O vice de Flávio Bolsonaro e o Bolsa Família para povos indígenas
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🔸 A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice de Flávio Bolsonaro (PL) frustrou a expectativa de lideranças conservadoras por uma mulher na chapa presidencial. Embora nomes como Bia Kicis (PL-DF), Tereza Cristina (PP-MS), Daniella Marques e Priscila Costa (PL-CE) tenham sido cotados, o partido optou por um homem. A Agência Pública conta que Flávio dedicou parte de seu discurso no evento para fazer acenos ao eleitorado feminino, que responde hoje por 53% dos votos no pleito – e é um dos principais entraves para a popularidade da candidatura bolsonarista. A neutralidade anunciada por partidos do Centrão, como União Brasil, PP, Republicanos, Podemos e MDB, inviabilizou indicações femininas dessas legendas. Segundo o senador Carlos Portinho (PL-RJ), o PL também descartou uma chapa “puro sangue” com Júlia Zanatta (PL-SC), porque ela não ampliaria a votação de Flávio em um estado já dominado pelo bolsonarismo. A escolha recaiu sobre um candidato do Nordeste, principal reduto eleitoral de Lula (PT).
🔸 Alfredo Gaspar (PL-AL) tem 55 anos e está no primeiro mandato como deputado federal, após mais de 20 anos como promotor de Justiça em Alagoas. Ele se filiou ao PL em março deste ano, mas foi eleito em 2022 pelo União Brasil. O parlamentar chegou a ser lançado como candidato ao Senado Federal pelo PL em Alagoas na terça-feira, antes do anúncio de ontem. O Jota lembra que Gaspar ganhou projeção nacional como relator da CPMI do INSS, cargo conquistado em uma articulação da oposição que derrotou os candidatos apoiados pela cúpula do Congresso. Durante o anúncio, Flávio afirmou que escolheu “alguém que já foi promotor de Justiça e chefe do Ministério Público de seu estado”, que “enfrentou e defendeu nossos aposentados na CPMI do INSS”, “pediu a prisão do Lulinha” e “representa o Nordeste de fato”. A opção pelo nome de Gaspar também reforça a estratégia de campanha de ligar o presidente Lula ao escândalo dos desvios do INSS.
🔸 O vice de Flávio, aliás, é alvo de uma investigação por suposto estupro de vulnerável. O caso tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração foi solicitada com base em uma notícia-crime apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que apontam indícios de que Gaspar teria estuprado uma adolescente de 13 anos. Segundo o documento, a violência teria resultado em uma gravidez, e a criança teria sido registrada como filha da avó materna para ocultar a identidade da vítima e do agressor. Os autores da ação também afirmam que o parlamentar teria oferecido R$ 70 mil para comprar o silêncio da família. Em abril, o procurador-geral Paulo Gonet defendeu a realização de diligências preliminares antes de decidir sobre a abertura de um inquérito. Segundo a CartaCapital, essa etapa ainda está em andamento e uma decisão pode ocorrer durante a campanha eleitoral. Gaspar nega as acusações.
🔸 O fim das convenções partidárias consolidou um cenário de alianças esvaziadas para a eleição presidencial de 2026. Dos 15 partidos e federações com representação no Congresso Nacional, seis optaram pela neutralidade e liberaram seus diretórios estaduais para apoiar os candidatos mais convenientes às articulações locais. O Congresso em Foco lista o candidato que cada partido escolheu e destaca que Lula (PT) foi o único presidenciável a formar uma coligação nacional, reunindo a federação PT-PCdoB-PV, o PSB, o PDT e a federação PSOL-Rede.
📮 Outras histórias
Racismo, identidade e representatividade passaram a fazer parte da rotina de 23 escolas da Maré, complexo de favelas na zona norte do Rio de Janeiro. Os temas vieram com a implementação da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola. O Maré de Notícias mostra como a iniciativa aproxima as diretrizes nacionais do cotidiano escolar em um território marcado pela maioria da população negra, pela violência armada e por outras desigualdades. Fernanda França, articuladora da Redes da Maré, atua diretamente nas formações realizadas junto às equipes escolares. Ela conta que vem observando uma mudança entre os educadores: “Tenho percebido uma receptividade crescente. Muitos educadores enxergam esses encontros como espaços importantes de formação e troca”.
📌 Investigação
Ao menos 65 policiais e bombeiros da reserva que disputaram eleições foram nomeados para cargos de monitor no programa Colégio Cívico-Militar do Paraná depois de serem derrotados nas urnas. A partir do cruzamento entre a folha de pagamento do programa e dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Plural identificou que 63 deles já eram candidatos antes de assumir o posto e que 32 continuam em atividade, recebendo uma gratificação de, em média, R$ 5.566 por mês, paga além da aposentadoria militar. A maioria é ligada a partidos de direita e centro-direita, e o programa já destinou cerca de R$ 165 milhões ao pagamento de monitores desde 2021. A reportagem também conta que 79 monitores e diretores deixaram o programa em março de 2026. Houve 64 desligamentos em um único dia, poucas semanas antes do prazo de desincompatibilização para quem pretende disputar as eleições de 2026.
🍂 Meio ambiente
Diante do avanço da seca severa, o governo do Acre decretou situação de emergência por 180 dias. A crise ameaça o abastecimento de água em grande parte dos 22 municípios do estado. O Varadouro mostra que a queda no nível dos rios já afeta as cinco principais bacias hidrográficas do estado e compromete a navegação, o transporte escolar e o fornecimento de medicamentos e combustíveis. Segundo previsões meteorológicas, a consolidação do El Niño deve prolongar a estiagem entre agosto e outubro, com chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal em toda a Amazônia Legal. A seca pode afetar diretamente 36 terras indígenas, 246 aldeias e 16 povos, além de interromper o transporte fluvial e comprometer a pesca artesanal.
📙 Cultura
O rock, o punk e o hardcore produzidos nas periferias e no interior também são espaços de disputa de raça, classe e pertencimento. O Nós, Mulheres da Periferia conversa com a artista visual, fotógrafa e escritora Daisy Serena; com os integrantes da banda afro-brasileira de punk rock Punho de Mahin; e com o produtor e editor Rodrigo Corrêa, idealizador do podcast “Balanço e Fúria” e da editora Sobinfluência. Adotada por uma família branca no interior paulista e criada ouvindo rock, Daisy Serena diz que levou anos para compreender como sua identidade racial atravessava esse universo: “Mais tarde, entendi que eu ‘não sou uma punk negra; sou uma mulher negra que gosta de punk’”. O Punho de Mahin, grupo formado por músicos negros do ABC paulista, usa a música para discutir personagens negros invisibilizados na história, como Luíza Mahin. Os artistas lembram que, por muito tempo, sentiam que era preciso se “encaixar num molde branco”, mas avaliam que a cena vive hoje um movimento de aquilombamento.
🎧 Podcast
Para receber o Bolsa Família, famílias de povos indígenas chegam a passar meses acampadas em barrancos, sob lonas, enquanto tentam vencer barreiras linguísticas e burocráticas. O “Prato Cheio”, produção d’O Joio e O Trigo, acompanha a rotina de indígenas que viajam até seis dias de barco para chegar a São Gabriel da Cachoeira (AM), onde aguardam atendimento para acessar benefícios sociais. No município, onde mais de 90% da população é indígena, a burocracia do Estado entra em choque com modos de vida tradicionais: a falta de tradutores, as exigências de documentos e os erros cadastrais prolongam a permanência das famílias na cidade por semanas ou meses. As dificuldades vão além da burocracia. Josefina, do povo Hupd’äh, compara a vida na aldeia com a permanência forçada na cidade: “Na comunidade, quando a gente não tem comida, os vizinhos, os parentes oferecem farinha, beiju, peixe. Assim que a gente come na comunidade. Aqui não, tem que ter dinheiro para comprar arroz, feijão, açúcar”.
🧑🏽🏫 Educação
A maioria das escolas brasileiras de ensino fundamental e médio já incorporou discussões sobre uso seguro das tecnologias, educação midiática e cidadania digital. Segundo a pesquisa TIC Educação, 83% dos gestores participaram de reuniões sobre regras para o uso de celulares em 2025, ante 70% em 2024. O Porvir detalha o estudo e destaca que o debate sobre tecnologia nas escolas mudou: deixou de ser concentrado no acesso e voltou-se para os usos das ferramentas e seus impactos na saúde mental. Cresceram as conversas sobre cyberbullying, discriminação, vazamento de imagens e o uso de inteligência artificial nas escolas. Segundo a pesquisa, 53% dos gestores já usam IA em atividades pedagógicas, administrativas ou financeiras. Apesar disso, apenas 22% afirmam que suas escolas possuem orientações para o uso da tecnologia.



