A patente de Bolsonaro na Corte militar e a nova lama da Vale em MG
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🔸 O Ministério Público Militar pediu ao Superior Tribunal Militar (STM) a perda da patente e dos postos de militares condenados pela tentativa de golpe de Estado – entre eles, Jair Bolsonaro (PL). O MyNews informa que esta será a primeira vez que o STM vai julgar oficiais sob a acusação de indignidade para com a farda, por desonra às Forças Armadas. Além de Bolsonaro, o pedido inclui os generais Augusto Heleno, Walter Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira, além do almirante Almir Garnier. A presidente do STM, Maria Elizabeth Rocha, afirmou que colocará os casos em pauta assim que os votos dos relatores forem apresentados e defendeu que o julgamento não seja adiado, por se tratar de um tema que, segundo ela, precisa ser enfrentado logo.
🔸 A propósito: caso o STM decida pela expulsão e pela perda das patentes, deixaria de existir o respaldo legal para a custódia em unidades militares ou policiais. O Notícia Preta explica que, nessa hipótese, caberia ao ministro relator no Supremo Tribunal Federal (STF) decidir sobre a eventual transferência dos condenados para um presídio comum. Na decisão, deve pesar o contexto de tensão política e institucional envolvendo o próprio STF, que tem sido alvo de pressões e ataques em diferentes frentes. A eventual expulsão das Forças Armadas também traz implicações financeiras.
🔸 Enquanto o Congresso debate o fim da escala 6x1, supermercados, farmácias, lojas de departamento e hotelaria já passaram a adotar, por iniciativa própria, a jornada 5×2, com duas folgas semanais para os trabalhadores. A Repórter Brasil reúne casos concretos, como o do Copacabana Palace, que aboliu a escala 6x1 em 2025 sem reduzir salários ou carga horária, e de redes como o supermercado Pague Menos e as farmácias Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo, que ajustaram horários de funcionamento para viabilizar o 5×2. Segundo especialistas, a mudança é inevitável diante do esgotamento do modelo atual e da dificuldade crescente de atrair e reter mão de obra. “O Brasil está atrasado nessa mudança, mas ela vai ocorrer”, diz Marcelo Manzano, professor do Instituto de Economia da Unicamp. No Congresso, o avanço das propostas – como a PEC 148/2015, no Senado, e a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton na Câmara – ainda é lento.
🔸 Falando em trabalho… O país fechou 2025 com saldo positivo de 1,27 milhão de empregos formais, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Cadeg). O resultado, porém, foi o pior desde 2020 e representou uma queda de 23,7% em relação a 2024. Em artigo no Outras Palavras, Erik Chiconelli Gomes analisa os dados mais recentes do mercado de trabalho para questionar a leitura otimista sobre a queda do desemprego no Brasil. Segundo ele, a taxa historicamente baixa de desemprego registrada pela PNAD Contínua é explicada pelo avanço da informalidade, da “pejotização” e de vínculos precários, que inflaram o número de ocupados sem garantir estabilidade, direitos ou rendimentos adequados.
🔸 “Isso é troco de bala para a Vale.” A frase de Patrícia Passarela se refere à multa aplicada à mineradora (de R$ 1,7 milhão) pelos danos ambientais causados por transbordamentos nas minas de Fábrica e Viga, entre Ouro Preto e Congonhas, no final de janeiro. A lama avermelhada de rejeitos da Vale voltou a contaminar o rio Paraopeba e seus afluentes e reacendeu o trauma de comunidades ribeirinhas já atingidas pelo crime de Brumadinho. O Eco detalha os impactos dos novos vazamentos na região. “Com esse novo rompimento, a esperança que a gente tinha de um dia voltar a ter a nossa vida de volta acabou. Acabou!”, diz Patrícia, moradora da comunidade Taquaras/Riacho, no município de Esmeraldas. Com cheias recorrentes, os sedimentos se redistribuem, ampliam a degradação ambiental e inviabilizam a pesca, o turismo e o uso da água por comunidades ao longo da bacia, com risco de alcançar até o rio São Francisco.
📮 Outras histórias
O Carnaval já se encontrou com o Halloween no Rio de Janeiro. Entre 1960 e 1988, o Baile dos Horrores tomava o Clube Magnatas de Futebol de Salão, no bairro do Rocha, zona norte do Rio. À época, estudantes de arquitetura da UFRJ inspirados por festas universitárias de temática fantasmagórica criaram o evento. Entre eles, estava José Bonifácio de Oliveira, o Boni, mais tarde conhecido pela trajetória na TV Globo. O Diário do Rio conta que a proposta rapidamente ultrapassou o círculo de amigos e vizinhos e se consolidou como um dos eventos mais singulares da cena cultural carioca. O concurso de fantasias era o centro da festa – premiavam-se as caracterizações mais “horrorosas”, com múmias, vampiros, bruxas e até simulações de velórios que saíam de igrejas da região em cortejo até o clube.
📌 Investigação
O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) injetou quase R$ 3 bilhões em Fundos Municipais de Saneamento Básico de prefeituras um mês após a conclusão da venda da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A maioria do dinheiro foi destinado a cidades em que houve maior resistência à privatização – Barueri, Botucatu, Diadema, Franca, Guarulhos, Osasco, Praia Grande, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São José dos Campos e São Paulo –, segundo contratos aos quais a Agência Pública teve acesso. O repasse, realizado sem transparência, pode indicar uso político dos fundos municipais. O dinheiro extra proporcionou às administrações locais a possibilidade de iniciar obras de alta visibilidade em período próximo das eleições municipais de 2024, o que atendeu a interesses eleitorais de diversos grupos políticos.
🍂 Meio ambiente
“O desequilíbrio do planeta coloca a gente numa situação em que deixa de sonhar”, afirma o jovem Tarissom Nawa. No extremo oeste do Brasil, no município de Mâncio Lima (AC), o povo Nawa, que era tido como extinto até o início dos anos 2000, vive as consequências da emergência climática, em um ciclo de eventos extremos: de um lado, os incêndios florestais, que destroem roçados de macaxeira e plantas medicinais; de outro, cheias repentinas arrastam casas e plantações. O “Guardiões sob Ameaças”, documentário d’O Varadouro, narra como os desequilíbrios ecológicos impactam os Nawa, cuja situação é agravada pela insegurança jurídica, uma vez que seu território se sobrepõe ao Parque Nacional da Serra do Divisor e não possui demarcação integral, cenário que dificulta a gestão autônoma dos recursos naturais.
📙 Cultura
Ao menos 22 editoras brasileiras tiveram obras obtidas e armazenadas ilegalmente via sites como Library Genesis (LibGen) e Pirate Library Mirror (PiLiMi) pela Anthropic, responsável pelo chatbot Claude. A empresa foi alvo de uma ação coletiva de autores e editoras de livros e se propôs, em 2025, a pagar US$ 1,5 bilhão para remunerar detentores de direitos das obras usadas para treinar seus sistemas de inteligência artificial. Apesar de o acordo acontecer na Justiça dos Estados Unidos, detentores de direitos autorais de outros países, como o Brasil, podem participar. Levantamento do Núcleo mostra que mais de 300 obras das editoras brasileiras estão na lista da empresa. As mais afetadas foram a Companhia das Letras e a Editora Record, com 70 e 34 livros listados, respectivamente.
🎧 Podcast
Desde a década de 1960, as indústrias do tabaco e de alimentos ultraprocessados andam juntas, com estratégias compartilhadas de marketing. No passado, as fabricantes de cigarros adquiriam diretamente as de alimentos – caso da Philip Morris e da Nabisco – para ter acesso a outros nichos de mercado. Hoje, elas mantêm uma relação mais nebulosa, mediada pelo capital financeiro. O “Prato Cheio”, produção d’O Joio e O Trigo, mergulha no “casamento” dessas indústrias e em como o setor tabagista tem investido em startups de suplementos e bem-estar para fazer um reposicionamento de marca como tentativa de se associar à saúde para limpar a imagem.
✊🏾 Direitos humanos
Expulsas de casa pela violência de gênero, pessoas trans são empurradas para moradias precárias, muitas vezes expostas à injustiça ambiental e climática. “Só em Taboão, eu mudei umas quatro vezes, porque sempre tinha um problema, ou era ruim para chegar a água ou era muito úmida. […] Em Franco da Rocha, tinha uma moça que acolhia pessoas LGBTs, e com 16 anos fui morar lá. Uma região muito atingida por alagamentos, e várias vezes aconteceu de ficarmos ilhados em casa por conta das chuvas. Nossa sorte era que a casa ficava no alto, mas a gente sempre via de lá a cidade embaixo d’água”, conta Bárbara Aires. O #Colabora mostra a vulnerabilidade habitacional enfrentada por pessoas trans. “As questões de identidades de gênero e orientação sexual, ainda são muito tímidas dentro do debate do direito à cidade”, avalia Raquel Ludermir, gerente de incidência política da Habitat para a Humanidade Brasil.




