A presença de petróleo na Foz do Amazonas e a ofensiva digital contra o ICMBio
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🔸A confirmação da existência de petróleo na Foz do Amazonas abre uma nova fronteira exploratória em uma área ambientalmente sensível. O Metrópoles informa que a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou a presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, a 175 km da costa do Amapá. A estatal concluirá as análises nos próximos 15 a 20 dias para avaliar se o volume de óleo é economicamente viável para produção. O Conexão Planeta lembra que existe uma forte oposição ao avanço do projeto na região. Organizações da sociedade civil e o Ministério Público Federal acionaram a Justiça para cobrar a suspensão da licença por falhas na modelagem de dispersão de óleo em caso de acidente e pela ausência de consulta prévia a indígenas, quilombolas e pescadores. “Falta respeito com as comunidades e a biodiversidade que fazem dessa região sinônimo de vida, não de riqueza concentrada nas mãos de poucos. É risco sendo vendido como conquista. Não queremos petróleo na Amazônia”, afirma Mariana Andrade, coordenadora da frente de Oceanos do Greenpeace Brasil.
🔸 Após o início oficial da campanha eleitoral, Minas Gerais é foco dos principais candidatos à Presidência. A Agência Pública detalha que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) agendou compromissos em Belo Horizonte (MG), no dia 21, e Flávio Bolsonaro (PL) cancelou uma visita estratégica a Juiz de Fora (MG) programada para ontem. Ao longo da semana, haverá sabatinas no SBT e no SBT News com seis presidenciáveis e, hoje, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) poderá julgar as regras e os limites para o uso de inteligência artificial e deepfakes em propagandas. O Jota analisa os números da 10ª rodada da pesquisa BTG/Nexus: Lula lidera o primeiro turno com 41% das intenções de voto, contra 36% de Flávio. No confronto do segundo turno, a diferença diminui para 47% a 44%. O levantamento mostra ainda que as redes sociais são apontadas por 77% dos eleitores como o principal canal de acompanhamento, superando a televisão (72%). Além disso, 90% dos entrevistados enxergam algum potencial de influência da desinformação no pleito.
🔸 Com regras eleitorais mais rígidas e um ambiente político hostil, o total de candidaturas em 2026 despencou para 20.438 – o menor patamar desde 2010. Para comparação, a eleição de 2022 teve o recorde histórico de aproximadamente 29,3 mil. O Correio Sabiá explica que a retração é impulsionada por fatores como o endurecimento da cláusula de barreira, que forçou fusões de partidos e a consolidação das federações partidárias, que limitam o número de vagas. Além disso, o foco das legendas se voltou para candidaturas mais competitivas, somado ao receio de novos líderes diante de um cenário de polarização e aumento da exposição pessoal.
🔸 A inclusão nas urnas avança no Norte e no Nordeste, impulsionada por ações afirmativas de acessibilidade. Com base em dados do TSE, a Agência Tatu revela que os dez estados com maior alta proporcional de eleitores autodeclarados com deficiência entre 2010 e 2026 pertencem às duas regiões. O número supera a média de crescimento nacional. O Ceará lidera o ranking com um aumento de 4.573% – o valor de eleitores com dificuldade de locomoção cresceu de 663 para 30.972 (+4.571%), o de eleitores com deficiência visual passou de 440 para 19.882 (+4.419%) e “outros” aumentou de 997 para 44.962 (+4.410%). De acordo com Tribunais Regionais Eleitorais, o crescimento é fruto do caráter autodeclaratório e de ações diretas, como transportes adaptados e seções eleitorais mais acessíveis.
📮 Outras histórias
“O diálogo e a oralidade são conhecimentos que muitas vezes são desconsiderados, mas carregam histórias e saberes fundamentais para compreender um território”, diz Maria Carolina Serrão Alves, 21 anos, integrante da Associação Bauhinia, no sul da cidade de São Paulo. Ao conversar com sua avó, percebeu que preservar a memória também é construir respostas para o futuro. Os relatos sobre rios, matas e estradas de terra contribuíam com a compreensão das transformações de um território que convive com enchentes, calor intenso e problemas de infraestrutura. A Periferia em Movimento mostra como uma mobilização de 160 jovens da região buscou resgatar memórias de moradores antigos das áreas de mananciais para transformá-las em ações climáticas concretas. O encontro gerou a Carta de Demandas da Juventude do Extremo Sul de São Paulo, que cobra do poder público melhorias no saneamento básico e prevenção a enchentes.
📌 Investigação
Uma fiscalização ambiental contra a grilagem e o desmatamento na Amazônia foi distorcida e transformada em palanque político nas redes sociais. A Sumaúma destrincha a ofensiva digital de influenciadores e políticos de direita contra o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), após a apreensão de gado ilegal na Terra do Meio (PA) na Operação Pasto Nullus. A demora histórica de governos federais e estaduais em indenizar e reassentar pequenos agricultores familiares legítimos abre espaço para a sua cooptação por grandes pecuaristas e grileiros de terras públicas. Ao fazer a defesa do órgão, a Advocacia-Geral da União (AGU) cita “uma forte pressão realizada por políticos, advogados e influenciadores digitais, com nítido objetivo de impedir a retirada do gado ilegalmente criado” e diz que isso demonstra a “existência de uma cadeia criminosa que visa a perpetuação da atividade de criação de rebanhos sem registro” e “à margem de controles sanitários e fiscais”.
🍂 Meio ambiente
Ao contrário do que defendem o lobby do agronegócio e a desinformação nas redes sociais, o pasto não compensa o carbono emitido pela pecuária. O Aos Fatos desmente a narrativa de que o gado seria a solução para as mudanças climáticas sob o pretexto de que as pastagens sequestrariam o metano emitido – ou o equivalente em carbono. Apesar de haver uma reabsorção pelo pasto, o processo não é suficiente para neutralizar as emissões. Dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa apontam que a atividade sozinha responde por 51% das emissões brutas brasileiras do gás. Mesmo com técnicas de manejo, a conta não fecha: o setor emite anualmente muito mais do que toda a agropecuária nacional é capaz de absorver.
📙 Cultura
“Santa Catarina já tem uma dificuldade muito grande com os movimentos culturais, ainda mais falando de rap, falando de rap de uma mulher”, afirma a produtora Jupira Dias, única mulher que integrou a equipe do programa de TV “Nação Hip Hop: Cultura de Rua”, exibido nos anos 2000. Ela assina também a produção executiva do curta de mesmo nome, dirigido por Laia Orisa, que chega agora aos cinemas. Em entrevista ao Catarinas, Jupira revisita os desafios de legitimar a cultura de rua em um estado historicamente resistente às manifestações periféricas e negras e analisa a importância de registrar e preservar a memória dessa cena cultural. “Quando a gente começou a fazer o programa e os eventos de hip-hop aqui em Santa Catarina ficamos, por volta de um ano ou mais, ensinando para as pessoas o que era hip-hop. Todo projeto que a gente apresentava, tanto para as empresas para conseguir patrocínio ou para liberação de espaço, para qualquer coisa, fazíamos uma cartilha explicando o que era o movimento.”
🎧 Podcast
“A política é uma atividade perene da nossa existência”, diz o cientista político Guilherme Casarões, professor da Universidade Internacional da Flórida e coordenador do Observatório da Extrema Direita. “A prática política ao longo da história se construiu autoritariamente. A democracia é um fenômeno absolutamente novo. [A democracia grega] não era para todo mundo. A ideia de voto universal não existe nem no século 18 – ou seja, nem 300 anos de história.” A audiossérie “Quem Matou a Política?”, produção da Rádio Guarda-Chuva, mergulha na crise de representatividade contemporânea e mergulha nas forças que minam as estratégias democráticas no Brasil, além de investigar por que as ferramentas políticas parecem falhar na tentativa de solucionar problemas da sociedade, sobretudo organizada em ambientes digitais.
👩🏽💻 Tecnologia
Antes de desenhar uma regulação rígida para a IA, o Brasil deve focar no letramento digital da população. É o que afirma Renata Wassermann, professora associada ao Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo e diretora da Lawgorithm. Ao Mobile Time ela destaca como a necessidade de regras surgem com o uso. “A gente não consegue agora ter uma regra definitiva, porque realmente a coisa está evoluindo de uma maneira muito rápida. Mas eu acho que muitas regras que já existem para produtos e empresas em geral, inclusive de software, poderiam ser aplicadas de alguma forma para a IA, enquanto não criamos uma regulamentação mais definitiva… Se é que um dia a teremos”, diz. Wassermann alerta para os perigos da concentração de mercado nas mãos de poucas empresas e o risco de vazamento de dados confidenciais. “É como se você estivesse postando no Instagram, a diferença é que você não vê quem está acessando e o que está fazendo com isso.”



