A posição do Brasil nos ataques ao Irã e e uma IA contra desperdício de água
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🔸Assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Celso Amorim afirmou que o Brasil precisa estar preparado para um agravamento do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel. “Ninguém é juiz do mundo. Matar um líder de um país, que está em exercício, é condenável e inaceitável. Devemos nos preparar para o pior", disse. O Terra informa que Amorim condenou a morte do líder iraniano, aiatolá Ali Khamenei, durante ofensiva aérea promovida por EUA e Israel contra alvos estratégicos no Irã, e alertou para o risco de expansão regional. Segundo ele, o pior cenário envolve “o aumento vertiginoso das tensões no Oriente Médio, com grande potencial de alastramento”. A escalada já resultou em centenas de mortos, no fechamento do Estreito de Hormuz e em ataques de retaliação com mísseis e drones. O governo brasileiro defendeu a suspensão das ações militares e classificou a situação como grave ameaça à paz. Lula, aliás, tem na agenda uma viagem a Washington para encontrar Donald Trump entre 15 e 17 de março, mas ainda não há confirmação oficial.
🔸 O conflito travado por Estados Unidos e Israel contra o Irã já virou alvo de desinformação. O Aos Fatos mostra que, desde sábado, vídeos falsos, antigos ou gerados por inteligência artificial acumulam ao menos 3 milhões de visualizações no TikTok, além de milhares de curtidas e compartilhamentos em outras plataformas. Entre os conteúdos checados, estão imagens de um incêndio em Sharjah, nos Emirados Árabes, em 2015, que circulou como se fosse um ataque iraniano à sede da CIA em Dubai; ou ainda um bombardeio israelense no Iêmen, de 2024, divulgado como ofensiva recente contra base americana. A reportagem também desmente cenas de videogame compartilhadas como combate real, imagens sintéticas com logotipo da ferramenta Veo, do Google, e gravações antigas associadas falsamente a ataques à usina nuclear de Dimona, em Israel.
🔸 A propósito: o programa nuclear iraniano foi iniciado com apoio direto dos EUA, em 1957, no âmbito do projeto “Átomos para a Paz”, lançado pelo então presidente Dwight Eisenhower. Quase 70 anos depois, o mesmo país lidera ofensivas militares para destruir essa estrutura, como a operação “Fúria Épica”, ordenada por Trump. Em artigo na Agência Pública, João Paulo Charleaux ressalta que nunca houve comprovação internacional da existência de ogivas nucleares iranianas e lembra que o país aderiu, em 2015, ao acordo P5+1, que limitava o enriquecimento de urânio a níveis civis – pacto abandonado por Trump em 2018. Agora, com os bombardeios e a morte do líder iraniano, tem início “uma nova página na história das relações entre os dois países, sem que seja possível vislumbrar ainda todas suas consequências”.
🔸 O ministro Alexandre de Moraes negou novo pedido de prisão domiciliar feito por Jair Bolsonaro (PL), ao afirmar que não há elementos excepcionais que justifiquem a medida. O Jota detalha a decisão, em que Moraes cita informações do Núcleo de Custódia da Polícia Militar do Distrito Federal e menciona a “grande quantidade de visitas” recebidas pelo ex-presidente – entre deputados, senadores e governadores –, o que indicaria “intensa atividade política” e reforçaria os laudos sobre sua boa condição de saúde física e mental. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou ainda que a unidade prisional atende “integralmente” às necessidades médicas de Bolsonaro, com assistência contínua, fisioterapia, atividades físicas e visitas regulares.
🔸 “Foram poucos os anos que não tivemos enchente, quase todo ano tem. Mas essa foi a pior da história”, afirma Amauri Fernandes, morador do Bairro Industrial, na zona norte de Juiz de Fora, há 54 anos. As fortes chuvas na semana passada fizeram transbordar mais uma vez o Córrego Humaitá. A Tribuna de Minas ouviu de moradores que os alagamentos no bairro são recorrentes e que falta uma solução estrutural para o problema. Fernandes, que já foi presidente da associação de moradores, conta que enviou diversas vezes pedidos para a prefeitura para resolver as enchentes na comunidade. “Nunca tivemos uma solução direta para o bairro aqui, e quase todo ano acontece a mesma coisa”, diz.
🔸 No litoral de São Paulo, mesmo depois de tragédias recentes, a ocupação irregular de encostas segue crescendo. Dados do MapBiomas mostram que, entre 2014 e 2024, a área urbanizada em terrenos com declividade superior a 30% aumentou 50,7%, passando de 140 para 211 hectares em Bertioga, São Sebastião, Caraguatatuba, Ilhabela e Ubatuba. O Eco destaca que, só entre 2023 e 2024, após a tragédia que deixou 65 mortos em São Sebastião, o avanço foi de 6,6%. “Não é normal os núcleos, depois de um trágico acidente, crescerem. Ao contrário, a tendência é diminuir e as pessoas migrarem para outros lugares. Mas, talvez iludidas pela busca de que aqui tem moradia fácil, está vindo muita gente”, afirma Fernanda Carbonelli, presidente do Instituto Conservação Costeira.
📮 Outras histórias
Em Maxaranguape, no Rio Grande do Norte, uma gameleira com mais de 300 anos formada pelo entrelaçamento de dois troncos, se tornou símbolo de união e atração turística no litoral potiguar. Trata-se da “árvore do amor”, alvo de uma tradição que atrai casais que sonham com união eterna. O Meus Sertões lembra os rituais em torno da célebre gameleira, que, em 2024, sofreu vandalismo, com o corte de raízes para a extração de seiva usada ilegalmente como cola para capturar pássaros. Mas a “árvore do amor” resiste, seja como monumento natural, seja por seus atributos mágicos. Para o amor, por exemplo, casais atravessam o vão entre as gameleiras ou amarram fitas coloridas em seus galhos como forma de fortalecer relacionamentos. Há ainda crenças populares sobre propriedades curativas de sua seiva e rituais de transferência de doenças para a árvore.
📌 Investigação
Uma única organização privada vai receber 25% do orçamento da educação do Amazonas em 2026. Com um contrato de mais de R$ 1 bilhão, assinado sem licitação, a Fundação de Desenvolvimento e Inovação Agro Socioambiental do Espírito Santo (Fundagres) será responsável pelo fornecimento integrado para todo o ensino fundamental e médio da rede estadual nos próximos anos. Segundo o Vocativo, a adoção integral de um sistema privado pode gerar dependência tecnológica e metodológica de longo prazo. Ao concentrar conteúdo, avaliação e capacitação em uma única entidade, o modelo reduz alternativas imediatas de substituição ou diversificação de fornecedores. A mudança representa uma reconfiguração profunda da gestão educacional. O relatório técnico classificou o movimento como terceirização em larga escala. Além disso, a Fundagres tem histórico de atuação na articulação entre pesquisa, capacitação e extensão rural, e o contrato se trata de ensino básico generalista.
🍂 Meio ambiente
Enquanto a Amazônia Legal representa quase metade das mortes por conflitos fundiários no país, o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas, que deveria garantir a segurança física de pessoas ameaçadas na região, enfrenta um cenário de precarização, com orçamento instável e falta de pessoal. A InfoAmazonia destrincha a situação da iniciativa: em média, as equipes contam com cerca de sete a nove servidores para atender casos complexos que podem envolver dezenas de pessoas sob risco. Em 2024, a previsão de recursos foi a maior da história (R$ 13,3 milhões), mas menos da metade foi executada, e os orçamentos variam de acordo com a gestão federal. Atualmente, 671 pessoas estão em análise ou já sob proteção do programa na Amazônia Legal. Já no país todo, são 1.485.
📙 Cultura
“Fico triste com o jeito com que muitas pessoas se relacionam com a arte. Na minha juventude, a gente pensava na arte, em ser um poeta, um artista, um músico, como um chamado, não uma forma de ganhar muito dinheiro e ser famoso”, afirma a cantora e escritora Patti Smith, uma das principais figuras do movimento punk rock. Aos 79 anos, a artista lançou o livro “Pão dos Anjos”, em que revisita sua biografia e homenageia as pessoas amadas. À Quatro Cinco Um ela fala sobre a obra, além de refletir sobre sua trajetória e sua relação com a arte, o luto e o envelhecimento. “Escrevi o livro em gratidão a todos que estiveram comigo e que perdi. Minha mãe, meu pai, meu marido, meu irmão, meus amigos, o namorado que tive aos doze anos, até o meu cachorro. E meus professores, pessoas que de alguma forma atravessaram minha vida, como Susan Sontag, Sam Shepard, Baudelaire, Rimbaud, Bob Dylan. Às vezes é bom dar um passo atrás e ver como nos tornamos o que somos.”
🎧 Podcast
Na historiografia econômica brasileira, foram perpetuadas duas narrativas sobre o desenvolvimento do país que devem ser questionadas, segundo o economista Edmar Bacha: a de estagnação no século 19 – compatível com a de seus pares globais – e a de crescimento no século 20 – neste caso, dados oficiais foram inflados pela exclusão de setores de baixa produtividade. O “Diálogos com a Inteligência”, produção do Canal Meio, recebe Bacha, que participou da criação do Plano Real na década de 1990, também ex-diretor do Banco Central e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O economista analisa a trajetória do desenvolvimento econômico brasileiro e quais as possibilidades para o futuro da economia.
👩🏽💻 Tecnologia
Para reduzir o desperdício de água no país – anualmente na casa de 3 bilhões de metros cúbicos –, a administradora Marília Lara criou a Stattus4, empresa que digitaliza o caminho da água em diversas cidades brasileiras. Uma das soluções elaboradas é um sistema de gestão de perdas, em que são usados sensores, dados e inteligência artificial para acessar informações precisas da rede de distribuição e identificar pontos de vazamento, como explica a Emerge Mag. “Temos o maior banco de dados de ruído de tubulação do mundo, com 8,5 milhões de amostras. A inteligência artificial aprende com os dados e se torna cada vez mais precisa para indicar vazamentos”, afirma a gestora. “O método tradicional leva, em média, 180 dias para achar o vazamento. A IA da Stattus4 faz o mesmo em até 5 dias.” Para Marília, o sistema não dispensa o trabalho do geofonista, o técnico especializado em encontrar vazamentos, apenas facilita o processo para indicar os locais exatos onde há problemas.




