🔸Os professores representam um em cada 15 candidatos nas eleições de 2026 e somam 1.351 candidaturas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O Nexo traça o perfil do grupo, que se destaca pela presença das mulheres: são 45,5% das candidaturas, taxa superior à média de participação feminina no conjunto geral das eleições (34,8%). Partidos de esquerda, como PSTU, PCdoB, PCB, PSOL, UP e PT, concentram um terço do total de professores candidatos (415). Já os de direita registram proporções significativamente menores de educadores. O PL, partido com mais candidatos no país, tem apenas 3,4% de candidaturas ligadas à educação.
🔸 A propósito: o retrato das candidaturas registradas segue concentrado em homens brancos e empresários. A Alma Preta destaca a falta de diversidade nos registros eleitorais: segundo os dados do TSE, homens representam 65% dos 20.530 candidatos para o pleito, enquanto as mulheres somam apenas 35%. Quanto aos registros raciais, quase metade dos concorrentes se declaram brancos, contra 36% pardos e 13,6% pretos. Indígenas e amarelos são, respectivamente, 0,93% e 0,53%. Na liderança das ocupações de todos os concorrentes, os empresários formam a maior fatia profissional.
🔸 Na Câmara, a disputa pelas 513 vagas terá menos postulantes, mas traz mudanças de perfil, como mostra o Congresso em Foco. A participação feminina subiu de 35% para 37% em relação a 2022, enquanto as candidaturas indígenas passaram de 50% para 75%. O cenário tem candidatos mais jovens, com idade média de 47 anos, e com maior escolaridade: sete em cada dez têm ensino superior completo. Atualmente, mulheres ocupam cerca de 18% das cadeiras da Casa, metade do percentual em disputa neste ano. Também aumentou o número de pessoas trans na disputa, que passou para 24 em 2026, ante 19 na eleição passada. Em termos profissionais, os empresários formam o maior grupo, com 12,5% do total, seguidos de advogados, com cerca de 8,3%.
🔸 O estado de São Paulo perdeu o prazo de adesão ao Protocolo Brasil Sem Fome, principal programa nacional de combate à miséria, mesmo com 48 dos 500 municípios considerados prioritários pela iniciativa federal. O Joio e O Trigo mostra como essas cidades paulistas ficaram sem suporte e a tentativa de o governo estadual prorrogar o prazo, mas sem justificar por que não o cumpriu. Também sob Tarcísio de Freitas (Republicanos), o abandono das instâncias de governança deixou o estado sem plano de segurança alimentar desde 2023, com apenas 12,2% de seus 645 municípios integrados ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Para Maria Rita Marques de Oliveira, pesquisadora e professora da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), a inação do governo estadual gera um efeito em cadeia: “Os municípios vão pela lógica do estado. Se o estado não faz, a prefeitura também não faz. A articulação, a rede, o senso de cooperação e de colaboração ficam minados”, afirma.
🔸 Mesmo após sofrerem bloqueios judiciais, ao menos dez influenciadores investigados por desinformação e tentativa de golpe em eleições passadas seguem publicando conteúdos neste pleito. A Agência Pública identificou os canais que contornam restrições judiciais por meio de novas páginas. A rede de perfis usa inteligência artificial para propagar montagens de candidatos e desinformação sobre as urnas eletrônicas. Alguns dos investigados estão foragidos no exterior, o que dificulta o alcance de ordens judiciais. Pesquisadora de direito digital na Fundação Getúlio Vargas, Yasmin Curzi afirma que “a suspensão de conteúdos e contas funciona como ferramenta de contenção pontual, mas não há uma solução estrutural para o problema da desinformação”. No cumprimento de ordens judiciais, as empresas de tecnologia frequentemente “tiram um ou outro perfil do ar, mas mantém outros sem a transparência adequada”, explica.
📮 Outras histórias
“Se eu tivesse uma casa, não ia faltar comida. Não ia faltar o lanche das crianças. Cada vez que falta alguma coisa, é um sufoco”, conta Marcela (nome fictício). Dos R$ 1.050 que recebe no Bolsa Família para sustentar seus três filhos, R$ 700 são destinados para pagar o aluguel em Vitória da Conquista (BA). Segundo o Conquista Repórter, mais de seis mil famílias como a dela correm o risco de continuar sem um teto este ano: 8 mil se inscreveram no Minha Casa Minha Vida, mas apenas 1.644 moradias serão entregues. A reportagem denuncia ainda a burocracia e a falta de respostas da prefeitura sobre os atrasos. “Existe muita gente sem casa e muita casa sem gente”, diz o advogado Claudio Carvalho, sobre os cerca de 32 mil imóveis vazios na cidade. “Sem moradia, você não tem trabalho, educação, saúde ou lazer. O direito à moradia é a porta de entrada dos demais direitos”, destaca.
📌 Investigação
A fantasiosa teoria de Ratanabá, suposta capital mundial fundada há 600 milhões de anos na Amazônia, tenta vestir uma roupagem de ciência. Propagada por Urandir Oliveira, criador do ET Bilu, a lenda até cruzou fronteiras, e chegou ao parlamento paraguaio – onde foi barrada. A revista piauí esmiúça a anatomia dessa farsa arqueológica e detalha como o ecossistema de negócios de Urandir prospera com a venda de lotes e moedas digitais. Os defensores da tese insistem na existência de construções simétricas visíveis de helicóptero que conectariam toda a América do Sul. Para simular apoio acadêmico, o grupo se infiltrou em um simpósio de geomorfologia, campo que estuda as formas da superfície terrestre, em Corumbá (MS). “Foi uma loucura total. Fizeram uma espécie de pregação de coisas que não tinham o mínimo embasamento”, conta Marco Túlio Diniz, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
🍂 Meio ambiente
Fundamentais para o equilíbrio ecológico e hídrico da América do Sul, o Cerrado e a Caatinga sofrem uma invisibilização histórica nos debates nacionais e internacionais de preservação. A Eco Nordeste acompanhou as atividades do Pavilhão Brasil na 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas (COP17) de Combate à Desertificação, que ocorre até o dia 28 deste mês, na Mongólia, e detalha como os biomas devem estar na linha de frente da discussão. O coordenador do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas, Alisson Fonseca, defendeu, por exemplo, a regularização fundiária no Cerrado: “Onde o território é protegido e demarcado, a vegetação nativa permanece de pé”. Já Luís Almeida, integrante da Articulação Semiárido Brasileiro, contrariou o estereótipo histórico sobre a Caatinga sobre a ausência de biodiversidade e resgatou as pesquisas arqueológicas da Serra da Capivara, no Piauí, para demonstrar que são mais de cem mil anos de adaptação e convivência harmoniosa entre os humanos e o bioma.
📙 Cultura
Com propostas que vão desde o fim do Ministério da Cultura até a privatização de museus, o setor também está na mira dos presidenciáveis. O Nonada analisou os planos de governo de nove dos 13 candidatos para a área: Renan Santos (Missão) propõe extinguir a pasta e usar as verbas da Lei Rouanet para a construção e modernização de presídios. Flávio Bolsonaro (PL) foca em descentralizar recursos para desenvolver outros polos regionais e distinguir cultura de entretenimento comercial. Já o plano de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende a continuidade da pasta, a integração com a educação, o fomento da classe artística e cultural, a aprovação de lei do direito autoral em ambiente digital e a regulamentação da inteligência artificial. Por fim, Romeu Zema (Novo) propõe aproximar a cultura do turismo e privatizar museus.
🎧 Podcast
“O Trump é, para todos os fins, um homem do século 19”, diz o cientista político Guilherme Casarões. No “Diálogos com a Inteligência”, produção do Meio, ele analisa a ascensão global da extrema direita e da religião, a popularização das doutrinas conservadoras, o neoliberalismo autoritário e as eleições no Brasil. Para Casarões, não haverá influência direta do presidente dos Estados Unidos no pleito, mesmo diante da aproximação de Flávio Bolsonaro. “Acho muito difícil que o Trump vá de fato jogar esse peso todo da Casa Branca sobre a eleição do Brasil. Não queremos também ver intervenção estrangeira no nosso processo eleitoral, nem de lá, nem de cá.”
👩🏽🏫 Educação
“Percebemos que o estudante aprende muito mais quando se sente seguro, acolhido e pertencente à escola”, afirma Karina Moraes, diretora geral de uma escola em Maricá (RJ), onde Samuel, 14 anos, foi afastado por dificuldades de relacionamento e foi reintegrado à sala de aula sob a premissa de “ouvir antes de punir”. Segundo um estudo do Instituto Ayrton Senna, oito em cada dez estudantes brasileiros no Ensino Médio relatam um ou mais sintomas de ansiedade e depressão em nível alto. O Lunetas explica que priorizar a saúde mental vai muito além de ter um psicólogo no corredor. “Quando os estudantes se sentem pertencentes à escola e contam com recursos socioemocionais para lidar com dificuldades, eles tendem a apresentar melhores condições para aprender, participar das aulas e persistir diante dos desafios acadêmicos”, avalia Gisele Alves, psicóloga do instituto.



