🔸 O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil ontem com destino aos Estados Unidos, acompanhado da mulher e das duas filhas, após descumprir a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes à Polícia Federal. A viagem ocorreu um dia depois de o senador, derrotado nas eleições presidenciais, afirmar que não pretendia deixar o Brasil. A CartaCapital explica que a rota da saída ainda não foi esclarecida. O portal argentino Infobae noticiou uma possível travessia da fronteira com a Argentina, de onde o senador seguiria para os EUA em um jato particular. A aeronave, porém, não decolou, e as autoridades argentinas informaram que não havia registro de entrada de Flávio no país. A PF também não encontrou registro de passagem do senador por postos oficiais de controle migratório e, após o fim do prazo para a entrega dos documentos, cancelou em seus sistemas os passaportes brasileiro e diplomático dele.
🔸 O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que concederá vistos a Flávio e a seus familiares para permitir a entrada deles no país. Segundo o Congresso em Foco, o órgão confirmou a decisão à Reuters, após o advogado mexicano Simón Levy, aliado de Donald Trump, antecipar nas redes sociais que a Casa Branca concederia asilo ao congressista e que sua saída do Brasil teria sido coordenada pelo próprio chanceler americano, Marco Rubio, para liderar uma oposição ao presidente Lula em solo estrangeiro.
🔸 A fuga de Flávio coincide com o momento em que o senador é alvo de investigações no STF. O Nexo detalha os inquéritos e relembra as conexões da família Bolsonaro com a extrema direita dos EUA. Desde 2018, Eduardo Bolsonaro (PL) estreitou laços com integrantes do Partido Republicano. Ele vive no país desde 2025, onde atua para obter a anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado liderada pelo pai, Jair Bolsonaro. A decisão de Alexandre de Moraes de apreender o passaporte de Flávio foi dada no âmbito de um inquérito que investiga a suspeita de lavagem de dinheiro em uma possível sociedade oculta de Flávio com o advogado Willer Tomaz. A investigação menciona registros de festas, encontros e reuniões entre os dois e vínculo em uma conta bancária em nome da Alcazar Holding, na qual o senador era mencionado como “usuário master”. Em outro inquérito no STF, a PF apura se os R$ 134 milhões negociados com o banqueiro Daniel Vorcaro, sob o pretexto de financiar o filme “Dark Horse”, envolveram corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
🔸 O ministro Flávio Dino determinou que a Polícia Federal investigue uma possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras em favor de Flávio Bolsonaro. A investigação deverá examinar suspeitas de uso de redes sociais e de financiamento estrangeiro, além de uma relação entre o apoio eleitoral e o interesse de agentes estrangeiros nas terras raras e em minerais críticos brasileiros. Segundo o Jota, Dino pediu que a PF apure as tratativas entre a Rockbridge e os empresários Tallis Gomes e Pedro Sang, a origem dos recursos usados para contratar publicidade em perfis e eventuais manipulações algorítmicas por empresas de internet.

📮 Outras histórias
Atrasada há mais de dez anos, a revisão do Plano Diretor de Maceió (AL) será tema de audiência pública na Câmara de Vereadores nesta semana. O documento vai orientar o uso do solo e o desenvolvimento urbano da cidade na próxima década. Entre os pontos em disputa estão a verticalização do litoral norte, o saneamento, a proteção ambiental, o déficit habitacional e o futuro dos bairros atingidos pelo desastre da Braskem. A Mídia Caeté conversou com urbanistas e ambientalistas que alertam para a necessidade de participação da população e de ajustes na minuta enviada pela prefeitura à Câmara. Professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Dilson Ferreira identificou contradições no texto, como a previsão de proteção das restingas e, em outros trechos, a possibilidade de ocupá-las. Para ele, a extensão da proposta, com 656 artigos, também dificulta o debate e a aplicação das regras. “Se for só aprovar do jeito que está, vamos aprovar um Frankenstein”, afirma.
📌 Investigação
O Instituto Iter, criado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e sua esposa, Janey, foi contratado por 61 municípios paulistas. Desses, 30 também receberam emendas do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), aliado do ministro que pagou R$ 19,3 mil como sinal para uma futura compra de 4% da instituição. Segundo a revista piauí, as 30 prefeituras empenharam R$ 1,45 milhão em contratos com o Iter e receberam R$ 59 milhões em emendas do parlamentar entre 2021 e 2026. Sete estados e municípios que contrataram o Iter também aplicaram recursos de seus regimes de previdência no Banco Master, cujo caso está sob a relatoria de Mendonça no STF. O instituto recebeu R$ 5,2 milhões do empresário Lucas Kallas, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Segundo a instituição, os repasses foram interrompidos e a devolução dos recursos começou em janeiro, antes de Mendonça assumir a relatoria. Em setembro, o ministro anunciou seu desligamento do Iter.

🍂 Meio ambiente
“A fumaça não é como a cheia nem como a seca. Ela tem origem humana, tem responsável e tem solução. O que falta é tratá-la como problema de gestão pública o ano inteiro, e não só quando a cidade já está sufocando”, diz o engenheiro ambiental e pesquisador Alan Ferreira, sobre os 15 dias em que a fumaça encobriu Manaus em outubro. Especialistas ouvidos pelo Amazonas Atual alertam que a repetição do problema não o torna inevitável e defendem uma política permanente de prevenção às queimadas, com orçamento e coordenação entre municípios, estados e União. “Queimadas e fumaça, hoje, são um problema político. São um problema político porque existe a expectativa de impunidade e a expectativa, inclusive, de ganhar terras públicas a partir desse ato criminoso”, explica a pesquisadora e ativista socioambiental Muriel Saragoussi. A arquiteta e urbanista Melissa Toledo defende que a preparação comece antes da seca: “A pergunta central, portanto, não é apenas por que a fumaça voltou, mas o que foi feito entre uma ocorrência e outra para evitar que ela voltasse a comprometer a vida urbana”.
📙 Cultura
Em 1562, guerreiros indígenas da aldeia de Ururay, liderados pelo cacique Piquerobi e seu filho Jaguaranho, partiram para o Cerco de Piratininga, em uma tentativa de recuperar o território invadido pelos portugueses. Séculos depois, a história inspirou o jogo de tabuleiro “Abya Yala: O Cerco de Piratininga”, criado pelo coletivo Marginal Games, de São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, região onde ficava a aldeia. No jogo, os participantes assumem o papel de guerreiros indígenas e enfrentam os colonizadores, com a possibilidade de construir um desfecho diferente do resultado histórico. O Desenrola e Não Me Enrola conta que o coletivo nasceu da busca por jogos que abordassem as histórias do território e as culturas afro-brasileira e indígena. A artista e cofundadora Mari Memo, 30 anos, explica a proposta: “Os jogos decoloniais, além de serem jogos de resistência, de memória e de busca do nosso passado, buscam tirar o foco das narrativas, histórias e conhecimentos que vêm das influências colonizadoras”.
🎧 Podcast
“Eu nunca saí de armário nenhum. Eu sempre fui eu desde criança.” A atriz trans Gabriela Loran conta que decidiu não se sentar com os pais para explicar sua identidade de gênero. Com o acesso à informação, foi compreendendo suas vivências e seu corpo: “Eu fui estudando, fui entendendo, fui aplicando aquela vivência em mim”. Em conversa com Vera Iaconelli no “Isso Não É uma Sessão de Análise”, produção da Trovão Mídia, Gabriela relembra a infância no Rio de Janeiro e a relação com a família, especialmente com a avó materna, Lucília Ferreira da Silva. “Minha avó sempre foi o meu porto seguro, sempre foi o lugar que eu corri, sempre foi o cafuné garantido, as risadas certas”, lembra. A atriz também fala sobre as dificuldades financeiras no início da carreira e o papel em “Malhação”, que mudou sua trajetória profissional.

👩🏽💻 Tecnologia
O Google alterou seus termos de uso para permitir a personalização de anúncios com base em conteúdos do Gmail, Drive e Google Fotos quando o usuário escolher disponibilizar esses dados a serviços da empresa que oferecem anúncios personalizados. Até 16 de outubro, o documento afirmava que a companhia não exibia anúncios personalizados com base no conteúdo desses três serviços. O Manual do Usuário explica que a mudança não significa que o Google passará a vasculhar ativamente e-mails, fotos e arquivos, mas abre espaço para o uso de conteúdos compartilhados com outras ferramentas, como o Gemini ou o Modo IA da busca.
