🔸 O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu a propaganda eleitoral de Renan Santos (Missão) em perfis de redes sociais que não haviam sido informados à Justiça Eleitoral. Segundo o Jota, a decisão também suspende a participação do candidato em debates e o repasse de recursos do Fundo Eleitoral, mas não retira sua candidatura. Ao todo, 16 perfis foram comunicados ao TSE 12 dias depois do pedido de registro. “As redes não informadas beneficiam-se de algoritmos opacos e se furtam ao controle social e legal. Dissimulam-se como usuários comuns, transitando à margem do espaço legítimo de disputa no ambiente digital”, disse o ministro. Toffoli destacou que apenas uma das contas tem mais de 2,4 milhões de usuários e fixou prazo de 6 horas para que os perfis sejam excluídos dos sistemas de recomendação das plataformas.
🔸 A campanha de Renan Santos, aliás, transformou a produção de vídeos curtos em uma estratégia organizada de mobilização digital. A revista piauí conta que militantes são incentivados a produzir e distribuir cortes do candidato. O partido lançou um aplicativo no qual apoiadores recebem tarefas diárias e aparecem em rankings municipais, estaduais e nacionais. O próprio app reúne vídeos de Santos catalogados por tema, região e palavra-chave e se apresenta como “o arsenal da militância”. A estrutura se conecta ao curso “Máquina de Cortes”, divulgado pela revista “Valete”, do MBL, e revelado pelo Intercept Brasil. O curso prometia formar “engenheiros de narrativas” capazes de ganhar dinheiro editando conteúdos para redes sociais. A reportagem também mostra como a lógica das redes influencia o próprio conteúdo político. A campanha usa “rage baits”, vídeos construídos para provocar raiva ou choque e aumentar a retenção, além de propostas e falas deliberadamente estridentes.
🔸 Candidato à Presidência pelo Avante, Augusto Cury saltou de 2% para 11% na corrida eleitoral, segundo pesquisa BTG/Nexus. No levantamento da AtlasIntel/Bloomberg, passou de 1,6% para 7,8%. Segundo a CartaCapital, o avanço ocorreu depois de uma semana de forte exposição: debate na Band, sabatina na Globo, início do horário eleitoral e explosão de vídeos e cortes nas redes. Até o debate, Cury representava 0,35% das menções aos presidenciáveis nas redes; poucos dias depois, esse índice chegou a 13,5%, com predominância de referências positivas ligadas a equilíbrio, sensatez e menor agressividade. A candidatura também se beneficiou de uma audiência já construída fora da política. Médico psiquiatra, professor e escritor conhecido por livros sobre comportamento e inteligência emocional, Cury ganhou 2,6 milhões de seguidores em uma semana e somou 6,7 milhões de interações, atrás apenas de Flávio Bolsonaro (PL). No Google, foi o segundo presidenciável mais buscado no período, atrás de Lula.
🔸 O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueiredo mantêm alto padrão de vida nos Estados Unidos (EUA), apesar de ambos já terem afirmado enfrentar dificuldades financeiras por causa do que chamam de “perseguição política”. Levantamento da Agência Pública e do ICL Notícias mostra que, desde que se mudaram para o país, os dois passaram a viver em imóveis milionários, compraram carros caros e acumularam uma extensa agenda de viagens. Eduardo vive com a família em Southlake, uma das cidades mais ricas do Texas, numa casa avaliada em US$ 1,22 milhão. A filha mais velha estuda em uma escola cristã cujo valor anual é de cerca de R$ 93 mil. Desde fevereiro de 2025, Eduardo fez ao menos 20 viagens. Figueiredo também elevou seu padrão de vida. Em novembro de 2025, comprou uma mansão de US$ 1,2 milhão, cerca de R$ 6,1 milhões, na Flórida, e, seis meses depois, adquiriu uma Cybertruck da Tesla avaliada em cerca de R$ 428 mil.
📮 Outras histórias
O Rio Grande do Sul deve se preparar para uma frequência maior de dias chuvosos e temporais até o fim do ano, diante do El Niño, alerta Pedro Murara, doutor em Geografia, professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e presidente da Associação Brasileira de Climatologia. Em entrevista ao Sul21, o pesquisador afirma que os volumes projetados permitem antecipar os riscos associados ao excesso de precipitação. Murara relaciona o impacto dos eventos extremos também à forma como as cidades foram ocupadas, com retirada de vegetação, impermeabilização do solo e expansão urbana em áreas suscetíveis a inundações. “Planejamos nossas cidades de modo que elas se tornaram o próprio risco para o ser humano que as ocupa”, diz.
📌 Investigação
A campanha de Sheila Klener (PSDB) a deputada estadual em Mato Grosso é financiada por dois nomes do setor mineral cujos empreendimentos receberam licenças ambientais assinadas pela própria candidata em sua atuação como servidora da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), revela a Repórter Brasil. Klener arrecadou R$ 130 mil: R$ 100 mil de Valdinei Mauro de Souza, o Nei Garimpeiro, e R$ 30 mil do geólogo Wagner Lopes Gheler, presidente da cooperativa Nossacoop. Em 19 de março deste ano, Klener assinou no mesmo dia uma licença para Nei Garimpeiro extrair minerais metálicos em Poconé e outra para a Nossacoop explorar metais preciosos em Peixoto de Azevedo. A reportagem localizou ao menos três outras licenças concedidas a Nei Garimpeiro desde 2023 com a assinatura da servidora. O empresário acumula cinco autos de infração do Ibama, que somam R$ 1,066 milhão.
🍂 Meio ambiente
Todos os candidatos aos governos dos estados da Amazônia citam a crise climática em seus programas e prometem planos para enfrentar eventos extremos. Para especialistas ouvidos pelo Amazonas Atual, porém, enfrentar o problema exige mais do que criar novos programas. A região ainda convive com problemas estruturais graves: em 2025, cinco das sete capitais do Norte ficaram entre as últimas colocadas do país em saneamento básico. Em Manaus, 67,6% da população não tem acesso à rede de esgoto e cerca de 112 mil pessoas vivem em áreas de risco. “O desafio não é simplesmente criar mais um plano climático, mas incorporar o componente climático no planejamento: nos planos diretores, planos de saneamento, planos de mobilidade, planejamento habitacional, licenciamento, orçamento público e decisões de infraestrutura”, afirma José Francisco, professor da Universidade Federal do Amapá (Unifap).
📙 Cultura
Conhecido como a “Enciclopédia do Cariri”, Francisco Huberto Esmeraldo Cabral era uma das principais referências sobre a memória cultural da região e sobre a trajetória de Luiz Gonzaga. O Farofafá conta que ele ajudou a estruturar o espaço dedicado ao músico em Exu (PE), a pedido de Gonzagão, e o Museu Bárbara de Alencar, na Fazenda Caiçara. O jornalista Jotabê Medeiros lembra ainda que o historiador guardava detalhes minuciosos da história do sertão e contava ter visto Gonzaga pela primeira vez em 1946, durante o primeiro show do sanfoneiro no Ceará, no Cine Cassino, no Crato. Jornalista, radialista e memorialista, Cabral morreu aos 89 anos, em Juazeiro do Norte, após cerca de um mês internado para tratar uma infecção pulmonar.
🎧 Podcast
Carlos Lacerda e Leonel Brizola ocuparam campos opostos da política brasileira, mas compartilhavam uma característica: os dois entenderam o poder da comunicação. “Lacerda tinha uma eloquência, um jeito culto de se expressar. O Brizola era mais das metáforas, mais popular”, resume a jornalista Karla Monteiro, autora do recém-lançado “Brizola: Lobisomem contra o Império”. No “451 MHz”, produção da Quatro Cinco Um, ela e o também jornalista Mário Magalhães, que acaba de lançar “Lacerda: Coração de Tempestade”, revisitam as trajetórias de seus biografados. Magalhães lembra que Lacerda ajudou a introduzir o lide no jornalismo brasileiro quando dirigia a Agência de Notícias Meridional, nos anos 1940: “O Carlos Lacerda emitia comunicados dizendo que tinha acabado o ‘nariz de cera’, aquela embromação no início – agora é o lide”. Brizola, por sua vez, ganhou o apelido de “lobisomem” pelos longos discursos noturnos no rádio e teve na Rede da Legalidade, em 1961, um de seus momentos mais marcantes.
✊🏾 Direitos humanos
Um novo modelo de segurança preventiva, pautada nos direitos humanos e construída a partir dos territórios e da participação popular. Essa ideia foi o eixo da 1ª Conferência Popular de Segurança Pública do Brasil, realizada em Fortaleza, que reuniu movimentos e fóruns de diferentes regiões do país. A Ponte informa que o encontrou chegou a 27 propostas para a área, como o uso obrigatório de câmeras corporais por policiais, o combate à militarização, políticas de reparação e cuidado para familiares de vítimas da violência policial, mudanças na política de drogas e mais investimento em prevenção social. Maria Ramos, do Coletivo Mães Pela Paz, de Goiás, levou à conferência reivindicações que já defendia em seu estado. Mãe de uma das vítimas da chacina do Solar Bougainville, em que quatro adolescentes foram mortos por policiais, ela critica uma lógica de segurança baseada em força e armas. “A gente não faz segurança com a força bruta. A gente não faz segurança só com armas”, afirma.



