O processo contra Virgínia por divulgar bets e os 'cafetões digitais'
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🔸Empresários do Brasil e dos Estados Unidos tentam evitar a aplicação do novo tarifaço sobre produtos brasileiros. Em carta enviada ontem a representantes dos dois países, a Amcham, a Confederação Nacional da Indústria e a U.S. Chamber of Commerce pediram mais tempo para negociações e defenderam a construção de um acordo de curto prazo para encerrar a investigação conduzida pelos EUA. O Metrópoles informa que o documento foi encaminhado, no Brasil, ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Nos Estados Unidos, a carta foi enviada ao representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, e ao secretário de Estado, Marco Rubio. “Às vésperas do prazo final da investigação, é essencial um esforço concentrado dos governos do Brasil e dos Estados Unidos para viabilizar um acordo que evite a aplicação das tarifas e abra espaço para uma agenda mais ampla de fortalecimento da relação econômica bilateral”, afirmou o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto.
🔸 O publicitário Thiago Miranda foi alvo de nova fase da Operação Compliance Zero. Dono da agência MiThi, ele seria responsável pelo recrutamento e contratação de influenciadores e jornalistas para atuarem a favor do Banco Master. Segundo a investigação da Polícia Federal, o objetivo era descredibilizar instituições públicas, como o Banco Central. Em caso de recusa, o publicitário usava informações sigilosas obtidas de forma ilícita para “intimidar ou coagir” as pessoas. O Jota ressalta que o levantamento de dados confidenciais e até de informações familiares teria atingido jornalistas como Malu Gaspar, do jornal “O Globo”, e o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy.
🔸 O governo federal vai endurecer as regras para a publicidade de apostas esportivas. Ontem, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou a publicação de duas portarias, estabelecendo as novas restrições. Segundo a CartaCapital, a principal mudança será a obrigatoriedade de incluir uma advertência em toda propaganda de apostas, com uma das seguintes mensagens: “Apostar faz você perder dinheiro”; “Apostar pode causar dependência”; e “Aposta não é investimento”. As novas regras também restringem a forma como as empresas podem promover as apostas. Será proibido apresentar apostas como alternativa de renda, investimento ou solução para dificuldades financeiras, bem como criar senso de urgência para estimular o público a apostar imediatamente. Além disso, o governo vedará a mistura de comentários técnicos sobre eventos esportivos com recomendações que incentivem determinadas apostas.
🔸 A propósito: a influenciadora Virgínia Fonseca e a plataforma de apostas Blaze estão no centro de um processo protocolado pelo Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios. A ação pede que sejam condenados ao pagamento de, no mínimo, R$ 120 milhões por danos morais coletivos. O Notícia Preta detalha que, antes de recorrer à Justiça, o órgão conduziu uma investigação sobre a atuação da Blaze, reunindo mais de 42 mil reclamações de usuários, além de apurar denúncias de retenção de valores, bloqueio de contas, dificuldades para saque e ofertas consideradas abusivas. Um dos episódios destacados pelo documento ocorreu durante a Copa do Mundo de 2026. Segundo a ação, Virgínia publicou um vídeo incentivando seus 56,7 milhões de seguidores a apostarem na vitória de Cabo Verde sobre a Argentina, sem sinalizar de forma clara que se tratava de publicidade.
📮 Outras histórias
Mato Grosso é o segundo estado com mais barragens sob atenção prioritária. São 85 estruturas classificadas por órgãos fiscalizadores dessa forma para a gestão de segurança em 2025, segundo o Relatório de Segurança de Barragens de 2026. O estado está atrás apenas do Rio Grande do Norte, que soma 90 barragens nessa condição. Em todo o país, são 404 estruturas consideradas prioritárias para acompanhamento. O Eh Fonte destaca que a aquicultura é o uso mais frequente entre as barragens com essa classificação em Mato Grosso, com 24 estruturas. Apesar da segunda posição no ranking nacional, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso está entre os 13 órgãos fiscalizadores do país que ainda não possuem sistema próprio de cadastro e gestão de barragens, dependendo exclusivamente do Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens.
📌 Investigação
Imagens de crianças feitas por IA circulam no TikTok sem consentimento dos responsáveis para impulsionar perfis e, em alguns casos, para promover a venda de produtos. A Lupa identificou ao menos cinco deepfakes com o rosto de Mavie, 2 anos, filha do jogador Neymar Jr e da influenciadora Bruna Biancardi. Publicados entre maio e junho deste ano, os conteúdos somaram mais de 30 mil curtidas até serem removidos após denúncia feita pela reportagem. Dezenas de publicações identificadas usam imagens de outras crianças para atrair seguidores. Os casos violam as Diretrizes de Comunidade do TikTok, o direito à imagem e personalidade de crianças, que estão garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Além disso, o ECA Digital, que entrou em vigor em março deste ano, determina que plataformas de redes sociais e provedores de internet adotem o “modelo mais protetivo disponível em relação à privacidade e à proteção de dados pessoais” de crianças e adolescentes.
🍂 Meio ambiente
Com a previsão de um El Niño mais intenso neste ano, a Defesa Civil do Rio Grande do Sul entra em alerta novamente. Em 2024, o fenômeno foi um dos fatores que provocou enchentes e enxurradas que atingiram 96% dos municípios do estado, matando 185 pessoas. A cheia superou a estrutura de proteção em pelo menos 18 locais da Região Metropolitana de Porto Alegre, com sete falhas no sistema. O Matinal mostra que, dois anos depois do desastre, as ilhas e a zona sul permanecem como os locais mais vulneráveis, onde a proteção definitiva contra cheias sequer saiu do papel. No mês passado, a prefeitura apresentou a moradores e lideranças comunitárias dos bairros Guarujá e Serraria três alternativas para conter enchentes na região. Enquanto as propostas não são concretizadas, um plano emergencial baseado em barreiras móveis, grandes sacos de areia e bombas flutuantes pode servir como dique provisório.
📙 Cultura
Escola de teatro do Morro do Vidigal, o Grupo Nós do Morro completa 40 anos em 2026. Para comemorar a data, a instituição da comunidade da zona sul do Rio de Janeiro está com uma nova diretoria, formada por ex-alunos, e lançou uma campanha de arrecadação online para conseguir recursos para reabrir as portas. O objetivo é democratizar o acesso à arte e à educação e fortalecer a formação de novas gerações de artistas. Segundo o Voz das Comunidades, ao longo das últimas quatro décadas, mais de 21 mil estudantes passaram pelo projeto, dos quais mais de 500 se tornaram profissionais que atualmente trabalham no teatro, no cinema, na televisão e em outras áreas da cultura. Ao todo, foram 15 espetáculos e mais de 200 montagens feitas pelos alunos.
🎧 Podcast
Nas redes sociais, frequentemente surgem novas “curas” para o câncer. São práticas sem comprovação científica que fazem com que pacientes abandonem seus tratamentos. Um estudo de 2023 do governo federal entrevistou 1.931 brasileiros, e mais da metade acreditava que existem curas para o câncer que foram escondidas do público. O “Ciência Suja”, produção da NAV Reportagens, recebe a oncologista Marina Sahade, professora da Faculdade Sírio-Libanês e coordenadora do comitê científico do Oncoguia, para explicar por que as teorias da conspiração sobre a doença são tão fortes e como enfrentá-las. Para a pesquisadora, a desigualdade de acesso aos tratamentos é um fator que deixa mais pacientes vulneráveis à desinformação.
📖 Para ler no fim de semana
Em meio a um vácuo legal, os erobots – “robôs eróticos” – estão transformando a pornografia. São personagens criados por IA para a criação de conteúdos de teor sexual. A internet vive hoje uma profusão de vídeos eróticos – alguns explicitamente pornográficos, outros não – estrelados por personagens criados pelas ferramentas. Alguns deles se tornaram celebridades. O caso mais famoso é o de Emily Pellegrini, uma modelo fictícia de 23 anos que chegou a ter meio milhão de seguidores no Instagram. A revista piauí destaca que, com o aumento de conteúdos eróticos sintéticos, existem cursos para se tornar um “cafetão digital”. O jovem gaúcho Guilherme Kupke é um dos mais conhecidos na venda dessas formações. Além de ensinar a criar mulheres artificiais, ele ensina táticas para conversas com potenciais clientes.



