🔸Perfis falsos no TikTok lucram com milhões de visualizações em conteúdos que exploram a polarização política com uso de inteligência artificial. A Lupa revela como as chamadas “contas dark” usam deepfakes de políticos e celebridades para gerar monetização. Os vídeos simulam discursos falsos de figuras públicas, como o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o apresentador Ratinho, em que pedem curtidas e comentários para inflar engajamento. Para Leandro Consentino, cientista político e professor do Insper, esses perfis são parte de uma estratégia de mercado, sem qualquer vinculação ideológica evidente. “O risco maior é descredibilizar a campanha eleitoral, tornando-a um processo associado a ganhos privados e menos à discussão real de propostas que tornem a decisão do voto mais consciente.”
🔸 A propósito: a Bytedance, controladora do TikTok, foi multada em R$ 153,7 milhões pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) por falhas na proteção de dados de crianças e adolescentes, como a coleta de informações de crianças menores de 13 anos para perfilamento comercial e publicidade direcionada. O Mobile Time lista os motivos da sanção e detalha que a decisão exige que a rede social exclua dados de usuários de 13 a 18 anos sem representação legal e apresente um plano de conformidade. “A gente entendia que a empresa não estava tomando as medidas necessárias para impedir que crianças e adolescentes acessassem a plataforma e, consequentemente, tratassem os dados de crianças e adolescentes", afirma Fabrício Lopes, superintendente de fiscalização da ANPD. A empresa tem o prazo de 20 dias úteis para recorrer da sanção ou efetuar o pagamento com desconto.
🔸 Já no Facebook, anúncios falsos com conspirações sobre urnas e intervenção militar foram aprovados sem dificuldade. A Agência Pública descreve como um teste da Anistia Internacional expôs falhas de moderação na plataforma. “O experimento mostra que a Meta [controladora do Facebook] não está fazendo o suficiente para impedir que sua plataforma seja um vetor de desinformação, ao mesmo tempo em que continua lucrando com os sistemas de conteúdo e publicidade que possibilitam sua disseminação”, diz a diretora-executiva da organização, Jurema Werneck. De 14 anúncios enviados, oito passaram pelos filtros automáticos sem restrição temática de desinformação. Embora os anúncios não tenham sido veiculados publicamente, a facilidade de aprovação levanta preocupações. “Em vez de zelar pela participação eleitoral e pelo acesso à informação precisa, estes sistemas de moderação correm o risco de aprovar conteúdo nocivo [ao processo eleitoral]”, afirma Ummar Bashir, pesquisador e consultor da Anistia Internacional.
🔸 O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou mais de 3,4 mil denúncias de irregularidades nas campanhas das eleições de 2026. A Alma Preta informa que o aplicativo Pardal Móvel, lançado em 17 de agosto, contabilizou um aumento expressivo de 2.365 notificações em apenas uma semana. As campanhas para deputado estadual lideram o ranking de queixas, com 1.245 casos, seguidas pelas de deputado federal, com 1.096. Para governador, 392 denúncias e, para presidente, 57. Entre os estados com maior número de notificações, São Paulo desponta na liderança com 613 ocorrências, seguido de Bahia (309) e Rio Grande do Sul (301). As irregularidades envolvem propagandas ilegais em carros de som, outdoors e distribuição inadequada de material gráfico nas vias públicas.
🔸 O Ministério da Cultura (MinC) estuda vedar a exposição de marcas de bets em projetos que utilizem a Lei Rouanet ou recursos da pasta. A discussão jurídica interministerial mira impedir o uso da cultura como meio para publicidade de casas de apostas. O Jota explica que o governo federal avalia a edição de decreto ou proposição de mudança legislativa para barrar patrocínios de apostas esportivas por meio da Rouanet, que é o principal mecanismo de incentivo à cultura no país e funciona via renúncia fiscal. Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Thiago Rocha Leandro diz que a participação atual desse setor no incentivo é pequena, o que reduz o impacto financeiro para os produtores e artistas. “É menos sobre a bet investir ou colocar dinheiro na cultura e mais sobre utilizar a cultura como plataforma de propaganda”, avalia. O desenho da medida ainda está em discussão, e a adoção dependerá de articulação com outras áreas do governo.
📮 Outras histórias
Liderança do povo Ashaninka, Américo Pascuala Tomisha foi morto a tiros no domingo enquanto fiscalizava a retirada ilegal de óleo de copaíba na comunidade Onconashari, em Ucayali, no Peru, e expõe a escalada da violência contra os povos indígenas que vivem na região de fronteira entre o Acre e o país vizinho, segundo O Varadouro. Em nota, a Comissão Pró-Indígenas do Acre cobra investigações: “A fronteira não pode permanecer entregue à própria sorte, especialmente diante de ameaças e ações criminosas que atentam contra a vida das pessoas, a integridade dos territórios e a conservação da floresta”. O líder Francisco Piyãko, do mesmo povo, reitera que ações temporárias são insuficientes e que a resposta precisa ser coordenada e permanente em ambos os países. Em carta aberta, ele chama a atenção para a persistente vulnerabilidade mesmo após denunciar a invasão de homens armados na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em julho. “Escrevemos porque precisamos que a urgência de quem vive no território seja compreendida. O tempo das instituições não pode ser completamente separado do tempo de quem está sob ameaça”, diz.
📌 Investigação
“Eu estava sozinha na cela e não oferecia risco à segurança de terceiros”, relatou Rossana Faustino Reis sobre o momento em que foi alvo de uma bomba de gás lacrimogêneo na Unidade Prisional Feminina de Palmas, em Tocantins. “A exposição ao gás provocou falta de ar, intenso desespero e agravou meu quadro de ansiedade.” A Ponte obteve acesso com exclusividade a um relatório inédito de inspeção na penitenciária. O documento aponta uma superlotação crítica de 68,4%, com 64 mulheres em um espaço projetado para apenas 38. A precariedade força as presas a dormir em colchões no chão ao lado de banheiros sem portas e fiação exposta. A infraestrutura é insalubre, com mofo, umidade, calor extremo e pouca ventilação nas celas. A vistoria também revelou falta de equipe de saúde permanente e indícios de discriminação racial. Uma das peritas que assinou o relatório afirma que o local funciona como um “mecanismo de contenção física e punição da pobreza, e não de ressocialização”.
🍂 Meio ambiente
Em áreas de fragilidade ecológica na orla de Aracaju (SE), edifícios de luxo com até 15 andares são erguidos ao redor das dunas, lagoas, restingas e manguezais. A Mangue conta que as construtoras ignoram a recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para suspender licenças de prédios com mais de quatro pavimentos na Zona de Expansão. Em vez de pararem, elas, na verdade, aceleraram o ritmo das obras para evitar que fossem atingidas por uma eventual suspensão judicial. O MPF alerta para riscos de inundações em dunas e manguezais e não “concorda com a expedição de licenças simplificadas e fracionadas como vem ocorrendo”, nas palavras da procuradora Gisele Bleggi, ameaçada de morte por sua atuação ambiental. Segundo a servidora, o modelo não exige medidas mitigadoras adequadas e despreza os impactos cumulativos e sinérgicos dos empreendimentos em sua totalidade. A administração municipal se recusou a aplicar uma suspensão generalizada das licenças, alega que faz análises técnicas rigorosas e defende que a solução estrutural definitiva virá com a revisão do Plano Diretor de Aracaju, há 26 anos sem uma atualização efetiva.
📙 Cultura
O afroturismo em Alagoas promove um resgate ancestral e cultural que desafia a visão comercial do turismo. A Mídia Caeté destaca as vivências afrocentradas oferecidas pela iniciativa Onilé Rotas Pretas, que realiza saídas pedagógicas e visitas a comunidades quilombolas para valorizar a memória da resistência negra brasileira e tem ganhado visibilidade fora do estado. O percurso entre Maceió e a Serra da Barriga – cerca de 70km da capital alagoana – inclui visitas ao Parque Memorial Quilombo dos Palmares, espaços de museus da Uneal, à Casa Museu Maria Mariá e à Comunidade Quilombola Muquém. A procura pela população local, porém, ainda é pequena, cenário agravado pela falta de apoio e divulgação das secretarias de turismo estadual e municipal. “O Afroturismo no Brasil tem crescimento alto desde a liberação de viagens pós-pandemia, mas em Alagoas não tem tido por parte dos órgãos responsáveis pela divulgação do turismo alagoano. Hoje conseguimos ter uma visibilidade e parceria [maiores] com plataformas e agências fora de Alagoas do que locais”, afirma o fundador Diego Bárà Onã.
🎧 Podcast
“As ferramentas existem e as pessoas estão usando [...] não tem como a gente dizer: ‘Não, não vamos usar’”, afirma a jornalista Tatiana Klix, diretora do Porvir, sobre o avanço das inteligências artificiais e seu uso no contexto da educação. No “Desinfodemia”, produção da Coar Notícias em parceria com a TV Unesp, ela explica o papel das inovações pedagógicas e os múltiplos desafios de professores, que além da partilha do conhecimento científico, lidam com cyberbullying e desinformação. Klix argumenta que, embora a tecnologia facilite processos mecânicos, o excesso é arriscado, e defende que o papel do professor passa a ser o de mentorar os estudantes para um uso consciente e qualificado. “Se eu não conseguir nunca escrever um texto do zero, talvez o meu letramento vai ser deficitário, e eu não vou ter nem capacidade crítica de entender o que que é um bom texto. [...] Eu vou estar sempre confiando no que a inteligência artificial vai me dizer.”
👩🏾⚕️ Saúde
“Eu tinha pouco contato com a internet antes da pandemia. Na escola, conversava e brincava normalmente. Depois, tudo ao meu redor ficou tecnológico. Desde as aulas até a conversa entre os parentes”, conta João Marcos que, na época, era um adolescente de 13 anos impedido de encontrar os colegas. O Lunetas aborda o impacto dos algoritmos das redes sociais na saúde mental de adolescentes brasileiros. Segundo o Mapa da Felicidade Real no Brasil, lançado neste ano, 77% dos jovens de 16 a 24 anos já compararam suas vidas com a de outras pessoas nas redes sociais, e 71% da mesma faixa etária ficaram tristes ou infelizes ao consumir conteúdo nessas plataformas. “O adolescente compara a sua vida com a vida editada dos outros, o que é uma comparação injusta”, afirma o psiquiatra Arthur Caye, do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental. Ele ressalta a importância da mediação familiar e da autorregulação. “O intuito é que o jovem responda perguntas para se autoanalisar e tenha uma autocrítica sobre como está usando o celular e o ciclo das redes sociais”, explica.



