🔸 Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações sobre os casos Master e INSS, a atuação de seus familiares e a pandemia no primeiro debate entre os dois, ontem, na Band. O Jota acompanhou em tempo real o confronto, marcado por interrupções e poucas propostas. Lula cobrou explicações sobre R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro, e Flávio respondeu que o dinheiro foi destinado ao filme “Dark Horse”, sobre seu pai, oferecendo ironicamente um convite ao presidente. O senador explorou as acusações de Roberta Luchsinger contra Lula e seu filho, Fábio Luís. O petista disse que a empresária mentiu, defendeu a investigação da PF e questionou a relação do adversário com o “Careca do INSS”. Na saúde, Flávio prometeu levar o “padrão Einstein” ao SUS; Lula perguntou se ele pretendia privatizar o sistema e criticou a gestão de Jair Bolsonaro na pandemia. Na economia, o presidente reconheceu o custo de vida alto, mas afirmou que a inflação era maior no governo anterior e destacou o aumento real do salário mínimo. Perto do fim, Lula desafiou o adversário a abrir os sigilos bancário e telefônico das duas famílias.
🔸 Flávio Bolsonaro repetiu no debate informações falsas sobre investigações, criminalidade e gastos públicos. O Aos Fatos checou as falas dos candidatos e informa que, ao contrário do que afirmou o senador, a PF já investiga Fábio Luís Lula da Silva em três inquéritos, com autorização para quebra de sigilos. Também é falsa a declaração de que Lula e Janja gastaram R$ 7 bilhões em viagens: o valor reúne despesas de diferentes órgãos e servidores federais entre 2023 e 2025. O candidato do PL citou supostos recordes de falências e criminalidade, embora os indicadores de empresas que faliram e de mortes violentas tenham caído nos últimos anos. Já o presidente Lula afirmou que a Constituição atribuiu a segurança pública aos estados, mas, na verdade, a União também tem responsabilidades na área, como investigar crimes pela Polícia Federal e combater o tráfico de drogas.
🔸 Antes do debate, Flávio Bolsonaro esteve na avenida Paulista, em São Paulo, para uma manifestação de apoio à sua candidatura. A CartaCapital informa que o “Bloquinho 22” foi convocado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Lula (PT) reservou o dia à preparação para o confronto. Seus apoiadores realizaram atos em capitais de diferentes regiões, segundo o Congresso em Foco, com movimentos sociais, estudantes e artistas. Em Salvador, Daniela Mercury e Gilberto Gil participaram da mobilização em Ondina; em São Paulo, a programação priorizou bairros periféricos. No Rio, Chico Buarque discursou em um ato organizado pela UNE na Candelária, e houve outra manifestação no Viaduto de Madureira, na zona norte. Para Copacabana, Caetano Veloso convocou um ato musical em defesa da democracia, com participações anunciadas de Djavan, Simone, Frejat e outros artistas.
🔸 “O movimento estudantil provoca e ajuda a formar novas lideranças, mas, acima de tudo, ajuda a mobilizar e organizar a luta no nosso país. […] Por isso, o grande grito de ordem dessas manifestações é: ‘ô trabalhador, olha para cá, estou na rua para o seu filho estudar’”, afirma Gutemberg Rodrigues, vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em entrevista ao “Pauta Pública”, podcast da Agência Pública, o estudante de História da UERJ analisa as mobilizações pela reeleição de Lula, que incluem assembleias, manifestações e “brigadas de vira-voto” desde 5 de outubro. Para ele, os protestos precisam ter organização e identificar os responsáveis pelos problemas que enfrentam. “É importante que essas mobilizações aconteçam. Agora, é importante que elas estejam sempre norteadas e muito bem organizadas para apontar, de fato, quem são os verdadeiros culpados por essa crise mundial que vivemos.”
🔸 A campanha de Flávio Bolsonaro pagou R$ 600 mil à Elytron, empresa de cibersegurança que, segundo documentos obtidos pelo Intercept Brasil, ofereceu nos Estados Unidos um sistema de inteligência artificial para manipulação política clandestina. O material descreve coleta e cruzamento de dados de eleitores, criação de contas falsas, disseminação de boatos e desinformação, produção de deepfakes e infiltração em redes de adversários. O PL também declarou um pagamento de R$ 131,9 mil à companhia. Os documentos foram entregues pelo empreendedor e tecnologista norte-americano Vincent Edward Reed, que atuou como consultor entre 2024 e 2025 e intermediou uma apresentação da ferramenta a pessoas ligadas à campanha de Donald Trump em 2024. Não há confirmação de contratação pelos republicanos. Reed afirma que rompeu com a empresa ao compreender o alcance do sistema. “Quando vi a demonstração [do sistema] e o dashboard, pude entender do que era capaz. E isso foi preocupante para mim porque vi que estava mirando eleitores e poderia atingi-los com deepfakes de IA.”

📮 Outras histórias
Para tomar banho, Sirley Ferreira, 40 anos, precisa pagar R$ 2 pelo banheiro da Feira da Manaus Moderna ou recorrer à beira do rio Negro, onde se acumulam resíduos de plástico e comida. Trabalhador da construção civil, ficou desempregado e hoje vive nas ruas da capital. Faz pequenos serviços no porto para sobreviver. Com o El Niño, tem se sentido mal: “De um mês para cá com esse verãozão complicou mais. Acho que é normal do calor, né?”. A Tipiti, newsletter da Abaré, mostra as estratégias de sobrevivência de pessoas em situação de rua diante do calor extremo e da falta de estrutura pública para protegê-las em Manaus. Segundo pesquisa da Universidade de Oxford, a capital amazonense é a cidade mais ameaçada pelo calor no Brasil e apresenta temperatura média 1,74°C superior à da área vegetada ao redor. A assistente social Rosiane Pinheiro, que atua há 11 anos no Consultório na Rua, conta que a rede é “insuficiente para atender a complexidade das demandas da população em situação de rua”. “Hoje não temos um equipamento que as pessoas possam manter suas formas de vida e ter um lugar protegido para dormir”, afirma.
📌 Investigação
Policiais usam fardas, viaturas e referências a ocorrências para ridicularizar mulheres que pedem ajuda em situações de violência doméstica. A Ponte reúne 19 vídeos publicados por 13 pessoas que se apresentam como integrantes das forças de segurança de diferentes estados. As encenações debocham de vítimas que hesitam em denunciar ou retomam relações com agressores, insinuam interesse sexual dos agentes pelas mulheres atendidas e usam a violência como piada política. Em um dos vídeos, policiais se cobrem com lençóis para “dar um susto” no agressor, ironizando o pedido da vítima. Ludmila Ribeiro, pesquisadora da Rede Feminina de Estudos de Violência, Justiça e Prisões, destaca que o receio de ser ridicularizada pode dificultar a busca por ajuda e o acesso à rede de proteção em situações de violência doméstica. Júlia Sakamoto, responsável pela Coordenação de Prevenção às Violências contra as Mulheres do Ministério da Justiça e Segurança Pública, afirma que os vídeos contrariam as diretrizes de atendimento: “Quanto mais essas mulheres são bem atendidas pelas polícias, mais elas vão se sentir confiantes [para denunciarem]”, diz.

🍂 Meio ambiente
O Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa a até 500 metros de rios e outros cursos d’água entre 1985 e 2025, o equivalente a 26,9% de toda a perda registrada no bioma. Na faixa de até 30 metros dos rios, a área de vegetação nativa diminuiu 13,9% no período. Em 2025, pastagem e agricultura ocupavam juntas 18,2% dessa faixa. Bárbara Costa, analista de pesquisa do IPAM e integrante da equipe Cerrado do MapBiomas, explica que “a vegetação próxima aos rios ajuda a proteger o solo, reduzir a erosão e evitar que sedimentos cheguem aos cursos d’água”. A Agência Envolverde lembra que no Cerrado nascem rios de seis grandes bacias hidrográficas brasileiras. As bacias do Alto Tocantins e do Araguaia concentraram 41% da perda de vegetação a até 500 metros dos cursos d’água. No bioma inteiro, a perda líquida chegou a 51,7 milhões de hectares em quatro décadas, uma redução de 34%. A vegetação nativa agora cobre 49,6% do território, quase a mesma proporção ocupada pela agropecuária, 48,9%.
📙 Cultura
“O homem que não fez distinção entre o pensar e a gargalhada, porque a gargalhada pensa e salva.” É assim que a jornalista, escritora e professora Fabiana Moraes descreve o poeta, cineasta e filósofo Jomard Muniz de Britto, morto em 12 de outubro. Seu artigo integra uma série da revista O Grito! em homenagem ao pensador pernambucano, cuja atuação como agitador cultural marcou diferentes gerações desde os anos 1960. O especial reúne textos de pessoas como Yeda Bezerra de Melo, Pedro Nunes Filho, Angela Prysthon, Luci Alcântara e Paulo Cunha. Fabiana, que escreveu com Aristides Oliveira uma “não-biografia” de Jomard, recorda as muitas horas de conversa com ele e a combinação de erudição, humor e proximidade com a cultura popular. “Extremamente culto, Jomard era também devoto de Nossa Senhora da Conceição e da graça popular. Amava Proust e amava os botecos; amava a filosofia e a epistemologia do baixo meretrício”, escreve.
🎧 Podcast
“A gente pode sair da narrativa de que a história das lésbicas é uma história de tragédia. Essas mulheres não foram só reprimidas; elas também tiveram agência, elas também foram criativas, elas também foram ousadas e elas também romperam com uma série de normas da sua época”, afirma a historiadora Julia Kumpera. No “451 MHz”, produção da Quatro Cinco Um, a autora de “Na Noite Lésbica: O Levante do Ferro’s Bar” fala sobre as relações entre boemia, sociabilidade e resistência lésbica durante a ditadura militar. Localizado no centro de São Paulo, o Ferro’s Bar foi palco de uma mobilização em agosto de 1983. Ativistas lésbicas, com apoio de grupos homossexuais, movimentos feministas e políticos, ocuparam a calçada e o interior do estabelecimento para ler um manifesto contra a censura, a lesbofobia e a repressão policial. Conhecido como o “Stonewall brasileiro”, em referência ao protesto de 1969 em Nova York, o levante se tornou um marco da luta lésbica no país e deu origem ao Dia Nacional do Orgulho Lésbico, celebrado em 19 de agosto.

🧑🏽🏫 Educação
“Adultos precisam entender que o prazer contínuo e sem limites está criando uma geração frágil, sem ferramentas para enfrentar as adversidades da vida”, afirma o escritor e psicólogo Ilan Brenman, autor de “Desligue a Tela e se Ligue no seu Filho”, livro em pré-venda pela Editora Valentina. Ele se refere à importância de os pais sustentarem a frustração das crianças quando estabelecem limites para o uso de telas. O Lunetas destaca que, segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, 92% dos brasileiros de 9 a 17 anos usam a internet, e 28% tiveram o primeiro acesso até os 6 anos, ante 9% em 2012. Brenman defende que a redução do tempo de tela seja acompanhada de atividades que fortaleçam os vínculos familiares, como preparar refeições juntos. Ele reconhece que a redução do uso de telas pode provocar ansiedade, mas considera as reações parte de um processo gradual de mudança de hábitos. “Sustentem a frustração dos seus filhos. Somos adultos ou não?”, provoca.
