Os poços da Petrobras na Foz do Amazonas e as matriarcas do Carnaval do RJ
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Boa folia e até já!
🔸 O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, vai excluir a arguição de suspeição contra o ministro Dias Toffoli, após ele deixar a relatoria do processo envolvendo o Banco Master. A pressão sobre a Corte aumentou depois de Fachin receber um relatório da Polícia Federal com as informações colhidas na perícia dos aparelhos de Daniel Vorcaro, ex-CEO do Master, em que há menções a Toffoli, que teria trocado mensagens com o acusado antes da investigação. O Metrópoles informa que os ministros do STF se reuniram por quase três horas para discutir o documento entregue pela PF. A nota publicada pelos outros dez magistrados afirma que eles “declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição” e que “reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria”. Além disso, os ministros expressaram “apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento”.
🔸 Já no Congresso, os senadores Magno Malta (PL-ES) e Eduardo Girão (Novo-CE) apresentaram um aditamento ao pedido de impeachment do ministro Dias Toffoli. O documento acrescentou as informações sobre o relatório da PF à solicitação feita no mês passado, como detalha o Congresso em Foco. Segundo os parlamentares, o pedido de suspeição encaminhado pela PF configura uma “providência inédita e institucionalmente extrema” que “rompe qualquer parâmetro ordinário de normalidade institucional”, o que exigiria uma resposta firme do Legislativo. A decisão sobre aceitar ou não o pedido de impeachment cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
🔸 Acusados de matar Thiago Menezes Flausino, adolescente negro de 13 anos, durante uma abordagem na Cidade de Deus, comunidade na zona oeste do Rio de Janeiro, os policiais militares Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria foram absolvidos pelo júri popular. O estudante e um amigo foram abordados pelos agentes após caírem de uma motocicleta, no dia 7 de agosto de 2023. Os policiais, que estavam em um carro descaracterizado, desceram do veículo atirando e atingiram o adolescente com três tiros. Segundo a Alma Preta, a defesa dos PMs declarou que o menino tinha ligação com o crime organizado, apresentando supostas fotos em que aparece segurando armas. Uma das imagens mostra um adolescente, apontado como Thiago, com uma tatuagem de coração na mão. A mãe do jovem, Priscilla Menezes, além de não reconhecer o filho nas fotos, afirmou que o filho não possuía nenhuma tatuagem. Organizações e parlamentares ligados à defesa dos direitos humanos manifestaram indignação com a condução do julgamento.
🔸 A Petrobras tentou incluir mais três poços à licença ambiental concedida pelo Ibama para a perfuração do poço Morpho, no bloco 59 (FZA-M-59), na bacia da Foz do Amazonas. O pedido de retificação da petroleira ocorreu em 21 de outubro de 2025, apenas um dia após a obtenção da licença de operação do primeiro poço. O órgão ambiental negou a solicitação e deixou claro que a autorização está destinada apenas ao Morpho. A InfoAmazonia lembra que, desde 2020, quando assumiu o controle do bloco, a empresa tem afirmado publicamente que a operação na Foz do Amazonas previa a perfuração de um único poço – argumento amplamente utilizado durante o período em que pressionou pela emissão da licença ambiental. No entanto, o planejamento da Petrobras pretende perfurar 15 poços na margem equatorial brasileira entre 2025 e 2029.
📮 Outras histórias
O agricultor José Germano Lima, o Butinga, ajudou a organizar os trabalhadores rurais que lutavam por terras na zona rural de Canavieiras, no Sul da Bahia, em 1985. A disputa com fazendeiros resultou na morte de quatro camponeses e levou o governo federal a fazer as primeiras desapropriações com fins de reforma agrária no período da redemocratização. Ao longo das décadas, Butinga se tornou o guardião da memória da chacina. O Meus Sertões traz sua última entrevista, concedida ao fotógrafo e documentarista Thomas Bauer em março do ano passado, em que detalhou a violenta luta pela posse de terra na região do Sarampo, a partir de 1972. Ele relatou que atuava como uma “lançadeira de máquina” – peça das máquinas de costura responsável por laçar a linha da agulha e contorná-la ao redor da bobina para formar o ponto – ao monitorar a polícia e os pistoleiros para avisar aos companheiros. José Germano Lima morreu no início do mês, aos 91 anos.
📌 Investigação
O número de denúncias de violência contra crianças e adolescentes aumentou 31% no Nordeste nos últimos três anos. Levantamento da Agência Tatu revela que foram registrados 822.045 casos entre 2023 e 2025. No ano passado, o Rio Grande do Norte liderou as estatísticas regionais com uma taxa de 140 denúncias por 100 mil habitantes, seguido de Paraíba e Sergipe, com taxas de 127 e 125 denúncias por 100 mil habitantes, respectivamente. Os dados mostram ainda que a maioria das violações acontece dentro da própria residência onde coabitam a vítima e o suspeito. Uma mesma denúncia pode carregar múltiplas violações de direitos humanos, que vão desde agressões à integridade física e psíquica até o cerceamento da liberdade. Entre as ocorrências analisadas, os ataques físicos e psíquicos lideram o ranking como o tipo de violação mais registrado.
🍂 Meio ambiente
Considerado um problema em unidades de conservação costeiras e marinhas, o coral-sol foi registrado pela primeira vez no Brasil na década de 1980, em Angra dos Reis (RJ). Desde então, espalhou-se pelo Sudeste e Sul e atualmente já está presente no Nordeste. No documentário “Coral-sol: Uma Espécie Invasora no Litoral Brasileiro”, o Correio Sabiá realizou mergulhos de cilindro em Arraial do Cabo e ouviu especialistas que há décadas tentam medir o real impacto da espécie sobre os recifes, a biodiversidade e o equilíbrio marinho. O monitoramento se tornou a principal ferramenta para o manejo do ecossistema, e a inteligência artificial é usada como apoio para registro de imagens e elaboração de análises mais rápidas.
📙 Cultura
“A mulher é o coração do Carnaval, do desfile. É o principal, e nós não nos valorizamos”, afirma Dona Guesinha, matriarca da Mangueira, escola de samba do Rio de Janeiro. O Nonada mostra como as mulheres são fundamentais para manter viva a tradição do Carnaval e do samba em suas comunidades. Essas matriarcas são mulheres negras reconhecidas por décadas de dedicação à festa e os saberes coletivos que pulsam nas quadras e nas ruas. Esse protagonismo feminino enfrenta não apenas a invisibilidade de seu trabalho, mas também as desigualdades sociais e raciais que marcam suas experiências. O sustento para a luta é o amor pela comunidade, que inspira novas gerações a cultivarem a autoestima e a memória para dar continuidade ao legado.
🎧 Podcast
No Recife, o Obirin se consolidou como o primeiro bloco de samba-reggae feminino da cidade e transforma o Carnaval em instrumento de enfrentamento ao racismo e ao sexismo. Criado em 2019 por Ana Paula Guedes, o bloco reúne mulheres de diferentes idades e promove oficinas e ações comunitárias no Morro da Conceição durante o ano todo. No “Conversa de Portão”, produção do Nós, Mulheres da Periferia, a fundadora conta como o grupo, cujo nome significa “mulher”, nasceu com instrumentos emprestados e se tornou um espaço de acolhimento e formação política. Neste ano, o enredo do bloco se inspira nos saberes do culto afro-indígena da Jurema Sagrada para reafirmar o protagonismo e a força das mulheres racializadas na cultura popular.
💆🏽♀️ Para ler no fim de semana
“Não queria deixar meu filho em casa para fazer algo que não via propósito”, afirma Paula Galgano, doutora em Química e fundadora da Greenneat, fabricante artesanal de produtos de limpeza. Ela desenvolve itens hipoalergênicos e derivados de fontes naturais e renováveis, pensados para não agredir o meio ambiente e a saúde de quem usa. A Emerge Mag conta que a maternidade de Galgano transformou a vida de outras mães, como Mariana Martinson, cujo filho possui asma e laringite. Foram os produtos naturais da química que ajudaram o quadro da criança a se manter controlado. “Em uma investigação com uma pneumologista, descobrimos que o meu filho tem alergia a tintura azul usada em sabões (líquido e em pó) e em amaciantes de fabricantes convencionais”, diz. A experiência mostra como o empreendedorismo feminino alinha inovação tecnológica e sustentabilidade para solucionar problemas que afetam sobretudo a realidade das mulheres.




