O lobby pela escala 7x0 e uma regra para impedir a 'cera' na Copa
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🔸O cronograma de financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL), previa 14 desembolsos a serem feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. As duas primeiras parcelas foram de US$ 2 milhões cada, e as outras 12 foram fixadas em US$ 1,66 milhão cada. O Intercept Brasil detalha a planilha intitulada “Funding Schedule”, que registra uma operação total de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época). Os desembolsos efetivamente realizados somaram ao menos US$ 10,6 milhões, ou cerca de R$ 61 milhões. A reportagem também revela um comprovante bancário internacional emitido pelo sistema SWIFT. O documento registra a transferência de US$ 2 milhões em 13 de fevereiro de 2025 pela empresa Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos. O fundo é controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-RJ).
🔸 O PL, aliás, foi o principal partido beneficiado pela nova divisão do fundo eleitoral para 2026. A legenda saltou de R$ 288,5 milhões em 2022 para R$ 881,7 milhões neste ano, um crescimento de 205,6%, tornando-se a maior destinatária dos recursos públicos de campanha. O avanço chama atenção porque o valor total do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) não aumentou e segue mantido em R$ 4,96 bilhões. Segundo o Congresso em Foco, o que mudou foi a partilha interna entre as legendas. A bancada do PL considerada no cálculo passou de 37 para 98 deputados e de 2 para 15 senadores. Como 98% do fundo são distribuídos de acordo com a votação para deputado federal e o tamanho das bancadas na Câmara e no Senado, o crescimento parlamentar se traduziu em uma fatia muito maior dos recursos. A redistribuição mostra como a composição do Congresso influencia diretamente a capacidade financeira dos partidos para disputar a eleição seguinte.
🔸 Cerca de 3 mil entidades empresariais lançaram ontem uma ofensiva para pressionar o Senado a priorizar a chamada “PEC do Trabalho Flexível” (PEC 12/2026), apresentada pela oposição bolsonarista como alternativa ao fim da escala 6x1 aprovado pela Câmara dos Deputados. A CartaCapital conta que o lobby está materializado em uma carta aberta intitulada “Uma Carta para o Brasil que Acorda Cedo”, que tem entre os autores a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A proposta mantém a possibilidade de jornadas de até 44 horas semanais e preserva a escala de seis dias de trabalho para um de descanso, além de ampliar o peso de acordos individuais entre empregadores e empregados. Não por acaso o texto ganhou o apelido de “PEC da escala 7x0”.
🔸 A violência contra pessoas em situação de rua no Brasil tem forte recorte racial: entre os cerca de 150 mil episódios registrados entre 2014 e 2023, 78% das vítimas eram negras. É o que mostra estudo do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Jovens de 15 a 49 anos concentraram 82% dos casos, o que reforça, segundo os pesquisadores, a relação entre racismo, pobreza e exclusão social. A Revista Afirmativa destrincha o levantamento e destaca que os números reais podem ser ainda maiores, já que sete em cada dez vítimas não procuram atendimento ou registram ocorrência após sofrer violência. Em média, 120 casos chegam diariamente ao sistema de saúde; em 75% deles houve necessidade de atendimento de urgência e, em 12%, os episódios resultaram em trauma grave ou morte.
📮 Outras histórias
“A dificuldade de entrar no mercado me fez perceber que não bastava só eu conseguir. Era importante abrir caminho para que outras pessoas também pudessem atravessar a mesma porta”, lembra o fotógrafo Daniel Eduardo. Quando tinha 16 anos, ele conseguiu trabalho num estúdio como assistente de fotografia. Em 2019, ao lado dos também fotógrafos Cássio Andreasi e Diéson, fundou o projeto Click na Favela, em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. A Agência Mural conta que, desde sua criação, a iniciativa já formou cerca de cem jovens. O curso dura quatro meses e combina aulas teóricas e práticas de fotografia e audiovisual. Ana Beatriz, 21 anos, foi aluna da turma de 2025 e hoje é fotógrafa freelancer. Ela afirma: “Nascer na ‘margem’ da sociedade nos distancia dos nossos sonhos, pela dificuldade em encontrar ao menos um caminho para chegar até eles. E, para mim, o Click Favela foi esse caminho”.
📌 Investigação
Dezenas de moradores da Favela do Moinho, no centro de São Paulo, seguem vivendo entre escombros, entulho, ratos e escorpiões, um ano depois o acordo firmado entre os governos Lula e Tarcísio de Freitas (Republicanos) para reassentar gratuitamente as mais de 800 famílias da comunidade. “Hoje estou só com duas vizinhas, o resto já saiu tudo”, diz Leidivânia Domingas, 31 anos, uma das últimas moradoras do Moinho, para onde se mudou em 2014. A Ponte mostra que, embora a comunidade tenha sido quase totalmente demolida, mais de 40% das 854 famílias consideradas aptas pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) ainda não se mudaram para os imóveis prometidos. Muitas vivem provisoriamente com auxílio-moradia de R$ 1.200 mensais; outras permanecem no local por receio de perder o benefício antes da concretização da mudança. Aos 77 anos, Roberto Pereira de Paula, um dos primeiros moradores do Moinho, descreve o sentimento de abandono: “Meus filhos casaram, minha esposa morreu, e até os cachorros se foram. Agora, querem que eu esvazie aqui e vá morar onde me derem, mas ainda não sei para onde eu vou”.
🍂 Meio ambiente
Oito anos após sua última edição, a Conferência Nacional de Unidades de Conservação para Biodiversidade (UCBIO) acabou ontem em Curitiba. O Correio Sabiá explica que a proposta do evento vai além do debate sobre a criação de novas áreas protegidas. Seu principal objetivo é o pós: garantir que as unidades de conservação funcionem, tenham uma gestão eficiente, fiscalização adequada, fontes de financiamento sustentáveis e participação real das comunidades que vivem nesses territórios. O Eco mostra que um dos painéis da conferência ressaltou a necessidade de uma gestão baseada em evidências científicas sólidas nas UCs, sobretudo quanto à preservação das espécies animais. “Se quisermos que as florestas fixem carbono, temos que ter fauna dentro delas”, afirmou Fernando Fernandez, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele alerta que a cobertura vegetal é ilusória sem a proteção aos serviços ecossistêmicos da fauna.
📙 Cultura
Em sua 30ª edição, o Cine PE teve pela primeira vez todas as sessões com recursos de acessibilidade, como Legendagem para Surdos e Ensurdecidos e audiodescrição. Um dos festivais de cinema mais tradicionais do país, o evento ocorreu na semana passada e vinha construindo um caminho para a inclusão nos últimos anos. Desde 2017, seu regulamento já exigia que os filmes inscritos apresentassem legendas. Agora, ao incorporar recursos de acessibilidade em toda a programação competitiva, o Cine PE sinaliza uma mudança de paradigma no audiovisual brasileiro. Segundo o Eficientes, o idealizador da iniciativa Legenda Nacional, pesquisador e consultor em acessibilidade, Marcelo Pedrosa, foi uma das pessoas que lutaram para garantir os direitos das pessoas com deficiência no acesso à cultura. “É um direito, não é um favor”, afirma.
🎧 Podcast
“A guerra contra o Irã revelou uma gigantesca fragilidade que foi construída nos últimos 150 anos, que foi mover a economia com base na energia fóssil. Ao longo desse período, construiu-se a maior e mais fantástica infraestrutura física e não física para fazer funcionar o maior mercado global, o de combustíveis fósseis”, afirma Jorge Arbache, professor de economia da Universidade de Brasília e senior fellow do Instituto Clima e Sociedade. No “Economia do Futuro”, produção da Rádio Guarda-Chuva, o especialista, que já foi economista sênior do Banco Mundial, explica as mudanças estruturais que estão em curso em relação às matrizes energéticas e a oportunidade histórica de o Brasil oferecer os caminhos para uma energia limpa para o mundo.
🏃🏿♂️ Esporte
A Copa do Mundo 2026 começa amanhã com novas regras para impedir a “cera” – quando jogadores tentam atrasar o andamento da partida. Entre as medidas implementadas para a edição estão o limite de dez segundos para a substituição dos atletas e contagem regressiva de cinco segundos em cobranças de arremessos laterais e tiros de meta. Caso um jogador exceda o tempo para sair de campo, o reserva precisará esperar pelo menos um minuto para entrar. Já se a segunda regra for quebrada, a posse da bola vai para o time adversário. O Nexo detalha as alterações, que já entraram em vigor nos últimos amistosos preparatórios para a competição. Também foram confirmadas mudanças para o árbitro de vídeo (VAR, na sigla em inglês), com permissão para que analise casos de segundo cartão amarelo incorretos e avise sobre escanteios marcados erroneamente.




