A posição de Wagner Moura no Oscar e as emissões de CO2 dos super-ricos
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🔸 “A ditadura ainda é uma cicatriz aberta em nossa vida brasileira. Aconteceu há apenas 50 anos. Recentemente, tivemos, de 2018 a 2022, um presidente de extrema-direita, fascista no Brasil, que é uma manifestação física dos ecos da ditadura”, disse o ator Wagner Moura, em entrevista após receber o Globo de Ouro de Melhor Ator por “O Agente Secreto”. O longa de Kleber Mendonça Filho venceu ainda a categoria de Melhor Filme em Língua Não Inglesa. O Colabora destaca que esta foi a primeira vez na história que o Brasil venceu dois prêmios em uma mesma edição do Globo de Ouro. O cineasta brasileiro dedicou a vitória “aos jovens cineastas”: “Esse é um momento da história muito importante para fazer filmes, aqui nos Estados Unidos e no Brasil. Vamos continuar fazendo filmes”.
🔸 “O Agente Secreto” retrata a ditadura militar no Brasil sem tanques ou soldados nas ruas, mas presente nas engrenagens do poder civil, nas relações entre empresas, Estado e repressão. Ambientado no Recife de 1977, o filme acompanha Armando Solimões, ex-professor vivido por Wagner Moura, perseguido por interesses empresariais aliados ao regime, e expõe práticas como o uso de policiais e ex-militares para eliminar adversários. A Agência Pública mostra que o longa dialoga com fatos históricos documentados pela Comissão Nacional da Verdade, como a atuação de empresários cúmplices da ditadura, operações conjuntas entre órgãos de repressão e redes de apoio clandestinas semelhantes às da Cáritas e do Clamor, ligadas à Igreja Católica.
🔸 “Importantes por chamar a atenção no exterior para a qualidade da produção brasileira, esses filmes têm um papel ainda mais significativo dentro do próprio Brasil, ao destacar a relevância do cinema nacional e a oportunidade de trazê-lo para o campo da educação”, escreve o jornalista e crítico de cinema Sérgio Rizzo. Em artigo no Porvir, ele analisa a estrutura de “O Agente Secreto” e explica como abordar o filme nas escolas para aproximá-lo do campo da educação. Como a obra reconstrói o Brasil dos anos 1970 por meio do cotidiano, da cultura popular e da cinefilia, Rizzo propõe reflexões e perguntas, como “Qual será a percepção do Brasil dos anos 1970 criada pelo filme em alunos que nasceram no século 21?” ou ainda “Já conversaram com seus pais, tios e avós sobre o que cada um deles se lembra daquele tempo?”.
🔸 A vitória de Wagner Moura reposicionou o brasileiro entre os favoritos ao Oscar 2026, mas também evidenciou um possível rival direto: Timothée Chalamet, vencedor na categoria de comédia ou musical. O ator norte-americano conquistou o Globo de Ouro de melhor ator em comédia ou musical por “Marty Supreme”, em uma categoria considerada forte desde antes da cerimônia. O Tangerina explica que, ao contrário do Globo de Ouro, a Academia não separa os indicados por gênero de filme, o que transforma vencedores de categorias distintas em concorrentes diretos na disputa por Melhor Ator. Em tempo: lista de indicados ao Oscar está prevista para 22 de janeiro.
📮 Outras histórias
Ex-servidoras da Secretaria da Mulher do Rio Grande do Sul denunciaram a titular da pasta, Fábia Richter, ao Ministério Público do Trabalho e ao Ministério Público do estado, por práticas religiosas no ambiente de trabalho e pela adoção de procedimentos considerados sem embasamento científico no atendimento às vítimas de violência. As ex-servidores afirmam que participaram, por obrigação, de momentos de oração e dinâmicas religiosas, o que teria gerado constrangimento e desrespeito à diversidade religiosa. O Sul21 detalha também críticas ao mapeamento de agressores proposto pela secretária, que incluiria contatos com familiares e redes locais antes de condenações judiciais, o que, segundo as ex-servidoras, expunha a equipe a riscos. Fábia Richter nega irregularidades, diz que os momentos eram opcionais e afirma que a secretaria ainda está em fase de construção de protocolos.
📌 Investigação
Morador da favela do Moinho, no centro de São Paulo, morto em dezembro em um suposto confronto durante uma operação da Polícia Militar, não usou a arma que, segundo os policiais, estaria empunhando na ocasião. A Ponte teve acesso ao boletim de ocorrência do caso: os próprios policiais afirmaram que Felipe de Petta não disparou, e a arma atribuída a ele estava com todas as munições intactas. O agente que atirou em Felipe afirmou ainda que a câmera corporal que utilizava estava descarregada no momento da ocorrência. A versão policial contrasta com os relatos de testemunhas ouvidas pela reportagem no dia do crime. Segundo elas, Felipe era usuário de drogas e não possuía armas. Os moradores afirmam que policiais do Batalhão de Choque entraram na comunidade, isolaram uma área, desligaram as câmeras corporais, removeram as tarjas de identificação e selecionaram a casa de Felipe de maneira que pareceu aleatória. Ainda conforme os relatos, cinco dias antes de sua morte, ele havia sido agredido por policiais militares dentro da comunidade e teria sido jurado de morte.
🍂 Meio ambiente
Em dez dias, o 1% mais rico do planeta já esgotou sua “cota” de emissões de carbono para o ano todo, segundo a análise da Oxfam Internacional. A partir desse marco, a organização batizou o último sábado de “Dia dos Ricos Poluidores”, como demonstração do peso desproporcional das elites econômicas na intensificação da crise climática global. A Revista Cenarium detalha que a análise estima que as emissões produzidas pelo 1% mais rico em apenas um ano poderão causar 1,3 milhão de mortes relacionadas ao calor até o final do século. Além das emissões associadas aos seus estilos de vida, os super-ricos também exercem influência por meio de seus investimentos financeiros. A pesquisa aponta que cada bilionário possui, em média, uma carteira de investimentos em empresas responsáveis pela emissão de 1,9 milhão de toneladas de CO2 por ano.
📙 Cultura
“A cultura é uma coisa viva. A cada momento existem desafios. As culturas que surgem nos centros urbanos, nas periferias. Precisamos abrir caminho para que pessoas que nunca tiveram acesso às ferramentas possam ter acesso”, afirma a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Em entrevista ao Nonada, ela ressalta os principais pontos de sua gestão, iniciada em 2023, junto ao terceiro mandato de Lula (PT), as prioridades para este ano e o papel do setor para uma sociedade democrática. “A função do Estado é entender o que é a cultura e buscar dar qualificação, fortalecer pontes para que esse seja um espaço de atuação para toda a cadeia do trabalhador e da trabalhadora da cultura”, explica. “A arte contempla a nossa vocação para a democracia. Você não tem como produzir cultura com o pensamento cerceado.”
🎧 Podcast
“Eu conto uma história subterrânea do Rio de Janeiro”, afirma o jornalista e escritor Rodrigo Faour, autor do livro “A Audácia dos Invertidos”. Longe dos registros oficiais, o Rio de Janeiro foi palco de resistência e efervescência cultural LGTBQIA+ durante o século 20, mesmo diante do conservadorismo e da repressão policial. No “Diálogos com a Inteligência”, produção do Meio, Faour fala sobre sua obra e mergulha na trajetória dessa população na capital fluminense, sobretudo entre as décadas de 1950 e 1990, que criava seus laços e seus modos de ser à margem. “A homofobia geral foi subversivamente burlada pelas pessoas que aqui habitavam.” O autor explora a transição da clandestinidade para a visibilidade, abordando o impacto da contracultura nos anos 1970 e os desafios trazidos pela crise da Aids.
📲 Tecnologia
Um data center construído há seis anos no Ceará está no centro de um imbróglio jurídico. Desde que foi erguido, pela empresa Angola Cables, em 2019, no bairro da Praia do Futuro, em Fortaleza, o Ministério Público do estado argumenta que a prefeitura não deveria ter cedido o terreno de 9 mil metros quadrados, classificado como Zona de Interesse Ambiental, explica o Núcleo. A promotora Ann Celly Sampaio Cavalcante sustenta que o Plano Diretor da cidade e a lei federal de Parcelamento do Solo determinam que áreas verdes e institucionais sejam voltadas à coletividade e que não podem ter o objetivo alterado. A mesma empresa está construindo um segundo data center no local, com previsão de conclusão no primeiro semestre deste ano. O projeto recebeu um investimento inicial de R$ 250 milhões e conta com o apoio da gestão Elmano de Freitas (PT).




