As prioridades de Lula no Congresso e os maus-tratos a animais no país
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🔸 Com o fim do recesso, o Senado retoma hoje os trabalhos com foco na agenda econômica e fiscal, prioridade do governo para o primeiro semestre. O Congresso em Foco destaca a proposta que eleva a tributação sobre casas de apostas e setores do mercado financeiro, como fintechs e instituições de pagamento. O projeto, de autoria de Renan Calheiros (MDB-AL), está pronto para deliberação e prevê que a tributação das bets suba de 12% para 18% ao final do período, com a arrecadação destinada à seguridade social, especialmente à saúde. A pauta do Senado inclui ainda propostas de modernização do sistema tributário e fiscal, como a criação de uma nova Lei de Execução Fiscal, que autoriza a cobrança extrajudicial de débitos menores.
🔸 A propósito: o presidente Lula (PT) decidiu concentrar esforços no Congresso para aprovar pautas de forte apelo popular no primeiro semestre de 2026, antes que o calendário eleitoral esvazie o Legislativo. O governo trabalha com a expectativa de que, a partir de julho, a tramitação de projetos relevantes perca ritmo por causa do recesso, das campanhas nos estados e de eventos como a Copa do Mundo, o que reduz a presença de parlamentares em Brasília. A CartaCapital detalha as prioridades do Planalto – entre elas, o fim da escala 6 x 1, com a redução da jornada semanal sem corte de salários, tema que o governo quer votar ainda no primeiro semestre e que aliados comparam, em potencial eleitoral, à ampliação da isenção do Imposto de Renda aprovada em 2025.
🔸 Em várias cidades do país, manifestantes foram às ruas ontem para pedir justiça pelo cão Orelha, cachorro morto na Praia Brava, em Florianópolis (SC), no dia 4 de janeiro. Quatro adolescentes são suspeitos de agredir o cachorro, encontrado dias depois com ferimentos graves na cabeça e submetido à eutanásia. O Nexo mostra qual o cenário de maus-tratos a animais no país. Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que o número de ações passou de 245 em 2020 para 4.919 em 2025, um salto de 1.908%, com alta de 21,2% apenas entre 2024 e 2025. No Congresso, propostas buscam unificar e ampliar punições e discutem mudanças no Código Civil para retirar os animais da condição de bens, abrindo caminho para o reconhecimento de direitos e novas formas de responsabilização.
🔸 Mais de 2.700 trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em 2025, um aumento de 38% em relação a 2024, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Os resgates ocorreram sobretudo em setores como obras de alvenaria, administração pública, construção de edifícios, cultivo de café e extração de pedras. A Repórter Brasil lembra que o cenário é de crise institucional no combate ao trabalho escravo. Em 2025, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, interveio diretamente em processos administrativos e retirou ao menos três empregadores da chamada Lista Suja, como a JBS Aves, prática inédita desde a criação do cadastro em 2003. As intervenções motivaram a renúncia coletiva de auditores fiscais de cargos de coordenação e uma paralisação parcial das atividades, em protesto contra o que consideram a politização do sistema de fiscalização.
🔸 Em menos de cinco dias, Congonhas (MG) registrou o terceiro vazamento ligado à mineração. O novo episódio ocorreu no dique de Fraile, na mina Casa de Pedra, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), identificado após fiscalizações iniciadas por dois rompimentos anteriores em áreas da Vale, entre Ouro Preto e Congonhas, que despejaram mais de 260 mil metros cúbicos de lama em cursos d’água da região. O Notícia Preta explica que a prefeitura classificou o caso mais recente como “dano ambiental moderado”, com carreamento de resíduos para o rio Maranhão. Os vazamentos anteriores atingiram também o rio Goiabeiras e levaram à suspensão dos alvarás das minas Fábrica e Viga.
📮 Outras histórias
No bairro do Cabuçu, na periferia de Guarulhos (SP), um centro de treinamento de artes marciais criado em uma garagem há nove anos se tornou espaço de formação esportiva e social. A Agência Mural conta que o local é comandado pelo sensei Michael Jorge Leite Lira, que mantém o Projeto Pandora, com aulas gratuitas a alunos sem condições de pagamento. “Vejo jovens largando remédios [de ansiedade], melhorando a postura na escola, virando campeões. Isso não tem preço”, diz o instrutor. A reportagem destaca trajetórias como a dos karatecas Alex Abdias e Flávio Ferreira, ambos de 22 anos, que chegaram a um campeonato internacional no Chile. Flávio voltou campeão e afirma: “No Brasil é difícil você manter uma vida de atleta e trabalhar ao mesmo tempo, mas a gente vai seguindo do jeito que dá”.
📌 Investigação
“Aqui era tudo pra ser nosso”, diz Luiz Carlos Alves de Lima, presidente da Associação de Moradores do Quilombo Invernada Paiol de Telha, apontando para um campo coberto por cevada. A comunidade quilombola, localizada no município de Reserva do Iguaçu, é a única titulada do Paraná. No entanto, apenas parte do território demandado pelos quilombolas foi reconhecida oficialmente, e o restante está tomado pela plantação de cevada, uma das principais matérias-primas para gigantes do setor de bebidas, como a Ambev. O Joio e O Trigo destrincha a história da titulação do quilombo, que há décadas resiste depois de as famílias terem sido expulsas violentamente por jagunços e grileiros no início dos anos 1970. Para retomar a integralidade do território, a comunidade espera agora que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) faça a desapropriação da área – processo dependente do repasse de recursos.
🍂 Meio ambiente
O Cerrado já perdeu mais de 55% de sua vegetação nativa – mais de um milhão de km². Historicamente deixado de lado nos diálogos de conservação, o bioma é o segundo maior domínio ecológico da América do Sul (equivale a 24% do território nacional) e sustenta grande parte das principais bacias hidrográficas do país. Em artigo no Conversation Brasil, o professor e pesquisador Cássio Cardoso Pereira explica que o Cerrado é mal compreendido. “Uma das características que tornam o Cerrado verdadeiramente único é sua ‘floresta invertida’. Diferentemente das florestas tropicais úmidas, que armazenam a maior parte de sua biomassa em copas elevadas, o Cerrado alcançou um feito ecológico de sobrevivência ao armazenar aproximadamente 90% de seu carbono abaixo do solo, por meio de sistemas radiculares profundos e maciços.”
📙 Cultura
“A natureza tem um papel fundamental na vida dos fotógrafos. Hoje, as pessoas vivem muito ocupadas em seus próprios mundos; eu tento transmitir que ainda há vida além de tanto trabalho e preocupações. Há um mundo que poucos conhecem – a fauna e a flora – em que existe uma diversidade de cenas que, muitas vezes, é pouco apreciada”, afirma André Santos. Há 15 anos, ele atua como fiscal ambiental para o reflorestamento e une o trabalho à paixão pela fotografia, registrando diariamente as mudanças da paisagem e os ciclos da natureza. Em entrevista à Revista Alagoana, o técnico e fotógrafo fala sobre o processo de sua produção artística aliada à paixão pelo meio ambiente. Para ele, ao mesmo tempo que a fotografia tem o poder de guardar “a história em uma imagem”, a mudança e o movimento das espécies são contínuos.
🎧 Podcast
Com o livro “Tornar-se Negro” (1983), a psicanalista e pesquisadora Neusa Santos Souza marcou o campo da psicanálise ao revelar os efeitos psíquicos do racismo na identidade de pessoas negras. O “Conversa de Portão”, produção do Nós, Mulheres da Periferia, revisita a trajetória da psicanalista baiana e mergulha em seu legado: seus estudos contribuíram para compreender como o racismo estrutura a subjetividade no Brasil. Sua obra é um marco “principalmente por conceituar o processo de tornar-se negro a partir da superação desses efeitos e da realidade social e histórica, com a afirmação da dignidade, da autonomia, com um discurso próprio e com a ressignificação da negritude”, afirma a pesquisadora Clélia Prestes, coordenadora de formação no AMMA Psique e Negritude.
📲 Tecnologia
Os AI Overviews, inteligência artificial de busca do Google, têm de duas a três vezes mais probabilidade de citar vídeos do YouTube do que “sites médicos confiáveis” em respostas a perguntas sobre saúde. É o que revela um novo estudo da ferramenta de SEO para IA SE Ranking feito com usuários da Alemanha, onde o sistema de saúde é rigidamente regulamentado. De todos os resultados analisados dos AI Overviews, apenas cerca de 34% vinham de fontes confiáveis, como sites de instituições médicas e de governo e publicações acadêmicas. A Fast Company Brasil reúne os achados do relatório e lembra que a ferramenta acumula controvérsias desde seu lançamento, como relatos sobre respostas sem sentido e uma série de processos movidos por empresas e grupos de publishers que alegam que o recurso prejudica o tráfego orgânico.




