussão da escala 6x1, precisa também vir um debate sobre o salário mínimo brasileiro e o salário mínimo-hora, além de como a gente consegue criar políticas de valorização real dessa remuneração.” A afirmação é da economista Gabriela Chaves, fundadora da plataforma de educação econômica Nufront Empoderamento Financeiro. Em entrevista à Alma Preta, ela destaca que o modelo atual de trabalho vem de uma herança da cultura escravocrata brasileira e critica discursos que classificou como “terrorismo econômico” por parte do mercado financeiro, do agronegócio e de multinacionais. “Eles fazem lucro a partir das expectativas que são criadas. Por isso, é muito funcional um discurso de alarmismo social”, afirma.
🔸 O Brasil se prepara para as eleições com pressão renovada sobre o debate público digital. A proximidade traz memórias do pleito de 2022 quando a desinformação sobre as urnas eletrônicas alimentou a radicalização bolsonarista e culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023. O quarto episódio de “Ctrl+Fake: a Desinformação como Projeto de Poder”, série documental do Aos Fatos, mostra como a invasão dos Três Poderes em Brasília foi alimentado por uma retórica desinformativa que começou muito antes de 2018. O episódio resgata falas golpistas de Jair Bolsonaro (PL) e as campanhas de desinformação usadas por ele e aliados para desacreditar as urnas. A diretora executiva do Aos Fatos, Tai Nalon, reconstrói a escalada autoritária do ex-presidente desde a campanha de 2018 até o silêncio após a derrota eleitoral em 2022.
📮 Outras histórias
Um oásis verde no meio de Curitiba foi alvo de uma operação surpresa de corte de árvores pela prefeitura. A ação ocorreu na avenida Arthur Bernardes, um parque linear numa das principais artérias da cidade. Moradores de bairros como Santa Quitéria, Vila Izabel e Seminário acusam o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) de descumprir o compromisso de avisar previamente sobre o corte de centenas de árvores. O Plural conta que a administração fez a derrubada de surpresa para evitar mobilizações e ações judiciais. Durante dois anos, os moradores participaram de discussões sobre o projeto e defendiam a preservação da área verde. Em seu lugar, a prefeitura pretende instalar um miniterminal de ônibus, com a promessa de reduzir em cerca de três minutos o tempo de deslocamento e permitir integração tarifária.
📌 Investigação
Enquanto imploram por uma dragagem no rio Beberibe há mais de uma década, moradores de Recife e Olinda que vivem às margens do rio enfrentam mais uma enchente. A Marco Zero visitou as comunidades impactadas para acompanhar a situação. Debaixo da ponte Campina do Barreto, que liga Recife a Olinda, o que restou, do lado olindense, foram entulhos, em meio à sujeira e ao odor forte de lixo misturado com animais mortos. A última dragagem foi em 2013, penúltimo ano da segunda gestão do então governador Eduardo Campos (PSB). Em 2024, a vice-governadora Priscila Krause (PSD) celebrou o anúncio de que a dragagem estaria na iminência de ser licitada. Quase dois anos depois, a obra capaz de resolver boa parte do problema dessas famílias ainda não saiu do papel, apesar de a empresa contratada em fevereiro de 2025 já ter realizado os estudos técnicos e elaborado os projetos executivos.
🍂 Meio ambiente
“O Parque Estadual do Cânion do Rio Poti possui alta biodiversidade e relevância hídrica, mas sua importância contrasta com as vulnerabilidades, como os impactos antrópicos e a fragilidade na gestão. O ordenamento do uso público é essencial para garantir a conservação a longo prazo”, afirma Samuel Portela, coordenador de Conservação da Biodiversidade da Associação Caatinga. A Eco Nordeste detalha que o Cânion do Poti, entre Ceará e Piauí, é uma joia histórica, geológica e ambiental, que enfrenta o desafio do avanço do turismo predatório. Diante desse cenário, a criação de Unidades de Conservação (UCs) se tornou o principal meio de defesa da região. Só no Ceará, foram criadas cinco novas UCs, regulamentadas por decretos estaduais no fim de 2025, com objetivo de criar uma barreira legal contra o desmatamento e as queimadas.
📙 Cultura
Prédio centenário do Centro de São Paulo, o edifício Santa Victoria abriga agora o Brechó Vertical, conjunto de brechós de moda urbana (streetwear). Sua singularidade atrai jovens, consumidores com consciência ambiental, curiosos em busca de economia e colecionadores. Segundo a Emerge Mag, com peças que parecem saídas de filmes dos anos 1980 e 1990, roupas contemporâneas que ganham uma segunda chance e objetos inesperados que carregam histórias silenciosas, o espaço alia encontros, lembranças e novas formas de vivenciar a moda. “Aqui a gente garimpa de verdade. É roupa que você não encontra em qualquer lugar. Cada pessoa acha um pedaço de si em alguma peça”, afirma João Pedro Peres, fundador do Item Raro, uma das lojas que compõem o Brechó Vertical. O lojista escolhe com atenção os itens que vão à venda, buscando peças que carregam identidade e exclusividade.
🎧 Podcast
Doulas periféricas têm transformado o cuidado em uma ferramenta de acolhimento, resistência e transformação social. A regulamentação da doulagem como profissão, sancionada pelo presidente Lula (PT) no mês passado, reflete as discussões sobre políticas públicas de cuidado, parto humanizado e acesso a direitos para gestantes das periferias, uma vez que pessoas negras e usuárias da rede pública estão entre as mais afetadas pela violência obstétrica. O “Cena Rápida”, produção do Desenrola e Não Me Enrola, conversa com a doula Mariana Pimentel e com Monique Eleotério, uma das idealizadoras do Coletivo Quilomba. Elas analisam como a nova legislação pode impactar seus trabalhos e os desafios enfrentados por doulas e por gestantes dentro do sistema de saúde.
✊🏾 Direitos humanos
Depois de 20 anos, nenhum agente de Estado foi responsabilizado pela reação aos Crimes de Maio. Em 2006, o Primeiro Comando da Capital (PCC) deflagrou rebeliões em 74 penitenciárias de São Paulo. Também foram feitos ataques armados a postos, delegacias, viaturas e prédios públicos, além de ônibus incendiados. Em resposta, a Polícia Militar de São Paulo promoveu execuções, chacinas e desaparecimentos de pessoas em regiões das periferias, em geral, homens negros. Ao todo, foram 564 mortos no estado de São Paulo em dez dias. O Nexo ouviu especialistas que analisam a ação de revide dos policiais, com vítimas que sem vínculo comprovado com a facção. A violência estatal foi apagada das narrativas oficiais sobre o episódio. “O que se viu até hoje é que existem muitas falhas nas investigações. Não teve sequer identificação de autoria. As próprias corporações envolvidas são as que fizeram as investigações. Faltaram apurações realmente independentes”, afirma a advogada Caroline Leal.




