A influência de Trump nas eleições e o melhor destino de afroturismo do país
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🔸A eleição do candidato de extrema direita Abelardo de La Espriella na Colômbia pode ampliar a influência de Donald Trump na América Latina. O país se soma agora a um grupo de governos alinhados aos Estados Unidos que já inclui Argentina, Chile, Bolívia, Equador, El Salvador e Paraguai. Para especialistas ouvidos pela Agência Pública, a eleição de La Espriella fortalece uma rede conservadora regional e acende um alerta para as eleições presidenciais brasileiras de 2026. A cientista política Talita São Thiago Tanscheit, da PUC-RJ, lembra que a influência de Trump já foi decisiva em disputas recentes na região e pode voltar a pesar no Brasil. Ela cita o caso argentino e afirma que um anúncio de apoio do presidente americano foi suficiente para “virar o jogo” eleitoral em favor do governo de Javier Milei. Embora pareça mais robusto para resistir às investidas dos EUA, o Brasil não está imune: “Trump também não tem medo de mudar. Ele pode estar bem com o Lula agora, e muito mal na semana que vem. Os humores mudam rápido”, afirma Fabrício Pontin, professor de Direito e Relações Internacionais na Universidade LaSalle.
🔸 A operação da Polícia Federal que atingiu o senador Jaques Wagner (PT-BA) ampliou a pressão sobre o líder do governo no Senado. O Canal MyNews destaca que a ação da PF reforçou a avaliação de que o caso Banco Master extrapola divisões partidárias. A investigação apura a relação de políticos de diferentes correntes com Daniel Vorcaro, dono do banco, e cita nomes ligados tanto ao governo quanto à oposição. O caso já mencionou Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Davi Alcolumbre (União-AP), Ciro Nogueira (PP-PI) e Hugo Motta (Republicanos-PB). Quanto à Jaques Wagner, os investigadores apontam como elementos um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões e valores em espécie apreendidos durante a operação. Wagner nega irregularidades e resiste a deixar a liderança do governo no Senado antes de conversar pessoalmente com o presidente Lula (PT).
🔸 Mas… o PT já articula a sucessão do senador, e a expectativa é que ele deixe a liderança nos próximos dias. Embora o senador Camilo Santana (PT-CE) tenha sido apontado inicialmente como favorito, o impacto de sua possível ausência na disputa eleitoral cearense fez o governo buscar alternativas. Segundo a CartaCapital, a principal beneficiada por essa mudança de cenário é a senadora Teresa Leitão (PT-PE), atual líder da bancada petista no Senado. Aliados de Lula avaliam que ela reúne atributos importantes para o cargo, como boa interlocução com o Planalto, disponibilidade para se dedicar à articulação política e uma relação próxima com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
🔸 A partida entre França e Iraque foi a primeira da Copa de 2026 a ser interrompida pelo protocolo de raios da Fifa. O jogo foi suspenso no intervalo, na Filadélfia, por causa da ameaça de tempestades elétricas na região. Antes da paralisação, a França vencia por 1 a 0, com gol de Kylian Mbappé. O Metrópoles explica que o protocolo determina a interrupção imediata da partida quando são detectadas descargas atmosféricas em um raio de até 16 quilômetros do estádio. Nesses casos, atletas, comissões técnicas e torcedores devem ser retirados das áreas expostas até que as condições sejam consideradas seguras.
🔸 E se a Fifa destinasse 10% da receita da Copa do Mundo de 2026 para a compra e proteção permanente de áreas naturais ameaçadas, como a Amazônia? Em artigo n’O Eco, o ecólogo Mauro Galetti propõe esse exercício hipotético. Segundo estimativas, a Fifa receberá uma receita da ordem de 8 a 13 bilhões de dólares neste Mundial, o equivalente a cerca de R$ 70 bilhões de reais. Com 10% desse valor, Galetti afirma que seria possível financiar a proteção de 350 mil a 1,4 milhão de hectares de floresta amazônica, preservar milhares de espécies e evitar a emissão de até 1 bilhão de toneladas de CO2. “Enquanto os cientistas e políticos discutem mecanismos complexos de mercado de carbono, mendigamos dinheiro para fundos internacionais e gastamos anos em negociações diplomáticas intermináveis, um único evento esportivo possui capacidade financeira para proteger extensas áreas da maior floresta tropical do planeta”, afirma.
📮 Outras histórias
Quatro em cada dez escolas estaduais do Paraná perderam professores formados na área em que lecionam no Ensino Médio entre 2022 e 2025. Dados do Índice de Adequação de Formação Docente (AFD), do Inep, mostram que o percentual de aulas ministradas por docentes com formação adequada caiu de 83% para 80% no período. Em 41% das escolas da rede, a queda foi superior a cinco pontos percentuais. O Plural ressalta que o principal sinal de deterioração está no crescimento de professores sem diploma de ensino superior. A proporção de aulas ministradas por esses docentes triplicou entre 2020 e 2024, passando de 0,8% para 2,6%, e o número de escolas com ao menos um professor nessa situação saltou de 247 para 629. A presença crescente de docentes sem essa formação é tanto um indicador de escassez de professores em determinadas áreas quanto o descumprimento das exigências legais.
📌 Investigação
Mais de cinco anos depois dos 22 dias de apagão no Amapá durante a pandemia, episódio que ficou quase invisível para o resto do Brasil, a população convive com traumas e tarifas cada vez mais caras. No especial “Entre o apagão e o apagamento”, do #Colabora, a repórter Clarice Candido visitou o estado para reconstruir as memórias do apagão e mostrar como está o sistema elétrico hoje. O blecaute agravou a crise na saúde e gerou uma onda de roubos e invasões. “Eu tenho um amigo que passou dois anos tendo crises de ansiedade toda vez que chovia muito forte, porque tinha esse medo que a energia fosse embora e a gente passasse por todo aquele terror de novo”, conta a designer gráfica Dayanne Farias. Na época, o serviço era operado pela estatal Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), que seria privatizada no ano seguinte. Hoje, a responsável é a empresa privada Grupo Equatorial Energia. E os problemas persistem: consumidores que antes pagavam uma média de R$ 100 na conta de luz hoje pagam tarifas na faixa de R$ 700 a R$ 800.
🍂 Meio ambiente
Pré-COP31, a Conferência de Bonn mostrou um vácuo de liderança da co-presidência entre Turquia e Austrália. A Conferência do Clima, que ocorre em novembro na Antália, na Turquia, tem um arranjo inédito, com o compartilhamento da presidência do evento – o que deixou dúvidas em Bonn na última semana. Segundo o Reset, a Turquia dividiu sua atenção entre a organização do evento em si e a Agenda de Ação, e a Austrália deveria conduzir as negociações oficiais, mas ficou aquém das expectativas. Para o especialista em diplomacia climática do InfoClima, Bruno Toledo Hisamoto, a essa altura das negociações, no ano passado, o Brasil já havia tomado as rédeas. Diante do vácuo de comando, foi o embaixador brasileiro André Corrêa do Lago, presidente da COP30, que interveio em um momento crítico da negociação, quando os países desenvolvidos tentaram retirar da agenda o item sobre o programa de trabalho de financiamento climático.
📙 Cultura
São Luís (MA) recebeu neste ano o título de melhor destino nacional de afroturismo no Prêmio do Afroturismo, promovido pela plataforma Guia Negro. Com quase 80% da população declarada negra, o Maranhão transforma cultura, memória e tradição afrobrasileiras em desenvolvimento econômico e social. No “Destino Amazônia”, o Amazônia Vox mergulha nos roteiros turísticos guiados que apresentam monumentos que homenageiam a cultura afro-maranhense e o legado de personalidades importantes para o fortalecimento da identidade e do empoderamento negro na região. “A gente mostra onde era que os navios negreiros atracavam, o Museu da Cafu, o significado das adinkras que estão nos portões dos casarões, o Acapus, que é uma casa de tambor de crioula. E o próprio tambor de crioula, uma manifestação de matriz africana e que vem de uma história de Gêge e Nagô, são as religiões que mais predominam no nosso Centro Histórico”, afirma a produtora cultural, Alessandra Vieira, cofundadora do roteiro “Sankofa”.
🎧 Podcast
As disputas sobre a história da ditadura alimentam os movimentos antidemocráticos atualmente. A socióloga e cientista política Cristina Buarque de Hollanda contesta a ideia comum de que o Brasil é um país sem memória e lembra que, na verdade, houve uma explosão de comissões da verdade e documentação sobre o período. O “Diálogos com a Inteligência”, produção do Meio, recebe a pesquisadora, que mergulhou na transição democrática, e explica como os movimentos de responsabilização e reparação, fortalecidos a partir dos anos 2000, geraram tensões institucionais. Para Cristina, o bolsonarismo surgiu, em partes, como uma reação conservadora e uma “antimemória” aos avanços nas políticas de direitos humanos.
🙋🏾♀️ Raça e gênero
“A gente sempre precisa pensar no consentimento dentro de uma lógica de relações de poder, porque nem toda concordância é fruto de liberdade”, afirma Arielle Sagrillo Scarpati, especialista em trauma e psicologia forense. Em entrevista à Gênero e Número, ela aborda as limitações do consentimento sexual em relações desiguais. “Consentimento não é só a ausência de um não, mas a presença de um sim claro, ativo e contínuo”, diz. “Uma mulher pode consentir, por exemplo, por medo de retaliação, por pressão emocional, para evitar uma violência maior, por uma dificuldade de negar, por congelamento traumático ou simplesmente porque ela foi socializada para priorizar o desejo masculino em detrimento do próprio desejo.” Scarpati analisa ainda as questões sobre o desenvolvimento de adolescentes para aprender sobre consentimento e ter consciência de si e do outro.




