Os perfis de fofoca com Tarcísio de Freitas e o acidente na Foz do Amazonas
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🔸 O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é hoje o nome mais competitivo da direita contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial de 2026. É o que revela a primeira pesquisa Meio Ideia, realizada pelo Meio e pelo Instituto Ideia, que será feita mensalmente ao longo deste ano. No cenário de segundo turno entre os dois, Lula aparece com 44,4% das intenções de voto, contra 42,1% de Tarcísio, dentro da margem de erro. Outros nomes testados – como Michelle Bolsonaro, Ratinho Jr., Ronaldo Caiado e Romeu Zema – ficam mais distantes do presidente, ampliando a vantagem de Lula. Já na pesquisa espontânea, Lula lidera com 32% das menções, enquanto Jair Bolsonaro, mesmo fora do páreo, ainda é citado por 9,5%, à frente de Tarcísio. O levantamento também aponta um eleitorado majoritariamente decidido: 64,5% dizem já ter definido o voto para 2026.
🔸 Falando em Tarcísio… Perfis de fofoca passaram a publicar postagens enaltecendo a figura do governador paulista no Instagram, em dezembro. A revista piauí detalha os conteúdos elogiosos ao governo paulista – mas sem identificação de publicidade. As postagens se concentraram em temas como a inauguração de um trecho do Rodoanel Norte, a isenção de IPVA para motos e cobranças à concessionária de energia, sempre com linguagem positiva e, em alguns casos, ataques a adversários políticos. A reportagem mostra que a Submarino Lab, uma empresa recém-criada, tentou contratar pacotes de postagens em favor de Tarcísio e que ao menos um influenciador recebeu R$ 20 mil por quatro publicações. O valor foi pago via Pix por uma empresária registrada como “motorista por aplicativo”. O governo de São Paulo nega qualquer envolvimento ou investimento nas ações.
🔸 Enquanto isso, uma foto de Lula de sunga, com as costas musculosas, circula nas redes. A imagem foi manipulada por inteligência artificial a partir de um vídeo publicado por Janja Lula da Silva, em que o presidente aparece apenas de sunga e boné na Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro. O Aos Fatos analisa como o uso de IA transformou um vídeo banal em uma disputa de versões e desinformação nas redes. Embora a montagem tenha surgido como meme, a reportagem destaca que ela foi compartilhada sem aviso por usuários e perfis políticos, o que levou parte do público a acreditar que se tratava de uma foto verdadeira. A partir daí, o embate escalou.
🔸 Novas revelações sobre o esquema fraudulento do Banco Master recolocaram o STF no centro de uma crise política. Reportagem da “Folha de S.Paulo” revelou que empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli tiveram como sócio um fundo associado às fraudes do banco, comandado por Daniel Vorcaro. O Jota apurou que, no Supremo Tribunal Federal, a reação inicial tem sido de cautela: ministros avaliam que as denúncias ainda precisam de lastro e enxergam risco de uma narrativa construída para atingir a imagem do Tribunal – o que explica o silêncio dos magistrados sobre o caso. Já no Congresso, as revelações reacenderam a articulação por uma CPI mista para investigar o Banco Master e eventuais vínculos com agentes públicos.
🔸 Pela oitava vez, Milton Jorge da Silva, homem negro de 29 anos, foi absolvido de uma acusação baseada exclusivamente em reconhecimento fotográfico. O caso foi revelado pela Alma Preta. “Notícia boa. Eu agradeci a Deus, que sem Ele isso não teria acontecido. Eu estou muito feliz. Espero receber meu filho em casa para cozinhar uma costela com batatas, algo que ele gosta”, disse Elizabeth Gomes, mãe de Milton Jorge, que deve sair da prisão nesta semana. Ele havia sido condenado a 25 anos por um latrocínio ocorrido em 2019, na Linha Vermelha, no Rio de Janeiro, mas já tinha sido absolvido nas outras sete acusações semelhantes. Apesar de a Justiça do Rio ter aceitado o reconhecimento fotográfico, o ministro do do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Reynaldo da Fonseca considerou o procedimento ilegal e apontou a ausência de outras provas independentes.
📮 Outras histórias
“Venho de família humilde, nunca tive TV a cabo, só TV aberta. Minhas memórias são do meu pai e da minha mãe trabalhando muito e eu sozinho em casa. Então, quando estou numa pré-estreia da Disney, penso: imagina os outros ‘Lucas’ que estão me assistindo. Eles esperam que mostre isso pra eles.” O relato é de Lucas Henrique de Sousa, de 28 anos. Nascido na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de São Paulo, ele é conhecido como Lucas Hensou, um influenciador com mais de 40 mil seguidores nas redes sociais. A Agência Mural narra a trajetória dele, que já cobriu eventos como Rock in Rio e Lollapalooza. A vivência periférica moldou o olhar do jovem para a criação de conteúdo, marcada por longos deslocamentos e a necessidade constante de construir redes de contato. “A monetização não chega de imediato. Muita gente desiste, porque precisa continuar trabalhando para se sustentar. É difícil se dedicar integralmente à criação de conteúdo quando você tem contas para pagar.”
📌 Investigação
O número de pessoas presas em Sergipe passou de 4.507, em 2015, para 6.349, em 2025 – um aumento de 41%. Os números revelam a persistência de um modelo baseado no encarceramento em massa. Com dados obtidos via Lei de Acesso à Informação, a Mangue mergulha no perfil do sistema carcerário estadual, com maior privação de jovens negros. Quase inexistente nas prisões em 2015, a faixa etária de 18 a 24 anos cresceu e chegou a 857 detentos no ano passado. O encarceramento tem também um fator racial: em 2025, mais de 75% das pessoas presas eram negras, contra 68% de 2015. Com uma estrutura prisional já saturada, os dados mostram ainda que mais da metade dos presos atualmente são provisórios – ou seja, ainda não tiveram julgamento.
🍂 Meio ambiente
Menos de dois meses após o início das operações da Petrobras na Foz do Amazonas, um acidente com vazamento de cerca de 18 mil litros de fluido de perfuração lembrou os alertas de cientistas brasileiros sobre os riscos ambientais relacionados à exploração na região. “Esses riscos vêm da combinação da complexidade da operação em si com a complexidade da dinâmica marinha e costeira da região e sua sensibilidade ambiental”, explica Nils E. Asp, pesquisador e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), em artigo no Conversation Brasil. Segundo o cientista, a distância da costa e a grande profundidade da perfuração atual no bloco FZA-M-59 foram usados como argumentos para minimizar riscos ambientais. No entanto, esse cenário também tornou o procedimento mais complexo: o vazamento teria ocorrido já próximo ao assoalho marinho, e a falha mecânica teria acontecido pelas pressões envolvidas no processo.
📙 Cultura
Depois de quase serem exterminados, com décadas de silenciamento, violência e escravidão, o povo Puyanawa, do Acre, celebra sua resistência e seu renascimento cultural a partir da recuperação de sua língua, das artes e da espiritualidade. “O Renascimento da Memória”, documentário d’O Varadouro, em parceria com o Coletivo Tetepawa, narra o resgate das tradições ancestrais da etnia e como as novas gerações buscam proteger o território e garantir a permanência de suas histórias, conectadas aos antepassados. Para assegurar o futuro, os Puyanawa enxergam a preservação da água e da terra como parte fundamental da sobrevivência física e espiritual.
🎧 Podcast
Cercada por figuras femininas fortes e a ausência de modelos masculinos positivos, a jornalista e apresentadora Astrid Fontenelle viu a mãe enfrentar desafios por ser uma mulher “desquitada” nos anos 1960. Hoje sua própria personalidade e valores refletem a resiliência das mulheres da família. No “Isso Não É Uma Sessão de Análise”, produção da Trovão Mídia, ela conta como lidou com as expectativas e medos da experiência com a maternidade ao adotar seu filho Gabriel. Para Astrid, o pertencimento e o vínculo familiar se constroem muito além da biologia.
🙋🏾♀️ Raça e gênero
“Se queremos políticas de inclusão digital que funcionem, elas precisam ter a nossa cara. Precisam ter a cara preta, que é a maioria desse país. E precisam reconhecer que o digital é disputa política, criação, memória, cuidado e reinvenção do mundo”, afirma Silvana Bahia, diretora-executiva do Olabi e idealizadora da PretaLab, que atua no debate sobre democratização tecnológica, pensamento crítico e presença de mulheres negras no setor. “Conectividade é importante, mas inclusão digital é sobretudo política de equidade.” Em entrevista à Gênero e Número, ela fala sobre a formação crítica e reflexão para uso das tecnologias e a disputa política no ambiente digital. “Não queremos só que as pessoas saibam ‘apertar botão’, mas que consigam fazer leitura de contexto, de mundo. Isso faz parte da formação de senso crítico. Isso também é educação midiática, algo urgente neste tempo.”




