🔸 A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a PEC que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem corte salarial. O texto também garante dois dias de descanso remunerado por semana e prevê uma transição – a jornada cairá para 42 horas dois meses após a promulgação e chegará a 40 horas um ano depois. A aprovação é considerada uma vitória do governo, que colocou a redução da jornada entre suas prioridades legislativas antes das eleições. O Congresso em Foco explica que a votação foi simbólica e, dos 27 senadores presentes, quatro apenas declararam voto contrário: Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Rogério Marinho (PL-RN), Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO). A proposta segue para o plenário e precisará de pelo menos 49 votos em dois turnos. Se o Senado não alterar o texto, a PEC poderá ser promulgada sem retornar à Câmara.
🔸 A cúpula da Polícia Federal não pretende investigar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), caso receba uma determinação do ministro André Mendonça. A CartaCapital apurou que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, considera que o procedimento adotado contraria o rito legal. Em 24 de agosto, Mendonça pediu de surpresa aos investigadores do caso Banco Master que identificassem os destinatários das mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A PF confirmou que um deles era Moraes. Pelo entendimento de parte da corporação, qualquer diligência contra um ministro do STF deveria receber antes o aval da Procuradoria-Geral da República ou do plenário da Corte. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que Mendonça não “detém competência para dirigir as ações policiais contra alvos que resolva mirar”. O caso ainda será analisado pelo plenário do STF, sem data definida.
🔸 O próprio Mendonça, aliás, confirmou que se reuniu com Daniel Vorcaro. O encontro teria durado cerca de duas horas, em 14 de março de 2025, quase um ano antes de Mendonça assumir a relatoria do caso Master. Segundo o Metrópoles, a aproximação foi articulada pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), quando aumentava a pressão institucional sobre o banco. Mendonça afirmou que recebeu Vorcaro por iniciativa do empresário e “se limitou a ouvi-lo” sobre créditos de precatórios de interesse da instituição.
🔸 A propósito: a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) aposta na crise do STF para o 7 de Setembro, sob as palavras de ordem “fora, Lula” e “fora, Moraes”. O Jota destaca que aliados veem na crise uma oportunidade de mobilizar a militância e reduzir a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A divulgação das mensagens entre Moraes e Vorcaro também tirou espaço do noticiário sobre um repasse adicional de cerca de R$ 8,5 milhões feito pelo ex-banqueiro ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL), valor até então omitido por Flávio. Estão previstos atos nos estados pela manhã e uma manifestação na avenida Paulista à tarde.
🔸 Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em um eventual segundo turno das eleições de 2026, segundo pesquisa Quaest divulgada ontem. O presidente Lula tem 42% das intenções de voto, ante 41% de Flávio; e 13% dos entrevistados afirmam que votariam em branco ou nulo e 4% se dizem indecisos. O Canal MyNews mostra que Lula mantém vantagem nos demais cenários testados: marca 43% contra 36% de Renan Santos (Missão), 44% contra 33% do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), 42% contra 37% do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e 40% contra 34% do escritor Augusto Cury (Avante).
📮 Outras histórias
“O coraçãozinho dela tá a mil, estamos muito felizes. Foi tudo muito em cima da hora”, diz Rayssa Araujo, mãe de Laura, moradora da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. A menina é uma das três crianças do projeto social Vidançar aprovadas na pré-seleção da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. Também avançaram Clayton Matheus da Silva, aluno da unidade do projeto em Campos Elíseos, e Guilherme Leonardo, morador do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio. O Voz das Comunidades conta que as famílias estão em busca de recursos para pagar passagens, hospedagem, alimentação e roupas de frio das crianças, despesas necessárias para a etapa presencial dos testes, em Joinville (SC). Familiares de Guilherme, por exemplo, percorrem as ruas da cidade vendendo doces em pontos de grande circulação, como a Feira da Glória e as praias da zona sul.
📌 Investigação
O Brasil destinou R$ 163,12 bilhões à segurança pública em 2025, maior valor desde o início da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2016. A maior parte dos recursos veio dos estados e foi direcionada às polícias militares. Nos últimos cinco anos, os gastos cresceram principalmente no Norte, com alta de 38,4%, e no Nordeste, com 32,5%. O Piauí quase dobrou os recursos destinados à área, com aumento de 93,2%, seguido pelo Acre, com 89,9%. Na primeira reportagem da série Ponte nas Eleições, sobre segurança pública, a Ponte mostra como a distribuição do orçamento privilegia o policiamento ostensivo, as operações e a compra de armamentos em detrimento da investigação e da inteligência. No Rio de Janeiro, a segurança receberá R$ 19,4 bilhões em 2026, acima dos valores reservados à saúde e à educação. “O candidato que promete só dar mais polícia está te enganando. Claro, o Brasil precisa de polícia, mas não necessariamente de mais polícia”, afirma Carolina Ricardo, advogada, socióloga e diretora-executiva do Instituto Sou da Paz.
🍂 Meio ambiente
“Para conseguir água limpa, eu tinha que sair às 4 da manhã. Se passasse das 7, 8 horas, não tinha mais água, aí a gente precisava esperar até o dia seguinte”, lembra Mauyra Asurini, professor indígena que vive com a família numa comunidade da bacia do Xingu, na região de Altamira (PA). Durante a seca de 2023 e 2024, ele precisou abrir uma trilha na floresta e caminhar quilômetros em busca de água. Ainda longe de se recuperar dos impactos daquele período, a Amazônia vai enfrentar o El Niño mais intenso dos últimos 150 anos, apelidado de “El Niño Godzilla”, principalmente entre outubro e dezembro. A Sumaúma lembra que o Instituto Nacional de Meteorologia já advertiu que o fenômeno vai atrasar o início da estação de chuvas na Amazônia, elevar as temperaturas, reduzir o nível dos rios e intensificar o risco de incêndios. Erika Berenguer, bióloga especialista em florestas pela Universidade de Oxford, alerta que a região pode ser surpreendida pela dimensão do El Niño atual: “Não existe paralelo. Não chega nem perto de nada que já vimos antes. É muito assustador”.
📙 Cultura
Durante a graduação, quando viveu sua transição de gênero, Joanna Leoni começou a fotografar em Polaroid as mudanças do próprio corpo e, depois, pessoas trans próximas. A morte violenta de conhecidas que deixaram poucos registros reforçou a urgência do trabalho: “Entendi que era necessário criarmos esses registros com a mesma velocidade e urgência com que tiram as nossas vidas”. Agora, ela lança o livro “trocar/tocar nossas línguas: trans/escrita, memória y registro”, que articula memória e experiência travesti para refletir sobre as formas de registrar histórias e produzir conhecimento. Em entrevista ao Catarinas, a escritora detalha o processo de criação da obra e fala sobre as dificuldades para produzir arte sobre gênero e sexualidade no estado onde vive. “Para quem é LGBT em Santa Catarina, saber que temos memória, história e resistência tem funcionado quase como um refúgio”, diz.
🎧 Podcast
Ailton Alves de Souza, morador da favela de Heliópolis, já foi “reconhecido” por uma série de câmeras de monitoramento de segurança. “Qualquer câmera, de trânsito, de shopping, de cinema, qualquer lugar, pegava meu rosto e mandava para a viatura. Lá, quando eles consultavam, estavam o meu rosto e meus dados”, conta. Numa das ocasiões, os policiais teriam recebido uma foto dele junto com a placa de um carro. Ailton foi parado e detido sob a alegação de que teria matado quatro pessoas, o que não era verdade. “Os caras vieram de forma truculenta. Eu sou um cara negro, moro em favela, já tem o estereótipo e o racismo, isso aí conta muito”, diz Ailton. A “Rádio Escafandro”, produção da Rádio Guarda-Chuva, discute como o monitoramento de quase metade dos brasileiros por câmeras de vigilância tem impactado os índices de criminalidade e explora programas como o Smart Sampa, sistema da Prefeitura de São Paulo.
👩🏽💻 Tecnologia
Metade dos brasileiros com 10 anos ou mais consumiu algum conteúdo digital de leitura nos últimos 12 meses, segundo pesquisa da Nielsen BookData. O levantamento, feito com 3 mil pessoas de todas as regiões e classes socioeconômicas, considera desde textos informativos até e-books, audiolivros, fanfics, quadrinhos e mangás. O Mobile Time destrincha os resultados que mostram o perfil dos leitores digitais no país. O celular é o principal meio de acesso para 72% deles, seguido por computadores e notebooks, com 23%. A classe C reúne a maior parcela desse público, 46%, e não há diferença significativa entre pessoas brancas, com 50%, e pretas e pardas, com 48%. Entre os jovens de 10 a 24 anos, ganham destaque as histórias seriadas, fanfics, quadrinhos e mangás: eles representam 47% dos leitores desses formatos.



