Os favores de Vorcaro a Ciro Nogueira e uma infiltrada na extrema direita
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🔸Depois da pressão de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o banqueiro Daniel Vorcaro passou a tratar como prioridade absoluta os pagamentos destinados ao filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). É o que mostram mensagens obtidas pelo Intercept Brasil. Flávio pediu a Thiago Miranda, responsável por aproximar o senador e o dono do Banco Master nas negociações do projeto, que cobrasse o jurídico do banqueiro para destravar os pagamentos. “Fala Thiago, te escrevo a pedido do pessoal do nosso filme pra você dar um gás na resposta do jurídico do investidor. Lembrando que estamos com o roteirista amarrado até janeiro só”, escreveu o filho de Bolsonaro. Dias depois, ao ser informado de que o filme nem sequer estava entre as prioridades financeiras em processamento, Vorcaro respondeu: “Esse é o mais importante disparado”. A prioridade ocorreu em um momento delicado para o Banco Master, quando a instituição já enfrentava problemas de liquidez, captação de recursos e maior pressão regulatória do Banco Central.
🔸 Falando em Vorcaro… Há uma relação de benefícios mútuos entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o banqueiro, segundo a Polícia Federal. A revista piauí teve acesso às mais de sessenta páginas que compõem um relatório da PF e conta que o dono do Master bancou uma viagem de luxo de Ciro e sua companheira a Courchevel, nos Alpes Franceses, em janeiro de 2025. A temporada de 13 dias custou R$ 1,85 milhão e incluiu hospedagem de alto padrão, restaurantes estrelados e outras despesas pagas pelo banqueiro. A viagem é apenas um dos elementos apontados pela investigação. As mensagens analisadas pela PF indicam que Vorcaro também teria custeado outras viagens, disponibilizado cartão de crédito para despesas do senador, pago valores periódicos ligados a uma empresa da família de Ciro e cedido um apartamento ao parlamentar.
🔸 A 30ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo reuniu ontem quase 37 mil pessoas na Avenida Paulista, participação menor do que a registrada em 2025, quando cerca de 50 mil pessoas estiveram na manifestação. A estimativa de público deste ano é do Monitor do Debate Político da USP. O Metrópoles conta que o evento adotou o tema “Parada SP 30 anos: A rua convoca, a urna confirma” e defendeu a mobilização política e a ocupação dos espaços públicos. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não compareceram. Já o governo federal foi representado pela ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Janine Mello.
🔸 Em tempo: a 9ª edição da Marcha do Orgulho Trans, prevista para acontecer na última semana em São Paulo, foi cancelada. O contexto é o do desmonte de políticas de apoio à diversidade no país. O cancelamento acontece no contexto em que a Parada LGBT+ de SP, em seu aniversário de 30 anos, perdeu 60% de receita de patrocínio. Em entrevista à Alma Preta, a ativista e pré-candidata a deputada estadual Neon Cunha (PT-SP) lembra que a edição do ano passado contou com patrocínio da Petrobras – não renovado neste ano. “As pessoas precisam se envolver. Se você tem privilégios, precisa reconhecer quem não tem. A marcha é um espaço de celebrar a existência. O que fere tanto as pessoas na existência alheia?”, questiona.
🔸A exclusão de pessoas LGBTQIA+ do mercado de trabalho custa ao Brasil R$ 94,4 bilhões por ano, segundo estudo do Banco Mundial. O valor é o equivalente a 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. As perdas fiscais associadas ao problema chegam a R$ 14,6 bilhões anuais. A Agência Diadorim detalha o levantamento e destaca que a taxa de desemprego entre pessoas LGBTQIA+ é de 15,2% – quase o dobro da média nacional (7,7%). As perdas econômicas atingem de forma mais intensa mulheres lésbicas, bissexuais, trans e intersexo. O estudo calcula perdas anuais de R$ 54,3 bilhões entre mulheres, ante R$ 40,1 bilhões entre homens.
📮 Outras histórias
No CEU Cidade Dutra, na zona sul de São Paulo, a tradição de colecionar figurinhas da Copa do Mundo ganhou um formato comunitário. Além de funcionar como ponto de troca para crianças e famílias da região, o Centro Educacional Unificado criou um álbum coletivo para ser preenchido com figurinhas repetidas doadas por frequentadores. A Agência Mural conversou com participantes, como os irmãos Liz Dias e Dom Dias, de 6 e 4 anos, que buscam completar o próprio álbum enquanto ajudam a preencher o mural comunitário. “Falta o Bento (goleiro), mas já colei o Vini Júnior (atacante)”, conta Liz. “Vim trocar figurinha e colaborar com o painel”, diz Theo Dias, 9 anos, que ainda tem 26 repetidas. O assessor do núcleo de ação cultural do CEU Cidade Dutra, Ge Lopes, explica que o espaço foi idealizado como ponto de troca e um local de acolhimento para um público: “Como a gente tem essa tradição de colecionar figurinhas da Copa, abrimos esse espaço com o objetivo de trazer o pessoal para um local seguro, fechado e acompanhado de responsáveis”.
📌 Investigação
Jornalistas que cobrem violência de gênero também se tornam vítimas e vivem rotinas de ameaças, assédio moral, ataques digitais e agressões físicas. Levantamento da Revista AzMina ouviu 13 mulheres que fazem cobertura sobre o tema e revela que todas já sofreram algum tipo de violência, assédio ou retaliação no exercício do jornalismo, e mais da metade viveu entre dois e cinco episódios. A jornalista e fundadora do Paraíba Feminina, Taty Valéria, ajudou uma mulher que estava sob ameaça do ex-companheiro, conseguiu que a Patrulha Maria da Penha levasse a vítima para um abrigo sigiloso, denunciou o caso à Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco e escreveu uma reportagem sobre o caso. “No dia seguinte, recebi a primeira ameaça de morte no meu celular. Fiquei com muito medo, porque ela estava protegida, mas eu não”, conta. As ameaças vinham de uma pessoa que se identificou como familiar do acusado.
🍂 Meio ambiente
Na Semana do Meio Ambiente, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de urgência para votar um projeto de lei que altera o Código de Mineração para facilitar os processos de exploração por garimpos de pequeno porte. A Revista Cenarium explica que o PL 957/2024, do deputado Felipe Barros (PL-PR), modifica ritos burocráticos do setor mineral, como a descentralização de atos administrativos. A proposta também cria mecanismos que possibilitam a concessão de lavras em regime de superfície de forma simultânea a direitos minerários em áreas já existentes, permitindo que a Agência Nacional de Mineração (ANM) decida a favor do garimpo mesmo se o titular da área se manifestar de forma contrária. A base governista, organizações socioambientais e o próprio Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) se manifestaram contra o PL. Eles afirmam que a flexibilização e a simplificação dos processos podem facilitar a concessão de licenças sem o rigor técnico necessário.
📙 Cultura
Apenas 14% das famílias brasileiras leem com crianças de até 5 anos de três a sete vezes por semana, segundo o “Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-Estar na Primeira Infância”, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Nos demais países analisados, a média chega a 54%. O Lunetas destaca que o indicador sinaliza um distanciamento entre as crianças e os livros desde os primeiros anos de vida, em geral, substituídos por telas. “Os dados são alarmantes, mas quem convive com criança no chão da escola, não se espanta porque sentimos isso no dia a dia”, afirma o professor Helder Guastti, que há nove anos criou a biblioteca comunitária Confabulando, em João Neiva (ES). Incomodado com as práticas de leitura engessadas que encontrava na escola, ele passou a investir em mediações e rodas de conversa com os alunos. “A escola talvez propague a ideia de algo superficial quando fala: ‘Vai lá ler um livro’, mas a leitura envolve vários processos e, quando a gente pensa em leitura em casa, demanda tempo.”
🎧 Podcast
Em busca de compreender a ascensão da extrema direita mundial de dentro, a jornalista investigativa Andrea Dip tem se infiltrado em eventos internacionais de grupos ultraconservadores. A série “Democracia sob Cerco: Como a Extrema Direita se Reorganiza no Brasil”, do “Guilhotina”, produção do Le Monde Diplomatique Brasil, recebe a autora de “Em Nome de Quem? A Bancada Evangélica e Seu Projeto de Poder”. Dip pesquisa sobre as ligações entre religião, autoritarismo e pânico moral, e explica como são os congressos, o recrutamento de jovens do mundo todo e a criação de narrativas a serem propagadas. “Geralmente quem participa desses eventos são políticos, influenciadores, empresários, padres e pastores”, afirma. A maioria dos participantes é formada por homens mais velhos entre os palestrantes e mais jovens como audiências.
🙋🏾♀️ Raça e gênero
No Brasil, por dia, 197 meninas sofrem violência doméstica. “A violência intrafamiliar não é um fenômeno que envolve apenas uma vítima e um agressor. Todos os membros da família participam de forma direta ou indireta, em uma dinâmica complexa e com repercussões para todos os envolvidos”, afirma Theo Lerner, médico ginecologista e membro do Núcleo de Estudos da Violência contra a Criança e o Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Em 2024, 29% dos casos de violência doméstica foram contra meninas de até 15 anos e 4% contra meninas de 16 a 17 anos. A Gênero e Número detalha os dados do Ministério da Saúde e mostra como o trauma que começa na infância e na adolescência impacta a saúde de mulheres durante toda a vida, com efeitos na capacidade de imaginar o futuro e nos sistemas nervoso e imunológico.




