A prisão de Ramagem nos EUA e o descaso com a menopausa nas periferias
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🔸O ex-deputado Alexandre Ramagem foi preso nos Estados Unidos pelo ICE, agência de Imigração e Controle de Alfândega, depois de meses foragido em Orlando, na Flórida. Condenado a mais de 16 anos de prisão por participar da trama golpista, ele ficou inelegível por oito anos, perdeu o cargo de delegado e teve seu mandato cassado na Câmara. O Nexo explica o passo a passo que terminou com a detenção de Ramagem nos EUA. A fuga ocorreu no mesmo período em que o Supremo Tribunal Federal (STF) analisava o núcleo central da tentativa de golpe. Ele saiu do Brasil via Roraima, cruzou a fronteira com a Guiana e seguiu para Miami com passaporte diplomático. Mesmo com ordem judicial para não deixar o país, não entregou os documentos às autoridades. Meses depois, teve o paradeiro revelado, e o mandato cassado. Já nos EUA, Ramagem alegou perseguição política enquanto buscava asilo.
🔸 Ramagem, aliás, pode ser deportado: seu visto está vencido desde o dia 10 de março. Segundo documento obtido pelo Metrópoles, o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês) informa que o ex-deputado entrou no país com visto de turista em setembro de 2025, mas permaneceu no território após o vencimento. Preso pelo ICE em Orlando por questões migratórias, Ramagem foi levado a um centro de detenção e passou a responder a processo de remoção. A reportagem lembra que ele perdeu o visto diplomático quando teve o mandato cassado pela Câmara, em dezembro de 2025.
🔸 “A legitimidade dos ministros [do STF] não se limita à nomeação, mas precisa ser mantida ao longo do exercício do cargo”, disse a ministra do STF Cármen Lúcia, durante um evento em São Paulo. Em meio a críticas à Corte, ela disse que “não interessa à sociedade” que o Supremo perca essa legitimidade e que os magistrados devem responder aos questionamentos. O Jota detalha as falas da ministra que reconheceu que parte das críticas ao STF se baseia em fatos, enquanto outra decorre da maior exposição do Judiciário. Segundo ela, os ministros têm se dedicado a analisar essas cobranças e a visibilidade torna natural o aumento das críticas. Cármen Lúcia evitou comentar casos específicos envolvendo colegas como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, mas defendeu transparência e maior conexão dos magistrados com a realidade fora de Brasília.
🔸 Maior mobilização indígena da América Latina, o Acampamento Terra Livre (ATL) abriu espaço para o lançamento de candidaturas e incorporou a disputa eleitoral como estratégia de enfrentamento a pautas anti-indígenas nas esferas de poder. A InfoAmazonia conta que ao menos 27 candidaturas devem disputar a Câmara dos Deputados em 2026. Para lideranças indígenas, a baixa representação institucional é um dos principais obstáculos à garantia de direitos. “Por algum tempo, o próprio movimento indígena resistia a trazer esse debate para o palco do ATL. Hoje, está mais do que comprovado que é fundamental termos nossa voz nesses espaços de decisão”, disse Sonia Guajajara, ex-ministra dos Povos Indígenas e pré-candidata a deputada federal. Temas como demarcação de terras, acesso a políticas públicas e proteção ambiental estão no centro das candidaturas.
🔸 A Petrobras pediu autorização ao Ibama para perfurar mais três poços na Bacia da Foz do Amazonas. A petroleira, que já trabalha em um poço de exploração na região desde outubro do ano passado, reforça a estratégia de avançar na Margem Equatorial. Segundo o Reset, em nota técnica, o Ibama respondeu que a Petrobras não apresentou cronograma ou custos de implementação dos poços adicionais, já que a execução depende dos resultados da exploração principal.
📮 Outras histórias
Mais de 50 mil agricultores do sertão do São Francisco, em municípios de Pernambuco e da Bahia, enfrentam risco de colapso produtivo. Os motivos: uma dívida milionária de energia e o sucateamento do sistema Itaparica de irrigação. Criado há 40 anos para reassentar famílias depois da construção da usina de Itaparica, o sistema sofre hoje com falhas históricas, falta de manutenção e equipamentos deteriorados, agravados após mudanças na gestão e na responsabilidade da operação. A Marco Zero conta que moradores da vila de Barreiras, em Petrolândia (PE), fazem há mais de um mês uma vigília para evitar o corte de energia por uma dívida superior a R$ 1 milhão. A dependência da energia é total – sem eletricidade, não há bombeamento de água, o que pode destruir lavouras em poucos dias.
📌 Investigação
A Agência Nacional de Mineração (ANM) concedeu autorizações excepcionais de pesquisa e extração de ouro em áreas limítrofes ou próximas a garimpos embargados na Amazônia por meio da Guia de Utilização, que permite, em caráter excepcional, a extração mineral antes da concessão definitiva da lavra garimpeira. A Repórter Brasil revela que as permissões foram dadas aos mesmos empreendedores implicados por órgãos de controle nas irregularidades que deram origem aos embargos. É o caso de uma área na borda da Terra Indígena Sararé, no Mato Grosso, uma das mais devastadas pela mineração ilegal de ouro. Em outubro, a ANM concedeu uma Guia de Utilização à Cooperativa de Extração de Metais e Pedras Preciosas de Pontes e Lacerda (Cooperlima) para a extração de ouro e engloba quatro áreas que contornam um garimpo da própria cooperativa embargado pelo Ibama.
🍂 Meio ambiente
Mais de 9 mil animais abatidos para consumo ou transporte de carne silvestre foram apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) entre 2017 e 2024. O número representa 9,3 toneladas de biomassa e revela que a caça ilegal no país é estrutural. É o que revela estudo inédito feito por seis pesquisadores brasileiros. No Conversation Brasil, eles reúnem os principais achados da pesquisa e analisam os padrões da caça ilegal. Foram identificadas 47 entre os registros da PRF, das quais sete estão oficialmente classificadas como ameaçadas de extinção. Os dados evidenciam um cenário muito mais preocupante: “As apreensões representam apenas uma fração do cenário potencial real em escala nacional. Existem limitações claras, mas que podem ser complementadas com fiscalização contínua em rodovias federais, sobretudo rodovias cujas apreensões de animais silvestres abatidos é recorrente”, escrevem os autores do estudo.
📙 Cultura
“Fazer arte drag no Brasil em si já é um ato político muito forte, porque é um país muito preconceituoso, LGBTfóbico e acabamos dando ‘a cara a tapa’”, afirma a drag queen Adora Black, que se destacou na segunda temporada de “Drag Race Brasil”. O reality show ganhou uma versão teatral “Drag Race Brasil – Ao Vivo” que está percorrendo o país com algumas das participantes mais icônicas da temporada para exibir as performances das artistas e celebrar à arte drag. Em entrevista à Revista O Grito!, Adora fala sobre sua vivência no programa e a experiência de transformar as apresentações da TV para o teatro. “Depois de meses da passagem pelo programa, o que mudou era o que mais buscava: poder me dedicar 100% para a minha arte.”
🎧 Podcast
“Nas conversas, nas discussões – não é só na literatura: é na política, é no comportamento –, a crítica em geral foi muito substituída pelo combate, pela agressão, pelo cancelamento, pela negação, pela surdez”, diz a escritora Beatriz Resende, professora emérita da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No “451 MHz”, produção da Quatro Cinco Um, Resende fala sobre o estado atual da crítica literária no Brasil e lembra do convívio com a crítica Heloísa Teixeira – morta no ano passado, aos 85 anos –, que exerceu grande influência em discussões sobre o feminismo e a literatura brasileira contemporânea. “Ela é sem dúvidas uma marca na reflexão crítica não só pela perspectiva, mas também pelo formato.”
👩🏾⚕️ Saúde
Mulheres das periferias de São Paulo que entram na menopausa têm desafios que vão além das ondas de calor, da irritabilidade e do sono ruim. Elas dependem do serviço público de saúde para fazer o acompanhamento ginecológico e enfrentam longas esperas por consultas e exames e descaso médico com a menopausa, mostra a Periferia em Movimento. “Às vezes demora um ano pra conseguir consulta com a médica que eu vou, mas como já sou paciente do posto eu consigo. Minhas amigas que vão em outras UBSs reclamam de atenção, que os médicos falam que é frescura e que a consulta demora pra sair”, relata Cassia Sibele Santos, moradora do bairro José Bonifácio, na zona leste. A reportagem lista ainda os principais sintomas da menopausa e como podem impactar o dia a dia das mulheres.




