A PEC do fim da escala 6x1 e a farra dos cachês no Carnaval de Olinda
Uma curadoria do melhor do jornalismo digital, produzido pelas associadas à Ajor. Novos ângulos para assuntos do dia
Oi, gente! Bom dia!
Para seguir aprimorando a curadoria da Brasis, convidamos você a participar da nossa pesquisa anual. É rápida e fundamental para orientar nossas escolhas editoriais ao longo do ano.
O último dia para responder é 20 de fevereiro. É só clicar aqui.
Obrigada e boa leitura!
🔸 Na semana pré-Carnaval, Brasília reúne articulações políticas e julgamentos com impacto estrutural. O presidente Lula (PT) deve se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tratar da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e do veto ao projeto da dosimetria, temas que voltam a tensionar a relação entre Executivo e Legislativo. A Agência Pública destaca ainda que, no Senado, avançam as investigações sobre o Banco Master e as oitivas da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Crime Organizado, que ouvirá governadores e secretários de segurança.
🔸 Na Câmara, a Proposta de Emenda à Constituição que põe fim à escala de trabalho 6x1 avançou para a Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJ). Nas redes sociais, Hugo Motta (Republicanos-PB) afirmou que a análise buscará equilíbrio e responsabilidade, informa a Alma Preta. O presidente da Câmara disse ainda que o debate precisa considerar o impacto das transformações tecnológicas nas relações de trabalho e classificou a mudança como uma demanda histórica dos trabalhadores, com efeitos diretos sobre a economia. Depois da CCJ, a PEC ainda passará por uma comissão especial, dois turnos de votação no Plenário e, se aprovada, seguirá para análise do Senado.
🔸 “Em Terra Brasilis, o fato político mais relevante (e mais preocupante) deste início de 2026 é a decomposição da imagem do Supremo Tribunal Federal. Não se trata de um simples ‘desgaste’, mais um, entre tantos na história do tribunal, nem de uma crise passageira, como outras que já vimos”, escreve Fernando Barros e Silva, na revista piauí. Ele analisa o envolvimento de ministros da Corte em relações privadas e financeiras com personagens centrais do escândalo do Banco Master – a começar por Dias Toffoli. O episódio do resort Tayayá, no Paraná, expôs encontros do ministro com grandes empresários e banqueiros em ambiente de lazer, sob escolta paga com recursos públicos. Mas não só: há ainda o envolvimento de Ricardo Lewandowski e da esposa de Alexandre de Moraes. “A desmoralização das instituições, a começar pela Corte Constitucional do país, é o caminho mais eficaz para pavimentar a volta da extrema direita ao poder”, alerta o jornalista.
🔸 Falando no Judiciário… O Conselho Nacional de Justiça recebeu uma nova denúncia de assédio sexual contra o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Aurélio Gastaldi Buzzi. Segundo o Metrópoles, a acusação foi registrada após o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, ouvir o relato de uma segunda suposta vítima, identificada como ex-funcionária do gabinete do ministro. A nova denúncia se soma à acusação feita por uma jovem de 18 anos, que afirmou ter sido assediada por Buzzi em janeiro, durante férias em Balneário Camboriú (SC), quando estava hospedada na casa do magistrado. Segundo o relato, o ministro tentou agarrá-la no mar. A defesa de Buzzi nega.
📮 Outras histórias
Em Maceió (AL), um bloco de Carnaval tem a lama como um dos principais adereços. Pintar o corpo com barro é parte da fantasia no Bloco Sururu da Lama, que homenageia a espécie de mexilhão reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do estado e transforma a lama em símbolo de alerta para a degradação da Lagoa Mundaú, da qual dependem pescadores e catadores. A Revista Alagoana conta que o bloco, criado para reunir moradores de diferentes bairros, une a musicalidade percussiva do maracatu ao sabor do xequete – bebida à base de gengibre comum em festas e rituais religiosos de matriz afro-alagoana – e, claro, do tradicional caldinho de sururu. “Somos de Maceió, com vivência direta com a lagoa. A lama é uma forma de alertar para a proteção e preservação da orla lagunar, com toda a dignidade que os pescadores e catadores de sururu merecem”, explica Jeamerson dos Santos, mestre em Culturas Populares pela Universidade Federal de Sergipe e um dos organizadores do bloco.
📌 Investigação
Enquanto dez das mais tradicionais agremiações de frevo de Olinda (PE) receberam juntas – e com atraso – menos de R$ 500 mil em cachês no Carnaval do ano passado, a prefeitura de Mirella Almeida (PSD) destinou quase R$ 3 milhões para aproximadamente 30 artistas e bandas de pequeno porte sem histórico de tradição na cena cultural local. A Marco Zero analisou os 407 contratos artísticos e revela um padrão de cachês, que chegavam a R$ 70 mil, para apresentações em polos descentralizados e blocos da periferia, vários ligados a políticos, como o vereador Felipe Nascimento (PSD), marido de Mirella, e o ex-prefeito Lupércio Nascimento (PSD), tio de Felipe. Os termos de autorização das contratações da folia de 2025 foram assinados pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, cujo orçamento não menciona a palavra “Carnaval”, de acordo com a lei orçamentária.
🍂 Meio ambiente
Após mais de duas semanas de protestos de indígenas, o governo federal suspendeu na última sexta-feira a licitação para a dragagem do rio Tapajós. A decisão, porém, não foi suficiente para encerrar a crise aberta com povos indígenas da região. O Reset informa que, apesar do recuo oficial do governo, a ocupação do acesso ao terminal de cargas da multinacional do agronegócio Cargill em Santarém (PA) segue por tempo indeterminado. Segundo as lideranças indígenas, apenas a suspensão não é suficiente e reivindicam a anulação do edital, já que a decisão do governo abre a possibilidade de a licitação ser retomada a qualquer momento. “Vão dragar cada vez mais fundo e o rio vai ser contaminado pelo mercúrio do leito do Tapajós, um rio onde mães tomam banhos com seus filhos”, afirmou a liderança indígena Alessandra Korap em passeata realizada no domingo em Santarém.
📙 Cultura
O cantor portorriquenho Bad Bunny fez história ao se apresentar no intervalo do Super Bowl, a final da principal liga do campeonato de futebol americano, com um show todo em espanhol. O artista, que lidera os streamings há pelo menos quatro anos, tornou-se um dos nomes da música na luta contra o ICE – polícia anti-imigração dos Estados Unidos – e a política de Donald Trump, que afeta sobretudo a população latina. Desde a confirmação de Bad Bunny para o evento mais importante do país, Trump o transformou em alvo político. “Um artista boicotou os EUA, injetou US$ 400 milhões em Porto Rico, dominou as paradas em espanhol e se tornou o rosto de uma resistência que a indústria não pode mais ignorar. O que está em jogo vai muito além do entretenimento”, analisa Evelyn Arruda, no Outras Palavras. Vencedor da principal categoria do Grammy 2026, o cantor fez um show no domingo cheio de símbolos da cultura latina e expressou seu amor por Porto Rico. O #Colabora destaca que um dos momentos mais impactantes foi quando ele disse, em inglês, “God bless America” (Deus abençoe a América) e listou, uma a uma, todas nações da América Central, do Sul e do Norte.
🎧 Podcast
A partir da manipulação da ciência, grandes corporações conseguiram produzir lacunas sobre o discurso de que “uso correto dos agrotóxicos é seguro”. Um desses casos é o da Monsanto, fabricante do glifosato, um dos principais pesticidas usados no Brasil. O “Ciência Suja”, produção da NAV Reportagens, acompanhou comunidades rurais do interior do Rio Grande do Sul que vivem diariamente os impactos da contaminação de agrotóxicos na saúde e no ambiente. As jornalistas Carla Ruas e Silvia Lisboa também mergulham no “Monsanto Papers”, vazamento de informações internas da empresa, que inclui e-mails, pareceres e comunicações internas que revelam táticas para descredibilizar críticos, abafar pesquisas e influenciar decisões políticas e regulatórias.
👩🏽🏫 Educação
Depois de ouvir estudantes falarem sobre apostas online e “ganhos rápidos”, o professor de matemática José Carlos da Silva Júnior decidiu tratar a educação financeira para além do campo teórico e criou o projeto “Para onde vai meu dinheiro?”, desenvolvido com turmas do 1º ano do Ensino Médio da Escola Técnica Estadual Miguel Batista, em Recife (PE). Em artigo no Porvir, o docente compartilha a experiência da iniciativa, que passou a fazer parte do Projeto Político-Pedagógico da escola. “Observou-se mudança concreta no comportamento financeiro, com estudantes passando a registrar gastos, planejar compras e refletir criticamente sobre apostas e consumo impulsivo. Houve redução significativa das conversas sobre jogos de azar, e alguns estudantes relataram ter interrompido práticas de apostas”, conta.




