O discurso de Flávio nos EUA e a crise climática segundo surfistas
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🔸O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) mudou o tom em relação à proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e pediu que a medida não seja adotada neste momento. “Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter – premiando aqueles que são responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que suportaram suas consequências – seria o pior momento possível para agir”, disse Flávio na audiência promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O Metrópoles lembra que o senador já havia enviado um ofício ao órgão pedindo o adiamento da medida e voltou a afirmar que o governo Lula transformou o tema em instrumento de campanha. Na audiência, ele também saiu em defesa do Pix, citado pelos EUA como um dos elementos da investigação comercial contra o Brasil, e associou o atual governo a casos de corrupção, como o escândalo do INSS e as fraudes envolvendo o Banco Master.
🔸 O governo Lula, por sua vez, divulgou uma nota criticando a participação de Flávio Bolsonaro na audiência. Segundo o Palácio do Planalto, entre os brasileiros inscritos para se manifestar, Flávio foi o único que não se posicionou contra a medida e defendeu apenas o adiamento das tarifas por considerar que elas poderiam favorecer eleitoralmente o presidente Lula (PT). Segundo a CartaCapital, na nota, o governo afirma que o senador não reconheceu a atuação de sua família e aliados na origem do tarifaço, acusou-o de contrariar os interesses nacionais e de sugerir subordinar o Pix aos interesses dos EUA. O texto também sustenta que Flávio omitiu a relação do caso Banco Master com o governo Jair Bolsonaro (PL) e o caso “Dark Horse”. “Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao País e ao povo brasileiro”, completa a nota.
🔸 Já especialistas avaliam que a participação do senador na audiência dificilmente influenciará a decisão do governo americano sobre a proposta de impor tarifas de 25% a produtos brasileiros, mostra a Agência Pública. “Ele fez uma intervenção apenas para gerar material de campanha. Não terá impacto algum”, afirma o professor de direito do comércio internacional da USP, José Augusto Fontoura Costa. A reportagem explica que esse tipo de audiência é voltado principalmente a empresas e entidades potencialmente afetadas pelas tarifas. Para o professor José Niemeyer (Ibmec-RJ), a viagem de Flávio também faz parte de uma estratégia eleitoral e da tentativa de influenciar a política brasileira por meio da aproximação com o governo Trump. A decisão final sobre a adoção das tarifas está prevista para 15 de julho.
🔸 Enquanto isso, no Congresso… O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reagiu às declarações do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), que ameaçou classificá-lo como “inimigo dos trabalhadores” caso não encaminhe à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a PEC que extingue a escala 6x1. Segundo o Jota, Alcolumbre afirmou que “ameaças e tentativas de intimidação” não serão toleradas e ressaltou que a definição da pauta e da tramitação das propostas é prerrogativa constitucional da Presidência do Senado. A Proposta de Emenda à Constituição que põe fim à escala 6x1 foi aprovada pela Câmara em maio e aguarda o despacho de Alcolumbre para iniciar sua tramitação no Senado.
📮 Outras histórias
Um incêndio de grandes proporções no Vale do Quitite, na zona oeste do Rio de Janeiro, foi o estopim para que moradores de Jacarepaguá se organizassem em defesa da região. A Agência Lume conta que, três anos depois, a mobilização resultou na criação de duas novas unidades de conservação na cidade: o Refúgio de Vida Silvestre (Revis) das Florestas de Jacarepaguá e a Área de Proteção Ambiental (APA) das Lagoas de Jacarepaguá. Juntas, elas protegem mais de 2,6 mil hectares de Mata Atlântica e integram o projeto Corredor Azul. A advogada ambientalista Veronica Beck, integrante da Associação de Moradores da Freguesia (AMAF) e do movimento Floresta em Pé Jacarepaguá, afirma que a conquista traz uma proteção jurídica que afasta o risco de construções na região, mas a preservação real não será automática. “A prefeitura passa a ser responsável e deve assumir o trabalho de conservação e fiscalização das irregularidades”, destaca Veronica.
📌 Investigação
Santa Catarina lidera proporcionalmente o ranking nacional de ameaças contra mulheres, mas não investe em infraestrutura para acolher as vítimas. O estado tem apenas 43 delegacias especializadas no atendimento a casos de violência contra a mulher – e nenhuma atende 24 horas. Há casas-abrigo em apenas 13 dos 295 municípios, somando 317 vagas para vítimas de violência. O Catarinas mergulha na falta da rede de proteção às mulheres no estado. Além do número insuficiente de delegacias, os processos judiciais se arrastam por anos. Na zona rural, o abandono é ainda maior: Maria (nome fictício), agricultora que viveu um relacionamento abusivo em São José do Cedro, no extremo-oeste catarinense, precisou percorrer 25 quilômetros até a delegacia mais próxima.
🍂 Meio ambiente
Surfistas de 18 estados brasileiros relatam perceber os efeitos das mudanças climáticas e a poluição oceânica nos locais onde surfam. O levantamento do Instituto Ecosurf ouviu 539 pessoas, das quais 53,6% percebem elevação do nível do mar, e 50,3%, a perda ou estreitamento das praias. O Conexão Planeta reúne os principais achados da pesquisa, que também traz dados alarmantes sobre a saúde do Oceano Atlântico: 93,9% dos entrevistados afirmam ver resíduos plásticos sempre ou frequentemente nos ambientes costeiros que frequentam, e 43,2% dizem encontrar animais marinhos mortos com frequência. “Os dados mostram que a comunidade do surfe já entendeu a gravidade do problema. Agora, o desafio é transformar percepção em política pública, mobilização social, educação oceânica e responsabilidade empresarial”, diz João Malavolta, CEO do Instituto Ecosurf.
📙 Cultura
“Humanizamos um dos maiores artistas deste país. Jorge Laffond passou por grandes dilemas na história da televisão brasileira e retrata o que é o país em relação à população negra e LGBTQIAPN+”, afirma Rodrigo França, diretor da peça “Jorge Para Sempre Verão”. Conhecido artisticamente como Vera Verão, Jorge Laffond, homem negro gay, foi uma das principais atrações do SBT na década de 1980. O espetáculo vai além dos episódios de violência e preconceito e enaltece seu humor, inteligência e criatividade. A Revista O Grito! detalha a abordagem e o processo de criação da montagem teatral para exaltar o legado de Laffond e resgatar a humanidade e a complexidade de um artista frequentemente reduzido a estereótipos. “Apesar do sucesso, ele não se encaixava nem no movimento negro porque era muito bicha e nem entre as pessoas brancas porque embora fosse artista, era muito preta e muito bicha”, diz Alexandre Mitre.
🎧 Podcast
Irreverente e polêmica, a humorista Dercy Gonçalves “era uma figura que realmente incomodava”, nas palavras da jornalista Adriana Negreiros, autora da biografia “Dercy: A Diva Debochada”. No “451 MHz”, produção da Quatro Cinco Um, ela conta como foi o processo de pesquisa e de escrita da obra e fala sobre a vida difícil e as contradições da humorista, que morreu aos 101 anos, em 2008. “Dercy experimentou todo o cardápio de violência de gênero – patrimonial, psicológica, sexual”, afirma. “Foi uma mulher que sofreu muito em relação ao amor. Nunca foi uma mulher que se sentisse amada o bastante. E ela dizia: ‘só quem me amou incondicionalmente foi o público’. Ela realmente tinha uma relação muito visceral com as plateias.”
✊🏾 Direitos humanos
“Cheguei à Venezuela esperando o caos. (..) Mas confesso que não esperava encontrar o que vi nas ruas de La Guaira, cidade no entorno de Caracas que foi a mais afetada pelos sismos de 7,2 e 7,5 de magnitude que devastaram a costa venezuelana no final de junho. Em vez do simples caos, encontrei o horror absoluto”, escreve o jornalista Yan Boechat, que cobre o país vizinho há mais de uma década. Em artigo no Intercept Brasil, ele relata a situação da Venezuela após o terremoto. “O sistema funerário venezuelano simplesmente colapsou diante da enormidade de mortos. No necrotério de La Guaira, os corpos recolhidos pelas ruas eram despejados sobre o cimento quente do que outrora fora um estacionamento, sem nenhum tipo de tratamento que lhes concedesse um mínimo de dignidade.”



