🔸 Às vésperas do segundo turno, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem empatados com 50% dos votos válidos cada um na pesquisa Datafolha divulgada ontem, informa o Jota. Na rodada anterior, de 15 de outubro, o senador tinha 52%, contra 48% do presidente. Nos votos totais, Flávio registra 47% e Lula, 46%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O instituto ouviu 2.520 pessoas entre os dias 20 e 22.
🔸 Durante a pandemia, Flávio Bolsonaro participou de um churrasco numa lancha no Lago Paranoá com garotas de programa. Na festa, organizada por empresários interessados em negociar vacinas com o governo de seu pai, ele ganhou um Rolex de presente. A revista piauí reconstitui o episódio a partir do relato de uma pessoa que estava na embarcação, além de documentos de quebras de sigilo enviados a CPIs, entrevistas e registros de voos. O passeio ocorreu em 17 de julho de 2020, dia em que o Brasil registrou 1.110 mortes por Covid. Danilo Trento e Francisco Maximiano, diretor institucional e dono da Precisa Medicamentos, encarregaram um agente de viagens de preparar o encontro e levar três mulheres de São Paulo a Brasília em um jatinho. Trento participou do passeio com o senador e Alexandre Santini, então sócio de Flávio numa loja da Kopenhagen. Ao final, tirou um Rolex do próprio pulso e o entregou ao parlamentar.
🔸 Uma lista viral com 42 supostas realizações de Jair Bolsonaro reúne 13 alegações falsas e 16 fora de contexto. Juntas, elas representam cerca de 69% do conteúdo, compartilhado por Pablo Marçal no Instagram e curtido pelo perfil de Flávio Bolsonaro, revela a Agência Lupa. Entre as falsidades estão atribuir ao ex-presidente a criação do Pix, desenvolvido pelo Banco Central a partir de 2018, e do programa Água Doce, lançado em 2004, além da construção da BR-022, rodovia que nem sequer existe. A lista também afirma que Bolsonaro ampliou em 30% a assistência à saúde indígena, mas os recursos federais executados na área caíram 8,8% entre 2018 e 2022, em valores corrigidos pela inflação.
🔸 Falando em fake… Flávio Bolsonaro repetiu ao menos 25 vezes neste ano alegações falsas sobre fechamento recorde de empresas e fuga de fábricas para o Paraguai, mostra o Aos Fatos. Segundo dados da Serasa Experian, as falências caíram entre 2024 e 2025 e, nos três primeiros anos do atual governo Lula, ficaram abaixo dos totais registrados entre 2012 e 2019. Houve alta de 36% entre janeiro e maio de 2026, com 484 falências, mas sem recorde. O saldo entre abertura e encerramento de empresas também permaneceu positivo, com 2,2 milhões de novos negócios em 2025. A suposta debandada para o Paraguai tampouco tem respaldo nos dados. Um levantamento usado para sustentar a narrativa reúne 232 empresas brasileiras que aderiram a incentivos para produzir no país vizinho entre 2007 e 2026, com manutenção das operações no Brasil. “O correto seria dizer que as empresas ‘expandiram’”, esclareceu a Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai.
🔸 Um acordo entre órgãos públicos e organizações indígenas viabilizou 9,4 mil litros de combustível e apoio logístico para transportar eleitores de 44 aldeias do Vale do Javari (AM) no segundo turno, neste domingo, segundo a Justiça Eleitoral. A Repórter Brasil conta que a parceria foi firmada nesta quarta-feira, um dia depois de a Justiça negar um pedido da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) por combustível, água e alimentação, sob alegações que incluíam falta de prazo e orçamento. O combustível será fornecido pelo Distrito Sanitário Especial Indígena, pela Funai, pela Prefeitura de Atalaia do Norte e pelo Centro de Trabalho Indigenista. Para acompanhar a operação, a juíza Dálethe Borges Messias solicitou a identificação das embarcações e dos responsáveis pelo transporte, além de dados sobre rotas, distâncias e número de eleitores, que poderão orientar o planejamento de futuras eleições.

📮 Outras histórias
“Desejo que o presidente nos dê a chance de viver e não de apenas sobreviver”, afirma Emilly Assunção, 26 anos, moradora do Morro do Salgueiro, no Rio de Janeiro. O Voz das Comunidades compara as propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para as favelas e ouve moradores sobre suas prioridades. O plano do petista menciona “favela” duas vezes e “periferia” nove; o do adversário não usa nenhum dos termos. Nenhum deles dedica um capítulo específico a esses territórios ou apresenta orçamento detalhado para cada proposta. Lula promete ampliar a urbanização pelo Periferia Viva, priorizar favelas no acesso a saneamento e destinar R$ 25 bilhões do Novo PAC à contenção de encostas e à drenagem em áreas de risco. Flávio propõe retomar o Casa Verde e Amarela, com meta de 2,5 milhões de moradias. “Eu acho que o que a gente, que mora na comunidade, espera do próximo presidente do Brasil é, acima de tudo, uma vida mais digna para nossas famílias”, diz Anderson Luiz, 26 anos, morador no Morro da Formiga.
📌 Investigação
“O Brasil é do Senhor. Nós não estamos presos à política, a governos”, afirmou a pastora Rafaela Fontenelli durante um culto da Igreja Lagoinha na Barra Funda, em São Paulo, na noite do primeiro turno. No telão, tremulava a bandeira brasileira; nos celulares dos fiéis, a apuração dos votos. Desde março, a Alma Preta acompanha os encontros da unidade para investigar como a política atravessa a rotina da denominação comandada por André Valadão. Nos grupos exclusivos para homens, relatos sobre dificuldades familiares e vícios dividem espaço com manifestações de preconceito contra mulheres e pessoas LGBT+. A reportagem também mostra como as suspeitas relacionadas ao Banco Master chegaram aos cultos. Segundo relatório do Coaf, o ex-pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e acusado de operar financeiramente para o banqueiro, depositou R$ 19 milhões nas contas da Lagoinha entre dezembro de 2024 e 2025. Em vídeo exibido aos fiéis, Valadão negou envolvimento no escândalo e associou as investigações ao ano eleitoral e a tentativas de difamar lideranças cristãs.

🍂 Meio ambiente
A presença de indígenas isolados em uma comunidade rural de Jordão, no Acre, reacendeu o alerta sobre a proteção dos territórios por onde esses povos circulam. Câmeras registraram o grupo em Santa Cruz, no limite da Terra Indígena Kaxinawá do Seringal Independência, no último dia 20. Segundo moradores, eles entraram em uma residência e levaram alimentos e utensílios básicos. O Varadouro mostra que sua circulação na região é conhecida há anos e ultrapassa as quatro áreas oficialmente reconhecidas para a proteção de isolados no estado, que somam cerca de 636 mil hectares. A Funai deslocou até a comunidade técnicos que já participavam de uma expedição de monitoramento no alto rio Muru. O trabalho busca acompanhar deslocamentos, identificar ameaças e orientar moradores sobre o respeito aos territórios dos isolados. Indígenas Huni Kuĩ e Manxineru também realizam essa vigilância há anos, em apoio à proteção e à prevenção de situações de risco.
📙 Cultura
“As pessoas mais velhas estão a morrer, e com elas suas línguas”, afirma a poeta e historiadora angolana Ana Paula Tavares, primeira mulher de seu país a receber o Prêmio Camões, em 2025. Em entrevista à Quatro Cinco Um, ela fala sobre escrita, tradição oral e o risco de desaparecimento de línguas em Angola, onde o português se expandiu após a independência sem que outros idiomas fossem ensinados nas escolas aos mais jovens. “A modernização chega de uma forma violenta e não se compadece do trabalho de ourivesaria que é a delicadeza da tradição oral.” Sua poesia e suas crônicas devem muito às histórias ouvidas na infância e ao trabalho de pesquisar arquivos, escutar e transcrever relatos. Autora de “O Sangue da Buganvília”, recém-lançado no Brasil, Tavares defende mais circulação das literaturas africanas e o ensino das variantes do português: “É uma perda enorme não estarmos a conversar sobre as diferenças e o que poderíamos fazer juntos”.
🎧 Podcast
“Eu sei que a gente atrapalha os repórteres. Eu sei disso, que atrapalha. E a gente vai continuar”, afirma Ozéas Santos, um dos “papagaios de pirata” que perseguem equipes de televisão para aparecer nas entradas ao vivo. A repórter Luciana Osório, que conviveu com essas aparições quando trabalhava no “Bom Dia Rio”, da TV Globo, decide investigar quem são esses homens e por que dedicam tanto tempo a ficar diante das câmeras. No segundo ato do episódio “Que coincidência você aqui”, do “Rádio Novelo Apresenta”, produção da Rádio Novelo, Luciana entrevista três “frequentadores” dos telejornais cariocas, que revelam suas estratégias para localizar equipes, driblar seguranças e garantir um lugar atrás dos jornalistas. Ozéas conta que chegou a trabalhar como pedreiro apenas à noite para passar o dia à caça de reportagens.

💆🏽♀️ Para ler no fim de semana
“O medo é um péssimo arquiteto de futuros. Quando ocupa espaço demais na nossa cabeça, nos faz encolher. Cancelamos planos antes da hora, passamos mais tempo reagindo do que construindo e aceitamos horizontes mais estreitos”, escreve Silvana Bahia, codiretora executiva no Olabi, pesquisadora e mestre em Cultura e Territorialidades pela UFF. Em coluna na Fast Company Brasil, a partir das vozes de Elza Soares, em “Libertação”, e Gal Costa, em “Divino, Maravilhoso”, ela reflete sobre os resultados do primeiro turno e a necessidade de resistir. “Sinto que uma eleição transforma a atmosfera, mesmo antes de qualquer nova lei ou decisão do governo. Percebo uma mudança na luz, no ar. O resultado das urnas reorganiza correlações de força, expectativas, possibilidades, riscos. E, assim, mexe com a maneira como imaginamos o futuro”, afirma. Para Bahia, “precisamos estar atentos para enxergar o buraco, fortes para não cair lá dentro e inteiros o bastante para não deixar que ele dite nossos passos”.
