🔸 Flávio Bolsonaro (PL) viajou com a mulher e as duas filhas em um jato de Daniel Vorcaro ao voltar de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para Brasília, em 19 de janeiro de 2025. A revista piauí identificou o avião como o Legacy 650 de prefixo PP-NLR, o mesmo em que o ministro Alexandre de Moraes foi filmado ao desembarcar sete meses depois. A empresa Prime You, que tinha então Vorcaro como um dos sócios, já era dona de um terço das cotas da aeronave na data do voo. O advogado e empresário Willer Tomaz, amigo do candidato à Presidência pelo PL e investigado no esquema de desvios bilionários do INSS, estava a bordo com Flávio e também era dono de uma das três cotas do avião. A viagem ocorreu durante as negociações para que Vorcaro financiasse “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. No dia seguinte ao desembarque, Flávio cobrou de um intermediário uma resposta do jurídico do ex-banqueiro sobre o primeiro aporte previsto para o filme.
🔸 Pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra o presidente Lula (PT) com 40% das intenções de voto no primeiro turno da eleição presidencial, e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 36%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados. Na sequência aparecem Augusto Cury (Avante), com 5%, Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, e Renan Santos (Missão), com 3%. O Metrópoles detalha os números do levantamento. No segundo turno, Lula marca 47% contra 45% de Flávio, também um empate técnico. A pesquisa ouviu 2.002 eleitores entre 22 e 24 de setembro.
🔸 Sob pressão das urnas, Lula faz os últimos ajustes na Medida Provisória que proibirá as plataformas de apostas online. O anúncio deve ser feito hoje. Segundo a CartaCapital, há divergências dentro do próprio governo sobre o teor da MP – entre vetar todas as plataformas e proibir apenas os cassinos online, como os jogos do tigrinho e do aviãozinho, preservando ao menos parte das apostas esportivas. O tema entrou firme na campanha de Lula depois de uma pesquisa Atlas/Intel apontar que 75% dos brasileiros apoiam a proibição das bets. Mas integrantes do governo ponderam o impacto econômico da medida: a arrecadação de impostos federais e estaduais sobre o setor se aproximou de R$ 10 bilhões no ano passado. A publicidade e os patrocínios no futebol são outro ponto de disputa. Dez clubes e entidades do futebol publicaram um manifesto contra mudanças nas regras. Em paralelo, as empresas de apostas autorizadas já se preparam para questionar a MP na Justiça.
🔸 O Brasil chega às eleições de 2026 depois de sair, pela segunda vez, do Mapa da Fome. Ainda assim, 21 milhões de pessoas, o equivalente a 10% da população, tem algum grau de insegurança alimentar e nutricional. Entre os cinco candidatos à Presidência melhor colocados nas pesquisas, apenas Lula detalha, em seu programa de governo, políticas de combate à fome. O Joio e O Trigo analisa os planos dos presidenciáveis com foco em propostas de segurança alimentar, abastecimento interno, agricultura familiar e agronegócio. Todos os cinco planos tratam do agronegócio; nos de Flávio e Renan, as expressões “fome” e “segurança alimentar e nutricional” nem sequer aparecem. Lula propõe manter compras públicas de alimentos da agricultura familiar para a alimentação escolar, facilitar essas compras pelos municípios e dar continuidade à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, entre outras medidas.
📮 Outras histórias
“A história não pode estar disponível apenas para quem ouve. Quando a comunidade surda conhece as tramas políticas, as revoltas e a vida que ergueu os palácios e ladeiras da cidade, passa também a se reconhecer como herdeira dessa memória. A história é, antes de tudo, uma ferramenta de cidadania”, afirma o historiador Alexandre Rocha. Ele criou o Passeio pelo Centro Histórico em Natal (RN) para aproximar os moradores da história da cidade. Na edição deste sábado (26), o passeio celebra o Dia Nacional dos Surdos e será acompanhado de interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras). O roteiro passa por alguns dos espaços mais antigos e simbólicos da capital. A Saiba Mais conversa com o historiador sobre a iniciativa. “O nosso lema é devolver a cidade para as pessoas, mas percebemos que um grupo enorme estava marginalizado dessa narrativa”, afirma Rocha. A ideia, segundo ele, é construir um modelo para que a acessibilidade deixe de ser uma edição especial e passe a integrar o calendário.
📌 Investigação
Uma rede de “fazendas de inteligência artificial” usa 255 perfis no Instagram para produzir e espalhar conteúdo alinhado à extrema direita. “Fazendas” de conteúdo são estruturas que produzem publicações rapidamente e em grande volume, muitas vezes de forma automatizada, com foco em atrair audiência, e não na qualidade da informação. Segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque obtido pelo Aos Fatos, essas contas publicaram ou coassinaram 1.204 posts entre 15 de agosto e 15 de setembro. A rede publicou ataques a Lula, ao PT e ao STF, promoveu a família Bolsonaro e difundiu imagens produzidas com IA que sexualizavam Janja e atacavam parlamentares. As publicações alcançaram 58 milhões de visualizações e somaram 5 milhões de curtidas e comentários. A circulação depende, em parte, do recurso de posts colaborativos: 586 conteúdos foram publicados por mais de uma conta e concentraram 63% do engajamento da rede.
🍂 Meio ambiente
Moradores indígenas do Parque das Tribos, no bairro Tarumã, zona oeste de Manaus, chegaram ontem ao quarto dia de combate a um incêndio na floresta da comunidade. O Corpo de Bombeiros controlou parte das chamas, mas não conseguiu alcançar os focos mais distantes. Os moradores seguiram com mangueiras, enxadas e abafadores improvisados. As chamas chegaram a cerca de 100 metros de uma casa, e a fumaça e a proximidade do fogo assustaram famílias com crianças e idosos. A Revista Cenarium acompanhou as dificuldades enfrentadas pelos moradores no combate ao incêndio e conta que mulheres indígenas percorriam a mata com ferramentas manuais. Elas abriam aceiros, faixas onde a vegetação é retirada para reduzir a continuidade do material combustível e conter a propagação das chamas.
📙 Cultura
Luanda, 6 anos, brinca perto da banca onde seus pais angolanos vendem produtos no centro de São Paulo. Embora esteja cercada de equipamentos culturais, nunca entrou no Theatro Municipal nem na Galeria Olido. Os pais dizem que o trabalho e a renda instável deixam pouco tempo para passeios ou para transmitir à filha referências de Angola. O Nonada ouviu famílias imigrantes com crianças de até 6 anos para mostrar como o lugar e as condições de moradia afetam tanto o brincar e a circulação pela cidade quanto o contato com a cultura de origem. A angolana Paula do Carmo Muecalia, 31 anos, encontrou no Capão Redondo uma casa com quintal para a filha Gênesis, 4 anos. A menina frequenta o museu onde a mãe trabalha e festas de famílias angolanas, mas, afirma Paula, “a distância influencia diretamente chegar em equipamentos culturais”. Henrique Trindade, coordenador do Educativo e de Formação do Museu da Imigração, destaca: “O pertencimento também se constrói pela possibilidade de circular, conhecer, ocupar e criar relações naquele espaço”.
🎧 Podcast
Como a transição ecológica da China pode mudar a produção de alimentos no Brasil? Esta é a pergunta da estreia de “A Natureza da Conversa”, produção d’O Eco em parceria com O Mundo que Queremos. Em conversa com Alexandre Mansur, André Guimarães, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), discute os investimentos chineses em agricultura regenerativa e orgânica e seus possíveis efeitos sobre o agronegócio brasileiro. Guimarães destaca a importância da conservação da Amazônia para a segurança alimentar global, sob a perspectiva estratégica da China, e os caminhos de cooperação e investimento entre os dois países para acelerar a transição agrícola.
💆🏽♀️ Para ler no fim de semana
Trinta anos depois da criação das primeiras cotas de gênero para candidaturas no Brasil, as mulheres seguem longe de ocupar o poder na mesma proporção em que participam do eleitorado. Em janeiro de 2026, elas eram quase 53% das pessoas aptas a votar, mas ocupavam cerca de 18% das cadeiras da Câmara dos Deputados. Das 20.560 candidaturas consideradas pelo TSE para o cálculo da distribuição dos fundos eleitorais neste ano, 7.165 eram de mulheres: 34,85%, pouco acima do mínimo legal de 30%. Em artigo na Revista Afirmativa, Hellen Frida, que integra o Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA), destaca que garantir vagas nas listas não significa dar às candidatas condições de vencer. As direções partidárias controlam a distribuição de recursos, apoio, visibilidade e estrutura de campanha. “Para nós, representação política não significa colocar algumas mulheres no topo da mesma pirâmide. Significa questionar por que existe uma pirâmide tão estreita, quem permanece na sua base e quais mecanismos mantêm poder, riqueza e capacidade de decisão concentrados”, afirma.



