O impacto das chuvas em MG e a guarda conhecida como 'ICE de Floripa'
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🔸No primeiro dia do julgamento dos acusados de mandar matar Marielle Franco, as defesas focaram em desqualificar a delação do executor do homicídio Ronnie Lessa e apontar suposta falta de provas. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) oito anos depois do crime que tirou a vida da vereadora carioca e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro. O Jota detalha o que disseram as defesas dos réus – o ex-deputado João Francisco (Chiquinho) Brazão (sem partido-RJ); Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro; Rivaldo Barbosa, delegado da Polícia Civil; o ex-major Ronald Paulo Alves Pereira; e Robson Calixto Fonseca, assessor de Domingos Brazão conhecido como “Peixe”. Os advogados pediram absolvição e negaram o vínculo de seus clientes com milícias ou atuação em grilagem de terras.
🔸 Na Zona da Mata, em Minas Gerais, ao menos 29 pessoas morreram em meio às chuvas que atingem municípios da região. A maioria das vítimas está em Juiz de Fora – no fim da tarde de ontem, o Corpo de Bombeiros havia confirmado 21 mortes na cidade, com resgates concentrados nos bairros Parque Burnier, Morro do Imperador e Paineiras. O Tribuna de Minas ouviu moradores e familiares que acompanhavam a busca de desaparecidos. “É muito triste ver tudo acabar. A gente nunca imagina que vai acontecer com a gente. Eu escutei o barulho, vi que tinha muito barro e corri. Minha amiga e o filho dela estavam soterrados. Eles foram para o hospital. Ela está bem, mas perdeu o filho”, conta Débora Penna, 39 anos, moradora do Parque Burnier. Em situação de rua, o reciclador em situação de rua Glaucio Thiago, 40 anos, trabalhava em área com risco de deslizamento: “Às vezes a gente procura abrigo, ou só um lugar para esconder da chuva, mas não estou nem dormindo. O caos tá na cidade toda”, diz. Segundo o Por Dentro de Minas, já são 440 desabrigadas desde segunda-feira.
🔸 O governo mineiro, aliás, anunciou medidas emergenciais para Juiz de Fora e Ubá, as duas cidades mais afetadas pelos temporais no estado. O Portal Gerais informa que foram antecipados os repasses de um ano para os municípios: são cerca de R$ 38 milhões para Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá. O estado mobilizou mais de 550 agentes das forças de segurança para buscas, resgates e identificação das vítimas.
🔸 O desembargador Magid Nauef Láuar, que absolveu um homem de 35 anos acusado de estupro de uma menina de 12 anos, é alvo de denúncias de abuso sexual. A Revista Afirmativa conta que as deputadas Duda Salabert (PDT-MG) e Bella Gonçalves (PSOL-MG), afirmam ter recebido diversos relatos de abuso contra o desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Servidor do Ministério Público do estado e parente do desembargador, Saulo Láuar revelou em suas redes sociais que aos 14 anos foi vítima de uma tentativa de abuso sexual cometida pelo familiar: “O ato só não se consumou porque eu fugi”, escreveu. Nos comentários, Cássia Claudia Fernandes replicou: “Ler seu relato não só doeu, mas me fez criar coragem, porque também fui vítima da mesma pessoa, há muitos anos”. O ministro Mauro Campbell, corregedor nacional de Justiça, abriu pedido de providências, e o TJ instaurou um procedimento administrativo.
🔸 A propósito: o Ministério Público de Minas vai recorrer da decisão que absolveu o homem acusado de estupro. Ele e a mãe da criança de 12 anos haviam sido condenados em primeira instância, mas foram absolvidos em segunda instância. Segundo o BHAZ, o Ministério Público afirma que o caso configura “grooming”, quando um adulto constrói laços de confiança com a criança e sua família para obter vantagem sexual. Para a Procuradoria, o fato de a adolescente chamar o réu de “marido” não reduz a gravidade, já que, aos 12 anos, ela não tem maturidade para compreender o significado de uma relação conjugal.
📮 Outras histórias
Recém-criada pela Prefeitura de Florianópolis, a guarda voluntária já é conhecida como “ICE de Floripa”, em referência à hostilidade protagonizada pela polícia de imigração dos EUA na gestão Donald Trump. Voluntários foram flagrados hostilizando e ameaçando prender um homem em situação de rua no centro da capital de Santa Catarina. “Eu vou ter que te arrancar daqui. E você vai fazer o quê? Todo dia eu vou passar aqui e te arrancar daqui”, disse um dos voluntários, em cena registrada em vídeo. A Ponte detalha o episódio e explica que a nova “força” anda uniformizada com um colete onde se lê “Voluntários Floripa” – e não tem poder de polícia. Segundo o vereador Leonel Camasão (PSOL), “é inconstitucional ter voluntários fazendo trabalho ostensivo na rua”. O grupo passou por treinamento de apenas dois dias e já soma cerca de 140 integrantes. A prefeitura afirma apurar a conduta, mas não divulgou detalhes sobre gastos, supervisão ou critérios de controle externo.
📌 Investigação
O número de investigações sobre crimes cibernéticos relacionados ao abuso sexual infantojuvenil cresceu em oito estados em 2025, em comparação com o ano anterior. São eles: Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Rondônia, Roraima e Tocantins. Em Minas, 201 inquéritos foram abertos no ano passado, 61% a mais que em 2024. Já em Rondônia, foi registrado o maior aumento proporcional (de 129%) de investigações abertas. A “Don’t LAI to Me”, newsletter da Fiquem Sabendo, analisa os dados obtidos com a Polícia Federal. O órgão instaurou 5.603 inquéritos policiais para apurar crimes contra crianças e adolescentes no ambiente digital entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, os três primeiros anos do terceiro mandato de Lula. O número representa uma média diária de cinco novas investigações abertas a cada 24 horas.
🍂 Meio ambiente
Prefeitos investem mais em meio ambiente no ano eleitoral e no seguinte, segundo o estudo “Oportunismo Eleitoral e Despesas Ambientais nos Municípios do Brasil”, publicado na revista científica “Cadernos de Gestão Pública e Cidadania”. Os pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) analisaram 4.970 municípios brasileiros ao longo de 15 anos (2007-2021) e revelam que os gastos ambientais também estão inseridos na lógica do calendário eleitoral como ativo dos investimentos públicos. A Agência Bori ressalta que os resultados mostram a importância do debate sobre o orçamento municipal ambiental e reforçam a necessidade de institucionalizar metas e indicadores para além dos ciclos eleitorais.
📙 Cultura
De Norte a Sul, os museus especializados, como a Casa do Tambor de Crioula, em São Luís (MA), e o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, em Salvador (BA), guardam as histórias e as manifestações culturais da população negra no país. O Nós, Mulheres da Periferia lista oito espaços em diferentes estados que preservam o legado e a memória afro-brasileira. Em Macapá (AP), por exemplo, o Museu de Artes, Culturas e Memórias Negras busca valorizar a identidade negra amazônida, disseminando a herança africana na região Norte do país. Já em Porto Alegre (RS), o Museu da Cultura Hip Hop RS se propõe a preservar a história do hip hop gaúcho por meio de exposições interativas, eventos culturais e ações educativas. É, aliás, o primeiro espaço dedicado a essa cultura, predominantemente negra, na América Latina.
🎧 Podcast
Nas arenas esportivas e nas entrevistas coletivas, o discurso evangélico predomina entre atletas brasileiros. Essa relação teve seu primeiro marco visível em 1977, quando o piloto de Fórmula 1, Alex Dias Ribeiro, ficou famoso por estampar a frase “Cristo Salva” em seus carros de corrida. O “Discípulos”, produção da Rádio Guarda-Chuva, mergulha na crescente influência evangélica no esporte brasileiro e traça uma conexão entre a origem socioeconômica dos atletas e a expansão das igrejas pentecostais no Brasil, sobretudo entre os mais pobres. Nas categorias de base de grandes clubes, por exemplo, a religião é um tema central e recorrente entre os jovens atletas, o que mostra como essa expansão histórica tem se renovado nas novas gerações.
👩🏾⚕️ Saúde
Em vídeo: em Buenos Aires, na Argentina, o acesso ao aborto começa no primeiro nível de atenção à saúde. As mulheres que desejam interromper a gravidez não precisam justificar a decisão: elas são acolhidas por equipes multidisciplinares, que realizam a orientação inicial, confirmam a idade gestacional e garantem o acesso ao misoprostol, medicamento responsável pela interrupção de forma segura. A Gênero e Número acompanhou o funcionamento de um Centro de Saúde e Ação Comunitária na capital argentina, onde a Lei de Interrupção Voluntária da Gravidez é aplicada na prática, e ouviu profissionais de saúde para mostrar as etapas do atendimento. Em tempo: na Argentina, o aborto é legal até a 14ª semana de gestação. Depois desse período, a interrupção só é permitida em caso de estupro e de risco à vida da gestante.




