Os 'donos informais' de emendas na Câmara e a trajetória das semifinalistas da Copa
Uma curadoria do melhor do jornalismo digital, produzido pelas associadas à Ajor. Novos ângulos para assuntos do dia
🔸O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou o bloqueio de até R$ 119,2 milhões em bens do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, e de até R$ 6,15 milhões de Eduardo Cunha, ex-deputado federal. A decisão veio após uma investigação da Polícia Federal apontá-los como articuladores e responsáveis informais de emendas parlamentares. Segundo o Congresso em Foco, a PF indica que, mesmo sem mandato desde 2013, Valdemar teria comandado a indicação e o remanejamento de emendas de comissão registradas formalmente em nome de deputados do PL ou da liderança da legenda. Já Eduardo Cunha, afastado da Câmara dos Deputados desde 2016, teria participado diretamente da escolha e da troca de municípios beneficiados por emendas da Comissão de Saúde, sobretudo em Minas Gerais, estado pelo qual pretende disputar as eleições. Dino suspendeu a execução das emendas investigadas e ordenou que a Câmara apresente os documentos referentes à tramitação interna de cada uma.
🔸 Aliás… há indícios de que a Presidência da Câmara tinha conhecimento e deu aval às indicações de emendas parlamentares atribuídas a Eduardo Cunha, de acordo com a PF. A investigação aponta que Mariângela Fialek, assessora da Presidência da Casa, era responsável por operacionalizar o direcionamento dos recursos desde a gestão de Arthur Lira (PP-AL) e permaneceu na função durante o comando de Hugo Motta (Republicanos-PB). O Metrópoles lembra que os dois parlamentares são aliados de Cunha.
🔸 “O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro”, diz trecho da carta do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), publicada por Flávio nas redes sociais, em meio à crise entre ele e Michelle Bolsonaro, conta a CartaCapital. Após a publicação, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, a revogação da prisão domiciliar humanitária concedida ao ex-presidente. Segundo o parlamentar, Bolsonaro descumpriu as medidas cautelares impostas, como a proibição de “usar aparelhos celulares e acessar redes sociais”, inclusive por meio de “assessores ou terceiros”, além da “gravação de vídeos e a divulgação de suas imagens e manifestações”.
🔸 A regulação das bets feita no Brasil falha em focar no apostador, e não no mercado. É o que afirma Thiago Falcão, professor e pesquisador de Jogos Digitais, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Em artigo no Conversation Brasil, ele reflete sobre as lacunas das normas e legislações aprovadas até agora. “As instituições que regulam a prática transferem ao jogador a responsabilidade por conter um comportamento que as plataformas são desenhadas para incentivar”, diz. “Regular a infraestrutura de comunicação das plataformas é um começo, mas é necessário agir na arquitetura de aceleração do produto. Ainda são essenciais medidas como: estabelecer um intervalo mínimo entre uma aposta e outra; proibir recursos de design que estimulem decisões impulsivas ou dificultem que o usuário interrompa o jogo (dark patterns); impedir a oferta de bônus para atrair ou manter apostadores; proibir que influenciadores e afiliados sejam remunerados de acordo com o prejuízo dos jogadores.”
🔸A propósito: um projeto de lei propõe a responsabilização de toda a cadeia de divulgação de apostas – influenciadores, afiliados, anunciantes, operadores e plataformas – por eventuais danos causados ao consumidor. A Pública ressalta que a proposta ganhou o nome de PL Rafael em alusão a Rafael Borges Amaral, que morreu aos 26 anos pressionado por seu vício em apostas online. De autoria da deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG), o texto prevê a proibição do modelo de contrato que oferece comissões a influenciadores e permite remuneração proporcional às perdas registradas por seguidores que clicarem nos links de divulgação.
📮 Outras histórias
“O diferencial competitivo da moda potiguar está em transformar identidade cultural em produtos com valor agregado. E o Seridó reúne tradição, mão de obra qualificada e uma cultura empreendedora muito forte”, afirma Verônica Melo, gerente da Unidade de Desenvolvimento Setorial do Sebrae-RN. No início do mês, instituições públicas, entidades de apoio empresarial, artesãos, estilistas e representantes da indústria se reuniram em Caicó (RN), no Seridó, porção do Semiárido brasileiro, para debater a reestruturação do Polo da Moda do estado. A Saiba Mais destaca que a região concentra experiências ligadas ao bordado, ao artesanato têxtil e à produção de moda autoral, e o Rio Grande do Norte reúne cerca de 2 mil empresas e mais de 20 mil pessoas nessa cadeia produtiva.
📌 Investigação
Dos 4.228 projetos de lei elaborados pela primeira bancada abertamente formada por mulheres lésbicas, bissexuais e transexuais no Congresso, apenas 55 propostas tratam especificamente da pauta LGBTQIA+. Apesar da discrepância temática, o número representa um aumento do volume de projetos pró-LGBTQIA+, mas nenhum foi aprovado ainda. Levantamento da Agência Diadorim em parceria com a Gênero e Número detalha a atuação das deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP), Duda Salabert (PSOL-MG), Daiana Santos (PCdoB-RS) e Dandara Tonantzin (PT-MG). As pautas das parlamentares integram tanto temas ligados às identidades de gênero quanto necessidades sociais amplas, como o PL pelo fim da escala 6x1, coautoria de Erika Hilton. Para a presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), Bruna Benevides, a bancada enfrenta um cenário duplo: enquanto propõe medidas para ampliar direitos, também precisa combater projetos que restringem garantias.
🍂 Meio ambiente
A concessionária Neoenergia Coelba, responsável pela rede elétrica da Bahia, deve pagar R$ 61.529,00 por mês para o Fundo de Defesa dos Direitos Fundamentais do Ministério Público do estado para financiar resgates, monitoramento e conservação das preguiças-de-coleira-do-nordeste. Há alguns anos, pesquisadores e população local documentam a morte dessa espécie, endêmica da Mata Atlântica na região da Praia do Forte, devido aos fios elétricos e transformadores desprotegidos da empresa. Nos últimos três anos, o Instituto Preguiça-de-Coleira contabilizou cerca de 24 mortes por eletrocussão na região de Praia do Forte, que abriga a maior concentração da espécie em todo o país. Segundo o Conexão Planeta, além do pagamento mensal, a Justiça da Bahia determinou recentemente que a concessionária apresente um plano de adequação da rede elétrica para a conservação da espécie.
📙 Cultura
“A Tarantina é feita por pessoas LGBTQIAPN+ para pessoas LGBTQIAPN+. Além do fervo e celebração, a festa é uma plataforma para impulsionar artistas da nossa comunidade. Entender a importância desse espaço é saber que podemos estar mudando a vida de uma pessoa quando a colocamos no nosso palco”, afirma o DJ e produtor Gibran Gomes, um dos responsáveis pela festa Tarantina, que há quase uma década atravessa a vida noturna da população LGBTQIA+ em Recife (PE). Em entrevista à Revista O Grito!, ele fala sobre os desafios de manter uma festa independente relevante e os planos para celebrar os dez anos da iniciativa em 2027. “Já fomos modestos demais quanto à nossa influência na noite recifense, mas hoje a gente entende o peso que essa marca tem.”
🎧 Podcast
O interesse pela música acompanha o multiartista sergipano Tiago ZN desde a infância. Sua mãe foi a principal incentivadora, com presentes que foram desde um pequeno violão de plástico até o primeiro violão acústico. Para o artista, a música é uma ferramenta de libertação social e cultural, sobretudo nas periferias. O “Mariscada”, produção da Mangue, conversa com Tiago ZN, cujos principais estilos são o reggae e o afrobeat. Ele é um dos idealizadores do Subgrave 33, projeto que busca fortalecer e difundir a cultura do Reggae Dub System em Aracaju, ao mesmo tempo que promove ações solidárias, como arrecadação de roupas, alimentos e absorventes para pessoas em situação de rua.
🏃🏿♂️ Esporte
Amanhã ocorre o primeiro jogo da semifinal da Copa do Mundo 2026, com o confronto entre França e Espanha. Na quarta, Inglaterra e Argentina definem o segundo finalista. O Nexo detalha o retrospecto de cada seleção na história da competição. Entre as semifinalistas, todas já foram campeãs mundiais, incluindo as seleções vencedoras de três das últimas quatro edições. Apenas a Inglaterra não tem um título recente, com sua única conquista em 1966. Tanto Espanha quanto Inglaterra disputaram uma única final na história, as que saíram vitoriosas. Já a França pode chegar à sua terceira final consecutiva: venceu a Croácia em 2018 e perdeu para a Argentina em 2022 – que também pode chegar a sua segunda final seguida.



