O debate sobre o uso de IA nas eleições e a educação sexual nas escolas
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🔸 A defesa de Jair Bolsonaro afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente não autorizou o vídeo gerado por inteligência artificial exibido durante a convenção nacional do PL, no último sábado. Em resposta ao ministro Alexandre de Moraes, os advogados sustentam que Bolsonaro não poderia sequer ter sido consultado, já que cumpre prisão domiciliar, está com visitas suspensas e Flávio Bolsonaro (PL) está proibido de se reunir com o pai. Segundo o Congresso em Foco, a defesa afirma ainda que o uso da imagem do ex-presidente por seus filhos em campanhas eleitorais é recorrente e ocorre em razão da “natural relação de confiança existente entre pai e filhos e da própria natureza pública da imagem do peticionário”. Moraes solicitou esclarecimentos, e qualquer que fosse a resposta, o desfecho poderia produzir reflexos sobre a campanha de Flávio: se Bolsonaro admitisse ter autorizado o vídeo, haveria indícios de descumprimento das restrições impostas pelo STF; se negasse o consentimento, poderia surgir a hipótese de uso irregular de deepfake.
🔸 A propósito: as normas eleitorais de 2026 obrigam a identificação explícita de conteúdos gerados por IA e proíbem o uso de deepfakes para favorecer ou prejudicar candidaturas. O Nexo explica o que a simulação de Bolsonaro antecipa sobre IA nas eleições deste ano. “É inegável que o vídeo foi feito para favorecer uma candidatura. Então é importante diferenciar esse caso de outras utilizações de inteligência artificial que são admitidas, desde que devidamente identificadas”, afirma a advogada Emma Roberta Palú Bueno, mestre em direito constitucional e especialista em direito eleitoral. Para o cientista político Maurício Ramos, o conteúdo exibido na convenção do PL é um preâmbulo do que vai acontecer ao longo da campanha: “Veremos como o TSE vai reagir e como vai enquadrar esse vídeo [se como deep fake ou não]. Vai ser um teste, tanto socialmente quanto juridicamente. Vai criar uma jurisprudência do que o TSE vai permitir ou não nesse pleito”.
🔸 Os acordos firmados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com Meta, Telegram e X para combater a desinformação nas eleições de 2026 têm uma cláusula de isenção de qualquer responsabilidade por parte dessas empresas, caso deixem de cumprir as obrigações que elas mesmas propuseram. O Núcleo mostra que a cláusula não aparece nos memorandos assinados com Google, LinkedIn, TikTok e Kwai, embora todos permitam o cancelamento unilateral dos acordos e não estabeleçam punições pelo descumprimento. Os documentos têm a forma de memorandos de entendimento, um instrumento de cooperação sem a força jurídica de um contrato. Segundo o TSE, os textos foram propostos pelas próprias empresas e, por se tratarem de acordos voluntários, “não preveem sanções ou penalidade”. A reportagem lembra que, na União Europeia, plataformas digitais estão sujeitas a regras mais rígidas durante períodos eleitorais.
🔸 Um dos maiores financiadores da campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2022, o produtor rural Oscar Luiz Cervi foi autuado pelo Ministério do Trabalho e Emprego após uma fiscalização resgatar 35 trabalhadores em condições análogas à escravidão em sua fazenda de algodão, em Campo Novo do Parecis (MT). A Repórter Brasil conta que Cervi, apontado como um dos principais produtores de grãos do país, é fornecedor da multinacional Bunge. Segundo os auditores, os trabalhadores viviam em contêineres superlotados, sem instalações sanitárias adequadas ou local para refeições, e permaneciam em uma área cercada por grades e arame farpado, sob vigilância. A fiscalização também identificou exposição a agrotóxicos, relatos de sintomas de intoxicação e restrições à liberdade de locomoção.
📮 Outras histórias
Veruschka de Sales Azevedo encontrou na escola pública o caminho para transformar a própria vida – e depois dedicou 25 anos a fazer o mesmo por centenas de jovens da periferia de Guarulhos. Nascida no interior de Pernambuco, ela chegou na Grande São Paulo ainda criança e estudou na Escola Estadual Professora Maria Aparecida Rodrigues. Mais tarde, já como professora de História, ela voltou à instituição. A Agência Mural lembra que Veruschka ficou conhecida por promover saraus sobre identidade negra e estimular estudantes a enxergarem a universidade como um projeto possível. Ex-alunos e colegas relatam que suas aulas iam além do conteúdo curricular. “Se hoje sou professor, foi porque ela me deu oportunidade. Se estou na graduação, é porque ela me ensinou o que era necessário”, conta Henrique Saraiva, hoje professor de cursinho popular. Veruschka morreu no último dia 11, aos 52 anos. “Minha mãe amava lecionar. Foi a missão que ela encontrou aqui na Terra”, diz a filha da professora, Rayssa Sales, 22 anos.
📌 Investigação
Uma organização responsável pela gestão de 22 unidades básicas de saúde em Porto Alegre teria lucrado R$ 3 milhões ao contratar empresas pertencentes a seus próprios sócios e dirigentes. A Matinal revela que o Instituto Brasileiro de Ensino, Pesquisa e Extensão para o Desenvolvimento Humano (IBSaúde) destinou recursos a empresas de consultoria financeira, jurídica e de gestão de pessoas ligadas ao presidente, ao vice-presidente e a outros integrantes da direção da entidade. Segundo auditorias do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS), a prática contraria a legislação aplicável a organizações sem fins lucrativos. O mesmo modelo já havia sido identificado em outros municípios gaúchos. Em São José do Norte, o TCE apontou contratações sem comprovação de documentos ou com descrições genéricas de serviços. Em São Leopoldo, a Corte também identificou indícios de fraude em licitações, desvio de recursos da saúde e repasses irregulares a dirigentes e familiares da família Medeiros, como o TCE se refere a José Eri Osório Medeiros, Vinícius de Medeiros e Luciana Coppini.
🍂 Meio ambiente
As terras indígenas precisam ter zonas de amortecimento protegidas por lei, nos moldes das já existentes para unidades de conservação. A recomendação é de pesquisadores de instituições nacionais, como INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e internacionais, além do líder indígena Beto Marubo. A Agência Bori detalha a análise publicada por eles na revista “Nature Sustainability”. Os cientistas se baseiam no caso da Terra Indígena Vale do Javari (AM), onde o desmatamento em uma faixa de 200 km ao redor do território foi 187,5 vezes maior do que dentro da área protegida em 2022. Segundo os pesquisadores, invasões, mineração, exploração ilegal de madeira, caça e pesca predatória nas áreas vizinhas ameaçam tanto os povos indígenas quanto os serviços ecossistêmicos prestados por esses territórios.
📙 Cultura
Luiz Carlos Barreto chegou a São Paulo, em 1963, acompanhado de Nelson Pereira dos Santos. Os dois traziam latas com uma cópia de Garrincha, Alegria do Povo e outra de Vidas Secas para as primeiras sessões dos filmes na capital paulista. Na revista piauí, o cineasta Eduardo Escorel relembra a trajetória do produtor por meio de episódios que marcaram sua amizade e sua carreira. O texto recupera momentos como os dias que antecederam o golpe militar de 1964, a fundação da distribuidora Difilm e a produção de filmes como “Terra em Transe” e “Isto é Pelé”, entre outros, e ressalta o papel de Barreto na consolidação do cinema brasileiro. Luiz Carlos Barreto morreu na semana passada, aos 98 anos.
🎧 Podcast
Em meio às articulações para as eleições de 2026, a possível candidatura de Michelle Bolsonaro tem ampliado o debate sobre o papel das mulheres conservadoras na política brasileira. No “Pauta Pública”, produção da Agência Pública, a antropóloga Jacqueline Teixeira analisa como essas lideranças conquistaram espaço na direita ao mobilizar pautas ligadas à família, à religião, aos costumes e à defesa de um modelo tradicional de sociedade, ao mesmo tempo em que enfrentam resistências dentro do próprio campo conservador. Na conversa com Andrea Dip, a professora argumenta que compreender a atuação dessas mulheres é essencial para entender as transformações recentes da direita brasileira e os caminhos que esse grupo pode seguir nas eleições de 2026.
🧑🏽🏫 Educação
Embora a educação em sexualidade esteja prevista no currículo escolar, educadoras de escolas públicas das periferias de São Paulo têm recorrido a diferentes estratégias para continuar tratando do tema sem enfrentar represálias. A diretora Paula Beatriz de Souza Cruz, da Escola Estadual Santa Rosa de Lima, no Capão Redondo, passou a incorporar a pauta a projetos de convivência, comunicação não violenta e diversidade, além de atividades lúdicas e do diálogo com as famílias. “Eu tenho sempre dito para trabalhar a diversidade de uma forma muito ampla, como nuvem”, diz a diretora. A Periferia em Movimento explica que a busca por alternativas ocorre em um cenário de crescente censura. Pesquisa do Observatório Nacional da Violência Contra Educadoras/es (ONVE/UFF) mostra que nove em cada dez docentes da educação básica e superior já sofreram ou presenciaram perseguição e censura no exercício da profissão.



