🔸 Em sabatina na Globo ontem, o presidente Lula (PT) cobrou a apuração de denúncias sobre ministros do STF, criticou ajustes fiscais que prejudiquem os mais pobres e defendeu a redução da maioridade penal para crimes hediondos. O Congresso em Foco mostra os destaques da entrevista, na qual o petista também reconheceu dificuldades para comunicar as realizações do governo e afirmou que os primeiros dois anos do mandato foram dedicados à reconstrução de políticas públicas. Na segurança, declarou apoio à responsabilização criminal a partir dos 16 anos em crimes hediondos, mas defendeu discutir a mudança separadamente da PEC da Segurança Pública. Sobre o STF, Lula disse não ter uma avaliação do impacto da crise em seu desempenho eleitoral e acusou a extrema direita de tentar responsabilizá-lo pelo desgaste do tribunal. “Obviamente que a extrema direita tenta jogar a Suprema Corte nas minhas costas porque eles querem caçar o Alexandre de Moraes, não é por conta do Banco Master. Eles querem caçar o Alexandre de Moraes porque ele prendeu o pai do Flávio Bolsonaro.”
🔸 Pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra que Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) estão tecnicamente empatados. Segundo o levantamento, Flávio tem 51% dos votos válidos e Lula, 49%. O Canal MyNews lembra que, na pesquisa anterior, o senador tinha 52%, e o presidente, 48%. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Nos votos totais, Flávio aparece com 47%, e Lula, com 45%. Brancos e nulos somam 6%, e 2% dos entrevistados estão indecisos. A pesquisa ouviu 2.520 pessoas em 153 municípios.
🔸 Daniel Vorcaro organizou uma festa com garotas de programa em seu tríplex no Itaim Bibi, em São Paulo, em 28 de fevereiro de 2025. O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, teria participado do evento. A revista piauí reconstitui a festa a partir de 125 mensagens do celular do banqueiro, apreendido pela Polícia Federal, que mostram sua participação nos preparativos, da contratação de funcionários à escolha dos alimentos. Em mensagens reveladas anteriormente, Vorcaro afirmou que estava “fazendo graça para ministro em SP”, e a agenciadora Rayanna escreveu sobre uma mulher: “Ela disse que ficou com o kassio”. O banqueiro coordenou a chegada das mulheres à noitada e orientou Rayanna: “Só lembra que sem celular”. Às 20h56, o mordomo Michael informou: “Emprestei quarto do lado para ministro com 5 menina”. Mais tarde, relatou que os convidados estavam nus na piscina e escreveu: “Ministro tá sem pressa nenhuma de ir embora acabou de falar que está renovando para começar tudo novamente”. Após a saída do convidado, o funcionário enviou fotos de preservativos usados e de uma calcinha encontrada na cama.
🔸 Responsável por Instagram, Facebook, Threads e WhatsApp, a Meta está no centro do debate das eleições. Um levantamento da organização CTRL+Z, ao qual a Agência Pública teve acesso, documentou mais de mil casos de restrições e banimentos nas plataformas da Meta na primeira quinzena de outubro. O documento mostra que 54% dos conteúdos tinham posição política indeterminada, mas, entre os que puderam ser classificados, nove em cada dez eram pró-Lula ou progressistas. A Meta tem removido publicações, desativado contas e limitado o alcance de conteúdos sem apresentar explicações claras ou oferecer mecanismos acessíveis de contestação. A perda de alcance foi a ocorrência mais frequente, com 356 registros, seguida por restrições de repostagem, limitações de contas e remoções. Em 22% dos casos, contas ou publicações foram censuradas sem justificativa. “Sem explicação e sem chance real de recurso, a empresa acaba decidindo, na prática, quem pode participar e quem é mais ouvido no debate público”, alerta Yasmin Curzi, pesquisadora de direito digital na FGV Rio.
🔸 A propósito: a campanha de Lula denunciou à Organização dos Estados Americanos (OEA) e a observadores eleitorais uma possível interferência da Meta em favor de Flávio Bolsonaro. O Nexo detalha as suspeitas e a falta de transparência que dificulta verificá-las. A Meta reconhece falhas técnicas, mas nega viés ideológico e afirma que os problemas não atingiram exclusivamente o Brasil ou contas específicas. Sobre a geração de propaganda pela Meta AI, que aceitava comandos com “Flávio 22” e recusava “Lula 13”, a empresa anunciou ajustes. A reportagem apresenta um levantamento da Sleeping Giants Brasil sobre o alcance de Nikolas Ferreira (PL-MG). Os dez reels mais recentes do deputado tinham média de 41,05 milhões de visualizações, próxima à de Neymar e superior à de celebridades com muito mais seguidores. O relatório aponta duas hipóteses: favorecimento pela Meta ou desempenho orgânico excepcional.

📮 Outras histórias
Dandara Rohrs de Araújo tem 10 anos, escreve poemas sobre a relação com a família e leva as composições às batalhas de improviso em Salvador. “Eu escolho o poema mais adequado com o espaço”, conta. Seu pai, o agente de endemias Ailton Portela de Araujo, vê nessa vivência um complemento à formação escolar: “Vejo como ferramenta de transformação da educação. Me ajuda a dar uma educação diferente, a qual ela nunca vai ter na escola, uma educação politizada”. A Entre Becos mostra como crianças e adolescentes encontram nas batalhas de rima um espaço de expressão, aprendizagem e convivência. Maria Eduarda Santana de Sousa, de 11 anos, a Duda Santhana, conquistou 26 títulos em apenas 11 meses no movimento. “Eu só escuto a rima do adversário, penso ‘preciso responder’ e mando. É algo natural”, explica.
📌 Investigação
Flávio Bolsonaro venceu em oito dos dez municípios mais desmatados da Amazônia na última década e nos dez com os maiores rebanhos bovinos do bioma. A Sumaúma cruza os resultados do primeiro turno com dados de cobertura florestal e atividades econômicas e identifica que a preferência pelo candidato acompanha o avanço da pecuária, da soja e da mineração. Nos 773 municípios da Amazônia Legal, Flávio recebeu 47,7% dos votos válidos e superou Lula por pouco mais de um ponto percentual, apesar de o petista ter vencido em mais de 55% das cidades. Nos municípios com mais de 70% da floresta preservada, Lula fica, em média, 13 pontos à frente do adversário. O padrão se repete em áreas de garimpo e mineração industrial. Em Itaituba (PA), centro de exploração e lavagem de ouro ilegal, Flávio recebeu sete em cada dez votos; em Alto Alegre (RR), principal rota do garimpo ilegal no estado, foram 71,6%. Canaã dos Carajás (PA), onde a Vale opera, deu ao candidato quase dois terços dos votos.

🍂 Meio ambiente
O Amazonas tem 36 dos 62 municípios em estado de emergência por causa das queimadas, e a fumaça levou à suspensão das aulas na rede municipal de Manaus, em unidades da Universidade do Estado do Amazonas e no campus do Instituto Federal do Amazonas. O #Colabora informa que, em 14 de outubro, a capital registrou a pior qualidade do ar do Brasil pelo sétimo dia consecutivo. Nos primeiros 14 dias do mês, o estado contabilizou cerca de 1,6 mil focos de incêndio, contra 473 no mesmo período de 2025. Uma força-tarefa coordenada pelo Ibama concentra ações em áreas críticas, com apoio de 11 aeronaves. Depois de sobrevoar o estado, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, relatou incêndios dentro de áreas preservadas e de difícil acesso: “Esse é o problema grave, porque indica claramente que são incêndios criminosos com o objetivo de degradar a floresta e posteriormente buscar a derrubada na sequência”.
📙 Cultura
Elton Damasceno da Silva, o Fubá, começou aos 14 anos a produzir esculturas de personagens para lojas de festas em Belo Horizonte. Em 2005, seu domínio de moldes e acabamentos chamou a atenção dos artistas John Ahearn e Rigoberto Torres, que o escolheram para trabalhar em “Rodoviária de Brumadinho”, uma das primeiras obras de Inhotim. Além da execução técnica, ele recrutou moradores para serem retratados nas esculturas. O Nonada narra a trajetória do atual gerente de ateliê do instituto, que completa 20 anos. Nesse percurso, Fubá aprendeu inglês para conversar com os artistas, retomou os estudos e se tornou o primeiro da família a concluir uma graduação, em História. “Aqui eu vi que existia um terreno fértil para meu próprio crescimento”, conta. Seu trabalho envolve encontrar soluções para transformar projetos artísticos em obras e garantir sua conservação. O gerente reuniu esses conhecimentos em um manual de 118 páginas e pretende compartilhá-los com a comunidade de Brumadinho para formar profissionais locais.
🎧 Podcast
O economista Eduardo Heck de Sá acordou com uma enxurrada de mensagens e descobriu que sua foto ilustrava uma reportagem da “Folha de S.Paulo” sobre Jeferson Monteiro, criador do perfil Dilma Bolada. A troca o colocou no meio da disputa eleitoral sobre o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. No prólogo de “O outro eu”, o “Rádio Novelo Apresenta”, produção da Rádio Novelo, conta como a confusão provocou risadas, mas também preocupação com segurança. Mesmo após o jornal retirar a imagem, buscadores e uma ferramenta de IA continuavam reproduzindo o erro. No primeiro ato, Maíra Vallejo narra a história da psiquiatra Maria Inês Quintana, diagnosticada aos 52 anos com uma forma agressiva de esclerose lateral amiotrófica. Com a perda dos movimentos e da fala, ela passou a digitar com os olhos e usou gravações antigas para recriar sua voz e desenvolver avatares com sua aparência. A tecnologia permitiu que continuasse ensinando e participando da vida familiar.

💆🏽♀️ Para ler no fim de semana
“A misoginia vem caminhando cada vez mais para o centro de sua própria gramática. Ela se tornou uma ferramenta de recrutamento importante inclusive para outras formas de radicalização”, afirma a antropóloga Letícia Cesarino sobre a extrema direita. Ela é autora de “Ecologias de Crise”, que analisa a radicalização como um circuito entre pessoas, plataformas, algoritmos e relações sociais. Em entrevista ao Catarinas, Cesarino explica que, na política eleitoral, há uma disputa por atenção que favorece discursos cada vez mais extremos, inclusive entre mulheres. “O antifeminismo é um nicho muito produtivo dentro da economia da atenção e, quando se encontra com a política eleitoral, ganha ainda mais espaço. Há cada vez mais mulheres querendo ocupar esse nicho”, diz a antropóloga.
