🔸 Flávio Dino submeteu ao plenário do Supremo Tribunal Federal sua decisão de restabelecer publicações sobre Nossa Senhora Aparecida retiradas das redes por ordem de André Mendonça, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão de Mendonça, tomada na última sexta-feira, atingiu posts que relacionavam a família Bolsonaro a uma suposta iniciativa para retirar da santa o título de padroeira do Brasil. Segundo o Jota, Dino considera que a ordem do TSE contraria a proteção à liberdade de expressão e pode provocar “censura em massa”, especialmente com a proximidade de 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida. Em paralelo, a defesa de Flávio Bolsonaro (PL) foi ao STF pedir a sustação dos efeitos da liminar de Dino e que a decisão seja levada também para o plenário. O pedido foi feito no recurso sobre o Marco Civil da Internet, de relatoria do ministro Luiz Fux.
🔸 A propósito: o boato de que Flávio Bolsonaro pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil retoma narrativas falsas difundidas contra seu pai nas eleições de 2018 e 2022. O Aos Fatos mostra que, nas campanhas anteriores, circularam uma falsa página de jornal, documentos forjados e publicações fabricadas atribuídas a Jair Bolsonaro. Desta vez, as postagens falam em um suposto acordo de bastidores de Flávio com setores evangélicos. O candidato negou que pretenda promover a mudança. Parte das publicações cita um projeto de lei de 2007 do ex-deputado Victorio Galli (à época no PMDB-MT), que propunha alterar a designação da santa na lei do feriado de 12 de outubro. O projeto foi arquivado em 2008. O boato ganhou força depois de um comentário na GloboNews sobre uma possível mobilização de setores evangélicos, sem menção a Flávio Bolsonaro, mas trechos da fala passaram a circular associados a ele. Há, entre as postagens removidas, posts que não fazem referência direta ao boato, como os de uma organização religiosa, bem como publicações de humor.
🔸 A proibição das bets anunciada por Lula (PT) é aprovada por 62% dos eleitores e desaprovada por 21%, segundo pesquisa Quaest divulgada ontem. Outras duas medidas recentes do governo também receberam apoio da maioria dos entrevistados – 59% aprovam o reajuste do Bolsa Família e 58%, a oferta de canetas emagrecedoras pelo SUS. A Revista Cenarium detalha o levantamento e informa que, na disputa presidencial, Lula passou de 37% para 39% das intenções de voto no primeiro turno, e Flávio Bolsonaro (PL), de 33% para 34% em uma semana, oscilações dentro da margem de erro. Numa simulação de segundo turno, os dois aparecem com 42%.
🔸 Falando em bets… Duas entidades que representam empresas de apostas acionaram o STF contra a medida provisória de Lula que proíbe as plataformas. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) pedem que a proibição seja suspensa enquanto o Congresso analisa a MP, por até 120 dias. Nesse período, querem manter as regras anteriores. A ação foi distribuída ao ministro Luiz Fux. Segundo o Terra, as entidades também pedem, como alternativa, que o prazo para encerrar as atividades seja ampliado para pelo menos seis meses.
🔸 “As pessoas não ganham, mas perdem na maioria das vezes. E as dívidas que já existiam passam a aumentar”, afirma o geógrafo Kauê Lopes dos Santos, autor de “Parcelado”. Ele explica ao Fala Roça que os territórios periféricos vivenciam a cultura do consumo, em que a vulnerabilidade se cruza com o desejo e a necessidade de comprar: “As bets catalisam o ciclo de endividamento. Se você está pouco endividado, você fica mais endividado. E é crônico porque é uma lógica de endividamento contínua que aliena o futuro e compromete o orçamento do trabalhador”. Alexandre Almeida, morador da Rocinha, comunidade na zona sul do Rio de Janeiro, aposta em jogos de futebol há sete anos e conta que passou a jogar menos depois de perceber o efeito da espera pelos resultados: “Eu sou uma pessoa muito ansiosa. Então, às vezes, eu fazia um bolão grande e faltava um jogo para bater o meu bolão. Se esse jogo fosse na hora do meu trabalho, eu ia parar o meu trabalho para ficar toda hora vendo como é que está o jogo. É uma coisa que atacava muito a minha ansiedade, sabe?”.
📮 Outras histórias
“É um boi gato, minha filha.” Foi assim que uma mãe apresentou à filha o mascote Bulba durante um cortejo em Arapiraca, no interior de Alagoas. Criado pela artista Ingrit Lima, o personagem faz referência ao nome de sua cidade natal, associado à ideia de um “ramo que a arara visita”, e também presta homenagem ao bumba-meu-boi. A partir dessas referências, Bulba se tornou o símbolo do Festival Primavera Cultural e acompanha o evento em sua circulação por municípios alagoanos, até abril do ano que vem. A Revista Alagoana conta que a terceira edição do evento combina os cortejos com oficinas gratuitas voltadas à produção cultural. O festival começou pela Ilha do Ferro, no município de Pão de Açúcar, onde moradores participaram de uma formação em direção de arte. Produtores de cada cidade ajudam a reunir artistas e organizar as atividades.
📌 Investigação
A Prefeitura de São Paulo aprovou uma planilha do programa WiFi Livre que situa um ponto de internet em outro estado – mais precisamente, na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro. No mesmo registro, o endereço escrito por extenso fica em Itaquera, na zona leste paulistana. São as coordenadas geográficas que levam à ilha, a mais de 400 km dali. Ao comparar duas planilhas do Instituto Conhecer Brasil (ICB), responsável pelo serviço, o Intercept Brasil identificou 37 pontos com coordenadas fora da capital e 17 com CEPs incorretos. As divergências não provam que os equipamentos tenham sido instalados nesses locais, mas dificultam verificar onde estão e fiscalizar o serviço. O contrato é investigado pela Polícia Federal e pela Polícia Civil de São Paulo. O ICB é comandado por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. A Polícia Civil apura suspeitas de que dinheiro do WiFi Livre tenha custeado a produção.
🍂 Meio ambiente
A Amazônia perdeu, em média, 690 mil árvores a mais por dia no governo Jair Bolsonaro (2019–2022) do que no terceiro mandato de Lula (2023–2026). O número é resultado de uma análise da InfoAmazonia, com base nos dados do Prodes, sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que gera a taxa oficial de desmatamento. Os dados de 2026 ainda são preliminares, já que o percentual do ano não foi concluída. Em área, o desmatamento cresceu cerca de 54% na gestão de Bolsonaro e caiu 51% no atual mandato de Lula, em comparação com as taxas dos anos anteriores a cada governo. A reportagem relaciona essa diferença às políticas de combate ao desmatamento. O Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal foi extinto durante o governo Bolsonaro e retomado em 2023. A nova fase prevê zerar o desmatamento ilegal até 2030.
📙 Cultura
O escritor Geovani Martins afirma que “O Sol na Cabeça” tem sido alvo de “censura silenciosa” em escolas e bibliotecas. Ele divulgou o relato de um professor segundo o qual exemplares da coletânea teriam sido retirados de 17 bibliotecas da rede Firjan Sesi no Rio de Janeiro após reclamações de pais. A instituição nega a retirada e diz que não orientou nenhuma unidade a fazê-la. À Quatro Cinco Um Martins conta que passou a receber relatos semelhantes de educadores depois de falar publicamente sobre o assunto. O livro, lançado em 2018, reúne 13 contos sobre o cotidiano de jovens de periferias e aborda violência policial, tráfico e racismo. O autor chama atenção para a importância da literatura como território político. “Se a gente quiser ter uma discussão política decente, as pessoas têm que sair da escola com a mínima noção do que é o Brasil, do que é um texto literário, do que é a nossa língua e de como tudo isso se articula no aspecto político”, afirma.
🎧 Podcast
“A milícia não é um poder paralelo. É o próprio Estado sendo cooptado, usado”, afirma a jornalista Cecília Olliveira, autora do livro “Como Nasce um Miliciano” e fundadora do Instituto Fogo Cruzado. Em conversa com Branca Vianna no “Fio da Meada”, produção da Rádio Novelo, ela explica que policiais, bombeiros e agentes penitenciários participam desses grupos, que também se articulam com políticos. O controle de um território permite cobrar por serviços como gás, internet e transporte, além de explorar o mercado imobiliário. Hoje, diz Cecília, os milicianos podem financiar candidatos ou estruturas usadas por eles sem se candidatar. Às vésperas das eleições, Cecília defende a investigação das finanças desses grupos e a independência da Polícia Federal. “A gente investiga muito pouco, muito pouco. Seis em cada dez homicídios – que é o pior crime, que é um crime contra a vida –, ninguém sabe quem foi, por que foi, como foi”, afirma.
🧑🏽⚕️ Saúde
Um medicamento que ajudou a reduzir os riscos de abortos inseguros no Brasil só pode ser adquirido legalmente por hospitais. A revista AzMina reconstitui a história do misoprostol, conhecido como Cytotec: ele chegou às farmácias em 1986 para tratar úlceras, e brasileiras descobriram seu uso para interromper gestações. Profissionais de saúde passaram a observar, nos anos 1990, menos infecções entre pacientes que chegavam aos hospitais após substituir métodos com objetos cortantes pelo remédio. O acesso, porém, foi restringido progressivamente, até uma norma de 1998 limitar sua venda a estabelecimentos hospitalares credenciados. A Organização Mundial da Saúde inclui o misoprostol em sua lista de remédios essenciais desde 2005. “O medicamento deveria ser a opção mais fácil, que garante maior privacidade, mais acessível do ponto de vista dos custos, mas no Brasil ele se tornou a opção mais difícil”, diz Mariana Prandini, professora da Universidade de Brasília e pesquisadora de justiça reprodutiva.



