A interferência de Trump na Copa e as ameaças às línguas indígenas
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🔸Com a derrota para a Noruega no domingo, a seleção amarga o seu maior jejum na história das Copas. A eliminação nas oitavas de final marca a pior campanha do país no torneio desde 1990, quando perdeu para a Argentina na mesma fase. O Nexo ouviu quatro jornalistas esportivos para discutir os principais desafios da seleção até a Copa de 2030. O consenso é que o problema brasileiro vai muito além do treinador – Carlo Ancelotti, que teve o contrato renovado – e envolve falhas estruturais, como a ausência de um projeto esportivo de longo prazo. “Seleção não é momento, é construção. Você precisa construir o time ao longo dos meses e dos anos para chegar na Copa do Mundo com o time construído, com alternativas, opções, e um time que viveu diferentes situações juntas. Mas a gente começa cada ciclo reconstruindo tudo”, afirma Felipe Lobo, jornalista e integrante do MeioCampo, podcast especializado em futebol.
🔸 “A Copa acabou. E não é porque o Brasil perdeu”, escreve a jornalista Natalia Viana, em coluna na Agência Pública. Para ela, a Fifa rompeu com o princípio básico de igualdade nas regras ao suspender a punição automática do cartão vermelho do atacante dos EUA Folarin Balogun, após um pedido de Donald Trump ao presidente da entidade, Gianni Infantino. Viana amplia esse episódio para lembrar que o torneio foi marcado por privilégios concedidos aos EUA, além das restrições de visto impostas à seleção iraniana, o interrogatório de um jogador iraquiano, a negativa de visto a um árbitro da Somália e revistas severas a delegações estrangeiras. “Nenhuma regra é válida para a direção corrupta da FIFA, e portanto, essa Copa não vale nada”, afirma a jornalista.
🔸 Falando em Trump… A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas pode servir de base para ações unilaterais de Washington contra pessoas, empresas e instituições brasileiras e, em um cenário extremo, até justificar o uso de força militar em território nacional. A afirmação foi feita pelo chanceler Mauro Vieira à Câmara dos Deputados, em resposta a um requerimento do deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES). Segundo a CartaCapital, o governo brasileiro não foi comunicado oficialmente sobre a iniciativa e considera a classificação um ato unilateral dos EUA. O Ministério das Relações Exteriores avalia que a medida pode produzir efeitos extraterritoriais sobre cidadãos e empresas brasileiras, sem ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado, já que a legislação americana já prevê instrumentos para esse tipo de atuação.
🔸 O presidente Lula (PT) já começou as alterações na equipe de comunicação do governo para reforçar pré-campanha. O fotógrafo Ricardo Stuckert, que acompanha Lula desde o primeiro mandato, deixou o governo para coordenar as redes sociais da campanha ao lado de Nicole Briones, responsável pela estratégia digital do PT. O Jota destaca as principais mudanças que ocorrem às vésperas da convenção do PT, marcada para 2 de agosto, quando a candidatura de Lula à reeleição deve ser oficializada.
🔸O Pantanal brasileiro perdeu 80,7% de sua área de água superficial entre 1985 e 2023, segundo estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em parceria com outras instituições brasileiras, publicado na revista “Advances in Space Research”. O Eco detalha o trabalho e conversa com o engenheiro florestal Sérvio Túlio Pereira Justino, doutor pela FCA/Unesp e um dos autores do artigo. “Além da crise climática, que já reduz as chuvas e compromete a recomposição hídrica do Pantanal, outras ações humanas agravam a perda de superfície aquática, como a alteração da cobertura do solo, a instalação de barragens, o desmatamento e o avanço das atividades agropecuárias”, explica Justino.
📮 Outras histórias
“Eu, enquanto professora, penso e acredito que a escola tem um papel social fundamental no combate às mudanças climáticas, especialmente as escolas amazônicas, porque nossos rios, florestas e boas atitudes trazem vida para o planeta”, diz Dalila Martins de Moraes. Ela leciona na Escola Estadual Osmar Pedrosa, na zona norte de Manaus. O Amazonas Atual mostra como professores da região investem em educação climática para ensinar os alunos a combater a desinformação e buscar soluções para os desafios ambientais. “A escola desempenha um papel fundamental no combate às mudanças climáticas porque os estudantes convivem diretamente com a maior floresta tropical do mundo e com os impactos do desmatamento, das queimadas, da poluição dos rios e das mudanças no clima”, avalia a professora de biologia Yanna de Castro Araújo, de uma escola na zona leste de Manaus.
📌 Investigação
Enquanto a Justiça demora para resolver um conflito fundiário entre trabalhadores sem-terra do Acampamento Tigre e uma família de fazendeiros no sudeste do Pará, os acampados vivem de forma precária, às margens da rodovia, onde se instalaram em barracos de lona, madeira e palha, à espera de eventual destinação da área para reforma agrária. Vivem sem saneamento básico e sem acesso à água encanada, em espaço reduzido para o cultivo. Dependem de trabalhos temporários em fazendas da região enquanto aguardam a decisão judicial. Há indícios de que a área é uma terra pública que passou por um processo de grilagem. A Repórter Brasil revela que a demora não tem apenas custos coletivos, mas também pessoais: o presidente da Associação dos Moradores da Comunidade Tigre, Ivan da Silva Assunção, não pode andar sem escolta policial. Ele foi vítima de uma escalada de ataques. Sua casa foi invadida, o carro da família foi destruído e houve o aviso de que um pistoleiro teria sido contratado para matá-lo.
🍂 Meio ambiente
A Política Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga, sancionada em junho, determina a criação de planos de ação para adaptação e mitigação da crise climática, por meio do combate ao desmatamento e à desertificação no semiárido. A lei também prevê ampliar a produção sustentável de alimentos e contribuir com a segurança hídrica e a bioeconomia no bioma. O #Colabora acompanhou a segunda edição do Caatinga Climate Week 2026 em Recife (PE), que abordou diferentes camadas da legislação e das tecnologias sociais de resiliência e adaptação ao clima, parte do cotidiano de comunidades e povos tradicionais da região. “É a primeira vez que no Brasil existe uma lei dedicada à recuperação de um bioma”, afirma Sérgio Leitão, advogado e diretor-executivo do Instituto Escolhas.
📙 Cultura
A presença de madeireiros, de igrejas evangélicas pentecostais e de organizações cristãs não vinculadas a igrejas são as principais ameaça para a manutenção das línguas indígenas, segundo o Inventário Nacional da Diversidade Linguística, realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O Nonada analisou 23 línguas disponibilizadas pelo documento e mostra que a Kawahiba, do povo Karipuna, é uma das que estão desaparecendo. Isso se deve à extração ilegal de madeira, feita por madereiros não-indígenas, no território, em Rondônia. A pesquisa sociolinguística identificou que os Karipuna possuem apenas dez falantes da língua. A união conjugal do povo Karipuna com não-indígenas “tem sido um fator preponderante na obsolescência da língua”. “Os filhos gerados dessas uniões não aprendem a língua dos pais ou mães Karipuna, mas tão somente o Português”, diz o relatório.
🎧 Podcast
“Um país do tamanho do Brasil precisa entender que cultura é investimento. Quando o artista se apresenta, não é apenas ele, é uma comunidade, que vai desde a costureira que fez o figurino até o motorista e os hotéis que lotam”, afirma a ministra da Cultura, Margareth Menezes. As Cunhãs recebem a cantora e gestora pública para falar sobre sua atuação na pasta desde 2023 e o processo de reconstruir as políticas culturais e o próprio ministério depois de anos de desmonte. “A política cultural brasileira não cabe em uma secretária, porque são muitas as dimensões que a cultura agrega”, diz. Menezes defendeu a importância do fomento descentralizado por meio das leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc, além de reforçar o papel do setor para a economia do país.
👩🏽🏫 Educação
Diante das tentativas de votar o “PL do homeschooling” em regime de urgência no Senado, sem tramitar na Comissão de Educação, especialistas ouvidos pelo Lunetas explicam por que transformar o ensino domiciliar em política pública é um retrocesso para a educação. “A frequência na escola não deveria ser encarada como uma escolha familiar, mas como um direito do estudante”, afirma Gustavo Paiva, analista de Relações Governamentais no Instituto Alana. Na escola, crianças e adolescentes aprendem mais do que os conteúdos previstos nos currículos. É nesse espaço que convivem com pessoas diferentes, constroem vínculos, resolvem conflitos, participam da vida coletiva e exercitam a cidadania. A escola também integra uma das principais redes de proteção da infância, já que equipes pedagógicas podem identificar situações de violência, negligência, trabalho infantil e outras violações de direitos. Também é onde muitas crianças têm acesso diário à alimentação escolar, à cultura, ao esporte e a políticas públicas de inclusão.



