🔸 Flávio Bolsonaro (PL) usou como base de campanha em São Paulo um apartamento que havia pertencido a Fabiano Zettel, cunhado e apontado pela Polícia Federal como “laranja” de Daniel Vorcaro, revela a revista piauí. O candidato à Presidência permaneceu no edifício l’Adresse, na Vila Nova Conceição, durante alguns dias em agosto, quando se reuniu com assessores, gravou vídeos para o horário eleitoral, participou de podcasts e teve compromissos na Faria Lima. Moradores e uma funcionária de uma escola próxima confirmaram à reportagem a presença do senador e de policiais legislativos que faziam sua segurança. Zettel comprou o apartamento por R$ 5,5 milhões em abril de 2025 e o vendeu menos de dez meses depois por R$ 3,5 milhões. O comprador foi uma empresa do advogado Willer Tomaz, amigo próximo de Flávio. A transferência foi registrada em março, dois meses depois de o STF determinar o bloqueio dos bens de Zettel e no mesmo dia em que ele foi preso na Operação Compliance Zero. Tomaz, por sua vez, não é investigado no caso Master, mas aparece no inquérito sobre fraudes no INSS.
🔸 O presidente Lula (PT) anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família ontem, a 17 dias do primeiro turno das eleições. O valor mínimo será elevado de R$ 600 para R$ 691, e o pagamento médio passará de R$ 675 para R$ 777. O Notícia Preta lembra que o valor mínimo de R$ 600 estava em vigor desde 2022 e foi mantido em 2023, quando o Bolsa Família voltou a substituir o Auxílio Brasil. A medida terá impacto estimado de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027. Os ministros Bruno Moretti, do Planejamento, e Dario Durigan, da Fazenda, afirmaram que há espaço fiscal para acomodar o aumento e que as regras fiscais serão respeitadas. “Do ponto de vista fiscal, é importante que a gente lembre que isso está sendo feito dentro das regras”, afirma Moretti.
🔸 Pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra que Lula tem 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que registra 44%, informa o Metrópoles. Os dois estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, e repetem os índices do levantamento anterior, de 11 de setembro. Brancos, nulos e nenhum somam 8%, e 1% dos entrevistados está indeciso. A pesquisa é a primeira do instituto divulgada após a sessão extraordinária do STF sobre a possível relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. No primeiro turno, Lula aparece com 39%, seguido por Flávio, com 36%, e Augusto Cury (Avante), com 6%.
🔸 O site Direita Já, ligado à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, disponibilizou aos apoiadores mais de 140 imagens produzidas com inteligência artificial. A Agência Lupa analisou mais de 350 peças publicadas na página e identificou uso de IA em cerca de 40% delas. Ao menos 21 conteúdos sintéticos, o equivalente a 15% desse conjunto, não traziam qualquer aviso sobre a tecnologia. Entre eles estava uma montagem de Lula abraçado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, acompanhada da expressão “Conselheiro do Master”. A omissão contraria resolução do TSE sobre propaganda digital, que exige a identificação explícita de conteúdos feitos por IA. PT e Missão também mantêm canais para distribuir material eleitoral, mas a reportagem não encontrou conteúdo sintético nesses espaços.
📮 Outras histórias
Em vídeo: “Quando você está num território periférico, o seu voto faz a diferença. Quando fui palestrar na Câmara Municipal de São Paulo, não me senti representada. Estava numa mesa que falava sobre a arborização de São Paulo, e muitas pessoas diziam como ela estava melhor. Aí fiquei pensando nas periferias, porque sou da periferia: onde isso está acontecendo? É no centro ou é na periferia? Então, em que momento a gente se sente representado?”, questiona Karoline, moradora da Ilha do Bororé, no Grajaú, no extremo sul da cidade de São Paulo. Em vídeo que integra a série Territórios do Voto, produzida em parceria com o Amado Mundo, a Agência Mural conversa com jovens que explicam por que as eleições importam para quem vive nas periferias da capital. Para Karoline, quem deseja melhorias precisa votar em pessoas que construam soluções “com a quebrada, e não para a quebrada”.
📌 Investigação
Marina Silva (Rede), candidata ao Senado por São Paulo, concentrou 32% das 1.318 ofensas contra candidatas coletadas no X entre 16 e 24 de agosto, mostra o Núcleo a partir de levantamento do MonitorA. Os conteúdos dirigidos a ela combinavam misoginia, ataques à aparência, etarismo, desumanização e discriminação regional. No período, 63% das agressões identificadas na plataforma tiveram como alvo mulheres que disputam o Senado. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, 69 mulheres concorrem ao cargo em 2026, 19% a mais do que em 2022 e, pela primeira vez desde 2014, há candidatas em todos os estados. O MonitorA, observatório do InternetLab em parceria com o Núcleo e o Instituto Democracia em Xeque, diferencia insultos, caracterizados pelo uso de linguagem hostil, de ataques que mobilizam gênero, raça, origem, religião, sexualidade ou outras características para inferiorizar grupos historicamente marginalizados. Erika Hilton (Psol-SP), candidata à reeleição para a Câmara, ficou em segundo lugar no X, com 23% das ofensas; 75% delas eram transfóbicas.
🍂 Meio ambiente
Em apenas 12 anos, o rio Acre registrou quatro das maiores cheias de sua série histórica e dois recordes de seca, conta o Varadouro, em reportagem que integra o projeto Águas Partidas, colaboração entre jornalistas e cientistas latino-americanos promovida pelo Instituto Serrapilheira e pelo Centro Latino-Americano de Investigação Jornalística. O manancial – que nasce no Peru e entra no Brasil por Assis Brasil, atravessa a Bolívia e o Acre e abastece mais da metade da população acreana – vive uma alternância cada vez mais rápida entre enchentes e estiagens severas. Moradores relatam perdas sucessivas, alterações no calendário das chuvas e pouco tempo para se recuperar entre um extremo e outro. “Quando cheguei aqui, o rio era bem perto da casa e não alagava. Agora ele seca mais do que secava e enche mais do que enchia”, lembra Maria das Neves, 52 anos, moradora de Assis Brasil há duas décadas.
📙 Cultura
Cinquenta anos depois de sua realização, o raríssimo longa pernambucano “Luciana, a Comerciária” ganhou uma cópia digital e será exibido neste domingo no Cinema da Fundação, em Recife, simultaneamente à projeção na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Dirigido por Mozart Cintra em 1976, o filme teve apenas três sessões documentadas e chegou a ser considerado perdido. A trama acompanha uma jovem do interior que se muda para Recife e aprende a enfrentar as dificuldades da nova vida. A Revista O Grito! narra a saga da recuperação da obra, uma busca iniciada em 2003, quando quatro latas com a cópia de difusão foram encontradas sob a mesa da sala de Celeida Cintra, viúva do diretor, no bairro de Campo Grande. A película estava atingida pela “síndrome do vinagre”, degradação química que deforma o material, e apenas os 15 minutos iniciais puderam ser projetados. Celeida, que também produziu, atuou e colaborou no roteiro do filme, preservou por décadas as latas, o manuscrito e outros documentos da produção. Após 23 anos de tentativas, o pesquisador e técnico Caio Ramon Fonseca conseguiu revisar e digitalizar o internegativo duplicado pela Cinemateca em 2016.
🎧 Podcast
Tesoureiro da campanha de Fernando Collor, PC Farias criou uma espécie de “clube de assinantes do governo”, no qual o tamanho das contribuições definia o grau de acesso dos financiadores ao poder. “Quem desse um milhão tinha acesso ao governo. Quem desse dois milhões, tinha acesso e podia nomear alguém. Quem desse três, quatro milhões, poderia marcar uma audiência com o ministro”, afirma o jornalista e escritor Xico Sá, autor do recém-lançado “O Tesoureiro: O Esquema de Corrupção, a Fuga Espetacular e a Morte de PC Farias”. Na “Rádio Escafandro”, produção da Rádio Guarda-Chuva, ele reconstrói a ascensão do empresário alagoano, que saiu de uma família de classe média baixa e se aproximou dos círculos políticos “encenando” ser rico. Para conquistar a confiança da elite econômica de Maceió, PC circulava em carros luxuosos, mesmo quando não eram seus, e pedia a amigos que se passassem por motoristas. “Ele tinha muito na cabeça que só ganha dinheiro quem já parece rico”, conta Xico Sá.
💆🏽♀️ Para ler no fim de semana
Imagens, vídeos, áudios e mensagens fraudulentas produzidos com inteligência artificial podem tornar golpes digitais mais convincentes e difíceis de identificar. Entre os riscos, estão os deepfakes que imitam familiares, executivos e instituições conhecidas e os sistemas capazes de cruzar informações públicas das redes sociais com dados de vazamentos para elaborar listas de senhas prováveis. A FastCompany Brasil explica que não é preciso dominar a ciência da computação para reduzir a exposição a essas ameaças e recomenda medidas que ajudam a criar um “escudo” contra golpes que se valem de IA. Reduzir a pegada digital é o primeiro passo, com a exclusão de aplicativos sem uso, a revisão das permissões e o cuidado ao fornecer informações pessoais a chatbots.



