O 'quem é quem' na organização de Vorcaro e o aumento dos golpes com Pix
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🔸“Não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil. Como as eleições americanas são um problema deles, não um problema meu.” O recado do presidente Lula (PT) ao mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, foi dado em entrevista do brasileiro na França após a cúpula do G7. A CartaCapital explica que, na terça-feira, Trump havia afirmado que o Brasil vive uma situação política “complicada” e sugeriu que integrantes da família Bolsonaro estariam sendo perseguidos. Em resposta, Lula disse esperar que os EUA respeitem a soberania brasileira e afirmou que Trump pode continuar simpatizando com a família Bolsonaro, mas sem ultrapassar os limites das relações entre Estados: “Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto. Não tem nenhum problema. É um problema dele. Afinal de contas, gosto não se discute”.
🔸 Um relatório da Polícia Federal mostra que “A Turma”, milícia privada do banqueiro Daniel Vorcaro, tinha o apoio de uma forte estrutura armada para se proteger, com o uso de fuzis e blindados. Segundo a investigação, “A Turma” realizava ações de monitoramento e intimidação de desafetos Daniel e seu pai, Henrique Vorcaro. O Metrópoles destaca que, de acordo com a PF, o operador do jogo do bicho Manoel Mendes Rodrigues seria o responsável pela segurança do grupo. Os investigadores afirmam que ele liderava uma organização armada no Rio de Janeiro, defendia a execução de policiais não alinhados ao grupo e colocava esse aparato à disposição dos interesses econômicos da família Vorcaro. A PF preparou um organograma para o Supremo Tribunal Federal (STF) mostrando quem é quem na organização criminosa liderada por Vorcaro. Além de “A Turma”, havia “Os Meninos”, grupo formado por hackers encarregados de invasões de dispositivos eletrônicos, monitoramento digital e ataques cibernéticos contra alvos de interesse do banqueiro.
🔸 O STF aprovou ontem a nova tese sobre a responsabilidade das plataformas digitais sobre conteúdos postados por seus usuários. As empresas terão 60 dias para implementar as mudanças. O novo texto é uma resposta aos recursos apresentados por plataformas e entidades civis, que questionavam itens estabelecidos em junho do ano passado. Segundo o Jota, uma das mudanças mais relevantes é que o texto passou a prever que a regulamentação do tema pode ser feita tanto pelo Congresso quanto pelo Poder Executivo, reforçando os decretos editados recentemente pelo governo Lula. A decisão mantém a responsabilização das plataformas quando, após notificação da vítima, elas não removerem conteúdos ilícitos. Nesses casos, poderão ser obrigadas a indenizar os danos, sem necessidade de ordem judicial prévia. Para especialistas, embora a decisão reduza algumas controvérsias, ainda deixa dúvidas sobre os limites da atuação das plataformas na moderação de conteúdo.
🔸 A propósito: um ano depois de o STF ampliar a responsabilização das plataformas, o que mudou? A regulação das redes no Brasil avançou por diferentes frentes, mas especialistas avaliam que ainda falta uma legislação abrangente aprovada pelo Congresso. O Nexo explica o julgamento desta semana e as frentes de regulação do último ano. A decisão da Corte, tomada em 2025 e revisada agora em 2026, determinou que plataformas podem ser responsabilizadas por não removerem conteúdos relacionados a crimes graves, como terrorismo, racismo, homofobia, golpe de Estado, exploração sexual infantil e discurso de ódio. Além da atuação do Supremo, o governo Lula aprovou novas regras para o ambiente digital. Entre elas estão o ECA Digital, em vigor desde março de 2026, que cria mecanismos de proteção para crianças e adolescentes online.
📮 Outras histórias
A Copa do Mundo inspirou a artesã e advogada Ana Beatriz Conceição, de Salvador, a criar uma coleção de roupas de crochê nas cores da seleção brasileira. As peças, vendidas pela marca Crôbaiana, dialogam com a tendência do “Brasilcore” e buscam valorizar a identidade cultural brasileira para além da tradicional camisa da seleção. A Alma Preta conta que a iniciativa também reflete uma trajetória pessoal de superação: Ana Beatriz começou a fazer crochê durante um tratamento oncológico, inicialmente como atividade terapêutica. Com o tempo, passou a receber encomendas e transformou o hobby em um negócio. “As pessoas têm gostado bastante das minhas peças. Tenho a característica de ser perfeccionista e cuidadosa nas coisas que realizo, e isso se demonstra na qualidade e no amor que coloco em todo meu trabalho. Senti que as pessoas ficaram inspiradas também pela minha história”, afirma.
📌 Investigação
Cerca de 33% dos golpes virtuais tiveram o Pix como método de pagamento entre os casos analisados entre maio de 2025 e abril deste ano pelo relatório “A Jornada dos Golpes”, produção da Agência Lupa. Entre 2024 e 2025, esse sistema de pagamento apareceu em 25% dos casos. A preferência dos golpistas pelo Pix se deve à rapidez das transações, em comparação com os cartões de crédito, cujas operadoras costumam identificar e barrar movimentações suspeitas com mais agilidade. O documento também revela que houve uma mudança na estratégia dos golpes. Os criminosos deixaram de lado promessas genéricas e passaram a explorar com mais frequência fatos reais em alta no noticiário, marcas conhecidas e acontecimentos amplamente divulgados para dar credibilidade às fraudes.
🍂 Meio ambiente
Inspiradas em uma lei federal assinada por Bolsonaro, 36 municípios do Rio Grande do Sul adotaram legislações que fragilizam as Áreas de Proteção Permanente (APPs) urbanas. Entre eles, estão municípios atingidos pelas piores enchentes da história, em 2024. O Eco explica que, além da insegurança jurídica, as medidas expõem as cidades ainda mais à vulnerabilidade ambiental, uma vez que a redução da metragem de áreas que protegem nascentes e margens de rios e que asseguram estabilidade do solo são fundamentais para o escoamento da água das chuvas, a segurança hídrica e o equilíbrio climático. “A maioria das leis não foi precedida de diagnóstico, não teve prévia aprovação dos Conselhos Estadual e Municipal de Meio Ambiente, tampouco passou pela aprovação do Comitê de Bacia Hidrográfica”, afirma Ana Maria Moreira Marchesan, procuradora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público do Rio Grande do Sul.
📙 Cultura
Para garantir a preservação do Yaathe, língua do povo Fulni-ô, e engajar crianças e adolescentes em seu uso, a produtora pernambucana Tempoo, com pesquisa do produtor cultural Mateus Guedes e da doutora em linguística Fábia Fulni-ô, exploram o formato de videoaula para o ensino do idioma. Em entrevista à Revista O Grito!, Guedes explica o conceito do projeto. “A gente queria trabalhar uma videoaula de uma forma mais artística, mais livre, trabalhando a parte da emoção junto com a com a transmissão das palavras”, afirma. “Enquanto eu trazia a parte da pesquisa, o povo Fulni-ô trouxe toda a parte do saber e da pesquisa da língua”. O conhecimento tradicional indígena de preservação do Yaathe foi integrado “de uma forma muito colaborativa e horizontal”.
🎧 Podcast
“A milícia transforma o que antes era um crime calcado no tráfico de drogas em domínio de território, domínio sobre a vida das pessoas. Ela muda a política e a economia do crime”, afirma Marcelo Freixo, ex-deputado estadual no Rio de Janeiro e ex-deputado federal. Ele presidiu a CPI das Milícias e a CPI das Armas na Assembleia Legislativa do Rio. As Cunhãs recebem Freixo para falar sobre seu novo livro “Viver é Perigoso”, em parceria com o jornalista Bruno Paes Manso, e sobre como as milícias e as facções transformaram a segurança pública no Brasil e se entranharam no poder, com um projeto político e econômico. O ex-parlamentar também aborda os bastidores do filme “Tropa de Elite 2”, de José Padilha, cujo personagem Diogo Fraga, interpretado pelo ator Irandhir Santos, foi inspirado nele.
👩🏾⚕️ Saúde
A pandemia de Covid-19 matou três vezes mais entre 2020 e 2023 do que os números oficiais da época. O relatório “Estatísticas Mundiais de Saúde”, apresentado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no mês passado, revela que foram 22,1 milhões de mortes no mundo, ao contrário dos 7 milhões de vítimas que foram reportadas anteriormente. No Conversation Brasil, a pesquisadora Eliara Santana reúne os principais pontos do documento e como a “desinfodemia” – excesso de desinformação sobre a doença – foi fundamental para o agravamento da pandemia. “O ecossistema de desinformação atuou fortemente para uma produção deliberada de conteúdo falso, falseado e de mentiras e uma disseminação massiva desses conteúdos no Brasil durante o período da pandemia e na vigência do governo Jair Bolsonaro.”




