O início da corrida eleitoral e as violações trabalhistas em data centers de SP
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🔸Começou ontem oficialmente a disputa das Eleições 2026. Agora, o pedido explícito de voto, a realização de comícios e a transmissão de lives estão autorizados. Até a véspera da votação, caminhadas, carreatas e distribuição de material gráfico estão liberadas, mas continuam proibidas: enquetes eleitorais prévias, e, nos dias de votação, boca de urna e aglomerações de eleitores com roupas padronizadas. O Metrópoles destaca as principais datas e regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com uma novidade: até 1º de outubro, será permitida a propaganda eleitoral na internet paga ou impulsionada. As pesquisas recentes indicam polarização entre os principais nomes para a presidência. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) iniciam a campanha tecnicamente empatados em diversos cenários de segundo turno. Institutos como Quaest, Datafolha e CNT/MDA mostraram uma distância muito mais estreita entre o atual presidente e o candidato de oposição do que a registrada nas eleições de 2022 e 2018, contra Jair Bolsonaro.
🔸 A decisão de Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de quebrar o sigilo da fonte de um jornalista que revelou o uso de veículos oficiais por familiares do ministro Flávio Dino levanta preocupações do governo para as eleições. Segundo o Jota, o entorno de Lula enxerga um alto risco de instrumentalização desse desgaste pela direita internacional, que pode reacender o debate sobre a Corte ferir a liberdade de expressão. O Nexo explica o caso e a importância do sigilo de fonte para o trabalho da imprensa. “Se você sinaliza por uma ação do Supremo que a fonte não está mais protegida, aquelas pessoas que poderiam estar colaborando com jornalistas sob sigilo ficam limitadas”, afirma Rubens Beçak, professor de direito constitucional e teoria do Estado da Universidade de São Paulo.
🔸 “Não quero voto de homem que bate em mulher”, diz o presidente Lula ao explicar os bastidores da decisão de propor o Pacto Nacional de Prevenção e Enfrentamento ao Feminicídio. Em entrevista n’As Cunhãs, o petista aborda diferentes temas que são desafios do país e do seu governo, como segurança pública e proliferação das casas de apostas esportivas e cassinos online. “Se depender da minha vontade pessoal, nós acabamos com as bets [...] A sociedade não pode ser desestruturada por conta de uma coisa que a gente pode controlar.” Lula também defende a ampliação da escola de tempo integral por dar “tranquilidade para a mãe que vai trabalhar o dia inteiro, ou o pai, sabendo que a criança está numa escola [...] bem preparada, mais estruturada sobre todos os pontos de vista”.
🔸 A desinformação política gerada por inteligência artificial faz parte do feed diário do eleitor brasileiro, mas identificá-la está cada vez mais difícil. O relatório “A IA do Nosso Feed”, produzido pelo Observatório Lupa, da Agência Lupa, monitorou diferentes feeds com o apoio de 13 estudantes durante quatro meses, e 45% das postagens identificadas como suspeitas eram, de fato, conteúdos manipulados. Entre essas postagens, a política foi o principal tema. Os quatro principais alvos foram Lula, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os deepfakes em vídeo lideram a desinformação sintética, com 91% dos casos confirmados de manipulação no período pré-eleições. O levantamento também revela que as ferramentas gratuitas de detecção de IA falham com frequência. As plataformas públicas testadas chegaram a dar conclusões contraditórias sobre o mesmo material. “Não existe uma ferramenta única capaz de detectar tudo ao mesmo tempo e com um alto grau de acurácia. O problema disso é que fica difícil verificar conteúdos”, diz Beatriz Farrugia, pesquisadora do Observatório Lupa.
📮 Outras histórias
A história de Palmas está guardada em uma cápsula do tempo sob as águas do rio Tocantins. A cerca de nove metros de profundidade, no Lago de Palmas, um mergulho revelou estruturas que ficaram submersas após a formação do reservatório da usina hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães, entre 2001 e 2002. A Gazeta do Cerrado relata que o registro foi realizado pelo tenente-coronel Marques, que encontrou vestígios das antigas margens do rio e até mesmo um micro-ônibus completamente submerso há mais de duas décadas. As imagens resgatam um pedaço da paisagem que fazia parte da rotina local e, hoje, permanece invisível para quem observa a superfície do lago.
📌 Investigação
Em data centers do estado de São Paulo, trabalhadores terceirizados enfrentam assédio moral, jornadas extenuantes e acidentes de trabalho. “No começo, eu levantava feliz para ir trabalhar, mas depois de um tempo, pedia para Deus para que eu não tivesse mais que ir no Data Center, que eles me mandassem embora”, diz um montador de 44 anos que trabalhou nas obras da Scala Data Centers, em Barueri, e não quis revelar seu nome. A Agência Pública ouviu trabalhadores que relataram abusos nas obras da Scala Data Centers, em Barueri, como semanas de 70 horas de trabalho sob forte pressão de prazos. O ex-montador Francisco Rodrigues resume o esgotamento: “Eles falavam que queriam ir embora daquele inferno. Eu até consegui suportar, mas teve momentos em que pensei em desistir”. A reportagem analisou 11 processos com cobranças de horas extras trabalhadas e não pagas, além adicionais por periculosidade e insalubridade no trabalho. Alguns documentos mencionam desvio de função, falta de equipamentos de proteção individual e danos morais por assédio sofrido.
🍂 Meio ambiente
A recuperação de um território indígena degradado vai além da retomada de terras. “Na perspectiva do meu povo Borum-Kren, quando um território é destruído não se perde apenas um espaço físico, mas também relações que sustentam conhecimentos. Além da perda de práticas culturais, autonomia econômica e formas coletivas de cuidar da vida”, afirma a ativista e pesquisadora Barbara Borum-Kren, em artigo no The Conversation Brasil. Ela analisa como as retomadas territoriais e as economias regenerativas de povos originários do Brasil e dos Estados Unidos geram novas capacidades de bem-viver. A pesquisadora ressalta que as práticas ancestrais indígenas de cuidado com o solo, a água e o fogo – com as quais teve contato durante seus estudos – podem oferecer caminhos para enfrentar a emergência climática global. “Restaurar um rio, uma floresta ou uma paisagem também significa restaurar relações sociais, espirituais, culturais e econômicas que tornam a vida possível.”
📙 Cultura
“É o meu céu na terra. Aqui eu nasci, me criei, namorei, construí família. Aqui eu vivo até hoje.” É assim que Lázaro Amorim, mestre de carimbó e líder comunitário de 68 anos, resume o pertencimento ao seu território entre raízes de manguezais e o movimento das marés no litoral paraense. Na série “Destino Amazônia”, o Amazônia Vox mergulha na realidade cultural por meio de um fio invisível que conecta as comunidades das cidades Bragança, Augusto Corrêa e Salinas: o maretório – território costeiro onde mar, rios, manguezais, comunidades tradicionais e modos de vida estão profundamente conectados. Na região onde o rio Amazonas encontra o oceano Atlântico, a conservação ambiental se une à identidade local e garante o sustento das famílias por meio do turu, do ajiru, do cultivo de ostras e das trilhas de quadriciclo. Nos últimos anos, a visitação começou a ganhar espaço como uma atividade complementar ao cultivo. A experiência aproxima visitantes da produção artesanal, valoriza o território e abre novas possibilidades de renda, sem romper o equilíbrio do ecossistema que sustenta toda a cadeia.
🎧 Podcast
“Por que estamos toda hora com esse sobrenome na literatura feita por mulheres? É literatura. Vai ser muito bom quando não precisarmos mais ficar carregando esses complementos”, afirma a escritora Carla Madeira. O “451 MHz”, produção da Quatro Cinco Um, recebe a autora do best seller “Tudo É Rio” e também a escritora Mariana Salomão Carrara para debaterem os bastidores da escrita criativa e as possibilidades da linguagem. Elas defendem a universalidade da literatura de autoria feminina e compartilham como se desprendem de suas realidades para criar personagens profundos e complexos. “É um exercício também de empatia para me entregar a vidas que não são as minhas”, diz Salomão Carrara.
🙋🏾♀️ Raça e gênero
Para mais de 2,5 milhões de brasileiras, a falta de vagas em creches significa o afastamento do mercado de trabalho. Levantamento da Revista AzMina revela que dois em cada três projetos de lei sobre creches apresentados no Congresso desde 2023 ignoram a desigualdade de gênero e a sobrecarga materna. Das 86 propostas sobre o tema, a maioria se concentra em segurança escolar e armamento de agentes (19). As demais se distribuem entre financiamento e incentivo (17), regulação do ambiente de trabalho e da jornada (15), qualidade e infraestrutura (14), acesso e obrigatoriedade de vagas (13) e prioridade para grupos específicos (8). Enquanto isso, mães negras e periféricas são deixadas na informalidade pelos horários incompatíveis. “Muitas vezes as mulheres contam com um período de quatro horas, no máximo seis. E que mulher consegue um emprego para trabalhar entre nove e duas da tarde?”, questiona a socióloga Thays Monticeli.



